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Cãoera, a lenda do morcego gigante que vive na Amazônia

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Cãoera, o “morcegão” da Amazônia. Imagem gerada por IA

A Amazônia carrega histórias que nascem da relação entre a floresta e os povos que vivem nela. Entre essas memórias, se encontram as lendas, que são passadas de geração em geração, criadas a partir da convivência com a natureza e dos mistérios da mata. Entre esses relatos está uma lenda muito conhecida pelo povo indígena Mura, no Amazonas, que causa arrepios e amedronta quem escuta.

Essa criatura é descrita como uma espécie de morcego muito grande, da proporção de um urubu, e consegue sugar todo o sangue de quem está dormindo, sem que a pessoa acorde e, em seguida, a devora, segundo o relato registrado no livro “Mito da Amazônia”, uma coletânea de histórias sobre a mitologia da Amazônia, de Franz Kreuther.

Leia também: 6 lendas folclóricas para conhecer a cultura na Amazônia Internacional

Cãoera, o ‘morcegão’

Essa espécie de ‘morcegão’ é chamada Cãoera pelos Muras. “É homem, é fera, é criatura das trevas, com o machado de pedra pra guerra, na espreita obscura vai te devorar”, resume esse trecho da toada ‘Cãoera’, do Boi-bumbá Caprichoso, sobre o morcego. 

cãoera
Arte: Reprodução / Instagram-oreticolo

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Ainda na toada do boi preto de Parintins, os versos contam como o Cãoera ataca os indígenas do baixo Amazonas: “Maculados, muras condenados, o sangue que corre em tuas veias é saciado por vampiros da noite”.

Na música, o morcego pode ser combatido pelos caçadores Xamã, líderes espirituais e curandeiros tradicionais em culturas indígenas, agindo como intermediários entre o mundo físico e espiritual. “Caçadores Xamã, o teu canto devoto evoca o nascente para expulsar; cãoera arde, cãoera foge”, diz o verso escrito por Elton Cabral, Fellipe Cid e Mayra Cavalcante.

Segundo o livro, o Cãoera habita os buracos na terra e surge quando se faz algumas atividades chamativas, como cozinhar o jabuti com outras carnes no meio do mato, ou quando se queima pelos ou penas de animais na floresta, conforme a obra. Ele também pode surgir quando se joga espinha de peixe nos rios ou até quando se grita na mata, conforme o registro no livro.

Seu cardápio também inclui cabeças de gado, as quais ele é capaz de suspender e voar com elas até o alto dos montes, onde as devora por completo, deixando apenas seus ossos para trás.

Ouça a toada:

*Por Karla Ximenes, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Três espécies de papagaios encontradas na Amazônia que encantam e revelam a saúde da floresta

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Papagaios são animais encantadores com cores vibrantes. Foto: Thiago Silva/Semuc – PMBV

Você deve conhecer uma espécie de ave que se comunica com assobios ou até repete o que humanos falam perto dela. É conhecida por sua coloração verde, penas com detalhes marcantes e um bico bem redondo.

Serviu de inspiração para um dos pássaros mais famosos do mundo: o Zé Carioca, que representa o Brasil nos desenhos animados da Disney. E se você pensou em papagaio, acertou!

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Os papagaios se encontram em vários biomas do Brasil e costumam ser lembrados por suas características físicas, como descrito acima, e um comportamento que cativa.

O Portal Amazônia conversou com Francisco Luciano Ibiapina, funcionário público e gerente do Bosque dos Papagaios, em Boa Vista (RR), para falar sobre três espécies de papagaios comuns na Amazônia.

Bosque dos Papagaios. Foto: Divulgação/Prefeitura de Boa Vista

Papagaio-moleiro (Amazona farinosa)

Segundo Ibiapina, o moleiro é o maior papagaio do Brasil e é conhecido também como jeru, juru, ajuru, juru-açu e ajuruaçu.

Sua coloração é verde-clara, com aspecto “empoeirado”, como se suas penas fossem cobertas por um pó branco muito fino. A parte de cima de sua cabeça, geralmente, é amarela, azul e vermelho, tem o bico e anel dos olhos brancos, cauda longa com extremidade em um tom de verde claro.

O papagaio-moleiro tem uma vocalização forte e grave e costuma viver em bandos grandes. Vive principalmente em florestas densas e áreas úmidas, como a Amazônia. Andam em grupos pelos ares à procura de frutos, incluindo de palmeiras.

Sua reprodução acontece em ninhos feitos em ocos de árvores e elevações rochosas, principalmente durante os três primeiros meses do ano, de acordo com a Fundação Jardim Zoológico de Brasília.

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Papagaio-moleiro. Foto: Divulgação / Wikipédia

Papagaio-campeiro (Amazona ochrocephala / A. aestiva, dependendo da região)

De acordo com o gerente do Bosque dos Papagaios, o papagaio-campeiro mede entre 35 e 38 centímetros de comprimento e pesa entre 340 e 535 gramas.

Possui plumagem verde com coroa amarela, cauda verde com as pontas verde amareladas claras e a base das penas em tons avermelhados. Em seus olhos, a íris é vermelha no indivíduo adulto, anel ocular branco e bico cinzento-claro. 

Costuma ser encontrado em áreas abertas, cerrados, campos e bordas de mata. É uma espécie muito adaptável e possui vocalização alta e frequente.

O campeiro constrói ninho em buracos de cupinzeiros em árvores e ocos de palmeiras, a pouca altura do chão, na temporada seca, para se reproduzir, segundo a Fundação Jardim Zoológico de Brasília.

A coloração da cabeça e face pode variar individualmente, mas, de uma forma geral, possui uma área amarela maior na coroa.

Papagaio-campeiro. Foto: Divulgação / Fundação Jardim Zoológico de Brasília

Curica (Amazona amazonica ou Amazona autumnalis, conforme a região)

O papagaio-do-mangue, conhecido como curica, é menor que as outras aves citadas. Sua cor é um verde mais escuro, com detalhes coloridos (amarelo, vermelho ou azul na cabeça e em sua face).

Habita matas ciliares, áreas alagadas, comum em florestas de galeria, várzeas, alagados com árvores e manguezais. Costuma pernoitar e se reproduzir em ilhas cobertas de mata.

Reproduz-se geralmente no segundo semestre do ano e faz ninhos em cavidades, aproveitando ocos de árvores, paredões rochosos e cupinzeiros, conforme a Fundação Jardim Zoológico de Brasília. O casal permanece unido por toda vida. E por falar em casal, em voo eles mantém contato através de gritos longos e elaborados.

Papagaio-do-mangue (curica). Foto: Divulgação / Fundação Jardim Zoológico de Brasília

Diferenças entre as espécies

Para Francisco Luciano Ibiapina, de forma resumida, o moleiro é o papagaio maior e mais florestal, o campeiro é mais comum em áreas abertas e é adaptável, e a curica é menor e mais associada a matas e rios.

“O papagaio-campeiro está associado a campos naturais e florestas com araucária, dependendo muito de sementes sazonais. O papagaio-moleiro vive em florestas densas e úmidas, incluindo áreas de várzea. O papagaio-do-mangue (curica) ocorre em florestas ribeirinhas, manguezais e áreas próximas a rios. O habitat influencia diretamente na alimentação, reprodução e deslocamento dessas aves”, reforçou o especialista.

O papagaio-campeiro costuma formar grandes bandos, principalmente fora do período reprodutivo. O papagaio-moleiro é mais discreto e geralmente observado em pares ou pequenos grupos. O papagaio-do-mangue é bastante vocal, com chamados altos e repetitivos, facilitando sua identificação em campo.

Segundo o gerente, os papagaios campeiro e moleiro podem ser confundidos, por isso é preciso falar de suas diferenças. “Quando as aves voam é mais fácil de ver essa diferença, com o vermelho cobrindo uma área bem maior no campeiro enquanto no moleiro é apenas uma pequena porção da asa com essa cor”, exemplifica.

Leia também: Zé Carioca na Amazônia? Conheça o papagaio-verdadeiro

Importância ecológica e ameaças ambientais dos papagaios

Segundo Ibiapina, essas aves têm papel fundamental na dispersão de sementes, contribuindo para a regeneração florestal. Também ajudam no equilíbrio ecológico, interagindo com diversas espécies vegetais e animais. E, mesmo com um papel fundamental para a natureza, eles sofrem muitas ameaças.

“As principais ameaças são a perda e fragmentação do habitat, o desmatamento, a captura ilegal para o tráfico de animais silvestres e, em alguns casos, conflitos com atividades agrícolas. O papagaio-campeiro é especialmente sensível à perda de áreas naturais específicas”, explicou o gerente para o Portal Amazônia.

Ele indica medidas para ajudar na conservação desses papagaios:

“A comunidade pode contribuir evitando a captura ilegal, denunciando o tráfico e preservando áreas naturais. Já as políticas públicas devem fortalecer a fiscalização ambiental, apoiar programas de educação ambiental, proteção de habitats e ações de reabilitação e soltura monitorada de animais silvestres”, concluiu. 

*Por Karla Ximenes, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Saiba em quais estados da Amazônia ocorrem mais incidências de raios

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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O clima equatorial é caracterizado por ser quente, úmido e com chuvas abundantes e bem distribuídas ao longo do ano, e ele predomina os ares da Amazônia. Essas tempestades geralmente possuem companhias de ventanias, trovões e o companheiro principal, que possui uma descarga energética abundante e causa até medo em alguns cidadãos: o raio

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Os raios são mais ocorrentes em regiões com muita umidade e calor, como é o caso da Amazônia, que favorece ainda mais a formação da atividade elétrica. Essas descargas estão relacionadas com o acúmulo de eletricidade nas nuvens do tipo cumulonimbus (Cb), por vezes acompanhadas de ventanias fortes e grande volume de água.

A descarga da eletricidade presente nessas nuvens é causada pela atração entre cargas de sinais opostos: positivas e negativas. Assim o raio pode ocorrer apenas entre nuvens ou entre nuvens e solo.

raios são descargas elétricas.
Raios são descargas elétricas perigosas. Foto: Romulo Venâncio/Elat/Inpe

Leia também: Nuvens Cumulonimbus: fenômeno surpreendeu os moradores de Boa Vista

Amazônia e os raios 

Devido a localização geográfica da Amazônia, a manifestação de raios ocorre com maior frequência por dois fatores: a umidade e o calor amazônico, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). 

Um estudo publicado pelo Grupo ELAT (Laboratório de Eletricidade Atmosférica), do Inpe, revela que entre os anos de 2081 a 2100, a ocorrência de raios deve alcançar a casa dos 100 milhões por ano. Na Amazônia, esse número já chega a 30 milhões por ano. São 13,4 descargas elétricas por quilômetro quadrado.

Ao Portal Amazônia, o coordenador do Elat, Osmar Pinto Júnior, confirmou que a Amazônia é uma das três regiões no mundo com a maior incidência de descargas elétricas: “Isso ocorre devido a localização geográfica próxima à linha do Equador e a alta umidade por conta da floresta”. 

Além disso, o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), por meio de nota, concedeu ao Portal Amazônia um mapa que mostra a densidade de raios por ano na Amazônia:

Mapa de densidade de raios por ano no Brasil. Fonte: American Meteorological Society

De acordo com o mapa, o Amazonas, a região sul do Pará, o norte do Mato Grosso e Tocantins são as regiões com as maiores incidências de raios no país devido a alta disponibilidade de vapor d’água e altas temperaturas, que são ingredientes básicos para formação de tempestades.

O Censipam informou que o período em que mais se registra descargas elétricas na região amazônica é durante o trimestre entre setembro e novembro, período de transição entre a estação mais seca para o chuvosa.

Leia também: Amazônia influencia as chuvas no Sul e Sudeste do país

Chuvas fortes carregam com elas os famosos raios. Foto: Divulgação/Funbio

Cuidados essenciais em períodos chuvosos

Segundo a World Meteorological Organization (WMO), os raios estão entre as principais causas de mortes relacionadas a eventos meteorológicos. 

Ainda na nota do Censipam, o órgão alerta que durante eventos com possibilidade de descargas elétricas, a atenção precisa ser ainda maior, com a adoção de cuidados preventivos. Entre as medidas recomendadas estão:

  • evitar lugares abertos (campos, rios e floresta);
  • procurar um abrigo fechado (pelas laterais também);
  • afastar-se de árvores altas;
  • afastar-se da rede elétrica, postes e antenas;
  • evitar ficar descalço;
  • caso alguma pessoa esteja na rua, procurar um veículo fechado (não tocar na lataria) para se abrigar;
  • dentro de casa evitar contato com qualquer tipo de objeto que tenha uma estrutura metálica (incluindo alguns tipos de torneiras) e desligar aparelhos da tomada. 

Outros cuidados recomendados pelo Censipam são: “em caso de incidência de raio sobre uma pessoa, procurar, com urgência por profissionais de saúde. É importante relembrar que, descargas elétricas podem ocasionar parada cardíaca e respiratória, situação em que a reanimação cardiorespiratória é indispensável até a chegada dos profissionais de saúde. Ressalta-se que não se deve oferecer alimentos, líquidos ou medicamentos à vítima sem avaliação e diagnóstico médico”.

“A maioria das vítimas de descargas elétricas se encontravam em regiões abertas e perto de lugares altos como as árvores. Baseado nesse fato, observa-se que os povos originários apresentam maior vulnerabilidade à incidência de descargas elétricas atmosféricas, não por questões particulares, mas em função de condições contextuais, como a realização frequente de atividades ao ar livre, a dependência da navegação fluvial, a permanência em áreas abertas ou próximas a árvores altas e o uso de habitações tradicionais que em geral, não dispõem de sistemas de proteção elétrica e aterramento”, conclui a nota do Censipam.

*Por Karla Ximenes, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Linha do tempo mostra influência portuguesa em calçadões famosos do Amazonas e do Rio de Janeiro

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Calçadões bicolores são famosos no país, mas história vai além. Foto: Reprodução

Ao conhecer vários lugares do mundo, é possível se aventurar por diversos pontos turísticos que se tornam paradas ‘obrigatórias’ em viagens, como praias, museus e outros. No Brasil, o levantamento da ONU Turismo aponta que o país registrou o maior crescimento em chegadas de turistas internacionais entre os 50 principais destinos do mundo, com alta de 48,2% no primeiro semestre de 2025.

Na Amazônia, o Centro Histórico da cidade de Manaus (AM), tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), tornou-se ponto obrigatório entre os turistas que visitam a região. O Centro abriga casarões antigos, bares e museus que ficam ao redor de um ponto muito querido pelos manauaras: o Largo de São Sebastião, que dá acesso ao Teatro Amazonas e à Igreja São Sebastião.

Mas uma de suas principais características é o chão bicolor, feito por granitos preto e branco e o famoso Monumento à Abertura dos Portos, do escultor italiano Domenico de Angelis, ao centro. A calçada da praça faz parte de um conjunto de obras viabilizado pelos magnatas da época áurea da borracha.

E o padrão que lembra o encontro das águas é famoso não só no Norte, como também na região Sudeste do Brasil, com o calçadão que expande para a praia e os edifícios de Copacabana, um dos bairros mais famosos e turísticos do Rio de Janeiro. Os granitos desse calçadão apresentam a mesma coloração que a calçada manauara: pedras pretas e brancas que formam ondas, neste caso representando as ondas do mar.

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O Portal Amazônia já contou a história que une esses dois ícones na disputa do “quem veio primeiro”: Portal Amazônia Responde: Quem veio primeiro: o Largo de São Sebastião ou o Calçadão de Copacabana?

No entanto, antes mesmo desses dois icônicos lugares brasileiros, em Portugal já existia uma calçada bicolor e com ondas que simbolizavam os oceanos.

Assim, a equipe do Portal Amazônia buscou mais informações e organizou uma linha do tempo que conta qual a ordem do “nascimento” desses locais.

Largo São Sebastião e sua calçada bicolor. Foto: Michael Dantas / SEC-AM

Contexto histórico

Segundo o jornalista Otoni Menezes, o início da cronologia começou com as técnicas de calcetaria portuguesa. Mesmo que esse procedimento já existisse em outros lugares do mundo como Londres e Paris, com desenhos diferenciados, os portugueses se destacaram pela técnica.

O estilo português de calcetaria começou no século XIX, utilizando as pedras de cor preta e branca nas calçadas das praças portuguesas, no período de reformas urbanas no país. A partir disso, Portugal levou esse estilo para suas cidades e colônias, como o Rio de Janeiro que, no período, era a capital do Brasil.

De acordo com o historiador Abrahim Baze, interpretações mais antigas definem que o desenho encontrado nos calçadões brasileiros aparece inicialmente na praça do Rossio (antiga D. Pedro IV), atualmente Teatro Nacional Dona Maria II, em Lisboa (Portugal).

A praça foi inaugurada em 13 de abril de 1846, durante as comemorações do 27º aniversário de Dona Maria II, em cuja inauguração foi apresentado o Ato O Magriço e os Doze de Inglaterra, do autor Jacinto Aguiar de Loureiro. O teatro português abriga áreas culturais e turísticas, como as calçadas brasileiras.

O historiador Abrahim Baze, em sua coluna no Portal Amazônia, contou a história da praça Dona Maria II: O calçadão Teatro Dona Maria II em Portugal.

O famoso calçadão de Copacabana. Foto: Divulgação/Orla Rio

Largo São Sebastião x Calçadão de Copacabana

O mesmo desenho da praça Dona Maria II, foi reproduzido, em seguida, no Largo São Sebastião, no Centro Histórico de Manaus. No final da primeira metade do século XIX, com a instalação do Monumento à Abertura dos Portos, em 1901, as ondas bicolores foram aplicadas em torno do Largo.

De acordo com a obra ‘Entidades e Monumentos do Amazonas’, de Gaitano Antonaccio, o granito em preto e branco começou a ser projetado em 1867, cerca de 17 anos antes do assentamento da pedra fundamental do Teatro Amazonas (em 1884).

Os granitos europeus chegaram na época em que Manaus estava no auge da produção da borracha, no final do século XIX, e ganhava contornos da arquitetura europeia, financiados pelos grandes empresários da borracha. Tanto que passou a ser conhecida como a “Paris dos Trópicos”.

De acordo com as datas registradas, o Calçadão de Copacabana surgiu em 1905, portanto quatro anos depois do pavimento manauara. No início, os desenhos eram diferentes, com uma faixa muito estreita em que o desenho corria de forma perpendicular ao mar, segundo Otoni.

Porém, na década de 1930, as águas do mar invadiram a orla e a calçada carioca foi destruída. Assim, eles reconstruíram um novo passeio nos anos 30 e dessa vez seguindo o modelo amazonense. As calçadas também tiveram sua orientação alterada e passaram a ser paralelas ao mar.

“É aí que vai surgir o famoso calçadão de Copacabana, que se sobrepõe a todos os outros, levando as pessoas a deduzirem que ele veio primeiro que o Largo São Sebastião e a praça Dona Maria II”, explica o jornalista Otoni.

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Teatro Nacional Dona Maria II. Foto: Reprodução/Informações e serviços Lisboa

Linha do tempo

A historiadora Gisella Braga organizou em ordem cronológica as datas dos calçadões:

Lisboa e a Calçada Portuguesa (1842)

• 1842: A técnica e o desenho são criados e inaugurados na Praça do Rossio (Praça D. Pedro IV), em Lisboa. Este é o marco zero da calçada de ondas, feito com pedras de calcário (claro) e basalto (escuro).

Manaus e o Largo de São Sebastião (1901)

• Final do Século XIX (anos 1890): No auge do Ciclo da Borracha, Manaus passa por uma intensa modernização urbana, buscando replicar os padrões europeus.

• 1901: O calçamento em mosaico de ondas no Largo de São Sebastião é finalizado, em frente ao Teatro Amazonas. Manaus é a primeira cidade no Brasil a instalar esse padrão específico de ondas.

Rio de Janeiro e Copacabana (1905)

• 1905–1906: Durante a reforma urbana do Rio de Janeiro (então capital federal), o mosaico português começa a ser instalado em Copacabana e na Avenida Rio Branco. Inicialmente, o desenho de ondas era muitas vezes transversal (perpendicular) à praia.

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Procissão São Cristóvão na Praça São Sebastião, 25/07/1947. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

As influências europeias nos calçados bicolores

Com isso, as influências de Portugal são claramente significativas nas obras brasileiras. O simbolismo do desenho da calçada portuguesa – as águas do oceano – refletiram nas obras nacionais, como o encontro das águas, no Amazonas, e o mar no Rio de Janeiro. “É um desenho das águas que podia ser o movimento das ondas do oceano”, comenta Otoni.

Já a historiadora Gisella Braga explica que o avanço de Portugal e as mudanças políticas no Brasil, interferiram no estilo arquitetônico das metrópoles da época.

“Eu entendo que nós recebemos muitos portugueses em todo o Brasil. Eles se instalaram, principalmente nas principais metrópoles, como o Rio de Janeiro, São Paulo, Manaus e Belém. E essas famílias portuguesas trouxeram muitos artistas para o Brasil, para que eles pudessem trabalhar na parte urbanística, de pavimentação, decoração das praças. Então era moda, na verdade, seguir ali uma moda. E também era um modo de fazer com que as grandes cidades estivessem conectadas com a sua cidade de origem”, disse Gisella.

De acordo com ela, esse período é muito marcado pela Nova República, fase de transição política que o Brasil enfrentava. “Essa nova urbanização, essa nova cara para as principais cidades do Brasil, tornou mais acessível que essas construções imitassem as principais áreas ali de Portugal”, afirma Braga.

*Por Karla Ximenes, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Portal Amazônia responde: o que são plantas adaptógenas?

Unha-de-Gato, por exemplo, é uma planta adaptógena. Foto: Nils Servientis/BioDiversity4All

É de conhecimento comum que muitas plantas possuem propriedade medicinais para os seres humanos, como o combate ao estresse causado pela desregulação hormonal, por exemplo. Entre elas, existem as plantas classificadas como adaptógenas, uma classe que auxilia justamente no controle do estresse humano.

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De acordo com o farmacêutico Saulo Breves, para ser denominada como adaptógena, uma planta deve ter influência que restaure o equilíbrio do corpo, aumentar a resistência do organismo ao estresse e não deve apresentar grau de toxicidade alto.

“Dentre elas, temos por exemplo a Maca Peruana (Lepidium meyenii), que ajuda a regular os hormônios e a aumentar a disposição”, exemplifica Breves.

As adaptógenas possuem compostos químicos e substâncias ativas que atuam em uma região do sistema nervoso chamada ‘eixo hipotálamo-hipófise adrenal’, de modo que estimulam o controle do cortisol (hormônio do estresse) por meio destas substâncias.

Leia também: Planta anti-inflamatória, algodão roxo se adapta na Amazônia e ajuda parteiras

Potência das plantas adaptógenas seguem sob estudos

Segundo Saulo Breves, a comprovação científica concreta sobre os efeitos das plantas adaptógenas ainda é uma área em desenvolvimento, mas com muitos avanços significativos.

“Atualmente, muitos estudos são promissores, mas há heterogeneidade de extratos, doses e qualidade metodológica, o que limita conclusões definitivas para todas as indicações”, informou o farmacêutico ao Portal Amazônia.

