Livro quadrilíngue sobre pesquisas com batata-doce conecta Amazônia ao Japão

A partir das experiências das autoras, o livro reúne histórias do Povo Baniwa (AM) e da ilha de Hokkaido (JP), sobre o consumo da batata-doce e a importância histórica para as duas culturas.

Foto: Bageense, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons

Da Amazônia ao Japão, a batata-doce atravessou culturas e desempenhou papel importante na alimentação de populações, inclusive em períodos marcados por conflitos e eventos climáticos extremos. Essa trajetória é contada no livro ‘Batata-doce: raízes que salvam vidas. Histórias da Amazônia à Hokkaido’.

Editada em quatro línguas – Português, Baniwa, Japonês e Inglês – , a obra aborda a história do alimento popular em todo o mundo misturando memórias afetivas, ciência e saberes tradicionais. O novo livro da Editora Inpa foi lançado nesta sexta-feira (2).

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A partir das experiências das autoras, Carina Silva Valencia-Baniwa e Kyoko Asano, o livro reúne histórias do Povo Baniwa do alto Rio Negro (AM), e japonesas, da ilha de Hokkaido, sobre o consumo da batata-doce e a importância histórica do tubérculo para as duas culturas. Em paralelo, duas realidades opostas à primeira vista, são conectadas por um ingrediente simples e cotidiano. 

Para Carina, o processo de construção do livro foi um momento de resgate de si mesma e aprendizado sobre sua cultura a partir de um alimento repleto de significado.

“Indescritível reencontrar uma parte de mim que estava guardada no tempo. No final fiquei muito feliz por ver a minha história registrada em um livro e poder compartilhá-la com o mundo”, conta.

O compartilhamento de memórias e experiências tendo a batata-doce como ponto de partida trouxe novas formas de ver e viver a Amazônia para Kyoko. “Sinto como se tivesse encontrado uma segunda terra natal. É uma sensação muito especial”.

‘Batata-doce: raízes que salvam vidas. Histórias da Amazônia à Hokkaido’ reconstrói a origem do alimento nas Américas Central e do Sul e como ele foi gradualmente sendo levado para outros pontos do planeta até chegar ao Japão. A batata-doce se tornou tão popular que já foi enviada ao espaço para pesquisas sobre sua utilização em cultivos espaciais. 

Publicado pela Editora Inpa, o livro é resultado da participação das autoras no projeto “Diálogos científicos multiculturais sobre a sociobiodiversidade na Amazônia com potencial bioeconômico”, financiado pelo CNPq, chamada PPBio 2023.

Livro quadrilíngue sobre pesquisas com batata-doce conecta Amazônia ao Japão

Amazônia Chibata

A obra integra a série Amazônia Chibata, que busca evidenciar a Amazônia como um território biocultural singular, a partir de perspectivas científicas e ancestrais. 

A série foi criada criada em 2024, pelas pesquisadoras do Inpa, Noemia Kazue Ishikawa, Ana Carla Bruno e Tiara Sousa Cabral e pelas egressas da PPG Agricultura no Trópico Úmido e PPG-Botânica, Ruby Vargas-Isla e Laura C.C. Leite. O primeiro volume da série fala sobre o Ariá.

Segunda Noemia Ishikawa, a série foi criada para  promover o diálogo entre as narrativas dos povos tradicionais e as narrativas acadêmicas. 

“Temos como  objetivo popularizar o conhecimento sobre a sociobiodiversidade amazônica dentro e fora da Amazônia, por isso [o livro] foi publicado em quatro línguas”, declara Ishikawa .

Leia também: Inpa e Musa inauguram exposição e lançam livro sobre cogumelos da Amazônia

O segundo volume da série Amazônia Chibata conta com prefácio de Eli Minev-Benzecry, primeiro autor do volume 1, posfácio do cineasta Estêvão Ciavatta Pantoja e da atriz e apresentadora Regina Casé, além de trazer uma apreciação do arqueólogo Eduardo Góes Neves. 

O exemplar físico da obra é comercializado pela Livraria Inpa, localizada na Editora Inpa, prédio 97, Campus I. No formato digital, o livro pode ser acessado gratuitamente via repositório do Inpa. 

*Com informações do Inpa

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