EJA no território Yanomami: educadores recebem formação para fortalecer autonomia do povo Sanöma

A ação de qualificação por meio do EJA faz parte de um projeto do governo para levar profissionais de educação à Terra Indígena Yanomami.

Foto: Maia de Barros/Funai

Dez profissionais de educação vão receber capacitação especializada para implementar a Educação de Jovens e Adultos (EJA) no território Yanomami, em Roraima. A medida atenderá a 35 comunidades indígenas do povo Sanöma. A iniciativa integra o escopo do curso de formação intitulado ‘Capacitação Integrada para a Gestão do Território Yanomami e Educação: fronteira, escola e territorialização’.

O curso – que faz parte do planejamento do Governo Federal para implementar ações estruturantes e permanentes na Terra Indígena Yanomami (TIY) – ocorre de forma articulada com foco na proteção e fortalecimento da gestão territorial, soberania alimentar, línguas e culturas do povo Sanöma.

“A educação é um direito fundamental de todos e uma ferramenta para assegurar o acesso a direitos territoriais, sociais, civis e políticos”, afirma Joenia Wapichana, presidenta da Funai.

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Coordenada pelo Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Roraima (UFRR), a formação conta com aporte de recursos da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e dos ministérios da Educação (MEC) e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

A ação de qualificação faz parte de um projeto para levar profissionais de educação à TIY, e tem como finalidade o fortalecimento de práticas pedagógicas fundamentadas nos aspectos socioculturais, históricos, territoriais e educacionais do povo Sanöma. A previsão é que os educadores comecem a atuar no território em fevereiro de 2026.

Mesa de abertura do curso de formação dos povos indíegnas. Foto: Maia de Barros / Funai

De acordo com a Funai, a educação é uma estratégia para a consolidação da dignidade humana, como destacou a presidenta Joenia Wapichana em participação na mesa de abertura da solenidade, realizada em Boa Vista (RR), que marcou o início do processo formativo, na segunda-feira (5): “A educação é um direito fundamental de todos e uma ferramenta para assegurar o acesso a direitos territoriais, sociais, civis e políticos”. 

Ela avalia que o curso se torna ainda mais importante ao considerar a crise humanitária vivenciada no território após o avanço do garimpo ilegal, entre 2021 e 2022, que impactou a saúde, o meio ambiente e a segurança alimentar das comunidades.

“A capacitação integra o conjunto de ações do Governo Federal para garantir soberania alimentar e nutricional, proteção social e territorial e geração de renda para os povos que vivem no território”, pontuou Joenia Wapichana, ao lembrar que, no primeiro momento da crise, foram adotadas medidas emergenciais, e, agora, tratam-se de ações estruturantes voltadas à autonomia das comunidades.

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Participação indígena no EJA

Segundo a coordenadora do curso pela UFRR, Adriana Santos, a equipe de educadores é composta por professores de matemática, português, geografia, história, artes, educação física e pedagogos que vão atuar na formação de estudantes indígenas a partir do sexto ano.

Os profissionais serão capacitados por pessoas com experiência no território indígena, explica a coordenadora, com o objetivo de assegurar o respeito e fortalecimento das culturas, tradições e identidade dos povos indígenas.  

Além disso, antes do início das atividades, o povo Sanöma será ouvido para a construção conjunta da grade curricular das aulas que serão ministradas no território.

“Nosso trabalho agora é colocar em exercício uma prática docente diferente da escola regular, uma prática que respeite a identidade cultural dos Sanöma. Por isso, é o momento de desconstruir uma ideia de escola preconcebida que temos e se abrir para esse novo processo junto aos Sanöma”, destaca Adriana Santos. 

Ainda de acordo com a coordenadora, trata-se de um projeto pioneiro no qual “a universidade é que vai para dentro do território ofertar a educação básica. Imagine o retorno com as escolas fortalecidas nas comunidades, com a política pública fortalecida dentro das comunidades. É uma política pública que a gente precisa que seja fortalecida dentro do território e a gente está levando as bases para que se consolide dentro do território.”

Povo indígena amplia sua autonomia com EJA
Governo Federal abre portas para EJA. Foto: Maia de Barros / Funai

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Agenda em Roraima

Acompanhada da diretora de Gestão Ambiental e Territorial, Lucia Alberta, a presidenta Joenia Wapichana participou, no dia 6 de janeiro, de reunião de planejamento, acompanhamento e balanço da Força-Tarefa Yanomami Ye´kwana (FTYY), coordenada pela Funai. 

O encontro teve como objetivo principal o acompanhamento das ações executadas em 2025, o planejamento das atividades para 2026 e o balanço geral dos projetos relacionados ao etnodesenvolvimento, diagnósticos e ações estruturantes realizados pela equipe, em parceria com outras instituições.

Entre as ações do Governo Federal no território, estão incentivos à produção de alimentos, à avicultura, à aquicultura e à pesca, a implantação de roçados e a oferta de cursos de formação destinados aos indígenas sobre segurança alimentar e nutricional e gestão territorial.

A reunião foi marcada por um momento rico de apresentações, diálogos, trocas de experiências e debates coletivos e, assim, contribuir para o fortalecimento das estratégias e para o alinhamento das ações futuras. Também foi apresentado o Plano Integrado Interinstitucional, voltado às ações que serão executadas em 2026 e à demonstração dos avanços alcançados pelos projetos.

*Com informações da Fundação Nacional dos Povos Indígenas

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