Amazonas: C,T&I desidratado

Tive acesso a importante documento elaborado sob a supervisão do pesquisador do Inpa, Niro Higuchi, durante a fase de transição do governo Wilson Lima. Começa com a seguinte admoestação: É muito comum ouvir “isso ou aquilo não acontece no Amazonas por falta de conhecimento. Num levantamento bem expedito e incompleto para a comissão de transição, foram encontrados mais de 4 mil artigos científicos publicados, mais de 2,5 mil dissertações de mestrado e mais de 800 teses de doutorado. Isso apenas na área ambiental do INPA e associados. Se juntarmos com outras áreas do conhecimento, nós vamos ter certeza que a falta de conhecimento não pode ser utilizada para justificar a ausência de alternativa concreta ao Polo Industrial de Manaus”.

Partindo do princípio – praticamente consensual – de que o futuro do Amazonas depende da floresta protegida, o documento observa:  “Precisamos administrar, com inteligência e conhecimento, esse legado da natureza, que se encontra em harmonia com o seu ambiente graças a um processo evolutivo de milhões de anos. Estamos falando dos ecossistemas florestais que contêm informações genéticas preciosas para todas as áreas do conhecimento e do setor produtivo (agricultura, medicina, farmacologia etc.), que protege a biodiversidade e que fornece serviços ecossistêmicos e recursos naturais de toda ordem”.

Enquanto a floresta estiver protegida, essas informações e os recursos naturais estarão disponíveis; acessá-los, porém, não será tão trivial. A missão do governo, por meio da governança do sistema de C,T&I, da qual não pode abrir mão, é, segundo Higuchi, “ manter disponíveis os recursos e apoiar, por meio do conhecimento em relação à biodiversidade e as informações genéticas, iniciativas visando sua exploração industrial”. No curto prazo, tarefa para uma Secretaria de Ciências e Tecnologia – lamentavelmente extinta.

Levando em conta, de acordo com Niro Higuchi, que o termo “floresta, no sentido lato da palavra inclui além de árvores, animais, microrganismos, minérios, água etc”, a conceituação, com efeito, abre imenso leque de oportunidades no que pertine à utilização sustentável desses recursos. Mas, para tal, governo (estadual e Federal) e iniciativa privada precisam estar alinhados no concernente a) ao uso das  reais potencialidades do patrimônio bioeconômico, cientificamente levantado e medido; b) a políticas públicas pontuais, c) a disponibilidade de recursos (o que não é um problema no Brasil) e, por fim , d) aà concessão de incentivos a projetos técnicos e de viabilidade econômica voltados à posta em marcha de plantas industriais nesses vastos campos.

Sob qualquer ângulo de visão, investir em CT&I é condição básica, preeminente. A começar, sem parcimônia, pela formação de engenheiros e pessoal técnico altamente qualificados. Lembrando que países que hoje ocupam o topo do ranking tecnológico mundial (Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, Hong Kong, China, Alemanha, Israel) investiram pesado em educação e C&T. Não há alternativa. Ou investe ou está fora da corrida rumo à indústria 4.0. Num mundo globalizado e em transição, salienta Niro Higuchi, o processo desenvolvimento obrigatoriamente haverá de arrimar-se nos vastos e complexos setores da CT&I. O desafio é colocar, juntas, ciência, tecnologia e inovação a serviço da sociedade.

A proposta da Comissão de Transição levou em conta, segundo o documento, “a possibilidade de convencer o novo Governo da necessidade imperiosa de recriar a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, assegurando-lhe recursos financeiros e técnicos que impeçam voltar a ser rebaixada como peça acessória de outra secretaria”. Houve avanços nesse campo. Mesmo que a FAPEAM haja se consolidado como chave para o fomento da CT&I local, o Amazonas, todavia, ainda não dispõe de políticas públicas consolidadas nesse campo. Deficiência que bloqueia gravemente a formação de  ambiente favorável à competitividade de  cadeias produtivas propulsivas.

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