Foto: Reprodução/Tourism Panamá
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
A missão da Associação PanAmazônia, após visita ao Porto de Chancay, em Lima, deslocou-se para a cidade do Panamá, com o objetivo de conhecer seu famoso Canal e a Zona Livre de Colón. O Panamá, situado no istmo centro-americano que une a América do Norte e do Sul é famoso por seu canal interoceânico que tornou o país um importante hub logístico e financeiro internacional. O Canal do Panamá, extraordinária proeza de engenharia, foi construído entre 1881-1914 objetivando ligar os oceanos Atlântico e Pacífico. A hipótese de um canal na área desafiou europeus desde o século XVI na incessante busca de uma passagem capaz de contornar as tormentas do Estreito de Magalhães e do Cabo Horn, encurtando as longas distâncias do perigoso trajeto.
Foram os Estados Unidos, entretanto, que, por meio do tratado Herrán-Hay, de 1903, ganharam a concessão para construir a desafiante obra. Inaugurada em 1914, a estratégica hidrovia de 82 km completa o percurso por meio de um sistema de comportas e reservatórios que elevam por gravidade navios a 26 metros e os retorna ao nível do mar. Por ano, passam pelo canal cerca de 15 mil navios (máximo de 366 m de comprimento, 49m de boca e 15,2 m de calado), tornando-se rota de navegação fundamental que possibilitou reduzir a viagem entre os oceanos em cerca de 15.000 km, e, dessa forma, revolucionar o comércio marítimo global.
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Na bela capital Panama City, arranha-céus modernos, cassinos, restaurantes e hotéis de alto padrão convivem com as construções coloniais do distrito de Casco Viejo (o centro histórico da cidade) e a floresta tropical do Parque Natural Metropolitano. O Panamá é um destino cada vez mais procurado também por aposentados pelos serviços de alta qualidade e custo de vida razoável, salientando-se que investir no país não exige moradia permanente. Dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), descrevem a economia do Panamá baseada principalmente no setor de turismo e serviços, cerca de 80% do seu PIB e a maior parte da sua receita externa.
Os serviços incluem bancos, comércio, seguros, portos de contêineres e registro de navios-almirante, serviços médicos e de saúde e turismo. Em 2025 o PIB per capita do Panamá alcançou aproximadamente 20,000 dólares (Brasil: em torno de US$11,000). Embora não seja membro da OCDE, o país frequentemente passa por avaliações da Organização tendo em vista adequar suas políticas fiscais e comerciais a padrões internacionais.
Deve-se observar que o Panamá é estratégico para negócios de modo geral. Sobretudo por se constituir hub logístico global, dispor de forte setor financeiro, economia dolarizada, portanto estável, além de alta conectividade marítima e aérea, sendo porta natural de entrada para América Central, Caribe, México e as Américas Central e do Norte. Além do mais, o país proporciona segurança, qualidade de vida e mercado imobiliário estável. A segurança pública no Panamá é considerada alta, especialmente em comparação com outros países tropicais.
O risco de desastres naturais é baixo, o que garante estabilidade para os moradores. A proximidade com os Estados Unidos é também um diferencial importante, com voos rápidos para cidades como Miami e Orlando. O mercado imobiliário no Panamá oferece opções acessíveis e diversificadas. Há disponibilidade de imóveis desde a movimentada Cidade do Panamá até áreas costeiras tranquilas. Os preços são consideravelmente justos, permitindo a realização de sonhos de morar próximo ao mar do Caribe.
Em reunião da Associação PanAmazônia semana passada, o diretor executivo Belisário Arce apresentou um resumo da Missão e sua contribuição à política regional de integração pan-amazônica. Ressaltou as vantagens acarretadas para esse fim oferecidas pelo Porto de Chancay, em Lima, Peru, enquanto o empresário David Israel, que organizou a visita ao Panamá, destacou dados do governo brasileiro que apontam corrente de comércio bilateral Brasil/Panamá da ordem de R$1,6 bilhão de dólares em 2025, cerca de 35% das exportações brasileiras para a América Central.
Observou que, por meio do Acordo Mercosul–Panamá seria possível estabelecer bases para criação de uma Área de Livre Comércio entre as partes, facilitando investimentos e cooperação logística e portuária no uso do Canal do Panamá e da Zona Livre de Colón e viabilizando exportações da ZFM para além mar. Por seu turno, a Zona Livre de Colón, localizada na entrada atlântica do Canal do Panamá, uma das maiores zonas francas de comércio do mundo, opera de fato como centro de redistribuição para América Latina e Caribe. Poderia vir a tornar-se parceiro natural de Manaus. Ao que salientou Israel, houve tentativas de operacionalização de acordos, como em 2012, já expirado; e em 2025, quando autoridades voltaram a discutir a renovação dessa parceria para a retomada de projetos conjuntos.
Manaus já mantém um pé na capital panamenha. A brasileira “Panama Connection Turismo”, do amazonense David Israel, foi instalada como destino turístico e plataforma de negócios para brasileiros. A iniciativa busca aproveitar parte dos cerca de 20 mil passageiros que escalam na Cidade do Panamá em voos da Copa Airlines rumo ao Caribe, Estados Unidos, Canadá e México, incentivando-os a utilizar o programa “Panama Stopover” para permanecer no país por alguns dias e conhecer suas praias, ilhas, montanhas e oportunidades de compras.
Além do turismo, a empresa pretende atuar como hub de serviços, reunindo profissionais das áreas de imigração, investimentos, setor imobiliário e logística internacional, aproveitando também a estrutura comercial da Zona Livre de Colón. Israel salienta que a segurança pública no Panamá “é considerada alta em comparação a outros países tropicais e que, dada a proximidade com os Estados Unidos e cidades caribenhas atraem muitos turistas anualmente”.
Leia também: O porto peruano de Chancay e o comércio transfronteiriço pan-amazônico
Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
*O conteúdo é de responsabilidade do colunista