Entre as adaptógenas que já possuem estudos revisados sobre a sua eficácia, existe a Withania somnifera (ashwagandha), que tem inúmeros estudos de revisões sistemáticas e ensaios clínicos que mostram redução de níveis de cortisol e melhora de sintomas de estresse e ansiedade em adultos. Também há estudos em sono e alguns efeitos em parâmetros metabólicos, segundo Breves.

Planta adaptógena Withania somnifera. Foto: Divulgação / Wikipédia

Outro exemplo dado pelo farmacêutico é a Rhodiola rósea, a qual já possui evidência, com múltiplos estudos clínicos e revisões, que mostram efeito na redução da fadiga mental e melhora de resistência ao estresse, além de auxiliar no desempenho cognitivo sob estresse.

Rhodiola rósea é uma planta adaptógena. Foto: Opioła Jerzy / Wikipédia

Exemplos de plantas adaptógenas na Amazônia

Na Amazônia, de acordo com Saulo Breves, é difícil afirmar que existem plantas adaptógenas específicas na região, uma vez que, com a definição destas, muitas espécies podem ser consideradas, mas ainda não existem estudos científicos suficientes. Entre as plantas regionais que possuem esse potencial, ele cita:

Unha-de-gato (Uncaria tomentosa)

A Uncaria tormentosa é um cipó que cresce em florestas tropicais e é consiedrada adaptógena – Foto: Vangeliq.petrova / Wikimedia Commons – CC

Da família botânica Rubiaceae, a espécie é utilizada na medicina tradicional por diversas comunidades indígenas amazônicas para processos degenerativos e inflamatórios, úlceras gástricas, contracepção, entre outros.

Uma pesquisa realizada pelo grupo da professora Carla Carvalho, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, mostrou que o consumo de extrato da unha-de-gato melhora os sintomas da obesidade em camundongos. O trabalho, que faz parte da tese de doutorado da pesquisadora Layanne Araújo, foi publicado na revista Scientific Reports.

A planta também tem sido utilizada no tratamento do HIV desde a década de 1990 e inúmeros outros trabalhos tem sido desenvolvidos por universidades como a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) em busca de registrar seus efeitos anti-inflamatórios, imunoestimulantes, anticancerígenos e mais.

Além disso, no início de 2009 estudos publicados indicaram seu uso terapêutico contra a dengue. Atualmente, existem pesquisas que avaliam seu efeito neuroprotetor, considerando a possibilidade da unha-de-gato ser um candidato em potencial para o tratamento fitoterápico para o Alzheimer.

Saracura-Mirá é uma planta adaptógena da Amazônia. Foto: Divulgação / UFMG

Saracura-Mirá (Ampelozizyphus amazonicus)

Da família das plantas Rhamnaceae, esta planta tem ocorrência limitada à região amazônica e possui inúmeras propriedades etnobotânicas e farmacológicas.

Entre as propriedades farmacológicas encontradas estão as atividades antiviral, antibacteriana e antifúngica, tripanocida, antimalárica, larvicida, imunobiológica e anti-inflamatória, diurética e antidiurética, citotóxica e antitumoral, adaptogênica e imunomodulatória. Por conta de seu potencial medicinal, a planta é uma das que podem ser parte das adaptógenas.

*Por Karla Ximenes, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Portal Amazônia responde: qual a extensão da costa amazônica?

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Manguezais na margem do estuário do rio Mojuim, no Pará. Foto: Divulgação/Observatório da Costa Amazônica

A Amazônia, o maior bioma do Brasil, cobre cerca de 49% do território nacional, sendo a maior floresta tropical do mundo e abrigando a maior biodiversidade do planeta, com uma vasta área que se estende pela região Norte e outros estados, de acordo com dados o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Mas além da imensa floresta, a Amazônia também possui uma costa litorânea rica em manguezais, estuários e florestas de várzea, caracterizada pelo encontro do grande volume de água doce do rio Amazonas com o Oceano Atlântico, formando um sistema único de ambientes costeiros. 

Leia também: Conheça os manguezais da Amazônia, o maior cinturão de manguezais do mundo

Para o geólogo Caiubi Kuhn, a extensão costeira da Amazônia é importante para assegurar a soberania do Brasil.

“A costa amazônica tem uma importância muito grande para o país, por vários aspectos. Ela possui uma série de recursos, desde recursos pesqueiros, como também recursos naturais, como é o caso dos recursos minerais. Então, nos últimos anos, tem se avançado cada vez mais as pesquisas sobre depósitos minerais existentes na plataforma continental. E essa expansão do domínio brasileiro, ela representa um ganho para o país em termos de recursos naturais. E também auxilia na proteção, em especial, do litoral brasileiro”, explica Caiubi. 

Mas afinal, qual a extensão da costa amazônica?

De acordo com a Revista da Gestão Costeira Integrada, da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), a zona costeira amazônica brasileira possui características meteorológicas e oceanográficas bastante peculiares quando comparadas a outras regiões costeiras do Brasil.

A revista universitária aborda que, esta faixa costeira se encontra entre o rio Oiapoque (AP) e a baía de São Marcos (MA), local onde estão inseridos diversos ambientes marinhos como praias, planícies de marés, pântanos salinos e doces, manguezais e muito mais.

Leia também: Conheça os Corais da Amazônia

Ilha de São Luís na Baía de São Marcus (MA). Foto: NASA / Wikipédia

De acordo com o geógrafo Cleberson Ribeiro, o Brasil ocupa 47% da área da América do Sul e possui uma linha de costa de, aproximadamente, 8.500 km de extensão, dos quais 35% são ocupados pelo litoral amazônico brasileiro, ou seja 2.975 km de tamanho.

Nesta faixa territorial encontram-se ainda as regiões metropolitanas de Macapá-Santana (AP), Belém (PA) e São Luís (MA), municípios com moderada densidade demográfica e grandes extensões territoriais que são difíceis de acessar, pouco habitadas por populações tradicionais ou são inabitadas.

