Projeto da Fiocruz quer viabilizar acesso à água de qualidade na Terra Indígena Yanomami no AM

Ação visa ainda reduzir a incidência de doença diarreica aguda e a mortalidade infantil por causas relacionadas à desidratação e desnutrição, entre crianças indígenas de 0 a 5 anos.

Um projeto da Fiocruz vai examinar amostras da qualidade de água e sedimentos nas aldeias de Maturacá e Ariabu, na Terra indígena (TI) Yanomami Maturacá, em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, com o objetivo de reduzir a incidência de doença diarreica aguda (DDA) e a mortalidade infantil por causas relacionadas à desidratação e desnutrição, entre crianças indígenas de 0 a 5 anos.

A iniciativa, que vai ser coordenada pelo pesquisador Paulo Basta, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), é um desdobramento de uma pesquisa realizada em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em 2019, que analisou os determinantes sociais da desnutrição de crianças indígenas de até cinco anos do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami.

Projeto vai avaliar a água da Terra Indígena Yanomami Maturacá (AM) — Foto: Divulgação/Creatos Arquitetura

O estudo realizado em parceria com a Unicef analisou 304 crianças menores de cinco anos (80 provenientes de Auaris; 118 de Maturacá; e 106 de Ariabú). Os dados mostraram que 81,2% delas tinham baixa estatura para a idade (desnutrição crônica); 48,5% tinham baixo peso para a idade (indicação de desnutrição aguda) e 67,8% estavam anêmicas.

“O projeto que estamos desenvolvendo agora, em 2023, intitulado ‘Nos caminhos das águas’, a retomada da saúde Yanomami, busca o desenvolvimento de adequações sociotécnicas (tecnologias sociais) que garantam o acesso à água em quantidade e qualidade adequadas para as comunidades selecionadas na Terra Indígena Yanomami”, explicou.

Durante o trabalho de campo, realizado entre os meses de janeiro e fevereiro, os pesquisadores realizarão análises da qualidade das águas dos rios, dos poços e de torneiras utilizadas para abastecimento humano e sedimentos; e desenvolverão um mapa falante, com os potenciais fatores de risco de contaminação e pontos disponíveis na aldeia para fornecimento de água, considerando o uso doméstico pelas famílias. 

A equipe também avaliará o manejo dos rios, das águas da chuva, dos dejetos humanos e dos resíduos sólidos. Será feito, ainda, um diagnóstico das possíveis causas para o elevado número de casos de diarreia na Terra Indígena Yanomami, localizada em Maturacá (AM).

O projeto também possibilitará, por intermédio da parceria com a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (Serviço Geológico do Brasil), que a TI Yanomami passe a integrar o Atlas Hidrogeológico do Brasil ao Milionésimo, que reúne estudos e pesquisas realizados no Brasil sobre as águas subterrâneas.

Os pesquisadores e pesquisadoras Gina Boemer, Alexandre Pessoa, Salete Almeida e Pedro Basta, da Fiocruz; Valdemilton Gusmão e José Luiz Marmos, do CPRM, integram o grupo de pesquisa, que também conta com a participação do Instituto Socioambiental (ISA) e da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro. 

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