Projeto une esporte e tradição para fortalecer comunidades indígenas no Pará

Iniciativa na Terra Indígena Bacajá atende 14 aldeias do povo Xikrin com modalidades que vão do arco e flecha ao futebol feminino.

Terra Indígena Bacajá, no Pará, recebe projeto de esporte e sustentabilidade. Foto: Juan Ângelo/Xikrin

Uma parceria entre a Associação Indígena Berê Xikrin e a Transpetro deu início ao projeto ‘Kurkràdjá Xikrin Transpetro‘, que leva atividades esportivas e formação em sustentabilidade para a Terra Indígena Bacajá, no Pará. Com duração de 12 meses, a iniciativa promove a integração entre jovens e adultos, unindo práticas tradicionais, como o arco e flecha, ao desenvolvimento humano e à proteção ambiental.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O projeto foi contemplado no Programa Transpetro em Movimento, viabilizado por meio da Lei de Incentivo ao Esporte. Na prática, o apoio ao “Kurkràdjá Xikrin” leva recursos e políticas públicas a territórios e populações historicamente afastados do fomento esportivo estruturado.

“Este projeto é um marco para o nosso povo em torno de um objetivo comum. O Xikrin sempre foi apaixonado pelo esporte, mas agora temos organização para fortalecer tanto o futebol quanto as nossas tradições, como o arco e flecha”, comenta o Cacique Beb Kamati Xikrin, Presidente da Associação Indígena Bere Xikrin da TI Bacajá.

Esportes indígenas também ganham destaque

Ao todo, a iniciativa movimenta a Aldeia Krahn e outras 14 comunidades ligadas à Associação Berê Xikrin. O cronograma inclui seis modalidades: corrida, pau de sebo, cabo de guerra, arco e flecha, além do futebol nas categorias feminina e masculina. As atividades respeitam os costumes locais e buscam o equilíbrio entre a tradição e o interesse da comunidade.

“Vejo como uma oportunidade de ensinar aos nossos jovens a importância da união e do cuidado com as nossas raízes. Ver nossa cultura viva, com cantos e danças integrados às competições, nos dá a certeza de que estamos construindo um futuro mais forte para as próximas gerações da Terra Indígena Bacajá”, acrescenta o cacique.

Leia também: Conheça 5 esportes para praticar na Amazônia

Para a gerente geral de Comunicação Empresarial da Transpetro, Lilian Rossetto, a parceria fortalece a cultura e a integração dos povos originários, promovendo um Brasil mais diverso e conectado às suas raízes.

Terra Indígena Trincheira-Bacajá, do povo Xikrin. Foto: Helena Palmquist/Acervo MPF-PA
Terra Indígena Trincheira-Bacajá, do povo Xikrin. Foto: Helena Palmquist/Acervo MPF-PA

“O projeto incentiva a prática de esportes tradicionais conduzidos pelas próprias comunidades indígenas do Pará, estimulando a participação de diferentes públicos e idades. Valorizar o esporte brasileiro e reconhecer a vocação de cada território estão entre nossos compromissos, e esta iniciativa reafirma nossa visão de futuro, pautada no desenvolvimento, respeito e inclusão.”, defende.

Integração entre as aldeias

A rotina do projeto é dividida entre as aldeias e um polo central. Enquanto os treinos e o aprimoramento individual ocorrem diariamente em cada comunidade, os amistosos e grandes encontros mensais são realizados na Aldeia Krahn. Além da técnica, os participantes recebem noções teóricas e vivências coletivas.

A preservação da natureza também “entra em campo”. Toda a execução é orientada por práticas sustentáveis, com ações de conscientização sobre o descarte correto de resíduos e o cuidado com o território. O objetivo, por sua vez, é reforçar valores que já fazem parte do modo de vida Xikrin, integrando o esporte ao cuidado com a floresta.

Para o povo Xikrin, o projeto resolve um antigo desafio: a falta de continuidade. Apesar da paixão histórica por esportes, as atividades nas aldeias não contavam com uma estrutura organizada e formativa. Agora, o trabalho segue um planejamento que integra diferentes gerações e promove o desenvolvimento contínuo de atletas e líderes comunitários.

Leia também: Conheça brincadeiras e jogos de diferentes povos indígenas!

Os primeiros passos foram dados entre novembro e dezembro, com a organização das equipes e reuniões de logística. Como o deslocamento entre as aldeias é complexo, foi adotado um modelo híbrido: treinos locais durante a semana e um encontro coletivo mensal para celebração e intercâmbio.

O primeiro desses encontros ocorreu em dezembro, na Aldeia Krahn. O evento transformou a arena esportiva em um palco de valorização cultural, com danças e cantos tradicionais que reafirmaram a identidade do povo Xikrin. Para a Transpetro, o investimento reconhece o protagonismo indígena e amplia o alcance social da empresa em áreas remotas.

Sobre o Programa Transpetro em Movimento

O Programa Transpetro em Movimento impacta positivamente quase 300 mil pessoas em 55 municípios brasileiros, em todas as regiões do país, e é uma parceria com o Ministério da Cultura e o Ministério do Esporte, por meio da Lei Rouanet e da Lei Federal de Incentivo ao Esporte.

Com capilaridade nacional, o primeiro edital público de patrocínio incentivado da Transpetro valoriza e promove a circulação de traços culturais brasileiros e a formação profissional, fortalecendo a diversidade e estimulando a inclusão de públicos minorizados ou em situação de vulnerabilidade.

Mais de 80% dos projetos contemplados acontecem em comunidades tradicionais ou em áreas de periferia, com público prioritário formado em sua maioria por crianças e adolescentes.

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Livro reúne dados de investigação sobre sítios naturais sagrados do povo Nukini, no Acre

O livro é o resultado de uma investigação científica que integra a cosmologia indígena aos marcos regulatórios da justiça ambiental, segundo a professora Renata de O. Freitas.

Leia também

Publicidade