Tricicleiros transformam tradição de Parintins em negócio e ajudam a contar a história da ilha aos turistas

Conheça a história dos tricicleiros, tradição que se transformou em fonte de renda para centenas de famílias e também em uma experiência turística que apresenta a cultura e os principais pontos da Ilha Tupinambarana aos visitantes.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

Muito mais do que um meio de transporte, os triciclos se tornaram um dos símbolos da Ilha Tupinambarana e uma das primeiras experiências de quem chega para acompanhar o Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas. Coloridos, personalizados e conduzidos por moradores que conhecem cada canto da cidade: esses são os tricicleiros, aqueles que ajudam a preservar uma tradição que atravessa gerações e também movimenta a economia local.

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Reconhecidos como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Amazonas, os tricicleiros fazem parte da história de Parintins desde o início da década de 1980. No começo, transportavam mercadorias e produtos agrícolas, mas com o fortalecimento do Festival Folclórico de Parintins ao longo dos anos, passaram a ter uma nova função: levar moradores e, principalmente, os milhares de turistas que visitam a cidade para acompanhar a disputa entre os bois Caprichoso e Garantido nos meses de junho e julho.

Hoje, além de facilitar a mobilidade, os tricicleiros também apresentam aos visitantes a história, a cultura e os principais pontos turísticos da ilha, transformando cada passeio em uma experiência cultural.

Organização fortalece a atividade

Atualmente, o serviço é organizado pela Associação dos Tricicleiros de Turismo de Parintins, responsável por regulamentar a atividade e garantir mais segurança tanto para os profissionais quanto para os passageiros. O presidente da associação, Rafael Gonçalves, explica que o reconhecimento como patrimônio fortaleceu ainda mais a categoria.

“Hoje os tricicleiros de Parintins são considerados patrimônio cultural e imaterial do Estado do Amazonas. O turista vem para Parintins e quer andar de triciclo, quer conhecer os pontos da cidade. Hoje somos mais de 350 tricicleiros atendendo a população local e os turistas”, conta.

Leia também: Roteiro dos Tricicleiros: um jeito diferente de conhecer a ilha tupinambarana e sua história

Imagem colorida mostra duas pessoas em triciclo de Parintins fotografando pontos da cidade de Parintins
Foto: Clóvis Miranda/ AmazonasTur

Segundo Rafael, a associação trabalha em parceria com órgãos públicos e empresas para organizar o serviço durante o ano, principalmente no período do festival, quando o fluxo de visitantes aumenta significativamente.

Nos últimos anos, uma das principais mudanças foi a regulamentação da atividade. Hoje, todos os tricicleiros associados seguem um padrão de identificação, facilitando o reconhecimento pelos turistas.

“Hoje nossos tricicleiros estão padronizados. Os veículos são pintados de forma padrão, têm lona, uniforme, emplacamento e identificação. Isso passa mais segurança para os turistas nacionais e internacionais. Outra vantagem é que o preço das corridas também é tabelado”, destaca Rafael.

A padronização contribui para a organização do trânsito durante o festival e oferece mais confiança aos visitantes que utilizam o serviço para circular pela cidade.

Preparação para receber os turistas

O trabalho dos tricicleiros vai além da condução dos passageiros, já que todos os anos, antes do Festival de Parintins, os profissionais participam de capacitações voltadas ao atendimento turístico. De acordo com Rafael Gonçalves, os cursos acontecem em parceria com instituições como o Senac e o Governo do Amazonas.

“No mês de maio realizamos workshops e cursos sobre atendimento ao cliente e relações humanas. A ideia é preparar os tricicleiros para oferecer um serviço de qualidade e excelência aos turistas que visitam nossa ilha”, assegura.

Leia também: Triciclos de Parintins: os populares veículos que encantam os turistas

Roteiro dos Tricicleiros: um jeito diferente de conhecer a ilha tupinambarana e sua história
Tricicleiros de Parintins. Foto: Rafael Gonçalves/Acervo pessoal

A iniciativa busca qualificar o atendimento e reforçar o papel dos tricicleiros como verdadeiros anfitriões da cidade. Durante o festival, além do transporte convencional, muitos profissionais oferecem um city tour pelos principais atrativos turísticos da cidade.

O roteiro inclui locais como o Bumbódromo, a Catedral de Nossa Senhora do Carmo, a orla, o Mercado Municipal e outros espaços que ajudam a contar a história e as tradições de Parintins.

Cada passeio é conduzido pelos próprios tricicleiros, que compartilham curiosidades e informações sobre a cultura local ao longo do percurso.

Festival representa aumento na renda

Há 14 anos trabalhando como tricicleiro, Alzemiro Picanço afirma que o período do Festival Folclórico é o momento mais importante do ano para quem vive da atividade. Segundo ele, a procura pelos passeios aumenta significativamente durante os dias do evento, o que otimiza a renda dos tricicleiros nesta época do ano.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

Isso porque, com o aumento da demanda, o número de corridas diárias também cresce. De acordo com Alzemiro, durante o período do festival ele consegue fazer cerca de 50 passeios por dia.

Para ele, o Festival de Parintins representa muito mais do que um grande evento cultural: “O festival é a nossa diversão, mas também é o momento de ganhar o nosso dinheiro. É dele que vem a renda de muitas famílias”.

Identidade própria

Assim como os bois Caprichoso e Garantido possuem cores e símbolos que representam sua história, muitos tricicleiros também personalizam seus veículos, decorando-os com elementos inspirados na festa. Há triciclos predominantemente azuis, outros vermelhos e também aqueles que preferem destacar apenas a cultura amazônica, refletindo o orgulho que cada profissional tem pela cidade.

Todos os condutores associados possuem documentação e seguem as normas estabelecidas pela entidade. Segundo Alzemiro, a regularização é feita pela associação, que orienta os profissionais e acompanha toda a documentação necessária para exercer a atividade.

Assim, durante o Festival Folclórico, eles se transformam em verdadeiros guias culturais, conduzindo turistas por ruas, histórias e cenários que ajudam a explicar a história de Parintins.

Para conhecer mais sobre o trabalho dos tricicleiros, assista à entrevista completa no programa Negócios da Amazônia, do canal Amazon Sat

Vamos Brincar de Boi

O “Vamos Brincar de Boi” é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC) e do Governo do Amazonas.

A ação busca fortalecer a valorização da cultura popular amazônica, preservar a memória coletiva e ampliar o acesso às tradições do Festival Folclórico de Parintins por meio de conteúdos educativos, culturais e informativos exibidos em diferentes plataformas do Grupo Rede Amazônica.

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