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Trecho do imenso litoral paraense, que abriga Reservas Extrativistas Marinhas. Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

Nas três cidades abrigadas pela zona costeira, segundo a revista, estão concentrados, aproximadamente, 2,8 milhões de habitantes e a economia está baseada, principalmente, nas atividades industriais, portuárias, metalúrgicas, imobiliárias, pesqueiras, turísticas, comerciais, extrativistas e pecuaristas. 

Zona costeira da Amazônia. Fonte: Souza Filho et al. (2005)

Já nas pequenas comunidades que vivem na área costeira, a economia local é amparada pela agricultura e a pesca. Em algumas cidades litorâneas, os centros históricos, os encantos da música, culinária, artesanato são responsáveis pelo turismo local.

Além disso, outros meios de renda são localizados nessa área, como a exploração de minério, a carcinicultura, e piscicultura, a apicultura, entre outras, também são desenvolvidas ao longo do litoral amazônico brasileiro, de acordo com a Univali. 

As mudanças climáticas e as zona costeira amazônica

O geógrafo Cleberson, afirma que a zona costeira amazônica é uma região bastante específica, com um clima local e reduzido, e ambiente particularmente sensíveis e influenciados pelas condições climáticas locais. “Essa área, caracterizada por uma extensa floresta e um rio de grande volume, está próxima à linha do Equador e apresenta condições microclimáticas e ambientais singulares, tanto em relação à fauna quanto aos microssistemas”, explica o pesquisador. 

Para o geógrafo, diante das mudanças climáticas, pode-se observar impactos significativos nas condições que caracterizam esse sistema costeiro, incluindo períodos de estiagem mais prolongados e estresse hídrico. “A análise dessa região exige a consideração da fauna, flora e das populações tradicionais que nela habitam, todos elementos integrados em um contexto específico”, pontua. 

A zona amazônica possui uma condição peculiar e única, diferenciando-se das demais porções costeiras do Brasil.  Essa particularidade é causada, exclusivamente, pela sua posição geográfica, já que fica distinta da influência de massas de ar polar ou outros fenômenos climáticos observados em outras regiões.

Segundo Ribeiro a costa amazônica é influenciada pelo processo de vazão do Rio Amazonas. Com isso, essa costa está direcionada, diretamente, com a grande proporção de vazão do rio Amazonas e como consequência, ela vai ter também outras condições, tanto climáticas quanto de temperatura.

“Então, nós vamos ter um limite muito relacionado a essa base. Lembrando que o rio Amazonas, por exemplo, vai representar um pouco mais de 15% de toda a água doce descarregada nos oceanos, elevando muito essa quantidade de sedimentos que é depositado no rio Amazonas até dentro da parte ocidental. Temos uma dimensão muito específica dessa parte, dessa seção da nossa costa derivado principalmente em relação ao rio”, disse o geógrafo ao Portal Amazônia.

*Por Karla Ximenes, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Por que Cuiabá é conhecida como “cidade verde”?

Cuiabá ocupa o ranking das cidades que possuem mais avenidas arborizadas do país. Foto: Divulgação/IPHAN

Capital de Mato Grosso, Cuiabá é considerada uma das capitais mais arborizadas do país. Famosa pelos quintais com mangueiras e cajueiros, a cidade é abraçada por três biomas principais do Brasil – a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal – e ocupa o 8° lugar no ranking nacional de arborização urbana entre as capitais, segundo dados da Pesquisa Urbanística do Entorno dos Domicílios do Censo Demográfico de 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2025.

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Com 74,23% de suas ruas e avenidas arborizadas, a capital mato-grossense supera grandes cidades como São Paulo. Veja o ranking das capitais mais arborizadas (%) – por trecho de via com pelo menos uma árvore (dados do Censo Demográfico IBGE/2022):

CapitalRanking NacionalCapitalRanking Amazônia Legal (recorte)
1. Campo Grande (MS)91,41. Palmas (TO)88,7
2. Goiânia (GO)89,62. Cuiabá (MT)74,5
3. Palmas (TO)88,73. Porto Velho (RO)64,9
4. Curitiba (PR)85,24. Macapá (AP)62,9
5. Brasília (DF)84,25. Boa Vista (RR)52,6
6. Porto Alegre (RS)76,56. Manaus (AM)44,8
7. Belo Horizonte (MG)75,37. Belém (PA)44,6
8. Cuiabá (MT)74,58. Rio Branco (AC)39,9
9. São Paulo (SP)66,29. São Luís (MA)34,3
10. Porto Velho (RO)64,9

Segundo pesquisadores, a cidade tem o toque verde por uma série de fatores, sendo eles sociais, culturais e ambientais.

Vista da Ponte Sérgio Motta, entre as cidades de Várzea Grande e Cuiabá.
Vista da Ponte Sérgio Motta, entre as cidades de Várzea Grande e Cuiabá. Foto: Mtur Destinos / Wikipédia

Cuiabá é a “cidade verde” do Brasil?

De acordo com o geólogo Caiubi Kuhn, o título de “cidade verde” está relacionado com a existência de grandes árvores frutíferas, como a mangueira e o cajueiro, e a região hídrica de Cuiabá, que apesar de ser fraca, tem papel importante na titulação da cidade.

“Áreas que possuem aquíferos, com melhor disponibilidade de água, acabam favorecendo o desenvolvimento da vegetação. Mas, em geral, a área de Cuiabá não é uma área onde tem uma boa disponibilidade hídrica. Então, por isso que a gente acaba observando áreas que possuem uma vegetação mais concentrada, normalmente próximo de rios como o Rio Coxipó”, disse Kuhn. 

Para o Engenheiro Florestal Marcelo Pissurno, a idealização de Cuiabá ser uma cidade verde veio da cultura local, através da letra do rasqueado ‘Cabeça de Boi’, de autoria de Henrique, Claudinho e Pescuma, em que se canta: “Oh Cuiabá, cidade verde, ai, ai, ai / com cheiro de pequizá, ai, ai, ai”.

“Essa letra criou uma memória afetiva e uma identidade associadas à paisagem da cidade, somadas às artes plásticas produzidas por artistas cuiabanos, que retratavam o cotidiano e a paisagem urbana do início do século XX”, explica o engenheiro. 

