Dados do desperdício colocam o Amapá entre os estados com maiores níveis de perdas, reforçando que a região Norte é uma das áreas mais críticas. Foto: Crystofher Andrade/Rede Amazônica AP
O Amapá desperdiça diariamente o equivalente a 15 piscinas olímpicas de água ou 49,659 caixas d’água de 750 litros, segundo dados divulgados no dia 2 de junho pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a consultoria GO Associados. O levantamento mostra que o Estado tem 39,27% de perdas na distribuição, índice praticamente igual à média nacional, de 39,53%. Os dados são referentes a 2024.
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No Amapá, a redução das perdas para a meta de 25%, prevista pela Portaria 788/2024, poderia garantir abastecimento para cerca de 225,588 pessoas. Em Macapá, as perdas chegam a 37,84% na distribuição, acima da meta nacional.
Cada ligação desperdiça em média 755 litros por dia, muito acima do limite de 216 litros. O desperdício equivale a 9 piscinas olímpicas ou 30,405 caixas d’água de 750 litros por dia. A redução poderia atender cerca de 34,062 pessoas.
O Amapá está entre os Estados com níveis elevados de perdas, o que reforça os desafios da região Norte. Na prática, grande parte da água produzida não chega às casas. O desperdício de água acontece quando o recurso é perdido antes de chegar às casas. Isso ocorre por vazamentos nas redes, erros de medição e consumos não autorizados.
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Esses problemas aumentam a pressão sobre os mananciais e elevam os custos de produção, além de reduzir a receita das empresas de saneamento. Em nota, a Concessionária de Saneamento do Amapá (CSA) informou que, quando assumiu a concessão em 2021, o índice de perdas era de cerca de 70%. O número caiu para 39,27%, conforme os dados divulgados.
Segundo a empresa, a redução é resultado de investimentos em modernização da rede, combate a vazamentos, regularização de ligações e melhoria da eficiência operacional do sistema de abastecimento.
Números do desperdício no Brasil
Entre as capitais, Goiânia (11,45%), Campo Grande (20,69%), Teresina (19,55%) e São Paulo (24,46%) estão dentro da meta. Já Belo Horizonte (68,29%), Maceió (64,05%) e Belém (58,96%) estão entre as piores no ranking do desperdício, com perdas muito acima da média. No Brasil, o volume desperdiçado em 2024 seria suficiente para abastecer 77 milhões de pessoas em um ano — mais que o dobro da população sem acesso à água potável (33 milhões).
A redução do desperdício para 25% das perdas poderia gerar R$ 47,3 bilhões em ganhos econômicos até 2033 e aumentar a resiliência hídrica diante das mudanças climáticas. O estudo conclui que o Brasil ainda tem um longo caminho para reduzir as perdas. A meta de 25% até 2033 exige medidas urgentes para garantir acesso à água potável e enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.
*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP
