Mapeamento de castanhais no Pará é ampliado por meio de parceria

Pesquisadores da Ufopa e do ICMBio atuam de forma integrada em três Unidades de Conservação (UCs) em Carajás.

Equipes da Ufopa e do ICMBio em campo, janeiro/2025. Foto: Acervo do projeto

Pesquisadores da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio) realizaram, durante uma semana entre o fim de janeiro e início de fevereiro, o mapeamento de populações naturais de castanheira (Bertholletia excelsa Bonpl.) no mosaico das unidades de conservação de Carajás, na região Sul do Pará.

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Essa atividade marcou a primeira etapa de execução do projeto de pesquisa ‘Estrutura e dinâmica populacional da castanheira no mosaico de unidades de conservação de Carajás’, coordenado pelo Prof. Dr. Ricardo Scoles (Ufopa) e executado em campo pelo engenheiro florestal e doutor em Botânica Marcos Vinicius Batista Soares, bolsista de pós-doutorado do Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais da Amazônia (PPGRNA) da Ufopa, em parceria com o NGI Carajás do ICMBio e financiamento da Fundação Tecnologia Florestal e Geoprocessamento (Funtec/DF).

“O objetivo principal desta pesquisa é avaliar o estado de conservação das populações de castanheiras no mosaico de áreas protegidas de Carajás, pressionadas há décadas pelo avanço da agropecuária e mineração”, explicou Scoles.

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“Durante esse mapeamento dos castanhais da região da Serra dos Carajás, a equipe de pesquisa contou com a inestimável participação do cacique Roiri Xikrin. O principal resultado deste trabalho foi a seleção e delimitação de castanhais com histórico de extrativismo tradicional para elaboração de parcelas de estudo e monitoramento das populações de B. excelsa”, completou o coordenador da pesquisa. Xikrin é uma das lideranças indígenas responsável pela coordenação das coletas na região do Carajás.

Ricardo Scoles (Ufopa) e cacique Roiri Xikrin, parceiro do mapeamento. Janeiro de 2025. Foto: Acervo do projeto

O projeto pretende ampliar o conhecimento sobre a região das áreas protegidas de Carajás, visando à melhor gestão do território; para isso, objetiva estudar a estrutura e dinâmica populacional da castanheira-do-brasil ou castanheira-do-pará (Bertholletia excelsa Bonpl.) em três unidades de conservação do Mosaico de Áreas Protegidas de Carajás (MAPC), Floresta Nacional de Carajás (Flonaca), Floresta Nacional de Tapirapé-Aquiri (Flonata) e Reserva Biológica de Tapirapé (Rebiota).

“Para uma melhor compreensão da dinâmica populacional de uma espécie arbórea de longa vida como a castanheira, é relevante desenvolver estudos demográficos das populações de castanheira-do-brasil nas suas áreas de ocorrência que garantam uma gestão sustentável mediante um efetivo monitoramento que permita a elaboração de indicadores de manejo e aplicação de modelagem florestal com predições futuras e incertezas associadas. Com isso, pode-se avaliar as tendências demográficas das suas populações ao longo do tempo. Poucas experiências de monitoramento das populações de castanheira a médio ou longo prazo há na Amazônia, a exceção da região de Trombetas”, alertou Scoles, que desde o ano 2021 vem chamando a atenção para essa situação.

Para os pesquisadores, a principal ameaça ambiental dentro do território do mosaico é a mineração, que extrai, de forma intensiva, ferro e outros minerais (cobre, manganês, ouro e níquel) na Flonaca e na Flonata, principalmente. Já no entorno das UCs do Mosaico de Carajás, destaca-se a pressão das atividades agropecuárias e garimpeiras, além do desmatamento.

O pesquisador esclarece ainda que os castanhais ocupavam extensas áreas por toda a região de Carajás e Marabá (Polígonos dos Castanhais), até a chegada da frente agropecuária e mineral. Atualmente, as populações de castanheiras do Sudeste paraense concentram-se principalmente no mosaico de áreas protegidas. Os principais coletores de castanhas nessas áreas são os indígenas Xikrin (principalmente na Flonaca e Flonata) e os agroextrativistas que residem nos projetos de assentamento e na vila Lindoeste, em São Felix do Xingu (PA), no entorno da Flonata. Contudo, o estudo e o monitoramento da dinâmica das populações naturais de B. excelsa na região de Carajás são muito relevantes em termos técnico-científicos para a consolidação do programa de conservação dos castanhais em Carajás. “Ainda que a espécie esteja protegida pela lei do corte, é classificada como vulnerável pela União Internacional para Conservação da Natureza (UICN), e sua situação na região do Sudeste do Pará é altamente preocupante devido ao desmatamento acumulado”, destaca Scoles.

Expedições

Serão realizadas quatro expedições de campo com uma duração entre duas e três semanas cada uma. Para a Flonaca, estão previstas duas expedições no primeiro semestre de 2025: a primeira missão está prevista para ocorrer durante o período da safra (entre janeiro e março) para mapear os castanhais coletados em parceria e consentimento com os indígenas Xikrin; já a segunda missão está prevista para ocorrer após a finalização da safra, no mês de maio, e objetivará inventariar populações de castanheiras previamente selecionadas em parcelas.

As outras duas expedições seguirão cronograma definido e devem ocorrer até o mês de setembro de 2025. A finalidade é sempre medir e remedir as castanheiras monitoradas cinco anos atrás para cada uma das duas unidades de conservação e instalar parcelas permanentes para estudo e monitoramento dos castanhais do mosaico nos próximos anos.

Confira mais informações sobre a parceria da Ufopa com o ICMbio:

Equipes da Ufopa e do ICMBio em campo, janeiro/2025. Foto: Acervo do projeto

*Com informações da Ufopa

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