Projetos da Amazônia fortalecem proteção territorial e geram renda aos indígenas

Iniciativas mobilizam milhares de pessoas, estruturam cadeias produtivas e garantem a proteção territorial de povos indígenas.

Projetos na Amazônia fortalecem proteção territorial e geram renda com protagonismo indígena. Foto: André+Carioba

Projetos apoiados pelo Fundo LIRA/IPÊ fortalecem a proteção de territórios e impulsionam a bioeconomia na Amazônia Legal, com participação direta de milhares de indígenas e comunidades tradicionais. As iniciativas articulam organizações locais em diferentes estados e combinam conhecimento tradicional, tecnologia e gestão territorial para gerar renda, fortalecer a governança e conservar a floresta.

Para Neluce Soares, coordenadora do Fundo LIRA/IPÊ, os resultados evidenciam um modelo consistente de desenvolvimento a partir dos territórios.

“Quando os investimentos chegam diretamente às organizações locais, é possível fortalecer a governança, gerar renda e proteger a floresta ao mesmo tempo. São soluções que nascem dos territórios e respondem a desafios globais”, afirma.

Leia também: Comunidades indígenas do Xingu usam tecnologia para proteger território de atividades ilegais

Proteção territorial

Na região do Xingu, mais de 7.300 indígenas foram diretamente beneficiados por ações de gestão territorial e fortalecimento institucional. O trabalho envolveu cinco Terras Indígenas, com a realização de 225 missões de vigilância e a implementação de instrumentos de gestão em uma área próxima a 10 milhões de hectares.

O uso de tecnologias como drones, GPS e sistemas de monitoramento, aliado ao conhecimento ancestral, tem ampliado a capacidade de proteção dos territórios.

“Através do trabalho com o drone, localizamos um acampamento de madeireiros próximo à aldeia. Isso facilitou nossa atuação”, afirma Awanene Parakanã, da Associação Indígena Tato’a (TATOA).

Proteção territorial
Área territorial da região do Xingu. Foto: Reprodução/Norte Energia

Além da proteção territorial, as iniciativas também fortalecem cadeias produtivas da sociobiodiversidade em diferentes regiões da Amazônia. No Alto Rio Negro, mais de 4.900 indígenas participaram da implementação de Planos de Gestão Territorial e Ambiental em três Terras Indígenas, totalizando 10,2 milhões de hectares. Os projetos contribuíram para a geração de R$ 2,5 milhões em faturamento com produtos e serviços, ampliando o acesso a mercados municipais, estaduais e nacionais.

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Em Rondônia e no Acre, organizações apoiadas ampliaram a produção e a base de cooperados, consolidando cadeias produtivas e fortalecendo a gestão local. No território Xipaya, a estruturação de uma miniusina de beneficiamento ampliou a produção de óleos vegetais e outros produtos da sociobiodiversidade, fortalecendo a geração de renda e a autonomia das comunidades.

Os impactos também se refletem na melhoria das condições de vida. Na Terra Indígena Trincheira Bacajá, a perfuração de poços e a instalação de sistemas de bombeamento com energia solar garantiram acesso contínuo à água potável, reduzindo doenças e fortalecendo a segurança alimentar. “Hoje temos água limpa para todas as nossas crianças. Antes, elas ficavam doentes ao beber água do igarapé”, relata Printkore Xikrin, cacique da aldeia Ngôkôndjâm, da Associação ABEX.

Os projetos ainda impulsionam o protagonismo das mulheres em diferentes territórios. No Alto Rio Negro, mulheres Baniwa vêm ampliando sua atuação na produção e comercialização de produtos da sociobiodiversidade, fortalecendo a autonomia econômica, a organização comunitária e sua participação nas decisões locais.

Para Fabiana Prado, gerente do Fundo LIRA/IPÊ, os resultados reforçam o papel estratégico de iniciativas que conectam conservação, economia e governança. “A experiência mostra que é possível integrar proteção ambiental, geração de renda e fortalecimento institucional. Esses projetos demonstram que a Amazônia tem caminhos concretos para um desenvolvimento sustentável baseado nos territórios”, afirma.

Leia também: Modelo de proteção territorial indígena se destaca ao unir tecnologia e tradições

Sobre o Fundo LIRA

O Fundo LIRA é uma iniciativa de apoio a projetos de impacto socioambiental em áreas protegidas. É uma iniciativa do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas que atua de forma integrada, combinando financiamento, desenvolvimento institucional das organizações de povos e comunidades tradicionais, gestão do conhecimento, inovação e articulação com políticas públicas. Ao trabalhar em rede e a partir das realidades territoriais, o LIRA contribui para a conservação da biodiversidade, justiça climática, consolidação das organizações locais e a construção de estratégias duradouras para os territórios amazônicos.

Mais informações sobre o LIRA podem ser conferidos neste link.

Fundo LIRA também incentiva projetos de impactos socioambientais para milhares de pessoas. Foto: Synergia Socioambiental
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