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Terça, 06 Dezembro 2022

Fatores que mais fazem profissionais serem dispensados nos três primeiros meses de experiência

Os primeiros meses de experiência sempre são os períodos-chaves que definem a efetivação ou dispensa do(a) profissional que fora selecionado e aprovado no processo seletivo. Durante esse tempo, exatamente tudo é analisado, desde os resultados efetivos nas atividades desenvolvidas até o comportamento diante as situações do dia-a-dia.

Os fatores comportamentais ainda continuam sendo os maiores motivos de dispensas, desde o período de experiência até mesmo depois da efetivação. Estima-se que 83% de profissionais são contratados pela capacidade técnica, mas desligados pelo comportamento. Isso significa que as instituições têm se preocupado muito com a formação técnica, e pouco ou quase nada com o quesito comportamental.

Nesse artigo vou falar sobre os principais fatores comportamentais que têm gerado dispensas de profissionais no período de experiência.

Foto: Mohammed Hassan/Pixabay

Dificuldade no trato com pessoas

O item mais crítico corresponde ao relacionamento interpessoal. Você já deve ter ouvido bastante essas duas palavras, não é mesmo?

O mercado, de uma forma geral, tem excelentes técnicos nas mais diversas áreas, entretanto, em muitos casos, falta a sensibilidade do trato com pessoas durante uma conversa, comunicação, soluções de problemas e conflitos. A rispidez é o fator comportamental que mais gera desacordos entre um profissional e outro. Esses arranhões diários causam grandes prejuízos para as organizações, considerando que, depois de algum conflito mal resolvido, um não quer mais cooperar com o outro. Normalmente, o resultado final disso é os dois dispensados.

A falta de flexibilidade e sensibilidade de entender o que é dito também são itens críticos. Normalmente, se interpreta como se quer, não como realmente é. Há uma tendência comportamental de "se eu falasse isso, estaria dizendo aquilo", e não "ele(a) falando isso, o que quer dizer exatamente?". A interpretação da mensagem como vem é fundamental, e não como nós queremos entender. Muitas das ocorrências de desentendimentos no ambiente de trabalho são gerados justamente por essa falta de entendimento real.

Para os setores de gestão de pessoas, criar essa consciência de entendimento real é um desafio quase impossível, considerando que muitos profissionais já se lapidaram de acordo apenas com o que acreditam e não estão dispostos a ter uma nova visão de leitura de cenário diante o dia-a-dia.

Limitação com horários

Esse também é um item crítico. É normal vermos muitas pessoas falarem nos direitos, mas pouco nos deveres e na contribuição mútua. A questão é que quem incorpora as demandas da empresa, tende a ter um destaque maior do que os outros profissionais.

Vamos imaginar três situações que exemplificam isso?

Exemplo 1: João trabalha em uma empresa que está tentando se recuperar financeiramente depois da pandemia do Covid-19. Em determinado dia, o movimento da empresa estava muito intenso e o seu líder imediato pediu para que ficasse mais 10 minutos além do horário para poder ajudar a equipe nos atendimentos. João se negou e disse que não ficaria, pois o seu horário de trabalho é até às 17h.

Exemplo 2: Larissa trabalha na mesma empresa. Seu líder fez o mesmo pedido e ela aceitou, entretanto, demonstrou insatisfação por isso.

Exemplo 3: Maria também trabalha na mesma empresa. Seu líder imediato lhe fez o mesmo pedido e ela aceitou, ajudando toda a equipe a trabalhar em alguns poucos minutos depois do horário regular de trabalho.

Estando os três profissionais no período de experiência para a demanda de efetivação de apenas uma vaga, quem você acha que será efetivado(a)?

Veja, aqui não estamos falando de infringir as leis trabalhistas trabalhando após o horário convencional, mas sim a ação de contribuição, parceria e estar junto quando for necessário.

Pensar primeiro em si próprio

O individualismo no âmbito profissional também gera dispensas na experiência. Esse é o sentimento percebido por gestores(as) durante o dia-a-dia profissional. A falta do sentimento de equipe é o fator que mais demonstra isso.

Você já ouviu alguém falando "Mas não foi eu que fiz isso, por que eu tenho que consertar?" ? Pois é.... é disso que estamos falando. Assim como essa situação, há muitas outras que também ocorrem todos os dias.

O ponto crítico dessa questão é que, em muitos casos, não se tem o entendimento de que se aquele barco afundar, todos vão juntos. Apesar de ser algo simples de entender, ainda é uma das maiores dificuldades comportamentais presenciadas nas organizações.

Vamos a dois exemplos disso?

Exemplo 1: Isabelle trabalha em empresa X. Ela é do setor financeiro e toma conhecimento que há um grande gargalo que ninguém consegue resolver no setor contábil. Considerando que ela tem o conhecimento necessário para ajudar a resolver a questão, não se manifesta para que isso ocorra.

Exemplo 2: Carlos trabalha na mesma empresa. Ele soube do mesmo problema. Tendo conhecimento para resolver, se disponibilizou imediatamente para ajudar a solucionar algo que nem é de seu setor.

Entre os dois profissionais, havendo apenas uma vaga para a efetivação, quem acha que será efetivado(a)?

Sobre o autor

Flávio Guimarães é diretor da Guimarães Consultoria, Administrador de Empresas, Especializado em Negócios, Comportamento e Recursos Humanos, Comentarista de Carreira, Emprego e Oportunidade dos Jornais Bom Dia Amazônia e Jornal do Amazonas 1ª Edição, CBN Amazônia, Portal Amazônia e Consultor em Avaliação/Reelaboração Curricular.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

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