Sairé é tema de exposição no Museu de Arte Sacra de São Paulo

Mostra do fotógrafo Alexandre Baena apresenta a celebração religiosa e cultural de Alter do Chão, no Pará. O Sairé une fé, ancestralidade e a disputa dos botos Tucuxi e Cor-de-Rosa.

Exposição sobre o Sairé leva cultura amazônica ao Museu de Arte Sacra. Foto: Divulgação

A exposição ‘Sairé – Celebração, louvor e disputa dos Botos’, do fotógrafo, documentarista e cineasta paraense Alexandre Baena, foi aberta no dia 7 de fevereiro no Museu de Arte Sacra de São Paulo (MAS-SP). Após uma viagem itinerante pelo país, a mostra retorna ao eixo nacional em uma edição especial, consolidando-se como uma vitrine da cultura amazônica.

A exposição apresenta ao público o universo do Sairé, tradicional manifestação cultural e religiosa realizada anualmente na vila de Alter do Chão, no município de Santarém (PA). Por meio de imagens sensíveis e narrativas visuais potentes, a mostra evidencia o rito de louvor à Santíssima Trindade, que reúne elementos da fé católica e das tradições indígenas Borari, além do momento profano marcado pela emblemática disputa entre os botos Tucuxi e Cor-de-Rosa, símbolos de identidade, pertencimento e ancestralidade amazônica.

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Durante a cerimônia de abertura, o público acompanhou uma apresentação especial do rito religioso do Sairé, conduzida por uma comitiva da Corte do Sairé, com cânticos, orações e símbolos sagrados que expressam a fusão entre a religiosidade cristã e os saberes indígenas.

O evento contou ainda com a participação das agremiações dos botos Tucuxi e Cor-de-Rosa, que levaram ao museu elementos cênicos, personagens e narrativas representativas da emoção, da fé e da riqueza cultural da vila de Alter do Chão, em um momento de celebração conjunta com a Festa do Divino.

Sairé é tema de exposição no Museu de Arte Sacra de São Paulo
Foto: Divulgação

Sobre a proposta da mostra, o artista explica que “o rito religioso tem a presença forte dos povos tradicionais, como ribeirinhos, quilombolas e indígenas Borari. São traços expressivos que vão desde a colocação dos mastros até as rezas e os cantos de louvor. Já na disputa dos botos, surgem os elementos sobrenaturais, as indumentárias, as cores vibrantes e a presença dos povos tradicionais, evidentes em cada cena apresentada nas telas”.

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Para a Prefeitura de Santarém, a realização da exposição reforça o reconhecimento do Sairé como patrimônio cultural imaterial da Amazônia e do Brasil, uma manifestação com mais de 300 anos de história que preserva valores religiosos, culturais e ambientais dos povos tradicionais.

A iniciativa reafirma o compromisso com a valorização da identidade santarena, o fortalecimento da cultura amazônica e a projeção de Santarém no cenário cultural nacional, levando ao público de todo o país um recorte autêntico, simbólico e profundamente representativo da Amazônia Paraense.

Sairé é tema de exposição no Museu de Arte Sacra de São Paulo
Foto: Divulgação

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Presente na abertura, Rayza Reis, coordenadora de Comunicação da Prefeitura de Santarém, destacou a importância da comunicação no fortalecimento da cultura.

“A comunicação pública tem um papel fundamental nesse processo: não apenas divulgar, mas traduzir com responsabilidade, respeitando os símbolos, os ritos e os significados que fazem parte dessa manifestação. Levar o Sairé para além das fronteiras de Santarém é ampliar vozes, fortalecer a cultura amazônica e garantir que o mundo conheça essa expressão em sua essência, sem descaracterização”, ressaltou.

Para Osmar Vieira, coordenador do Sairé, levar a manifestação para outros territórios tem um significado especial.

“Temos o privilégio de participar desta exposição aqui em São Paulo. É um prazer e uma alegria trazer a nossa fé ao povo paulista e mostrar que o Sairé está nos quatro cantos”, concluiu.

*Com informações da Prefeitura de Santarém

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