El Niño: CNM alerta que mais de um terço dos municípios brasileiros estão em situação crítica para desastres

Com previsões do El Niño ter maior intensidade em 2026, a Confederação Nacional de Municípios (CNM) alerta para a necessidade de reforço de medidas de prevenção a desastres.

Foto: Divulgação/Observatório do Clima

Diante da confirmação de que o fenômeno climático El Niño em 2026 será mais intenso, a Confederação Nacional de Municípios (CNM) alerta para a necessidade de reforço de medidas de prevenção a desastres. Dos 5.569 Municípios, 2.095 (37,6%) estão em situação crítica, mais susceptíveis a eventos como deslizamentos, alagamentos, enxurradas e inundações, de acordo com dados de nota técnica do governo federal analisados pela instituição.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Segundo o levantamento Serviço Geológico do Brasil (SGB) acompanhado pela CNM, foram identificadas 17.862 áreas de risco, sendo 5.593 consideradas de risco muito alto e 12.269 de risco alto. Nessas regiões, moram 4,6 milhões de pessoas e estão 1,7 milhão de casas.

O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, destaca a importância de ações coordenadas entre União, estados e Municípios para evitar graves perdas para a população.

“Além de ter planos de emergência, é necessário investir na prevenção de desastres com medidas como limpeza de esgoto e armazenagem de água potável. A gente já tem um diagnóstico grave e precisa trabalhar para evitar novas tragédias, que muitas vezes atingem lugares já afetados anteriormente”, afirma.

Leia também: Entenda as previsões para o Super El Niño em 2026, que promete ser o mais intenso da década

El Niño preocupa

Os efeitos do El Niño — como altas temperaturas, ondas de calor, incêndios e chuvas intensas — podem gerar problemas como sobrecarga na saúde pública e falhas no abastecimento de água.

Como forma de apoiar os Municípios, a Confederação tem orientado os gestores a atuarem de forma integrada com outros Entes Federativos e priorizar cenários de risco já identificados. Entre as recomendações estão:

  • atualizar ou elaborar o Plano Municipal de Contingência (Plancon);
  • preparar e estruturar abrigos temporários;
  • mapear rotas de evacuação seguras;
  • produzir alertas antecipados;
  • pré-organizar compras e contratos emergenciais
  • e planejar o atendimento a comunidades isoladas.
seca efeito do el niño no amazonas em 2023
Seca no Amazonas, em 2023, efeito do El Niño. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Defesa Civil

Pesquisa da CNM, divulgada em maio deste ano, revelou que 3.469 Municípios (62%) têm baixa capacidade de enfrentamento aos eventos climáticos extremos, como inundações e secas severas (como as provocadas pelo El Niño). Mais da metade (55%) não conta com sistema de alerta e alarme e 27% não possuem atuação em gestão climática e prevenção de desastres. Em 2025, levantamento com 2.871 Municípios apontou como principais necessidades apoio financeiro para prevenção de desastres e gestão climática (93%), capacitação técnica (70%) e ampliação da equipe técnica (67%).

Um dos graves problemas identificados pelo movimento municipalista é a falta de recursos na Defesa Civil. A CNM defende a aprovação da PEC do Clima (PEC 31/2024), que pode garantir cerca de R$ 30 bilhões para ações de gestão ambiental e adaptação climática. Também é necessário aprimorar a transferência de recursos federais. Entre 2010 e 2025, a União prometeu R$ 30,5 bilhões para Defesa Civil municipal, mas apenas R$ 18,9 bilhões foram efetivamente repassados às prefeituras.

A fragilidade orçamentária e na coordenação de políticas públicas na área tem provocado resultados trágicos. Nos últimos 15 anos, 4.633 brasileiros foram vítimas fatais de desastres e 7,8 milhões de pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas. Os eventos também causaram R$ 856,3 bilhões em prejuízos econômicos. Entre 2010 e 2025, deslizamentos, alagamentos, enxurradas e inundações foram responsáveis por 42% do total de mortes em desastres.

*Com informações da CNM

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Pesquisadores peruanos descobrem caso raro de peixe amazônico com tons claros e pálidos

Um grupo de pesquisadores do IIAP documentam, pela primeira vez, essa alteração de pigmentação conhecida como leucismo no peixe Pterodoras granulosus, uma espécie que normalmente apresenta coloração escura.

Leia também

Publicidade