Queimadas no Pará podem levar fumaça ao Amazonas nos próximos dias, diz governador Roberto Cidade

Chefe do Executivo estadual afirmou que vai buscar diálogo com o Pará com o objetivo de tentar conter os incêndios. Segundo ele, mais de 3 mil focos de queimadas foram identificados no Amazonas em 2026.

Fumaça encobre Itacoatiara, no interior do Amazonas, em meio a incêndios florestais que atingem a região. Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica AM

O governador do Amazonas, Roberto Cidade, afirmou na segunda-feira (26) que as queimadas no sul do Pará podem provocar a chegada de fumaça ao Amazonas nos próximos dias. Segundo ele, os focos de incêndio estão concentrados principalmente na região de Itaituba, próxima à divisa entre os dois estados.

Durante uma coletiva de imprensa, Cidade disse que o governo amazonense pretende entrar em contato com o governo do Pará para discutir medidas de combate aos incêndios. De acordo com o governador, a fumaça não deve chegar imediatamente, mas pode atingir o estado em dois ou três dias.

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“Grande parte de onde está tendo queimadas é no sul do Pará, é ali em Itaituba, na fronteira com o nosso estado, ali no Baixo Amazonas. Nós já estamos trabalhando para que a gente possa fazer a nossa parte aqui no nosso estado, mas também vou pedir junto com a nossa equipe para entrar em contato com o governo do Pará”, afirmou.

O governador também destacou que a previsão de chuva para esta segunda e terça-feira pode ajudar a reduzir os focos de incêndio. No entanto, alertou que a elevação das temperaturas nos próximos dias pode favorecer o retorno das queimadas.

Na segunda-feira, a fumaça foi amenizada na capital amazonense. A qualidade do ar em Manaus apresentava índices entre “boa” e “moderada”, com a concentração de material particulado fino (MP2.5) variando entre 24.4 e 37.3 µg/m3 por volta das 17h, segundo dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva) da Universidade do Estado do Amazonas.

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A qualidade do ar é considerada boa pelo Selva quando a concentração de partículas fica entre 0 e 25 µg/m³. Acima desse nível, os índices passam por classificações que variam de moderada a péssimo, conforme a escala utilizada pelo sistema.

Mais de 3 mil focos de incêndio em 2026

Segundo Roberto Cidade, o Amazonas registrou mais de mil focos de incêndio em 2025. Em 2026, o número já ultrapassou 3 mil, de acordo com o balanço apresentado pelo governador.

Ele afirmou que as ocorrências foram combatidas pelo Corpo de Bombeiros, com apoio do governo federal e de outras estruturas mobilizadas para enfrentar as queimadas.

Cidade também disse que o estado trabalha para identificar e responsabilizar os autores de incêndios criminosos. Ele citou apreensões realizadas no município de Autazes e ações de fiscalização e aplicação de multas em parceria com o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).

“Vamos cobrar para que cada criminoso que faz esse tipo de ação nesse período do ano, que causa um transtorno muito significativo para o nosso estado, que vem atrapalhando a vida de milhares de amazonenses, seja penalizado”, declarou.

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fumaça manaus 2026 foto aguilar abecassis
Foto: Aguilar Abecassis/Cedida

Estado mobiliza aeronaves e mais de 1,5 mil profissionais

Durante a coletiva, o governador informou que 18 aeronaves estão sendo utilizadas nas ações de combate às queimadas no Amazonas. Segundo ele, mais de 3 milhões de litros de água já foram lançados sobre áreas atingidas pelos incêndios.

A estrutura mobilizada pelo estado também conta com mais de 1,5 mil bombeiros e brigadistas, além de mais de 120 viaturas, conforme os números apresentados por Cidade.

O governador avaliou que a atuação conjunta entre o governo estadual, o governo federal e as prefeituras tem ampliado a capacidade de resposta às ocorrências.

Cidade também defendeu a locação de aeronaves por hora de voo, em vez da compra de equipamentos, como alternativa para atender às necessidades do estado durante os períodos mais críticos de queimadas.

Segundo ele, o modelo permitiria utilizar as aeronaves quando necessário, sem manter os custos de manutenção e de espaço para armazenamento durante os períodos em que não forem utilizadas.

*Com informações da Rede Amazônica AM

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