Pico da Neblina. Foto: Reprodução/Força Aérea Brasileira
Na escola é comum estudar na Geografia sobre os relevos. Eles são um conjunto de formas da superfície terrestre: montanhas, planaltos, planícies e depressões. Sua existência é possível em função da ação de vulcões, placas tectônicas, além da erosão e outros fatores externos. Os relevos é que moldam a paisagem e podem influenciar no clima e na vegetação.
📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp
A Amazônia está inserida dentro da plataforma Sul-Americana que é formada por quatro grandes estruturas afetadas pelos desgastes do processo de transformação do tempo:
- Cordilheira dos Andes e o Sistema Montanhoso do Caribe;
- Plataforma Patagônica;
- Escudos Cristalinos;
- Bacias sedimentares.
O Amazonas, por exemplo, reúne as duas grandes estruturas chamadas de bacias sedimentares e escudos cristalinos, compostos por rochas de idades e resistências distintas.
O doutor em geografia Fábio Sabbá explica que os escudos cristalinos, onde prevalecem rochas metamórficas, tiveram a sua formação iniciada por volta de 2 a 4,5 bilhões de anos.
No entanto, podem ser encontradas também rochas intrusivas de 1 a 2 bilhões de anos ou até mesmo rochas sedimentares oriundas do período pré-cambriano, com mais de 545 milhões de anos.

Leia também: Mineração, degradação e conflitos: 20% das águas da Bacia Amazônica sofrem altos níveis de impactos pela ação humana
Segundo o geógrafo, as bacias sedimentares, constituídas em sua maioria por rochas sedimentares, iniciaram sua formação por volta de 545 milhões de anos atrás, se estendendo até os dias de hoje.
“A existência de rochas de diferentes idades e constituições, resulta em diferenças no processo de desgaste e esculturação destas, propiciando assim, diferentes formas de relevo”, explicou Sabbá ao Portal Amazônia.
A mudança dos rios na formação do relevo
Há cerca de 70 milhões de anos, quando a Cordilheira dos Andes ainda não existia, a drenagem dos rios amazônicos corria em direção ao Pacífico. No entanto, com o surgimento e o crescimento da cadeia montanhosa, o sistema de drenagem se transformou lentamente e os rios passaram a correr para o Atlântico, como acontece hoje.
Essa mudança causou um impacto na paisagem amazônica, de modo que ao norte e ao sul do Amazonas são encontradas as formações cristalinas que remontam à bilhões de anos, constituídas das rochas mais resistentes.
Localizada na borda da bacia, a cidade de Presidente Figueiredo se encontra sobre essas estruturas mais antigas que formam a bacia sedimentar amazônica, onde Manaus também está assentada.
“Em linhas gerais, uma boa parte do Estado do Amazonas está numa grande depressão e apenas ao norte e ao sul do rio Amazonas é que vamos encontrar as maiores altitudes, como o pico da Neblina com 2.995,32 mm e o 31 de Março com 2.974,3 m, os pontos mais altos do Brasil”, afirmou o geógrafo.
Leia também: Conheça as diferentes cores de águas em rios da Amazônia e entenda suas mudanças

De acordo com Sabbá, nas margens da grande depressão amazônica encontram-se as várzeas, estreitas faixas de terra planas que inundam periodicamente.
Terras firmes e o planalto dissecado
As várzeas, formadas por sedimentos recentes com idades que variam de 11.700 anos e os dias atuais, se diferenciam das porções mais elevadas pouco atingidas pelas cheias dos grandes rios, chamadas de ‘Terras Firmes’.
“As terras firmes são na verdade porções de planaltos rebaixados/desgastados por intensos processos erosivos ao longo da sua formação e que ainda estão sendo esculpidos no presente dia”, explicou Sabbá.
Leia também: Áreas de terra firme da Amazônia brasileira são mais vulneráveis, porém menos pesquisadas

Análise de Manaus
Manaus está inserida no ‘Planalto Dissecado Rio Negro-Uatumã’, um relevo caracterizado por altitudes médias de 150 metros e por interflúvios tabulares (platôs), áreas elevadas entre dois rios, cortados por inúmeros igarapés, que variam entre 250 e 1.750 metros de extensão.
“Especificamente sobre a área urbana de Manaus, nota-se colinas que não alcançam as altitudes das áreas elevadas entre os rios, ficando em torno de 120 metros, porção mais elevada na área urbana de Manaus”, afirmou o geógrafo.
Os rios entorno da cidade
A cidade é atravessada por inúmeros igarapés que drenam água e sedimentos em direção ao rio Negro. Entre eles, destacam-se:
- O Igarapé do Mindu, com cerca de 13,5 km, que deságua no Igarapé do São Raimundo;
- O Igarapé do Quarenta, com cerca de 9,5 km, que deságua no Igarapé de Educandos.

Leia também: Encontros das águas: saiba em que locais ocorre o fenômeno na Amazônia
De acordo com Sabbá, “ambos funcionam como receptores de esgoto ao longo de seus cursos, apresentando elevada contaminação por resíduos domésticos e industriais”. Além disso, durante a estiagem, influenciados pela oscilação anual do nível do rio Negro, esses igarapés se transformam em pequenos canais rasos e arenosos, seguindo de forma sinuosa até o rio.
Falésias fluviais e praias de areia branca
Ao longo das margens do rio Negro, o relevo inclui praias de areia branca formadas pelo material proveniente das falésias fluviais, que possuem entre 20 e 50 metros de altitude. Essas falésias, denominadas localmente como barrancos, apresentam um relevo que vai diminuindo de forma suave em direção à área urbanizada.

Em Manaus, destacam-se as falésias dos bairros de São Raimundo, com cerca de 50 metros, e a do Educandos, com cerca de 30 metros.
Assim, de acordo com Sabbá, as formas de relevo que compõem a paisagem de Manaus são essencialmente fluviais, esculpidas nas litologias da formação de rochas sedimentares, predominantes no município.
*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar
