Foto: Dhárcules Pinheiro/Secom AC
Localizada na Galeria de Arte Juvenal Antunes, em frente ao Calçadão da Gameleira, em Rio Branco (AC), a Casa do Artesanato Acreano registrou movimentação superior a R$ 443,5 mil em 2025 com a venda de peças produzidas por 130 artesãos que expõem no espaço. O ponto reúne trabalhadores de diferentes regiões do estado e tem ampliado a circulação de produtos ligados à cultura tradicional acreana.
Os dados são da Secretaria de Estado de Turismo e Empreendedorismo (Sete), responsável pela coordenação do espaço. Além do volume financeiro alcançado neste ano, a estrutura contribuiu para manter 2.356 artesãos com cadastro ativo e regular no Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (Sicab), abrangendo profissionais de todas as regionais do Acre.
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Segundo a coordenadora da Casa do Artesanato Acreano e coordenadora estadual do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), Risoleta Queiroz, com o registro em dia, os artesãos passam a ter acesso a políticas públicas e de incentivo para a comercialização de suas peças. O apoio é oferecido pela Sete, por meio da coordenação estadual do PAB, do governo federal.
“[A casa do] Artesanato Acreano incentiva os artesãos a participarem de capacitações e consultorias, criando oportunidades de desenvolver novos produtos para o mercado”, destaca a coordenadora.


A Casa também apoia a participação em feiras regionais, nacionais e internacionais. “Nosso estado é um dos que mais vendem nas feiras nacionais. O artesanato tem se destacado muito, tanto local quanto nacionalmente, e até internacionalmente”, ressalta.
Trajetória empreendedora
Expondo na Casa desde a fundação, Márcia Silvia de Lima é uma artesã que saiu da falência de uma empresa para se tornar uma empreendedora de sucesso.
“Eu já gostava de fazer artesanato, mas foi depois da falência da minha empresa que precisei viver exclusivamente desse trabalho. A primeira experiência foi no antigo Mira Shopping [em Rio Branco], onde fui convidada a expor meus produtos, e dali surgiram novas oportunidades”, relata.


Apesar dos desafios, a artesã não desistiu e, com o início da exposição de seus trabalhos na Casa do Artesanato, passou a ser reconhecida pelas instituições públicas e privadas. Márcia chega a atuar em feiras como instrutora, por meio do PAB Acre e Nacional.
“Meu carro-chefe são os colares feitos com a semente da jarina lapidada e torneada. Também produzo pulseiras, brincos, colares decorativos, chaveiros e bolsas confeccionadas com a semente, que têm boa aceitação do público”, explica.
Recentemente, a empreendedora expôs na COP30, no espaço Green Zone e no Espaço Chico Mendes. Além disso, suas peças já compuseram o figurino de desfiles de moda no Brasil, como a São Paulo Fashion Week, e em Paris, além de receber menções na revista Vogue, por meio de parcerias com lojistas conceituados do país.
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Apesar dos avanços, Márcia aponta que ainda existem desafios a serem enfrentados, especialmente em relação ao consumo local.
“O maior desafio é a conscientização do próprio acreano em valorizar e comprar o artesanato do Acre. Falta incentivo ao comércio justo, mas seguimos firmes, pois contamos com o apoio do governo”, afirma.
Sobre a presença na Casa do Artesanato Acreano, Márcia enfatiza: “É um espaço fundamental de divulgação e comercialização. Através dela, conquistei novos clientes e recebi pedidos de lojistas de outros estados”.


Avanços
Em 2025, além da participação em feiras nacionais e capacitações, a Casa do Artesanato promoveu o cadastramento de artesãos em diversos municípios do Acre. Como resultado, 420 novos artesãos foram registrados no Sicab.


Como expectativa para 2026, o artesanato acreano prossegue avançando. Neste ano, em reconhecimento pela atuação para o fortalecimento das políticas públicas do artesanato, o PAB irá entregar, ao Estado do Acre, novos equipamentos, que irão fortalecer a estrutura e a logística do setor.
Entre os investimentos estão um caminhão-baú, que irá contribuir no transporte de peças maiores, especialmente de madeira, para feiras nacionais; e uma caminhonete S-10, que facilitará o acesso aos municípios do interior.
O Estado ainda irá receber dois tablets, dois computadores, um celular e uma impressora, possibilitando a emissão da Carteira do Artesão em formato de cartão, que substituirá o modelo impresso em papel.
Cadastro de expositor na Casa do Artesanato Acreano
Para expor peças na Casa do Artesanato Acreano, os artesãos interessados devem estar cadastrados no Sicab, apresentar documentos pessoais e duas peças de sua autoria que tenham passado por curadoria para emissão da Carteira do Artesão.
Inaugurada em 2023, no Parque da Maternidade, a Casa do Artesanato Acreano foi reinaugurada em 2024 na Galeria de Arte Juvenal Antunes.

*Com informações da Agência Acre
