De Manaus para o Vietnã: engenheiro amazonense lidera projeto aeroportuário multibilionário na Ásia

Diretor de Projeto do Aeroporto Internacional de Gia Binh, Mário Thiago Queiroz de Carvalho, de Manaus (AM), integra grupo de executivos globais à frente de um dos maiores empreendimentos de infraestrutura em andamento no mundo.

Foto: Mário Thiago Queiroz de Carvalho/Acervo pessoal

Um engenheiro civil nascido em Manaus, no Amazonas, está no centro de um dos maiores projetos de infraestrutura aeroportuária do planeta. Mário Thiago Queiroz de Carvalho, de 37 anos, atua atualmente como Diretor de Projeto do Aeroporto Internacional de Gia Binh, em Hanói, Vietnã — um empreendimento multibilionário que figura entre os maiores em execução no setor, cujos valores oficiais não podem ser divulgados por questões de compliance e confidencialidade contratual.

O projeto prevê capacidade para 100 milhões de passageiros por ano, mais que o dobro da capacidade projetada do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, concebido para cerca de 47 milhões anuais. O escopo inclui dois terminais principais, um terminal VVIP destinado a chefes de Estado, quatro pistas de pouso e decolagem, terminal de cargas, hangares, hotéis, sistema de metrô com acesso direto ao aeroporto, novas rodovias e integração ao projeto de trem de alta velocidade que conectará Hanói a Ho Chi Minh City ao longo de aproximadamente 1.600 quilômetros.

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À frente dos pacotes de Project Management (PM) e Construction Management (CM), Mário lidera equipes multidisciplinares em modelo fast-track, no qual engenharia, planejamento e construção ocorrem simultaneamente — formato que reduz prazos, mas exige elevado controle técnico, gestão de riscos e integração estratégica.

Raízes amazônicas e a formação em Manaus

Mário conta que após concluir o ensino médio, iniciou simultaneamente os cursos de Economia na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Engenharia Civil na Universidade Nilton Lins, optando posteriormente pela engenharia.

Ainda durante a graduação em Manaus, participou de projetos estruturantes no Amazonas, como a construção da Arena da Amazônia, o Shopping Via Norte e um complexo de galpões no Distrito Industrial de Manaus. A experiência na Arena, prestando serviços para a Andrade Gutierrez, consolidou sua atuação em obras de grande porte.

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Em 2015, decidiu migrar de Manaus, com a família, para o Canadá. Em Toronto, aprofundou sua formação e atuou na Orbit Engineering como coordenador de projetos voltados à análise de materiais para rodovias e pontes. Posteriormente, na Bridgecon Construction, assumiu a posição de Superintendente de Obras de Infraestrutura.

Foi nesse período que teve seu primeiro contato com projetos aeroportuários — experiência que definiu sua vocação profissional.

Mário Thiago Queiroz de Carvalho, engenheiro de Manaus
Mário se formou em engenharia civil pela Universidade Nilton Lins, em Manaus. Foto: Mário Thiago Queiroz de Carvalho/Acervo pessoal

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Com o retorno ao Brasil em 2019, encontrou o setor aeroportuário em plena transformação com o ciclo de privatizações. Concluiu MBA em Infraestrutura Aeroportuária e passou a atuar em diferentes obras pelo país: Maceió (2022), Porto Velho (2023), Belo Horizonte e Londrina (2024), Santarém (2025).

Em apenas cinco anos no setor, evoluiu da posição de engenheiro para Diretor de Projeto — ascensão considerada incomum na engenharia pesada internacional.

Especialista em obras no chamado “lado ar” — pistas, taxiways, pátios de aeronaves e sistemas de auxílio à navegação — desenvolveu expertise no ciclo completo de vida de empreendimentos aeroportuários, desde estudos conceituais e projetos, passando por planejamento e execução, até o comissionamento e ORAT (Operational Readiness and Airport Transfer), etapa que ativa o aeroporto para início das operações.

Hoje, no Vietnã, Mário lidera um projeto, no Vietnã, que integra aviação, logística, mobilidade urbana e transporte ferroviário de alta velocidade, reposicionando Hanói como novo hub estratégico no Sudeste Asiático.

Sua trajetória desde Manaus simboliza não apenas sucesso individual, mas a competitividade da engenharia brasileira no cenário internacional — especialmente de profissionais formados fora do eixo tradicional de desenvolvimento do país. “Essa é apenas uma parte da minha trajetória. Ainda há muito a construir”, resume.

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