Petrobras confirma retomada de perfuração na costa do Amapá, mas MPF pede suspensão da licença

Foto: Divulgação/Petrobras

O Governo do Amapá e a Petrobras confirmaram a retomada da perfuração exploratória na Margem Equatorial, no bloco FZA-M-59, após reunião realizada em Macaé (RJ) na última quarta-feira (18). A decisão ocorre em meio a disputas judiciais: o Ministério Público Federal (MPF) entrou com ações na quinta (19) e sexta-feira (20) pedindo a suspensão da licença, alegando riscos ambientais após um vazamento de fluido e falta de consulta às comunidades tradicionais.

Relembre: O que se sabe um mês após o vazamento na perfuração exploratória na Foz do Amazonas

A perfuração no poço Morpho foi interrompida no dia 4 de janeiro deste ano. Um incidente em um navio-sonda resultou no vazamento de 18,44 m³ de fluido de perfuração de base não aquosa (FPBNA) a uma profundidade de cerca de 2,7 mil metros.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizou a retomada em fevereiro de 2026, mas condicionou a liberação ao cumprimento de protocolos de segurança. A Petrobras precisou apresentar relatórios técnicos e substituir peças da sonda antes de reiniciar a operação.

A estatal afirmou em nota oficial que cumpre todas as exigências previstas no licenciamento ambiental e que o incidente de janeiro foi controlado com material biodegradável, validado pela ANP.

“Considerando as análises técnicas realizadas e as medidas mitigadoras propostas pela Petrobras, concluiu-se não haver óbice [empecilho] ao retorno das atividades de perfuração no referido poço, a partir do recebimento deste ofício”, disse a ANP.

Bacia Sedimentar Foz do Amazonas fica localizada na Margem Equatorial brasileira, na costa do amapá. Imagem: Petrobras
Imagem: Divulgação/Acervo Petrobras

Petrobras possui licença

Como operadora, a Petrobras pode retomar a perfuração porque possui a licença ambiental válida concedida pelo Ibama em outubro de 2025.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, explicou que o planejamento inicial previa alcançar o objetivo da perfuração ainda no primeiro semestre de 2026. No entanto, disse que os atrasos provocados pela suspensão em janeiro e pelas exigências adicionais da ANP impactaram o cronograma.

“O que que a gente disse? que se a gente começasse a furar em novembro, a gente ia furar: dezembro, janeiro, fevereiro, março e lá pra abril, a gente ia tá chegando no objetivo. Mas perdemos um mês e meio, então você pode botar um mês e meio a partir de abril”, disse Magda Chambriard, presidente da Petrobras, durante coletiva de imprensa.

O presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Amapá (Agência Amapá), Wandenberg Pitaluga, afirmou que a medida impulsiona o desenvolvimento econômico. Segundo o governo estadual, a partir de 1º de abril o suporte logístico às plataformas será concentrado nos municípios de Macapá e Oiapoque.

“Estamos em acompanhamento e em contato direto com o time institucional da Petrobras sobre a retomada da pesquisa exploratória na Margem Equatorial. Tivemos a notícia de que essa retomada foi autorizada, após o cumprimento de todos os protocolos exigidos pela empresa”, disse Pitaluga.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O que diz o MPF?

O Ministério Público Federal recorreu ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em Brasília, pedindo a suspensão imediata da licença ambiental. Entre os principais argumentos estão:

  • Risco ambiental: o vazamento de janeiro teria evidenciado fragilidades na operação e ameaça à biodiversidade da foz do Amazonas.
  • Consulta às comunidades: povos indígenas e populações tradicionais não foram ouvidos, como prevê a legislação internacional.
  • Licenciamento questionado: o órgão sustenta que a licença do Ibama não seria suficiente para garantir segurança plena.
  • Competência judicial: defende que o caso seja julgado no Pará, já que a bacia influencia mais municípios paraenses do que amapaenses.

A ANP reforçou que o regime de Segurança Operacional adotado no Brasil é alinhado a normas internacionais, como as da Noruega e do Reino Unido, e tem foco preventivo. No caso do vazamento da costa do Amapá, a falha foi controlada e não houve danos ao meio ambiente ou às pessoas.

O material liberado foi o fluido de perfuração, conhecido como “lama”. Ele é usado para resfriar a broca, remover fragmentos de rocha e controlar a pressão do poço. Trata-se de um fluido à base de água, com aditivos de baixa toxicidade, comum em perfurações no mar.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Alta joalheria em Paris conta com trabalho de rondoniense inspirada na Amazônia

Roberta Barbosa conta que crescer na Amazônia foi determinante para seu olhar como designer. No portfólio, peças inspiradas no Uirapuru e na Ayahuasca traduzem em joias elementos da região onde cresceu.

Leia também

Publicidade