Em Boa Vista, adultos da área rural e indígena tem a oportunidade de voltar a sala de aula com programa EJA implantado pela prefeitura

A proposta é ofertar os estudos referentes aos anos iniciais do Ensino Fundamental para adultos em duas escolas.

A Prefeitura de Boa Vista implantou neste mês de março, um programa com a ampliação da Educação de Jovens e Adultos (EJA) para estudantes do campo e comunidades indígenas. A proposta é ofertar os estudos referentes aos anos iniciais do Ensino Fundamental, na modalidade EJA.

O projeto começou a ser implantado na Escola Municipal Aureliano Soares da Silva, que fica na área rural, no P.A Nova Amazônia, região do Truaru. Nesta segunda-feira, 28 de março, a prefeitura inicia a EJA na Escola Municipal Indígena Martins Pereira da Silva, que fica na comunidade do Morcego, na região do Murupú. A prefeitura fornece ainda o transporte escolar, que busca cada aluno em casa.

Queremos dar a oportunidade a muitos homens e mulheres que atuam no campo e que por alguma razão não puderam completar seus estudos, poder voltar a sala de aula. Queremos que eles acreditem no sonho e possam ler, escrever, ter uma formação. Que possam contar histórias para os filhos. Esse foi um compromisso que assumimos e queremos levá-lo a muitas outras comunidades“, destacou o prefeito de Boa Vista Arthur Henrique. 

Primeira turma da EJA na área rural. Foto: Katarine Almeida/Semuc/PMBV

A Escola Aureliano Soares, foi a primeira a receber o projeto. Hoje, a unidade conta com 33 alunos da EJA matriculados, divididos em duas turmas. Já na Escola Martins Pereira, foram matriculados 17 alunos, que formarão uma turma.

Buscamos a partir de agora, atender esse público, que são pessoas que não tiveram a oportunidade aos estudos, na idade correta. A nossa ideia é integrar essas comunidades com o trabalho que já é feito na área urbana, mostrando que não existe diferença do ensino oferecido pela prefeitura na área rural e indígena”, frisou coordenador das escolas indígenas e do campo, da Macro área 9, Nelson Martins.

Ainda segundo o coordenador, a expectativa é ampliar o projeto no próximo semestre, para outras comunidades indígenas e populações do campo de outras regiões do município de Boa Vista. “Acreditamos que as vivências e experiências que teremos com a implantação da EJA nessas duas escolas polo, servirão de base para abertura de outros polos nas comunidades indígenas e do campo que necessitarem deste atendimento”, disse. 

Vilmar Guimarães, de 60 anos – nova aluna da rede municipal de ensino. Foto: Katarine Almeida/Semuc/PMBV

A prefeitura acredita nos sonhos

Uma das alunas do EJA que retornou para a sala de aula, foi Vilmar Guimarães, de 60 anos, que mostra que não tem idade para voltar aos estudos. Ela mora na vicinal 5 da região do Truaru. Durante o dia, cuida de suas plantações e a noite, ela está vivenciando uma nova realidade: a sala de aula.

Eu estudei até a 5ª série do Ensino Fundamental e aprendi a ler e escrever, mas parei no tempo e após longos anos, decidi que quero aprender para poder ensinar meus netos, pois quero ficar por dentro de tudo que acontece nos dias de hoje. E todo esse conhecimento, vou ter a partir de agora, dentro de sala de aula com meus professores”, garantiu a nova aluna da rede municipal. 

“Somos muito gratos pela oportunidade”, Alcineia Souza, de 40, ao lado do marido e dos filhos. Foto: Katarine Almeida/Semuc/PMBV

Além da Vilmar, o casal Alcineia Souza, de 40 anos e o marido José Evangelista, de 38 anos também integram o projeto. São pais de cinco filhos. Para que fosse possível o casal estudar, os dois filhos mais novos passaram a acompanhálos durante as aulas, a filha Maria Cecília, de 2 anos e o filho Jeferson Walace, de 11 anos.

Eu parei de estudar na 4ª série e hoje, quero aprender mais. Meu marido não sabe ler e decidimos juntos, voltar aos estudos. Estamos gostando bastante, porque estamos tendo a oportunidade de aprender o que não conseguimos há uns anos. Somos muito gratos pela prefeitura por essa oportunidade”, agradeceu Alcineia.

Quem ensina também aprende

As aulas estão sendo ministradas pelos professores Wanderson SouzaIvanilsa Nunes. Antes de iniciarem os estudos, sempre fazem uma atividade lúdica para os novos alunos ficarem mais relaxados, depois de um longo dia de trabalho. Eles carregam dentro de si a gratidão pela missão de ensinar aqueles que nutrem um sonho que não envelhece: o de ler e escrever. 

Tenho 24 anos e é muito satisfatório poder lecionar para a primeira turma da EJA, que mora no Campo. E vejo no olhar de cada um deles, o desejo de querer aprender e isso para nós professores é muito gratificante. São mulheres e homens que boa parte trabalha com a produção de alimentos e criação de animais e, são eles que nos motivam de estarmos aqui todos os dias”, destacou o professor Wanderson Souza. 

“Ensinar é muito gratificante”, Wanderson Souza, professor da primeira turma da EJA na área rural. Foto: Katarine Almeida/Semuc/PMBV

EJA

A Educação de Jovens e Adultos é uma modalidade de ensino cujo objetivo é ofertar aos jovens e adultos, a oportunidade de frequentar a escola para que possam retomar seus estudos, garantindo os direitos educativos que contribuam para a sua melhoria de vida na sociedade.

Atualmente a Rede Municipal de Ensino, está com 688 alunos matriculados nas escolas da capital e distribuídos em 38 turmas, das 10 unidades escolares que atendem o público da EJA, que abrange o atendimento escolar de 1º a 4ºsérie do Ensino Fundamental.

Metodologia de ensino

As equipes gestoras das escolas que atendem ao público da EJA, são orientadas a desenvolverem projetos pedagógicos em que as aulas possam ser trabalhadas por meio de sequências didáticas, que englobem os componentes curriculares previstos para cada série, com temáticas voltadas para o mundo do trabalho, da família, educação, saúde e também do bem-estar.

Assim as escolas possuem autonomia para organizar seu atendimento de acordo com o quantitativo de alunos matriculados, definindo as turmas multisseriadas ou unisseriadas, bem como as necessidades de servidores, materiais entre outros. Após essas informações as equipes gestoras, periodicamente recebem orientações e monitoramento pedagógico quanto ao atendimento e acompanhamento da aprendizagem desses alunos.

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Portal Amazônia responde: o que é comida ‘remosa’?

Um estudo buscou promover uma revisão bibliográfica sobre o tema e propor uma hipótese teórica para o fenômeno.

Leia também

Publicidade