Estudos preliminares são realizados em urna funerária encontrada na Ilha do Bananal

Urna foi recolhida pelo Iphan em território indígena e passará por procedimentos técnicos no Núcleo de Arqueologia da Unitins.

Urna funerária encontrada por indígenas na Ilha do Bananal pode revelar novas pistas sobre povos antigos do Tocantins. Foto: Divulgação/Iphan

O Núcleo Tocantinense de Arqueologia (Nuta), da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins), participará dos estudos preliminares de uma urna funerária encontrada na Ilha do Bananal. O material foi recolhido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) após comunicação feita pela comunidade indígena Javaé, que localizou o artefato em território tradicional.

No processo de análise, o Nuta atuará como instituição responsável pela guarda e pesquisa arqueológica do material. O núcleo fará a documentação técnica da urna e conduzirá procedimentos de curadoria e conservação necessários para garantir condições adequadas às análises científicas e à preservação do patrimônio arqueológico.

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Segundo o curador do Nuta, professor doutor Genilson Nolasco, o trabalho envolve diferentes etapas de controle e registro do material.

“O Nuta atua como instituição de guarda e pesquisa arqueológica. Recebemos o material, asseguramos a rastreabilidade e realizamos a documentação técnica, com registro, inventário e fotografia, além da curadoria e da conservação do conjunto, garantindo condições adequadas para os estudos científicos e para a salvaguarda do patrimônio”, afirmou.

De acordo com o pesquisador, por se tratar de um contexto funerário localizado em território indígena, as etapas do trabalho seguem cuidados éticos específicos. “Todas as etapas são conduzidas com os devidos cuidados éticos, assegurando tratamento respeitoso aos remanescentes e responsabilidade na divulgação das informações”, explicou.

Estudos arqueológicos com a urna

Entre os procedimentos previstos estão estudos laboratoriais preliminares, que incluem a decapagem controlada da urna e a retirada sistemática dos materiais associados ao contexto funerário.

Após essa etapa inicial, o material passará por processos de curadoria e conservação preventiva. Também serão realizadas análises voltadas à identificação de características biológicas e culturais relacionadas ao contexto do achado.

Segundo o curador, os estudos podem contribuir para estimativas sobre idade e sexo do indivíduo associado ao contexto funerário e para a análise da cerâmica utilizada na produção da urna. “A análise classificatória da cerâmica considera elementos como pasta, técnica de fabricação, forma e acabamento. Esses dados permitem comparar o material com outros registros arqueológicos da região e levantar hipóteses sobre a tradição e a fase arqueológica às quais a urna pode estar vinculada”, pontuou.

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Contribuição para pesquisas na região

Para o pesquisador, a participação do núcleo no processo de estudo do material também amplia a produção de dados científicos sobre antigas ocupações humanas no Tocantins.

Ao registrar, conservar e analisar o artefato, o Nuta contribui para transformar a descoberta em evidência arqueológica qualificada. Esse processo permite compreender práticas funerárias, tecnologias ceramistas e contextos culturais associados a povos que habitaram a região ao longo do tempo.

“Quando a descoberta passa por registro técnico, conservação e análise científica, ela se transforma em fonte de informação para a arqueologia. Esses dados ajudam a compreender práticas culturais e contextos históricos relacionados às ocupações humanas no território”, ressaltou.

urna funerária encontrada pelo povo Javaé no tocantins
Foto: Divulgação/Iphan

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Pesquisa e preservação do patrimônio

O trabalho integra as atividades institucionais do Núcleo Tocantinense de Arqueologia, vinculado à Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários (Proex) da Unitins, por meio da Diretoria de Assuntos Estudantis e Esportes.

Além da preservação do material arqueológico, as análises realizadas pelo núcleo podem contribuir para futuras pesquisas acadêmicas relacionadas à história e à arqueologia da região.

Segundo o curador do Nuta, a organização e conservação do material ampliam o potencial de geração de dados científicos e de novas perguntas de pesquisa. “A curadoria e o estudo preliminar ampliam as possibilidades de investigação sobre o material e podem subsidiar pesquisas acadêmicas mais aprofundadas no futuro”, afirmou.

Os estudos iniciais devem fornecer elementos para compreender o contexto arqueológico do achado, além de contribuir para o conhecimento sobre as antigas ocupações humanas na região da Ilha do Bananal e do vale do Araguaia.

*Com informações da Unitins

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