Queda do desmatamento é boa notícia, mas é preciso mudanças estruturais

Para o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), a queda do desmatamento na Amazônia e no Cerrado é considerada um avanço, mas ainda insuficiente para a proteção dos dois biomas.

Áreas públicas com grilagem de terras sofrem tipo de desmate. Foto: Victor Moriyama

Os dados, divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) no último dia 9, mostram que, em 2025, o desmatamento caiu em quase 9% no Cerrado e na Amazônia.

É a terceira queda seguida e o melhor resultado em oito anos. A redução dá continuidade à tendência observada oficialmente nos últimos três anos.

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“A redução tem sido algo contínuo, o que é benéfico do ponto de vista ambiental e também político, porque mostra que é possível quando se tem vontade política. Porém, ainda é preciso implementar os mecanismos que já existem para manter o desmatamento zero”, explica o pesquisador sênior do IPAM, Paulo Moutinho.

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Desmatamento
Foto: Reprodução/Greenpeace

“Hoje, as terras públicas destinadas ou não destinadas respondem por cerca de 40% de todo o desmatamento na Amazônia. Apesar da redução da supressão de vegetação nativa nessas áreas, ainda existe uma ação forte de grileiros que se aproveitam do ‘limbo’ fundiário, já que não há a destinação clara definida em lei”, ressalta.

Desafios no combate ao desmatamento

Foto: Reprodoção/Agência Pará

Para ele, há três principais desafios para cumprir a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2030:

  • investimento em iniciativas que protejam a floresta, a exemplo da bioeconomia;
  • aumentar a produtividade nas áreas de agricultura e pecuária sem demandar novas terras, especialmente com os pequenos e médios agricultores;
  • e ter maior controle do desmatamento em florestas públicas destinadas ou não destinadas, sendo, esta, prioridade.

As áreas públicas não destinadas são geridas pela lei de gestão de florestas públicas e são destinadas dentro de um conjunto de regras.

Leia também: Entenda o que são as florestas públicas não destinadas

Esses territórios não podem ser cedidos ao setor privado, mas sim destinados a povos e comunidades tradicionais como indígenas, extrativistas, quilombolas, entre outros que mantêm e vivem da floresta em pé.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM

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