Evento a reúne lideranças da Amazônia Legal na Alemanha

Brasil, Alemanha, Noruega, mais governadores dos Estados da Amazônia Legal, indígenas e representantes da sociedade civil brasileira se reúnem hoje (14) no evento Amazon-Bonn, que acontece na Alemanha paralelamente à 23ª Conferência do Clima da ONU (COP 23).
O Amazon-Bonn amplia o debate sobre a Amazônia, com painéis temáticos que abordarão desafios e oportunidades para consolidação do desenvolvimento com proteção ambiental. Entre os assuntos em pauta, destacam-se financiamentos e convênios internacionais para proteção da floresta e do clima, controle de desmatamento e modelos produtivos sustentáveis.    

Foto: Divulgação / IPAM

Na plateia, autoridades brasileiras e internacionais, representantes de agências de fomento, instituições financeiras, projetos empresariais com foco em sustentabilidade, organizações da sociedade civil, populações tradicionais e indígenas.

“Tivemos uma queda no desmatamento na Amazônia de 16%, e o desmatamento nas unidades de conservação federais caiu 28%. Ao mesmo tempo tivemos um aperfeiçoamento dos sistemas de controle do desmatamento, recuperação da floresta nativa, fortalecimento da fiscalização, atualização da lista dos municípios prioritários para o combate ao desmatamento. Porém é preciso ampliar os esforços e intensificar as ações rumo ao desmatamento zero em 2030”, afirmou o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho.
Na ocasião, um acordo foi assinado entre a Alemanha e o Fundo Amazônia/BNDES, para uma nova contribuição de € 33,92 milhões para o Brasil, pela taxa reduzida de desmatamento na Amazônia em 2015.
Outro acordo foi assinado também pela Alemanha com o governo do Acre, no valor de € 10 milhões, repassados pelo Banco Alemão de Desenvolvimento (kfW) em pagamento por resultado na queda do desmatamento entre os anos de 2017 e 2020.Os recursos serão reinvestidos no Sistema Estadual de Incentivos aos Serviços Ambientais, prioritariamente na proteção da floresta e em benefícios para agricultores familiares extrativistas e povos indígenas. Na primeira fase desse projeto, o Acre recebeu € 25 milhões do governo alemão entre 2017 e 2020.Já o governo de Mato Grosso receberá € 17 milhões, com recursos do Ministério para Cooperação e Desenvolvimento da Alemanha (BMZ), também por redução de desmatamento, num esforço de fortalecimento da estratégia Preservar, Conservar, Incluir (PCI), que o governo do Estado lançou na COP 21, em 2015. Mato Grosso e Acre também receberão recursos do Reino Unido, 23 milhões de libras para o primeiro Estado e 17 milhões de libras para o segundo.
“Para alcançar os resultados necessários, é preciso ação contínua. Liderança e parceria são a chave, principalmente entre governo, sociedade civil e setor privado. Além, claro, dos povos indígenas que têm um papel fundamental na manutenção das florestas”, disse o ministro de Meio Ambiente da Noruega, Vidar Helgesen.   

Foto: Divulgação / IPAM
O Amazon-Bonn substitui o Amazon Day, que já aconteceu em edições anteriores da COP e, no ano passado, foi realizado durante a 4ª Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável, nos Estados Unidos.  Nesta edição, ela foi estendida para incluir todos os nove membros do Fórum dos Governadores dos Estados da Amazônia Legal e do Fórum de Secretários de Meio Ambiente da mesma região, além de abrir espaço para que visões diferentes sobre o mesmo objetivo – uma economia de baixo carbono para a Amazônia, alinhada com as necessidades do século 21 e com as discussões climáticas.
“Este é um evento que tem simbolismo histórico. Pela primeira vez os governadores unidos vêm dizer ao Brasil e ao mundo sobre possibilidades, limites e compromissos. Afinal, homem e natureza tem de conviver em permanente construção, e não destruição”, disse o governador do Pará, Simão Jatene, que representou o fórum na mesa de abertura do Amazon-Bonn.
Em uma fala muito aplaudida, o cacique Raoni, de Mato Grosso, clamou pela união de todos, do Brasil e do mundo, em torno da proteção florestal.  “Nossos netos estão vindo aí e precisamos trabalhar juntos pra preservar o ambiente necessário eles”, afirmou. “Eu falo com vocês, que são governadores e autoridades, que eu vejo o povo de vocês destruindo floresta, água, e isso é uma ameaça para o meu povo. Porque as populações indígenas também estão aumentado e precisam de recursos naturais. Se continuar o desmatamento como está, o calor vai aumentar e a humanidade corre risco. Por que está calor agora? Por que os rios estão secando agora? Essa é a pergunta que eu faço”, disse o cacique.
   

Foto: Divulgação / IPAM

O diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), André Guimarães, representou a sociedade civil brasileira na mesa de abertura do evento. Ele destacou a responsabilidade conjunta – dos brasileiros e da comunidade global – no cuidado com a Amazônia, de forma a acabar com o desmatamento e a beneficiar as pessoas.

“Estamos em um período da história em que a palavra chave para estimular a preservação ambiental é inovação, e em diferentes frentes: comando e controle, para coibir a derrubada ilegal; identificação e destinação, para conservação dos 70 milhões de hectares de terras não destinadas na região; busca pela eficiência do uso do solo na Amazônia, para que possamos produzir alimentos sem derrubar mais; além da valorização da floresta em pé”, disse Guimarães. “Isso só acontece com determinação e integração de esforços entre diversos setores da sociedade, juntamente com cooperação internacional, e é para isso que estamos aqui no Amazon-Bonn.”
O evento acontece no Museu de Arte de Bonn durante toda esta terça-feira (14).
Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Estudos sobre uacaris na Amazônia rende prêmio internacional para pesquisador do Instituto Mamirauá

Felipe Ennes Silva foi reconhecido pela Sociedade Americana de Primatologia por suas contribuições científicas sobre os uacaris, primatas endêmicos da Amazônia.

Leia também

Publicidade