Foto de capa: Ze Martinusso / Getty Images
Entre os meses de julho e novembro, algumas regiões do Norte do Brasil enfrentam o tradicional ‘verão amazônico‘, período de estiagem que mistura o calor intenso com a baixa umidade. Nesta fase climática, as temperaturas ultrapassam os 30ºC e a frequência de chuvas caem consideravelmente na região.
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Para amenizar a sensação ‘escaldante’, o consumo de água cresce consideravelmente nas cidades que enfrentam o período. E paralelo a isso, o desperdício de água também se torna frequente nesta época, por meio de ações cotidianas como banhos mais longos ou lavar a calçada, práticas que representam grandes perdas de água no dia a dia.

A diretora da Associação dos Engenheiros Sanitaristas do Pará (Aespa), Cleide Ferreira, afirma que o período das férias escolares é o principal motivo pelo aumento da utilização da água nas cidades que enfrentam o verão amazônico.
A engenheira detalha que o recesso escolar favorece o aumento do consumo de água em cidades da região Norte consideradas atrativos turísticos para aproveitar as férias.
“Durante o verão amazônico, muitos municípios registram aumento populacional significativo nesse período, no que a gente chama de população flutuante. Têm cidades, inclusive, que até triplicam a sua população e esse fenômeno acontece devido às férias escolares e os espaços que ficam disponíveis como praias e balneários. Muitas das vezes, as pessoas têm casas nesses locais, outros municípios também proporcionam diversos eventos culturais para aumentar sua arrecadação. A hospedagem dessas pessoas contribui para elevar o consumo de água, tem a alimentação, lazer, as famosas piscinas de plástico onde descartamos vários litros de água, limpezas das residências e estabelecimentos comerciais. Tudo isso exige um maior uso de água”, pontua Ferreira.
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Impactos do uso irracional da água no verão amazônico

De acordo com Cleide, o desperdício de água decorrente do consumo elevado impacta diretamente na qualidade do serviço, comprometendo o fornecimento na rede de abastecimento nessas localidades.
“Banhos demorados não diminuem a temperatura, porque o calor vai continuar. Se eu tenho uma calçada para lavar, é preciso passar uma vassoura primeiro para depois jogar água, a gente vê pessoas usando água para tirar terra, isso é um desperdício enorme de água. Em questão de vazamento, uma torneira gotejando desperdiça, diariamente, cerca de 46 litros de água por dia, esses impactos do desperdício contribuem para a queda de pressão na rede de abastecimento e na possibilidade de interrupção do fornecimento por conta do consumo alterado”, explica a sanitarista.
Tais impactos, segundo Ferreira, também são vistos como problemas em escala macro, o que exigem uma atenção maior para o uso consciente e racional da água durante o período do verão amazônico.
“Também acontece uma maior pressão sobre a captação dos rios, o aumento de demanda da água no verão amazônico também aumenta o número de bombas para poder abastecer a população, vai ser necessário utilizar mais produtos químicos para tratar a água, pode ocorrer vazamentos por conta do aumento dessa pressão, haverá também o desperdício de energia elétrica, ou seja, tudo isso são impactos do desperdício de água, que chega a ser de 70% durante essa fase”, completa.
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Campanhas educativas
A diretora da Aespa defende que tanto o poder público municipal quanto a concessionária responsável pelo serviço de água precisam ter ações para orientar a população acerca do desperdício de água, principalmente durante o verão amazônico.
“É importante que tanto os municípios quanto a concessionária façam campanhas massivas do uso racional da água para incentivar os moradores e os turistas também a utilizarem a quantidade necessária. Que evitem desperdícios em hotéis, pousadas e até nas próprias residências, é fundamental que as pessoas respeitem as orientações da concessionária e órgãos públicos e, principalmente, a população está ligada com a concessionária para relatar casos de vazamentos. Além de tudo isso, que se preserve as praias, recolher o lixo, a conscientização depende de todos nós”, pondera a especialista.
Águas que transformam
A entrevista com Cleide Ferreira faz parte do quadro ‘Águas que transformam’, do programa Estação CBN Belém, da rádio CBN Amazônia, na edição de 8 de julho.
O especial visa ampliar o diálogo com a população e a melhoria do serviço do fornecimento de água no estado.

Com apresentação da jornalista Ize Sena, o quadro vai ao ar toda quarta-feira no Estação CBN Belém, na 102.3 FM e no YouTube. Assista a entrevista completa (a partir de 1:23):
