Plantas não convencionais transformam alimentação escolar em Gurupi, no Tocantins

Projeto da Universidade Federal do Tocantins (UFT), leva a ora-pro-nóbis para a mesa de crianças de Gurupi.

Tudo começou em 2022, no curso de Agronomia do Câmpus Gurupi, da Universidade Federal de Tocantins (UFT), quando a professora Susana Cristine Siebeneichler viu uma oportunidade no projeto do Programa Institucional de Inovação Pedagógica (PIP), coordenado pela professora Carmes Ana da Rosa Batistella. O plano era simples: montar uma horta em uma escola municipal. No entanto, a visão de Susana foi além dos vegetais convencionais.

Ela submeteu um projeto sobre plantas alimentícias não convencionais (PANC) na primeira carteira de projetos do Centro de Desenvolvimento Regional Sul (CDR Sul), sob a coordenação da professora Adriana Terra. O projeto foi contemplado, iniciando uma jornada que levaria a ora-pro-nóbis, uma planta rica em vitaminas, proteínas e minerais, para a mesa das crianças de Gurupi.

As professoras Susana e Adriana com o Senhor Jorge em campo explicando com plantar e cultivar ora-pro-nóbis. Foto: Susana Cristine Siebeneichler/Acervo pessoal

Cultivando mais que alimentos

A horta começou a ganhar vida na Escola Agripino de Sousa Galvão, com a ajuda de diversos parceiros. Além da ora-pro-nóbis, a horta abrigou a beldroega, outra PANC. A professora Susana, sempre buscando inovar, teve a ideia de fazer com que as crianças experimentassem pratos preparados com as plantas que elas mesmas ajudaram a cultivar.

Com o apoio da Secretaria Municipal de Educação, foi organizado um dia de degustação na escola. O prato escolhido? Uma deliciosa farofa de ora-pro-nóbis com peixe. O resultado surpreendeu: quase 70% das crianças do turno matutino aprovaram a novidade!

O sucesso da farofa abriu portas para um passo ainda maior: incluir a ora-pro-nóbis no cardápio da merenda escolar de Gurupi. Para garantir um fornecimento sustentável, mudas foram distribuídas a produtores locais, como a associação Micro Jandira e o assentamento Vale Verde, onde o senhor Jorge Cabral e a família de Josué Degmar da Silva já comercializavam alimentos para a merenda escolar.

Diante de tudo que Susana tem feito e presenciado, ela destaca que o impacto deste projeto vai além da alimentação saudável:

“A criação de políticas públicas que garantam a segurança alimentar e nutricional nas escolas fortalece a conexão entre a Universidade e a comunidade. A expectativa é que outras PANC, com seus diversos benefícios nutricionais, possam em breve fazer parte do cardápio escolar.”

Além disso, ela conta que com projetos como este, não só é possível plantar alimentos, mas também semear conhecimento, saúde e inovação na educação das futuras gerações.

Professora Susana junto com a equipe da escola preparando e testando receitas com as plantas. Foto: Susana Cristine Siebeneichler/Acervo pessoal

Agradecimento às parcerias

Susana destaca ainda que “nada disso seria possível” sem o esforço conjunto de várias mãos. A equipe de nutricionistas da Secretaria Municipal de Gurupi (Lucia Isabel Oliveira Santos, Marcos Antônio Ramos de Oliveira, Wanderlei Sousa Silva Júnior e Luana Venâncio da Costa) foi fundamental; além de Raffael Batista Marques, bolsista do projeto; a Direção da Escola Agripino de Sousa Galvão; o financiamento e apoio do CDR Sul e da Fapt.

*Com informações da UFT

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