Interface do jogo foi desenvolvida por Giuliano, enquanto Risoleta ficou responsável pela escolha dos animais e pela construção da temática. Foto: Divulgação
Ensinar em forma de brincadeira enquanto estimula o raciocínio lógico. Esta é a missão do jogo ‘Olha o Bichim‘, criado pela servidora pública Risoleta Miranda e o marido dela, o analista de sistemas Giuliano Cardoso. O jogo, disponível para smartphones, combina a mecânica do clássico 2048 com animais da fauna brasileira.
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A interface do jogo foi desenvolvida por Giuliano, enquanto Risoleta ficou responsável pela escolha dos animais e pela construção da temática. O jogo está disponível gratuitamente para Android e iOS e pode ser jogado on-line e até off-line.
Risoleta explica que a ideia surgiu quando o esposo decidiu desenvolver uma versão do quebra-cabeça 2048 e a convidou a definir a ambientação. O jogo é direcionado ao público infantil, mas, segundo a co-criadora, todas as faixas etárias podem se divertir.
“Pensei em moldar a temática do jogo de uma forma que forneça o prazer de jogar com o prazer em aprender. Sempre caminho no Parque Ipê e vi uma criança encantada ao ver as capivaras, ela falou: ‘olha mãe, o bichinho’. Isso ficou martelando na minha cabeça”, explica.
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A escolha também levou em consideração o contato cada vez mais frequente das crianças com dispositivos eletrônicos.
Para Risoleta, embora o uso excessivo de telas seja uma preocupação para pais e educadores, a proposta foi pensar em uma alternativa para quando a criança estiver no celular.
“Se for para usar a tela, moderada ou moderadamente, que seja com algo que estimule áreas que são da nossa cultura e interesse em preservar. A primeira escolha, instintivamente veio: Tem que ter capivara! A capivara é a rainha do momento!”, afirma.
Matemática e coordenação
A diferença entre o aplicativo criado pelos acreanos e o jogo que o inspirou está na representação: os números são associados a animais. Risoleta destaca que a escolha permite que a dinâmica seja compreendida até por crianças que não dominam matemática.


“Como sei que hoje em dia crianças não alfabetizadas também gostam de consumir jogos, então, os animais foram escolhidos para serem o aspecto duplo do número no tabuleiro: quem sabe somar, joga somando. Quem não sabe somar, joga unindo, juntando os desenhos iguais”, diz.
Além do raciocínio matemático, os movimentos exigem precisão. Segundo ela, a sensibilidade dos comandos faz com que um movimento errado possa comprometer toda a sequência da partida. Além disso, a dinâmica também exige planejamento.
Espécies ameaçadas
Outro critério utilizado na escolha dos personagens foi a possibilidade de apresentar animais que não fazem parte do cotidiano de muitas crianças.
O peixe-boi, por exemplo, foi incluído por enfrentar risco de extinção e por ser uma espécie que dificilmente é observada pessoalmente por crianças. Com isso, a plataforma busca despertar a consciência ambiental dos jogadores.
“No nosso jogo, ele [peixe-boi] aparece em uma etapa mais avançada da progressão, como um animal considerado até especial. O lobo-guará também foi escolhido por ser uma espécie que ainda é meio desconhecida por parte da população, tudo foi bem pensado para ser lúdico”, pontua.
Possibilidades de uso
Além da proposta de entretenimento, os criadores começaram a perceber possibilidades de utilização do jogo em atividades escolares. Segundo Risoleta, alguns amigos professores conheceram o projeto, gostaram da proposta e passaram a recomendá-lo aos alunos.
Em uma aula de matemática, por exemplo, o professor pode utilizar o jogo como uma introdução a conteúdos como progressão geométrica, potenciação e raiz quadrada.
“Na biologia, os animais podem servir como ponto de partida para discutir mamíferos, répteis, anfíbios e outras classificações e nas aulas de geografia, os estudantes podem ser estimulados a identificar a qual bioma brasileiro pertence cada espécie”, acrescenta.
Risoleta argumenta ainda que o jogo pode ser uma proposta de raciocínio lógico, nas quais o desafio passa a ser encontrar estratégias para avançar no tabuleiro. “Tudo depende do contexto e da didática”, complementa.
*Por Walace Gomes, da Rede Amazônica Acre
