Evento reúne pesquisadores para debate sobre novas tecnologias para estudo de terras raras em Roraima

O encontro terá palestras sobre nanotecnologia, análise de minerais por técnicas de raio-X e prospecção de áreas com potencial dos minerais.

Terras raras em Roraima são estudadas por pesquisadores da UFRR e da USP. Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR

Pesquisadores da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e da Universidade de São Paulo (USP) que estudam a ocorrência de terras raras no Sul de Roraima participam, no dia 18 de setembro, de um evento sobre os minerais e as tecnologias usadas para analisá-los. A programação ocorre na Assembleia Legislativa de Roraima (Ale-RR), em Boa Vista, e reúne especialistas em Química, Geologia, Geociências, Geoquímica e Ciência do Solo.

O encontro terá palestras sobre nanotecnologia, análise de minerais por técnicas de raio-X e prospecção de áreas com potencial dos minerais. Um dos temas será a exploração de depósitos por adsorção iônica, tipo de formação em que os elementos ficam presos às partículas de argila do solo.

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As atividades começam às 8h, com abertura feita pelo empresário Lucergio Barreira, proprietário e pesquisador do Complexo Barreira, área onde foram identificadas as terras raras, localizada em Caracaraí, no Sul de Roraima, onde os estudos da UFRR e USP são realizados. Às 9h10, o professor titular da USP Henrique Eisi Toma apresenta a palestra “A nanotecnologia das terras raras”. Toma integra a equipe que analisa cerca de 100 amostras de argila coletadas na região.

O estudo da USP começou em janeiro de 2026 e busca identificar quais elementos de terras raras estão presentes nas amostras, medir a concentração deles e desenvolver formas de separá-los. Nas áreas analisadas até agora, as concentrações variam de aproximadamente 0,3% a 0,6%, segundo os pesquisadores. Os índices citados para depósitos desse tipo costumam ficar entre 0,01% e 0,3%.

Tecnologia para separar os minerais

Depois da etapa de análise química, os pesquisadores da USP pretendem aplicar uma tecnologia desenvolvida pela universidade para a separação das terras raras.

A técnica utiliza nanopartículas projetadas para reconhecer os elementos, permitindo extraí-los e separá-los. O tema será apresentado por Toma durante o evento.

As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos utilizados em produtos e equipamentos de alta tecnologia, como baterias, turbinas eólicas, carros elétricos, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. Apesar do nome, elas não são necessariamente escassas. Um dos principais desafios é separar os elementos, que possuem propriedades químicas semelhantes.

Terras raras em Roraima são estudadas por pesquisadores da UFRR e da USP. — Foto: Yara Ramalho/g1 RR
Terras raras em Roraima são estudadas por pesquisadores da UFRR e da USP. Foto: Reprodução/Yara Ramalho-G1 RR

Pesquisas sobre terras raras em Roraima

As amostras analisadas pela USP foram coletadas na mesma região onde pesquisadores da UFRR identificaram, em estudos anteriores, concentrações consideradas anômalas de terras raras.

Pesquisadores da UFRR encontraram rochas e argilas com alta concentração de terras raras no Complexo Barreira em 2025. Entre os elementos identificados estava o ítrio, que apresentou concentração de 296 partes por milhão (ppm), considerada acima do normal pelos pesquisadores.

Na época, os pesquisadores explicaram que ainda era necessário verificar se as concentrações se mantinham ao longo da área e em diferentes profundidades para determinar o tamanho e o potencial econômico da ocorrência.

Trincheira na pesquisa de terras raras no interior de Roraima. Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR

A área pesquisada tem mais de 120 mil hectares e fica entre as serras do Baraúna e do Anauá. No local, foram abertas mais de 50 trincheiras em diferentes pontos, e terras raras foram identificadas em todas as áreas analisadas, inclusive em profundidades de até 15 metros.

A pesquisa ainda está em fase de análise e prospecção — etapa me que pesquisadores investigam a concentração, a distribuição e a profundidade das terras raras para avaliar a extensão e o potencial econômico da ocorrência. Os estudos também buscam determinar se há quantidade e concentração suficientes dos minerais para caracterizar uma jazida com potencial de exploração econômica.

Leia também: Pesquisadores identificam alta concentração de terras raras no interior de Roraima

Programação

  • 8h – abertura, com Lucergio Barreira, pesquisador e proprietário do Complexo Barreira.
  • 9h10 – palestra com Henrique Eisi Toma, professor titular da USP. Tema: “A nanotecnologia das terras raras”
  • 10h – Perguntas e respostas
  • 10h20 – coffee break
  • 10h50 – palestra com Kalil Cristhian Figueiredo Toledo, professor doutor em Química. Tema: “Desvendando os minerais por técnicas de raio-X”
  • 11h30 – Perguntas e respostas
  • 11h50 – Almoço
  • 14h – palestra com Nilson Francisquini Botelho, professor doutor em Geologia. Tema: “Desafios na prospecção e exploração de depósitos de terras raras do tipo adsorção iônica: exemplos brasileiros”
  • 14h40 – Perguntas e respostas
  • 15h – Mesa-redonda. Participam: Lucergio Barreira; Henrique Eisi Toma; Kalil Cristhian Figueiredo Toledo; Nilson Francisquini Botelho; José Frutuoso do Vale Júnior, doutor em Ciência do Solo; Vladimir de Souza, doutor em Geociências; Carlos Eduardo Lucas Vieira, doutor em Geociências; Lorena Malta Feitoza, doutoranda em Geoquímica.
  • 16h – Encerramento
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