Paxiúba, a palmeira que parece caminhar pela floresta

Paxiúba, também conhecida como palmeira-andante (Socratea exorrhiza). Foto: João Marcos Rosa/Nitro

Uma árvore capaz de andar pela floresta? A ideia pode parecer uma lenda ou até mesmo um exagero contado por guias de turismo, mas na Amazônia, esse fenômeno realmente existe, ainda que de uma forma muito diferente do que se possa imaginar. A árvore em questão é paxiúba, também conhecida como palmeira-andante (Socratea exorrhiza). 

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No Museu da Amazônia (MUSA), em Manaus (AM), os visitantes têm a oportunidade de conhecer de perto essa espécie de árvore que chama a atenção por possuir raízes aéreas que dão a impressão de movimento, e uma altura que pode ultrapassar os 20 metros.

paxiúba, a árvore andante
Paxiúba. Foto: Ty Sharrow/iNaturalist

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Apesar do nome popular, a árvore não caminha como um ser animado. O que acontece, na verdade, é um processo lento de migração das raízes, motivado principalmente pela busca por luminosidade e estabilidade do solo

De acordo com o professo Deivison Molinari, doutor em geografia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o fenômeno das árvores andantes já é algo conhecido pelo meio acadêmico e científico. Inclusive, na Amazônia, pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), já utilizaram a árvore como objeto de estudo. 

“Na verdade é um mecanismo de deslocamento das raízes. Ela não é algo tão grande, é algo centimétrico por ano, por uma busca de maior luminosidade. Então, o mecanismo que a própria árvore tenta se ajustar, porque ela não está recebendo luz e ela busca a luminosidade, então ela acaba se deslocando do sistema de raízes”, explicou Molinari. 

Paxiúba. Foto: João Marcos Rosa/Nitro

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Segundo o professor, a paxiúba possui longas raízes que se assemelham a “pernas”, e quando uma parte do solo se torna instável ou deixa de receber luz suficiente, novas raízes crescem em direção a um local mais favorável.

Além disso, de forma gradual, o tronco passa a se apoiar nas raízes mais recentes, enquanto as antigas perdem a função, gerando um deslocamento real, porém extremamente lento, geralmente em poucos centímetros por ano. 

Características da paxiúba

Frutos da paxiúba. Foto: João Marcos Rosa/Nitro

A árvore costuma nascer em locais alagados e pode ser encontrada por toda a América Central. No Brasil, a espécie pode ser localizada na bacia do Amazonas, em Mato Grosso, no Acre, no Amapá, no Maranhão e no Pará, sendo identificada por conta de suas raízes que permitem a sustentação e a locomoção.

Além disso, os frutos da paxiúba adquirem uma coloração vermelho-acastanhada quando maduros e servem de alimento para diversas espécies de aves. Para os povos indígenas da região, a árvore é uma espécie importante que serve como alimento, além de ser utilizada para fins de construção.

A semente do fruto é grande, parecida com a de uma noz-moscada, com veios bem marcados. A árvore tem um tronco único, reto e fino, que mede cerca de 10 a 20 centímetros de diâmetro, mas que pode crescer muito, chegando a até 20 metros de altura, o que muitas vezes faz com que o tronco nem chegue a encostar no chão, ficando levemente suspenso.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

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