Corte Interamericana de Direitos Humanos realiza visita ao território Munduruku no Pará

Agenda incluiu reuniões em Santarém, na Aldeia Jacarezinho e em Jacareacanga

Corte Interamericana de Direitos Humanos realiza visita ao território Munduruku no Pará. Foto: Reprodução/Corte IDH

A Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) realizou, entre os dias 1º e 3 de setembro, uma visita ao Pará para acompanhar as medidas provisórias relativas aos integrantes do povo indígena Munduruku.

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Em Santarém, a agenda da Corte Interamericana ocorreu na Aldeia Jacarezinho, na Terra Indígena Munduruku, e também em Jacareacanga. Participaram representantes da Corte IDH, da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), de órgãos do Estado brasileiro, do sistema de Justiça, de organizações peticionárias e das comunidades Munduruku.

Durante a missão, representantes da Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos e da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais do MDHC acompanharam as atividades. Entre os compromissos, estiveram a escuta das comunidades e as discussões sobre as etapas para a implantação da Mesa de Diálogo do programa federal de proteção.

Corte Interamericana de Direitos Humanos realiza visita ao território Munduruku no Pará
Corte Interamericana de Direitos Humanos realiza visita ao território Munduruku no Pará. Foto: Assessoria jurídica do 5º Ofício do MPF/Santarém

Leia também: Preservação da Terra Indígena Munduruku protege os povos indígenas e a floresta

O cronograma da Corte Interamericana teve início com uma reunião institucional em Santarém, na qual os representantes dos beneficiários apresentaram uma avaliação sobre o cumprimento das medidas provisórias. Na ocasião, os órgãos públicos prestaram informações sobre as ações realizadas e os desafios ainda existentes. No segundo dia, a delegação esteve na Aldeia Jacarezinho, onde lideranças e integrantes das comunidades relataram as condições enfrentadas no território e apresentaram demandas.

A escuta realizada dentro da Terra Indígena é uma etapa fundamental do acompanhamento internacional. Além de permitir que a Corte conheça diretamente as condições enfrentadas pelas comunidades, a visita in loco fornece elementos para orientar o diálogo com os órgãos responsáveis e o monitoramento das providências a serem adotadas.

Demandas apresentadas

Entre os temas relatados estiveram a fiscalização territorial; ameaças contra lideranças; contaminação dos rios e dos alimentos por mercúrio; acesso à água potável; atendimento de saúde e remoção de pacientes; segurança alimentar; educação indígena; e procedimentos relacionados à demarcação física.

As comunidades também apresentaram demandas relacionadas ao monitoramento territorial realizado pelos próprios indígenas, ao apoio a atividades produtivas sustentáveis e à realização de consulta livre, prévia e informada sobre iniciativas que possam afetar o território.

Corte Interamericana de Direitos Humanos realiza visita ao território Munduruku no Pará. Foto: Divulgação

A proteção das lideranças Munduruku esteve entre os temas da agenda. Durante as reuniões, foi apresentada a proposta de funcionamento de uma Mesa de Diálogo destinada ao povo Munduruku, com participação de lideranças indígenas. A instância deverá avaliar medidas de proteção, identificar necessidades, encaminhar demandas e acompanhar as providências adotadas pelos órgãos competentes.

Articulação entre instituições

Além do MDHC, participaram da agenda representantes dos Ministérios das Relações Exteriores, dos Povos Indígenas, da Justiça e Segurança Pública, da Saúde, de Minas e Energia e do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. Também estiveram presentes a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Ministério Público Federal, o Ministério Público do Estado do Pará e órgãos do governo paraense.

Nas reuniões, foram discutidos encaminhamentos relacionados à continuidade da fiscalização territorial, ao avanço da demarcação física, ao fornecimento emergencial de água, ao fortalecimento da segurança alimentar e à investigação das violações relatadas.

Também foi registrada a necessidade de uma resposta técnica mais detalhada sobre a circulação, a autorização e o controle do mercúrio, bem como sobre as medidas necessárias para interromper sua utilização ilegal e reduzir os impactos da contaminação sobre a saúde das comunidades.

A missão diferenciou três mecanismos de acompanhamento: a instância geral de coordenação prevista nas medidas da Corte IDH; a Sala de Situação, relacionada ao acompanhamento das ações de desintrusão; e a Mesa de Diálogo, vinculada ao programa de proteção de defensoras e defensores de direitos humanos. Embora tenham finalidades próprias, os espaços deverão manter articulação para evitar a fragmentação das respostas estatais.

Corte Interamericana de Direitos Humanos realiza visita ao território Munduruku no Pará. Foto: divulgação

No âmbito do programa federal, a Mesa de Diálogo destinada ao povo Munduruku, instituída pelo Conselho Deliberativo, deverá contar com participação direta das lideranças indígenas. A instância terá como finalidade avaliar as medidas de proteção existentes, identificar necessidades adicionais, organizar o encaminhamento das demandas e acompanhar as providências adotadas pelos órgãos competentes.

Encaminhamentos

Na reunião de encerramento, realizada em Jacareacanga, foram abordados os prazos e a periodicidade dos espaços de diálogo, além de questões relacionadas à proteção territorial, ao acesso à água e às medidas destinadas às lideranças ameaçadas.

O acompanhamento das medidas provisórias e dos encaminhamentos apresentados durante a visita continuará no âmbito das instituições responsáveis.

*Com infomações do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

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