Documentário retrata relação histórica de Belém com seus rios

Produção dirigida por Jorane Castro retrata a relação histórica, social e urbana de Belém com seus rios, destacando contrastes, desafios e belezas naturais

Foto: Reprodução/’Belém, cidade das águas’

‘Belém, cidade das águas’ é um documentário lançado em 2003. Com mais de 20 anos, a produção ainda parece recente, pois propõe um mergulho profundo na relação histórica, social e urbana entre a capital paraense e seus rios.

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Dirigida pela cineasta paraense Jorane Castro, a obra constrói um retrato sensível e documental de uma cidade moldada pela presença constante das águas, elemento que atravessa sua formação, economia, cultura e cotidiano.

Ao longo do filme, a narrativa revela como os rios influenciam diretamente a configuração do espaço urbano e a vida da população, ao mesmo tempo em que expõem contradições presentes no processo de ocupação da orla.

Desde o período colonial, Belém se desenvolveu a partir de uma lógica ribeirinha. Os rios funcionaram como principais vias de circulação, comércio e comunicação, conectando a cidade ao interior da Amazônia e a outras regiões.

O documentário ‘Belém, cidade das águas’ resgata esse contexto histórico ao mostrar que, apesar da modernização e da expansão urbana, a capital paraense ainda mantém uma relação direta e, por vezes, conflituosa com seus cursos d’água. O documentário evidencia que as águas não são apenas elementos naturais, mas também agentes estruturantes da dinâmica urbana.

cena do documentário 'Belém, cidade das águas'
Foto: Reprodução/’Belém, cidade das águas’

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Reflexo e proposta para uma nova Belém

Um dos eixos centrais do filme é a escuta de pesquisadores, estudiosos e especialistas que analisam a dinâmica da cidade ribeirinha. Esses depoimentos contribuem para contextualizar historicamente o crescimento urbano de Belém e para explicar como decisões políticas e econômicas influenciaram a forma como a cidade se voltou, ou se afastou, de seus rios.

As análises apresentadas apontam para a necessidade de repensar modelos de desenvolvimento urbano que considerem as águas como elementos centrais, e não como obstáculos a serem superados.

Nesse sentido, o documentário aborda a ideia de uma nova organização urbana, baseada na valorização do patrimônio natural e cultural associado aos rios.

O documentário apresenta reflexões sobre planejamento urbano, sustentabilidade e qualidade de vida, sempre a partir da realidade local. Ao mostrar experiências, diagnósticos e possibilidades, o filme contribui para ampliar o debate sobre o futuro da cidade e o papel das águas nesse processo.

A obra também destaca a dimensão cultural da relação entre Belém e seus rios. As águas aparecem como parte do imaginário coletivo, presentes nas tradições, na alimentação, no trabalho e nas práticas cotidianas da população.

O documentário registra cenas que revelam essa convivência diária, reforçando a ideia de que a identidade da cidade está profundamente ligada ao ambiente ribeirinho. Essa abordagem amplia o olhar sobre os rios, que deixam de ser apenas recursos naturais e passam a ser compreendidos como elementos constitutivos da vida urbana. Assim, mais de duas décadas após seu lançamento, ‘Belém, cidade das águas‘ permanece como um registro relevante da cidade e de seus desafios.

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