A pesquisa foi realizada no Câmpus de Chapadinha e teve como produto a criação do aplicativo AlcoLab. Foto: UFMA
Um aplicativo gratuito desenvolvido na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Câmpus Chapadinha, permite detectar a presença de metanol em bebidas alcoólicas com materiais simples e de baixo custo. O AlcoLab, criado pelo professor da UFMA Pedro Augusto de Oliveira e pelo bolsista de pós-doutorado em Biomedicina Romério Rodrigues, em parceria com a Polícia Civil do Distrito Federal, é capaz de identificar a presença de metanol utilizando apenas materiais simples: uma seringa, uma balança de cozinha e um smartphone.
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Partindo de uma colaboração entre os pesquisadores, o estudo buscou também investigar a toxicidade dessa substância, após o Brasil enfrentar surtos de intoxicação por metanol no segundo semestre de 2025. Segundo os dados oficiais do Ministério da Saúde, em dezembro de 2025, foram registrados 73 casos e 22 óbitos em todo o país, incluindo estados como São Paulo, Pernambuco, Paraná, Mato Grosso e Bahia.

De acordo com o professor e coordenador do projeto, Pedro Augusto de Oliveira Morais, o aplicativo AlcoLab foi criado nesse contexto. “A ideia surgiu no final de 2025, a partir de uma conversa entre pesquisadores. Durante essa discussão, questionei um perito da Polícia Civil do Distrito Federal, Diego Souza, sobre como esse tipo de análise é realizado na prática e quais são as limitações enfrentadas fora do ambiente laboratorial. A partir desse diálogo, passamos a explorar alternativas mais simples e acessíveis para a identificação da substância em bebidas”, explica o pesquisador.
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O metanol é um álcool altamente tóxico, muitas vezes, utilizado de forma clandestina para adulterar cachaça, vodca, uísque, gin e outras bebidas. A ingestão pode causar cegueira, falência de órgãos e potencialmente morte.
Avaliando as propriedades da substância, os pesquisadores chegaram ao desenvolvimento da ferramenta. “Com base em estudos prévios, passamos a explorar a densidade e viscosidade, como parâmetros para uma triagem inicial. Nós buscamos adaptar o método para o uso com materiais simples, ampliando o acesso à técnica. Posteriormente, foi desenvolvido o aplicativo AlcoLab, com o objetivo de reduzir erros experimentais, automatizar os cálculos e tornar o processo intuitivo para o usuário”.

Na prática, o funcionamento é simples: a pessoa coloca a bebida na seringa, pesa com uma balança comum, grava um vídeo, enquanto o líquido escorre. Depois o usuário marca alguns pontos no vídeo dentro do aplicativo e então é calculado automaticamente a densidade e a viscosidade. O resultado surge em poucos minutos, informando se a bebida é suspeita de conter metanol a partir de 5%, além de estimar as porcentagens aproximadas de água e etanol.
*Escrito por Byanca Santos, da assessoria da UFMA
