Poeira do Saara na Amazônia não é novidade, mas ainda surpreende; entenda como ocorre

Uma vez no ar, a poeira é capturada pelos Ventos Alísios, que sopram de leste para oeste, cruzando o Oceano Atlântico. Essa 'pluma' de poeira viaja a grandes altitudes e, na Amazônia, gera benefícios.

Satélites captam poeira do Saara atravessando o Oceano Atlântico. Foto: Reprodução/Youtube-NASA Goddard

Para muitas pessoas tem sido uma novidade descobrir que a poeira do deserto do Saara chega até a Amazônia. Mas desde 2019 estudos apontam que aproximadamente 182.000 toneladas de poeira do Saara atravessam o oceano Atlântico até chegar à América e, consequentemente, à Amazônia.

Um estudo da NASA, divulgado pelo Portal Amazônia em 2021, feito pelo Goddard Space Flight Center, mediu a quantidade de areia que viaja pelo oceano Atlântico. Segundo os satélites da agência espacial, mais de 27 milhões de toneladas por ano, com cerca de 22 mil toneladas de fósforo, o que beneficia a Amazônia na nutrição das plantas.

“Todo o ecossistema da Amazônia depende do pó do Saara para reabastecer suas reservas de nutrientes perdidos”, afirmou o coordenador do estudo, Dr. Hongbin Yu, que coletou dados entre 2007 e 2013, na matéria divulgada na época. 

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Poeira do Saara na Amazônia não pode ser vista a olho nu

Esse fenômeno ocorre todos os anos e é detectado apenas por sensores, não sendo possível perceber a olho nu. Por conta disso, moradores de cidades como Macapá (AP), confundiram a neblina causada por umidade e baixa temperatura com poeira do deserto.

O meteorologista Jeferson Vilhena, do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa), explicou que o fenômeno visto pelos moradores não se trata da poeira, mas sim de neblina.

“A neblina ocorre por causa da alta umidade relativa do ar e da baixa temperatura. A poeira do Saara sempre chega, mas em quantidade muito pequena, imperceptível ao ser humano”, explicou.

Segundo Vilhena, o transporte dessas partículas é mais intenso durante o verão do hemisfério sul, quando a zona de convergência intertropical se desloca para o sul da linha do Equador. Esse movimento facilita a chegada até a Amazônia.

“Essas partículas são chamadas de higroscópicas, porque ajudam na formação de nuvens de chuva. Mas não formam uma nuvem visível, como se vê em imagens de desertos. O que aparece no céu do Amapá é neblina, não poeira”, reforçou.

De acordo com o Iepa, o transporte é feito por meio das nuvens e pode alcançar países da América do Sul, como Brasil, Guiana Francesa e Suriname. No entanto, o fenômeno só pode ser identificado por sensores específicos.

Leia também: Poeira do Saara cruzou 5 mil km até a Amazônia e ajuda a repor minerais perdidos em queimadas, dizem pesquisadores

Meteorologista explicou que a poeira do deserto do Saara passa todo os anos pela América do Sul. Foto: Jeferson Vilhena
Meteorologista explicou que a poeira do deserto do Saara passa todo os anos pela América do Sul. Foto: Jeferson Vilhena

Transporte da poeira

Uma vez no ar, ela é capturada pelos Ventos Alísios, que sopram de leste para oeste, cruzando o Oceano Atlântico. Essa ‘pluma’ viaja a grandes altitudes, formando rios atmosféricos de sedimentos que podem ser vistos até do espaço.

Quando a poeira chega à bacia amazônica, ocorre um processo de deposição. Isso acontece de duas formas:

  • Deposição Seca: A poeira simplesmente assenta sobre as copas das árvores.
  • Deposição Úmida: As chuvas frequentes da região “lavam” o ar, trazendo a poeira para o solo.

As partículas viajam mais de 5 mil quilômetros do deserto africano até a floresta amazônica. Em episódios mais intensos, o céu na região Norte do Brasil pode ganhar tons mais opacos ou alaranjados.

A poeira que vem do Saara é rica em fósforo e ferro, o que contribui para a adubação da terra. No entanto, as partículas podem piorar a qualidade do ar em pequena escala.

Em 2015, a NASA divulgou um material já explicando o fenômeno:

*Com informações do Portal Amazônia; Inpa; e de Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

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