Foto: Fabrício Lopes
“A conexão da ciência com a arte tem este papel poderoso: a capacidade de transformar as pessoas, de fazê-las mergulhar na Amazônia e sair com o compromisso genuíno de proteger esse território”. É com essa visão integradora que a ecóloga e pesquisadora Joice Ferreira, da Embrapa Amazônia Oriental, fala sobre a transdisciplinaridade da exposição de longa duração ‘Amazônias no Plural‘. A mostra marca a reabertura do Museu das Amazônias (MAZ), localizado na área portuária de Belém (PA), realizada no dia 4 de novembro.
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Para a pesquisadora, traduzir a ciência para o público urbano exige ir além dos dados estatísticos.
“Na ciência, nós trabalhamos com muitos números, muitas análises e diagnósticos de problemas. Mas os conhecimentos não precisam ser apresentados de forma dura. A arte desperta a emoção e aproxima as pessoas da imensidão que é a Amazônia”, destaca Joice.
Fruto de mais de dois anos de trabalho de concepção e seleção de conteúdos, a curadoria da exposição é assinada pela arqueóloga Helena Lima, do Museu Paraense Emilio Goeldi; a antropóloga indígena Francy Baniwa; da Universidade de São Paulo (Usp); e a ecóloga Joice Ferreira, da Embrapa.

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Juntas, elas estruturaram uma jornada que mostra que a floresta não é uma paisagem única, mas sim um mosaico vivo de saberes, tecnologias ancestrais e biodiversidade.
“Essa curadoria foi construída muito a partir da relação com as pessoas da Amazônia: de Belém, dos interiores do Pará, do Amazonas, do Amapá, dos vários estados e países que compõem essa grande pluralidade que são as Amazônias”, afirma Helena Lima.
Ocupando 950 m² no térreo do museu, a exposição é estruturada ao longo do corpo de uma serpente — símbolo do MAZ — e conta com mais de seis ambientes. O percurso propõe uma imersão na história da região, cobrindo etapas geológicas iniciadas há 60 milhões de anos, além dos saberes, modos de vida, tecnologias e biodiversidade. De acordo com Joice, o principal intuito é mostrar que a riqueza biológica da floresta é indissociável das populações que a habitam.

“Exploramos a diversidade amazônica não apenas sob o aspecto biológico, mas também cultural, pois a diversidade biológica existe em razão das pessoas que vivem aqui”, explica a pesquisadora, que ressalta a parceria com a Embrapa na elaboração de conteúdos diversos. “Um exemplo importante são espécimes da coleção entomológica da instituição, sob a responsabilidade da pesquisadora Márcia Maués, que estão na exposição e representam parte da imensa biodiversidade amazônica”, complementa.
O Museu das Amazônias é um equipamento cultural do Governo do Estado do Pará, implementado pelo Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG) em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG). Segundo o secretário de Cultura do Pará, Bruno Chagas, “o Museu é um equipamento que pertence à nossa gente e que ajuda a projetar a cultura e a diversidade das Amazônias para o país todo e para o mundo”.

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Além da exposição permanente, a reabertura conta com a mostra temporária “Água, Pantanal, Fogo”, reunindo fotografias de Lalo de Almeida e Luciano Candisani sobre o impacto da crise climática.
“As duas exposições convidam o público a olhar para esses territórios por diferentes caminhos. Em Amazônias no Plural, saberes, modos de vida, ciência e biodiversidade se encontram em uma experiência que mostra por que não existe uma única Amazônia. Já Água, Pantanal, Fogo usa a fotografia para aproximar o visitante da força da vida no Pantanal e a relação dele com a Amazônia”, finaliza a gerente técnica do MAZ, Camila Costa.
O Museu das Amazônias é viabilizado com recursos dos Ministérios da Cultura e da Ciência, Tecnologia e Inovação, com concepção e gestão do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG) em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi e a Vale.
O empreendimento conta com o suporte financeiro de instituições como BNDES, Finep e Grupo BID, patrocínio internacional do CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina), patrocínio nacional da Hydro e New Fortress Energy, além do investimento de marcas como Ipiranga, Grupo Carrefour, Mercado Livre e Ultracargo.
*Com informações da Embrapa Amazônia Oriental.
