Projeto ‘Parintins, Galeria Cidade Aberta’ incentiva novas gerações de artistas e amplia acesso à arte local

Em 2026, foram produzidos 16 novos murais na cidade, totalizando 60 espaços de arte em toda a cidade de Parintins. Além disso, o projeto 'Parintins, Galeria Cidade Aberta' já contempla mais de 9 mil metros cúbicos de muros pintados.

Foto: Tayrá Sateré

Conhecida por ser o palco da grande festa protagonizada pelos bois Caprichoso e Garantido, a cidade de Parintins reúne arte, cultura e talento com as alegorias e composições artísticas dentro do bumbódromo, durante o maior espetáculo folclórico à céu aberto do planeta. No entanto, o município do interior do Amazonas detém um celeiro de talentos e revela, todos os anos, dezenas de artistas e produtores culturais que levam a força da cultura amazônida para o restante do Brasil e do Mundo.

Grande parte desses talentos são revelados durante o projeto ‘Parintins, Galeria Cidade Aberta‘, iniciativa que transforma muros e fachadas da Ilha Tupinambarana em obras de artistas parintinenses. Com intuito de descentralizar a arte e ampliar o acesso à cultura local, o projeto chegou à quinta edição este ano e já revelou mais de 400 artistas locais, o que reforça Parintins como um grande produtor nacional de artistas internacionais.

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Em 2026, foram produzidos 16 novos murais na cidade, totalizando 60 espaços de arte em toda a cidade de Parintins. Além disso, o projeto ‘Parintins, Galeria Cidade Aberta’ já contempla mais de 9 mil metros cúbicos de muros pintados, o que consolida a importância do projeto tanto para a geração de novos artistas parintinenses quanto para a arte urbana.

“O Parintins, Galeria Cidade Aberta hoje é visto como um dos principais portfólios da arte parintinense da nova geração para o Brasil e o mundo. É a oportunidade de mostrar o talento dos nossos artistas visuais locais que retratam, através da arte, o nosso cotidiano, a realidade dos ribeirinhos, a cultura dos povos originários e, principalmente, o nosso boi bumbá e as lendas amazônicas. Os números deste ano comprovam que nossa cidade é um celeiro de talentos que inspiraram de geração em geração”, explica Tiago Costa, um dos diretores responsáveis do projeto.

Talento de geração para geração

arte
Homenageado deste ano no projeto foi o artista Evanil Maciel, um dos maiores nomes da arte local. Foto: Gabi Vitim

Para este ano, o projeto celebrou a trajetória de Evanil Maciel, artista plástico parintinense e um dos maiores nomes das artes visuais da Amazônia. Aos 72 anos, Maciel é referências para artistas de diferentes gerações e acumula mais de mil obras produzidas e participações em exposições nacionais e internacionais.

Um dos talentos revelados pelo projeto, o artista Pito Silva destaca que o projeto valoriza a carreira de quem trabalha em prol da arte local.

“É um projeto que fomenta e dá visibilidade para aquilo que já existe e tem força em Parintins, que é a arte. Muita gente acha que Parintins se resume apenas à arena, mas tem muitos talentos das mais diversas linguagens artísticas na cidade. Eu sou um deles, artista parintinense que ultrapassei as fronteiras da Ilha e já fiz e faço coleções para várias empresas multinacionais e internacionais. Então, o projeto Parintins Galeria Cidade Aberta permite que o talento daqui seja visto, projetado e valorizado para o mundo todo”, afirmou o artista de 38 anos, que neste ano assinou o Mural Matriarcas da Floresta.

Pito Silva, artista parintinense. Foto: Gabi Vitim

Nova geração da arte parintinense

Uma das artistas da nova geração, Day Cruz participou do projeto neste ano e teve a oportunidade de assinar um mural pela primeira vez. Ela e a artista Kamy Wará, produziram a obra ‘Yube e o Ventre da Sabedoria: a trama da mulher’, que retrata a força da ancestralidade feminina. O novo talento artístico aproveitou para enaltecer a força do projeto.

“Foi um prazer muito grande assinar o mural pela primeira vez, o projeto da galeria eu acompanho como assistente de muralista desde 2023, criamos o mural com intuito de reforçar sobre a ancestralidade feminina e mostrar todos os saberes que nós carregamos a partir dos conhecimentos ancestrais que herdamos das nossas mães e avós. Jamais deixaremos de falar sobre a arte parintinense, é sobre pertencimento, identidade cultural e memória. Para nós, como artistas jovens, é fundamental poder deixar um pouco de nossos traços para quem mora aqui e também para quem pretende conhecer a ilha”, finalizou.

‘Obra ‘Yube e o Ventre da Sabedoria: a trama da mulher’, mural assinado por Kamy Wará e Day Cruz. Foto: Tayrá Sateré

Vamos Brincar de Boi

O “Vamos Brincar de Boi” é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC) e do Governo do Amazonas.

A ação busca fortalecer a valorização da cultura popular amazônica, preservar a memória coletiva e ampliar o acesso às tradições do Festival Folclórico de Parintins por meio de conteúdos educativos, culturais e informativos exibidos em diferentes plataformas do Grupo Rede Amazônica.

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