Além dessa música, Pissurno ressalta que as praças e jardins, os quintais, as festas de santo e a culinária compunham esse cenário esverdeado em Cuiabá: “Os quintais, em especial, sempre foram formados por árvores e plantas frutíferas exóticas, como caju e manga, retratadas nas letras das músicas e nas telas dos artistas, fazendo parte da cultura e da dieta cuiabana. O verde sempre esteve presente”. 

Porém, com a ascensão da urbanização e o desmatamento, Cuiabá tem perdido seus tons verdes. Pissurno destaca que onde antes havia quintais, surgiram prédios, principalmente na área central, e as praças foram perdendo o uso e o verde. ”Assim, o verde permaneceu apenas na memória”, analisa o engenheiro.

Cidadãos ajudam a arborizar Cuiabá. Foto: Divulgação / Poder Judiciário de Mato Grosso

O apagamento do verde na área urbana de Cuiabá

Por isso, de acordo com Pissurno, o título de “cidade verde” é uma denominação antiga, que acredita ter perdurado até meados da década de 1990. “A cidade ainda era pequena, sem um crescimento populacional expressivo. Seu crescimento rápido e desordenado agravou a perda desse título”, comenta.

Segundo dados do IBGE, a área urbanizada de Cuiabá em 2019 era de 160,59 km². Marcelo explica que devido ao crescimento urbano da cidade, há 10 anos, o espaço verde tem se perdido.

“A cidade cresceu muito nos últimos 10 anos, especialmente no período pós-Copa do Mundo. Muitas obras e intervenções foram realizadas, como o sonhado VLT, que nunca saiu do papel, e agora as obras do BRT [referentes ao trânsito]. Nesse período, perdemos muitos indivíduos arbóreos em terrenos baldios, áreas verdes e, principalmente, na malha viária — calçadas e canteiros. Árvores que foram retiradas, morreram por diversos motivos e que nunca foram substituídas”, disse o engenheiro ao Portal Amazônia.

Mesmo com a urbanização se expandindo por Cuiabá, a cidade possui projetos de lei que ajudam a valorizar o meio ambiente que resiste na urbanidade. O “Programa Verde Novo”, por exemplo, é um projeto de autoria do Poder Judiciário, em parceria com a Prefeitura de Cuiabá, do qual o Marcelo participou por dois anos.

O programa é voltado para a educação e conscientização ambiental, além de promover o plantio de árvores em espaços públicos e a distribuição de mudas à população.

Leia também: Cuiabanos que inspiram: cinco personalidades que ajudaram a escrever a história da cidade

Programa Verde Novo atua para arborizar a capital. Foto: Divulgação / Poder Judiciário de Mato Grosso

O “Plano Diretor de Arborização Urbana”, um estudo elaborado a partir do levantamento de todas as questões relacionadas à arborização urbana de Cuiabá, com propostas de melhoria e recuperação, também é uma medida que ajuda a melhorar a área verde da região. “É um documento que realmente precisa ser implementado, criando e executando um projeto efetivo de arborização urbana para a cidade”, defende.

O engenheiro pontua ainda algumas alternativas que os cuiabanos podem adquirir para manter o título de “cidade verde”. Ele propõe que educação ambiental, conscientização e um plano de arborização urbana que todos sigam – moradores, construtoras e condomínios – respeitando suas normas e diretrizes, desde o plantio até o manejo. A poda e a conservação dos indivíduos arbóreos são medidas alcançáveis que a população pode tomar. Além disso, defende o engenheiro florestal, é importante a existência de uma secretaria que realize o monitoramento, o controle e a curadoria da arborização da cidade.

“É frustrante ver a atual arborização de Cuiabá. Temos muitas pessoas preocupadas e interessadas no assunto, mas falta reunir forças e fazer acontecer, como ocorre na grande maioria das cidades brasileiras. Ainda assim, não podemos perder a fé e a esperança”, finaliza Marcelo Pissurno.

*Por Karla Ximenes, estagiária sob supervisão de Clarissa Barcellar

Bromélias da Amazônia: como essas plantas ajudam no ecossistema amazônico? 

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Bromélia Guzmania lingulata. Foto: Reprodução/ Reserva da Biosfera da Mata Atlântica

As bromélias são plantas pertencentes à família das bromeliáceas, a qual se divide em 56 gêneros subdivididos em mais de 3 mil espécies. Algumas bromélias podem ser terrestres, conseguem crescer diretamente sobre rochas, mas principalmente se desenvolvem escoradas em outras plantas, como as árvores. A Amazônia não apresenta uma variedade tão grande de bromélias, quando comparado com outros biomas tropicais, mas você sabia que elas também são essenciais para o meio ambiente amazônico?

As flores da bromélia são simétricas, com sépalas (partes externas e geralmente verdes de uma flor, que envolvem e protegem as estruturas reprodutivas enquanto a flor está em botão) que contrastam com as pétalas, numerosas e muito coloridas. Os frutos têm forma de baga, às vezes de cápsula, e raramente são múltiplos e carnosos. Algumas bromélias são comestíveis: o abacaxi, por exemplo, é uma bromélia muito comum.

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A beleza das bromélias é destacada por suas cores e formatos, tornando-as atrações em jardins e como plantas de interior (decoração). Elas podem ser plantadas em vasos ou então presas a troncos e xaxins. No Brasil, é encontrada uma grande diversidade de bromélias, mas você pode encontrá-las com mais facilidade nos biomas da Mata Atlântica e Cerrado.

Na Amazônia, elas podem ser vistas em regiões perto dos igarapés, em areais e áreas de igapó. Em Presidente Figueiredo, município do estado do Amazonas, é muito comum encontrá-las, por ser uma região rochosa e arenosa.

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bromélias
Bromélias amazônicas (abacaxi curauá). Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Por que as bromélias são importantes para a Amazônia?

O professor de biologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e mestre em botânica, João Victor Rodrigues, explicou ao Portal Amazônia que as bromélias são fundamentais para o funcionamento da natureza devido à suas habilidades como planta na natureza.

