Foto: Divulgação
Pouca gente sabe, mas um dos maiores nomes da arquitetura brasileira do século XX, o arquiteto João Batista Vilanova Artigas, referência do modernismo e do brutalismo arquitetônico, deixou sua assinatura em três importantes prédios públicos do Amapá. Militante do Partido Comunista Brasileiro, perseguido pela Ditadura Militar e afastado da docência em 1969, Artigas foi responsável pelos projetos do atual prédio do Comando da Polícia Militar, da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinf) e da Escola Estadual Tiradentes.
A história ganha contornos ainda mais curiosos porque esses projetos foram adquiridos durante o governo do general Ivanhoé Gonçalves Martins, militar identificado com a linha dura do regime. O encontro entre um governador conservador e um arquiteto comunista revela uma das muitas contradições da história brasileira.
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Segundo o livro ‘As histórias da História do Amapá’, foi como “como se o general, cujo cerne ideológico o colocava como adversário institucional do comunismo, tivesse reconhecido a urgência humanista de uma causa maior: a construção de um Estado que pudesse acolher seus cidadãos”.


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Projetos do arquiteto são patrimônio coletivo

As três edificações permanecem como importantes exemplares da arquitetura moderna na Amazônia. O prédio da Polícia Militar é considerado o mais preservado, enquanto a Escola Tiradentes sofreu alterações ao longo do tempo, com a substituição de elementos previstos no projeto original. Já a sede da Seinf ainda conserva boa parte de suas características arquitetônicas, embora pouco reconhecida como patrimônio cultural.
A obra destaca ainda que pesquisas acadêmicas apontam a necessidade de valorização desse legado. Mais do que construções em concreto, ferro e vidro, os edifícios representam um encontro improvável entre visões políticas opostas e demonstram que a arquitetura pode ultrapassar disputas ideológicas para se transformar em patrimônio coletivo.
Essa e muitas outras curiosidades estão reunidas em As histórias da História do Amapá, obra que busca recuperar episódios esquecidos e personagens que ficaram à margem da historiografia tradicional.
Como destaca o senador Randolfe Rodrigues no prefácio, trata-se de um livro que “reconstitui a memória coletiva de um povo a partir daquilo que a história oficial deixou à margem”.
A proposta dialoga com a própria apresentação da obra ao leitor. Na orelha do livro, o autor é apresentado como um pesquisador dedicado à preservação da memória histórica e cultural do estado, reunindo relatos, personagens e acontecimentos que ajudam a compreender a formação social, política e cultural do Amapá.
*Com informações da assessoria
