Foto de capa: congerdesign por Pixabay
A água é um elemento fundamental para a sobrevivência e desenvolvimento das sociedades. Embora importante, o acesso à água potável ainda não existe de forma ampla e irrestrita em algumas localidades devido à falta de saneamento básico e também pela contaminação de rios, o que impacta a rotina de quem trabalha e depende do líquido adequado para o consumo humano.
Por exemplo, pequenos negócios do setor de alimentação, saúde e demais ramos necessitam totalmente de água potável para funcionar, respeitando critérios de qualidade e regras sanitárias. Por conta disso, muitos empreendedores e pequenos produtores acabam adquirindo formas para ter acesso à água potável, o que acaba gerando custos na economia desses contribuintes.
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Segundo a engenheira ambiental e especialista em projetos sustentáveis, Mariana Sena, apesar da abundância da água no planeta, o recurso é finito e pode acabar por conta da poluição e lixo que afetam sua fonte. Tal cenário, segundo a especialista, prejudica na confiabilidade da água presente nesses locais.
“A gente vive uma realidade que a água é um recurso finito, abundante no nosso dia a dia, que acabamos acostumados a lidar com aquilo igual a respirar. Mas hoje, infelizmente, temos os nossos rios e mananciais contaminados e retirar a água de um rio ou poço para consumo não tem a mesma segurança de antes, em termos de saúde. E isso se tornou um custo na economia deles porque precisam ir no supermercado, por exemplo, garantir uma água mineral para suas produções”, afirmou a profissional.
A especialista contextualiza a importância da água potável para a produção de açaí, considerado o principal produto do Pará e responsável por movimentar a bioeconomia do estado e garantir o sustento de milhares de famílias ribeirinhas.
“Um produtor de açaí, por exemplo, que é um dos maiores produtos da nossa terra, ele precisa garantir aquela água de segurança para a saúde das pessoas que ele vai vender. Se você comparar uma garrafinha de água mineral hoje com o que é o abastecimento de uma caixa d’água de cinco mil litros, por exemplo, você vê o quanto uma garrafinha ganhou um valor muito mais alto hoje. Isso, sim, representa um custo na economia para garantir um produto de qualidade”, pontuou Sena.
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Questão também afeta economia do turismo

Outro exemplo citado por Mariana é a escolha das famílias por pontos turísticos e espaços naturais cada vez mais longe das áreas urbanas, onde há menor concentração de locais com águas poluídas ou contaminadas. Por conta disso, muitas pessoas preferem pagar a mais do que ficar em locais próximos, o que mexe com a parte financeira dessas famílias e também contribui para a movimentação da economia local.
“Quando olhamos pelo lado econômico, a gente percebe que ninguém hoje quer ir para uma praia poluída ou rio contaminado. As pessoas estão indo cada vez mais para o interior procurar balneário limpinho, a praia pura, onde se consegue respirar ar puro invés de sentir aquele odor vindo do esgoto ao redor. O público hoje está disposto a pagar mais por isso e obviamente reflete na economia. Portanto, a gente precisa rever e reverter esse cenário e tornar as pessoas a frequentarem os locais mais próximos, por isso, o saneamento é fundamental para a promoção do turismo”, cita a engenheira.
A profissional exemplificou que em áreas como a Estação das Docas, complexo turístico localizado em Belém, é comum sentir odores decorrentes da presença de esgotos sem tratamento presentes no local.
“A água é o grande eixo do saneamento. Hoje, a gente só tem problema com esgoto porque a água não teve os devidos cuidados. É triste andar pelo município de Belém, nas docas e sentir aquele odor, aquela quantidade de água que fica escorrendo pelo esgoto. Tudo isso representa uma diferença na economia local para tratar água e disponibilizar para as pessoas”, frisa Sena.
Importância da comunicação direta
A especialista também destacou a importância da comunicação entre a comunidade e a concessionária responsável para fortalecer a relação entre as comunidades e a empresa, no intuito de garantir o fornecimento de qualidade do serviço à população.
“Dentro da Águas do Pará, nós temos um canal de comunicação que se chama Programa Afluentes, que é uma iniciativa que conecta a empresa diretamente com a comunidade, através de lideranças comunitárias, para que elas apontem as dificuldades como falta de água, encanamento que se rompe, desperdício de água, custos que geram despesas muito grandes. A gente quer justamente que o cidadão em sua liderança, exerça o noção do papel cívico dele e a gente engaje o saneamento como um papel de todos nós”, finalizou.

Águas que transformam
A entrevista com Mariana Sena faz parte do quadro ‘Águas que transformam’, do programa Estação CBN Belém, da rádio CBN Amazônia, que foi ao ar na edição de sábado, 4 de julho.
O especial visa ampliar o diálogo com a população e a melhoria do serviço do fornecimento de água no estado.

Com apresentação da jornalista Dayse Gomes, o quadro vai ao ar toda quarta-feira no Estação CBN Belém, na 102.3 FM e no YouTube. Assista a entrevista completa (a partir de 32 minutos):
