Portal Amazônia responde: a onça-pintada mia?

Embora seja da mesma família dos gatos domésticos, a onça-pintada possui vocalização diferente, adaptada ao seu porte, comportamento e ambiente.

Onça-pintada, o maior felino das Américas. Foto: Divulgação/Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS)

Considerada o maior felino das Américas, a onça-pintada (Panthera onca) desempenha um papel ecológico fundamental nos biomas que habita. No Brasil, está presente em diversos biomas, como a Amazônia e o Pantanal.

Leia também: Onças pintadas são diferentes na Amazônia e no Pantanal

Entre tantas características únicas desse animal, uma dúvida que surge é se, por ser um felino, ela mia como os gatos domésticos.

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Explicação

A resposta rápida é: não. Embora seja da mesma família dos gatos domésticos (Felis catus), a onça-pintada não emite miados. Suas vocalizações são diferentes, adaptadas ao seu porte, comportamento e ambiente.

O som mais característico da onça é o “esturro”, uma vocalização grave, rítmica e pulsada, semelhante a uma série de roncos. Esse som é usado principalmente para comunicação territorial e reprodutiva, e pode ser ouvido a longas distâncias.

No artigo Panthera onca, publicado na revista Mammalian Species, Kevin L. Seymour explica que a estrutura do aparelho vocal da onça é adaptada para produzir sons profundos, graças a um osso hióide parcialmente ossificado, o que a aproxima de outros grandes felinos, como o leão e o tigre — embora a onça não emita rugidos tão estrondosos quanto esses animais.

Como funciona a vocalização da onça?

Na floresta amazônica, o comportamento vocal da onça apresenta algumas particularidades. O ambiente de vegetação densa interfere diretamente na forma como o som se propaga. No estudo ‘Uso do espaço e movimento de um predador neotropical de topo: a onça-pintada ameaçada de extinção’, publicado na PLOS One, um grupo de cientistas brasileiros acompanhou onças-pintadas usando coleiras com GPS e observou que os animais vocalizam com menos frequência e com menor intensidade sonora na Amazônia.

O motivo está nas condições acústicas da floresta: o som grave, emitido em volumes moderados, consegue se propagar melhor entre as árvores e obstáculos naturais. Além disso, a menor densidade de indivíduos em áreas preservadas da Amazônia reduz a necessidade de vocalizações constantes para evitar encontros entre onças.

Além do esturro, a onça emite grunhidos, sopros, bufos e ronronados, usados em situações como o cuidado com filhotes ou encontros entre indivíduos. Contudo, vale ressaltar que nenhum desses sons se assemelha ao miado de um gato doméstico.

Leia também: Conheça como diferentes formas de comunicação são utilizadas por alguns grupos de animais amazônicos

Diferenças em relação à onça do Cerrado

Em comparação das onças-pintadas da Amazônia com as que vivem no Cerrado — um bioma mais aberto e seco — vocalizam com mais frequência e volume. Esse comportamento é adaptativo: em áreas de savana, as vocalizações ajudam a manter distâncias entre indivíduos e evitar conflitos.

O ambiente menos denso facilita a propagação do som, permitindo que vocalizações mais potentes cubram áreas maiores. Assim, a comunicação vocal no Cerrado é mais ativa do que na Amazônia.

Curiosidades na vocalização da onça

  • O esturro é individual: estudos indicam que cada onça-pintada possui variações únicas em seu esturro, o que pode permitir o reconhecimento entre indivíduos.
  • Uso em pesquisas: Uma pesquisa mostrou que gravações das vocalizações têm sido usadas para monitorar populações de onças na floresta amazônica de forma não invasiva
  • Conservação e vocalização: alterações no habitat, como o desmatamento, podem afetar a comunicação entre indivíduos, com impactos diretos na reprodução e sobrevivência da espécie.
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