Exposição fotográfica do libanês Jacques Menassa “mostra a alma do amazônida” no Museu da Cidade de Manaus

A exposição reúne uma coleção de fotografias em preto e branco que retratam "a alma da Amazônia" a partir de uma estética sensível, profunda e humanista, segundo o fotógrafo.

A exposição ‘Les Gens du Nord’, do fotógrafo Jacques Menassa, marca a abertura da programação cultural do espaço em 2026 nesta segunda-feira (5). Foto: Divulgação/Prefeitura de Manaus

Abrindo a programação cultural de 2026, o Museu da Cidade de Manaus, que fica no paço da Liberdade, no Centro Histórico, inicia nesta segunda-feira (5) as suas atividades com a inauguração da exposição Les Gens du Nord‘, do fotógrafo internacional Jacques Menassa.

A mostra reúne uma coleção de fotografias em preto e branco que retratam “a alma da Amazônia” a partir de uma estética sensível, profunda e humanista, segundo o fotógrafo.

Por meio de um domínio técnico de luz e da sombra, Menassa, que retorna à capital amazonense, transforma cenas do cotidiano em “poesia visual”, transitando entre as texturas da floresta, os traços urbanos e, principalmente, a força humana do povo nortista.

Leia também: Jacques Menassa: fotógrafo libanês que leva a Amazônia em sua arte e em seu coração

Exposição Jacques Menassa, no Museu da Cidade de Manaus.
Exposição de Menassa retrata a alma da Amazônia a partir de uma estética sensível, profunda e humanista. Foto: Divulgação/Prefeitura de Manaus

A exposição é aberta ao público e pode ser conferida a partir desta segunda-feira (5), no horário das 9h às 17h, no Museu da Cidade de Manaus. A entrada é gratuita.

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A identidade da ‘gente do Norte’

A mostra ‘Les Gens du Nord‘ tem como ideia principal mostrar o povo da região Norte. Jacques Menassa trabalha imagens do cotidiano em composições preto e branco, técnica que transformou os registros visuais num retrato da identidade local, revelando a resistência, alegria e dignidade de quem vive na Amazônia.

“A exposição é composta de 36 fotos em preto e branco, que mostram a vivência desse povo maravilhoso. O nome da exposição, inclusive, é uma homenagem minha, ‘Le gens du Nord’ é uma canção de Enrico Macias dedicada ao norte da França que eu escolhi para nomear a exposição e homenagear o povo do Norte do Brasil que eu amo muito”, explicou Menassa.

Mulher indígena amamentando seu filho. Foto cedida pelo fotógrafo Jacques Menassa

Além disso, o trabalho propõe uma reflexão sobre pertencimento, memória e identidade cultural, algo que o fotógrafo faz questão de mostrar para o mundo.

Natural do Líbano, Menassa possui vasta contribuição artística entre o país de origem e o Brasil, através de trabalhos de divulgação entre as nações.

“Só no Líbano, eu já realizei mais de dez exposições sobre a Amazônia e seus temas, já publiquei mais de 50 materiais sobre a região amazônica nos principais jornais de lá. Eu gosto de fazer esse intercâmbio com o Brasil, que esse ano completa 80 anos de relacionamento diplomático com o Líbano”, frisou o artista ao Portal Amazônia.

Historiador Abrahim Baze entrevistando fotógrafo Jacques Menassa no programa Literatura em Foco, do canal Amazon Sat. Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

Para o historiador Abrahim Baze, as obras de Jacques Menassa traduzem a história e preservação da vida amazônida para o mundo.

“Menassa é um pedaço da nossa cultura. Um artista plástico e fotógrafo de uma inteligência fenomenal, suas exposições têm uma marca importantíssima que são os registros pessoais do povo amazônida. Você analisar a Amazônia para o Brasil tem um referencial, mas para o Oriente Médio, especialmente o Líbano, Jacques é a nossa maior referência para os árabes, que foram fundamentais para a economia da nossa região. Este é Jacques Menassa, o árabe-brasileiro, ou melhor, o árabe amazônida”, afirmou Baze.

Assista a entrevista:

Quem é Jacques Menassa?

Fotógrafo libanês Jacques Menassa. Foto: Divulgação/Jacques Menassa

Jacques Menassa nasceu em Ghosta, Líbano, em 1956. Formado em Ciências Políticas e Administrativas, o artista contou ao Portal Amazônia que a paixão pela fotografia vem desde a infância.

“Gosto da fotografia desde criança, os meus amigos no Líbano compravam revistas artísticas de cantores e atores e eu gostava de recortar as fotos bonitas. Desde essa época, eu já gostava de fotografia, cheguei até a ir pra Paris aprender tudo sobre essa área”, contou Menassa, que aprendeu técnicas fotográficas na Universidade Saint-Esprit de Kaslik, no Líbano.

Com família instalada em Manaus, ele desembarcou na capital amazonense em 1990, onde ficou encantado com a vivência e passou a fazer registros fotográficos do cotidiano amazônida.

Leia também: Jacques Menassa: um libanês na Amazônia

“Visitei Manaus pela primeira vez em 1984, porque a família do meu tio paterno vieram morar aqui no Amazonas. Meu avô e irmãos vieram em 1985 e eu cheguei depois, em 1990, onde fiquei por oito anos. Depois disso, voltou para o Líbano e desde 2016 eu volto aqui a cada ano e fico por três meses”, conta o fotógrafo.

Desde então, Jacques coleciona diversas exposições e oficinais de fotografias, obras que tornaram o artística como um dos maiores expoentes do cenário artístico nacional e internacional.

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