Q’Boi transforma paixão pelo Festival de Parintins em negócio e mantém viva a cultura dos bois durante o ano inteiro

Conheça a história da Q'Boi, marca criada por Ester Almeida e Joaquim Lima, que se tornou referência em produtos inspirados nos bois Caprichoso e Garantido, levando a cultura parintinense para além do Bumbódromo.

Q’Boi. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Muito além dos três dias de festival no Bumbódromo, Parintins vive a cultura dos bois o ano inteiro. E quem ajuda a manter essa tradição viva é a Q’Boi, uma marca parintinense que, há 30 anos, transforma a paixão por Caprichoso e Garantido em roupas, acessórios e souvenirs que conquistam moradores e turistas. 

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Fundada em 1996 pelo casal Ester Almeida e Joaquim Lima, a loja nasceu de uma necessidade percebida durante as viagens em busca de patrocinadores para o festival.

“Eu percebi que durante o ano as pessoas vinham e não tinham produtos para serem vendidos. Quando meu marido fazia parte da diretoria do boi Caprichoso e precisava buscar patrocínio, eles não tinham o que oferecer. Foi aí que eu dei a ideia de fazer algum produto com a marca do boi, e eu já estava doida pra vender camisa”, conta Ester.

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Q'Boi transforma a paixão pelo Festival de Parintins em negócio e mantém viva a cultura dos bois durante o ano inteiro
Foto: Rebeca Almeida/Portal Amazônia

Ester preparou uma cesta personalizada para que o marido presenteasse possíveis patrocinadores durante uma viagem. De acordo com ela, a receptividade foi tão positiva que a proposta foi levada ao Conselho do boi Caprichoso, dando início à criação das primeiras camisas oficiais.

“Criaram a logomarca, fizeram o registro no INPI e, a partir daí, foram feitas as primeiras camisas por mim. Depois o Garantido também criou a sua marca, fez o registro e as primeiras camisas oficiais também foram feitas pela Q’Boi”, afirma a empresária. 

Marca construída com trabalho e persistência

Os primeiros anos da empresa foram marcados por desafios, já que na época, Parintins ainda não possuía estrutura para produzir as peças, obrigando Ester a buscar fornecedores em Manaus. Ela explica que contou com a ajuda dos irmãos, que também eram comerciantes, para aprender os caminhos do empreendedorismo.

“Eu tive que ir em Manaus comprar as camisas prontas. Meus irmãos me orientaram sobre onde comprar. Levava as artes para Manaus, fazia as estampas e trazia tudo para Parintins”, pontua. 

Ester Almeida. Foto: Reprodução/Amazon Sat

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Com o crescimento da marca, a empresária passou a trabalhar em parceria com artistas locais, que criavam ilustrações exclusivas para as coleções. Mesmo assim, ela faz questão de destacar que a empresa nunca deixou de ser um pequeno ateliê:

“A Q’Boi não é indústria. Eu considero a Q’Boi uma formiguinha. Nós temos um pequeno ateliê, com poucas pessoas, e passamos o ano inteiro trabalhando para que, quando chegue o festival, tenhamos uma quantidade de material pronta”. 

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A pandemia e a força para recomeçar

Entre os momentos mais difíceis da trajetória da empresa, a pandemia de Covid-19 tem destaque. Além das dificuldades financeiras provocadas pela paralisação das atividades, Ester enfrentou a perda do marido, companheiro de vida e de trabalho.

Ela conta que precisou fechar a loja física justamente quando a empresa vivia um momento de crescimento: “A Q’Boi estava em ascensão, conseguimos um ponto próprio, estava ali um sonho. Aí a pandemia vem, me faz parar e leva o grande amor da minha vida. E com isso eu tive que fechar a loja e parar o meu sonho”.

Apesar da dor, a empresária decidiu seguir em frente. De acordo com ela, a inspiração veio de um projeto antigo que estava guardado: a criação dos chamados ‘Baby Bois’, pequenos bois de pelúcia inspirados nos dois rivais do festival.

“Esse boizinho veio com a missão de me ajudar a não desistir, acreditar em mim, acreditar nas pessoas que trabalhavam comigo e ajudar as famílias que dependiam da Q’Boi. E a Q’Boi é assim, aqui na Q’Boi você é a nossa estrela e nós o atendemos de coração”, destaca Ester.

O produto rapidamente conquistou o público e se tornou um dos símbolos da retomada da empresa.

Foto: Rebeca Almeida/Portal Amazônia

Criatividade inspirada em Parintins

Boa parte da identidade visual da Q’Boi passa pelas mãos de Joel Almeida, filho de Ester e Joaquim, responsável pela direção criativa da marca há 18 anos. Natural de Parintins, ele conta que sua ligação com a arte começou ainda na infância, quando estudou na Escolinha de Arte do irmão Miguel de Pascale e teve contato com o desenho e, posteriormente, com a ilustração digital.

“Desde criança, quem nasce em Parintins é estimulado a lidar com a parte artística. Desde adolescente comecei a fazer os desenhos da Q’Boi, sempre conversando com a minha mãe e buscando trazer a essência de Parintins para as estampas”, explica. 

As coleções misturam elementos tradicionais do festival com referências contemporâneas. Entre os destaques está uma camisa inspirada no estilo blueprint, normalmente utilizado em desenhos industriais.

“A ideia foi fazer uma imersão no interior do boi, valorizando a figura do tripa, as estruturas internas feitas de fibra e tecido. O boi também é formado de sonhos e tudo isso está representado nessa camiseta”, detalha Joel.

Foto: Rebeca Almeida/Portal Amazônia

As coleções também acompanham tendências da moda, como as camisetas oversized em algodão mais encorpado e peças produzidas em serigrafia, além de modelos com detalhes refletivos e estampas integrais.

Para quem prefere celebrar a cultura da cidade sem escolher um lado na rivalidade entre Caprichoso e Garantido, a marca também desenvolveu uma linha neutra inspirada em Parintins e na floresta amazônica.

Cultura que gera oportunidades

Depois de quase 30 anos de história, a Q’Boi tornou-se mais do que uma loja de produtos temáticos. A marca representa a força do empreendedorismo criativo na Amazônia e demonstra como a cultura pode se transformar em oportunidade de negócios, geração de renda e valorização da identidade regional.

Para conhecer mais dessa história e do trabalho da marca, assista à entrevista completa no programa Negócios da Amazônia, do canal Amazon Sat

Vamos Brincar de Boi

O “Vamos Brincar de Boi” é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC) e do Governo do Amazonas.

A ação busca fortalecer a valorização da cultura popular amazônica, preservar a memória coletiva e ampliar o acesso às tradições do Festival Folclórico de Parintins por meio de conteúdos educativos, culturais e informativos exibidos em diferentes plataformas do Grupo Rede Amazônica.

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