As bromélias, por se utilizarem de outras plantas, como as árvores, para se fixar, são vistas de forma equivocada como parasitas. Porém, elas não retiram nenhum nutrientes da planta suporte, como as parasitas verdadeiras. Elas, pelo contrário, atuam como micro-habitat para diversas espécies, e geram diversos benefícios, segundo o pesquisador.

O biólogo informa que na estrutura em formato de roseta das bromélias, normalmente existe um acúmulo de água que é muito importante para a ecologia e que essas plantas coletam umidade pelas folhas, com suas características anatômicas específicas, e assim absorvem os nutrientes.

“A forma de roseta facilita a concentração de água, servindo de abrigo para diversos componentes da natureza, como larvas de insetos, nematóides (vermes microscópios), sapos e outros pequenos insetos aquáticos. A bromélia também serve como um bebedouro para os animais, já que absorvem muita água e, eles usufruem desse benefício para hidratação”, informou. 

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De acordo com Rodrigues, as bromélias auxiliam na manutenção da cadeia alimentar, pois muitas espécies possuem relações ecológicas com aquelas que dependem diretamente das bromélias.

O biólogo exemplificou quatro espécies de bromélias encontradas na Amazônia, sendo duas conhecidas e duas raras:

Guzmania lingulata. Foto: JF Gaffard/Wikimedia Commons

Bromélias comuns:

Guzmania lingulata

A estrela-escarlate é uma planta de caule verde, de porte pequeno, vive sobre outra planta. Da família do abacaxi (Bromeliaceae), nativa de habitats de floresta tropical nas Américas tropicais e nas Índias Ocidentais. A palavra latina lingulata significa “em forma de língua” e se refere às folhas.

Ela apresenta características diferentes das demais Bromeliaceae da Floresta Nacional (FLONA) de Caxiuanã, no Pará, pois:

  • Formam-se em hastes de diferentes comprimentos e são densamente agrupadas e muito próximas umas das outras;
  • Folhas em formato de língua;
  • Flores amarelo-pálidas;
  • Estames que ficam situados sobre as pétalas, com filetes reduzidos;
  • e sementes específicas que as ajudam na dispersão, na cor castanho-avermelhados.
Araeococcus micranthus. Foto: R.A Pontes / Flora e Funga do Brasil

Araeococcus micranthus

Essa bromélia pode ser encontrada nas florestas úmidas e nas bacias dos rios Orinoco e Amazonas, distribuindo-se em vários tipos de florestas, entre 80–470 metros de altitude. Na Amazônia, são comuns no Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso e Pará.

Pode ser facilmente distinguida das demais Bromeliaceae de Caxiuanã por apresentar:

  • Roseta cilíndrica, delgada (fina);
  • Folhas com formato linear;
  • Com espinhos quase invisíveis e esparsos nas margens.

Além disso, as flores chamam bastante atenção por seu formato característico. Elas se organizam em um tipo de cacho mais solto, com hastes levemente onduladas. As flores têm pétalas separadas, de cor amarela, com três linhas bem visíveis no centro, e são sustentadas por uma haste longa, de tom castanho-avermelhado.

Bromélias raras:

Pitcairnia. Foto: Reprodução/ Bio Diversity 4 all

Pitcairnia

Quase todas as espécies de Pitcairnia vivem no solo ou sobre rochas, geralmente em locais úmidos e com pouca luz. No Brasil, essas plantas apresentam uma distribuição bem definida, ligada às diferentes regiões de vegetação do país.

Estudos iniciais feitos a partir de herbários e da literatura científica mostram que, na Floresta Amazônica, existem 18 espécies de Pitcairnia, sendo a maioria praticamente exclusiva dessa região.

Brocchinia hechtioides

É uma das poucas espécies de bromélias carnívoras do mundo, sendo a outra espécie a Brocchinia reducta. O cheiro, a cor e o formato atraem insetos que, ao serem capturados, são absorvidos como nutriente para a planta.

Leia também: Plantas carnívoras: como são as que se escondem na Amazônia?

Brocchinia hechtioides. Foto: Reprodução/ Bio Diversity 4 all

*Com informações da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica; do artigo ‘Pitcairnia L’Hér. (Bromeliaceae): uma nova espécie, P. azouryi Martinelli & Forzza, e observações sobre P. encholirioides L. B. Sm.’, de Gustavo Martinelli e Rafaela Canpostrini Forzza (Herbário Barbosa Rodrigues, Rio de Janeiro); e do biólogo mestre em botânica João Victor Rodrigues.

**Por Karla Ximenes, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

3 doces clássicos adaptados ao paladar amazônico que você precisa provar

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Brigadeiro é o doce mais famoso do Brasil. Imagem mostra a versão de castanha-do-brasil. Foto: Reprodução/Sabores da Amazônia/Amazon Sat

Quando receitas de outras regiões encontram os ingredientes únicos da Amazônia, como castanha-do-brasil, cupuaçu, açaí e tapioca, surgem novas identidades gastronômicas, que respeitam a tradição e ao mesmo tempo refletem a criatividade local.

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Em conversa com a equipe do Portal Amazônia, a chef e empresária Talita Avelino, dona de uma confeitaria na cidade de Manaus (AM), exemplifica três doces que são populares na Amazônia e ganharam versões adaptadas ao paladar regional.

“Esses doces conquistaram o paladar amazônico por serem doces afetivos e festivos. Eles são fáceis de preparar e compartilhar em festas, aniversários e celebrações. Além disso, têm uma identidade afetiva que conecta gerações, assim como os doces tradicionais da Amazônia”, disse a chef ao Portal Amazônia.

Confira os três doces elencados pela chef:

Brigadeiro

Brigadeiro - doce clássico brasileiro, feito com chocolate e leite condensado.
Brigadeiro clássico brasileiro, feito com chocolate e leite condensado. Foto: Mayra/Wikipédia

De acordo com o artigo ‘O mais popular dos doces brasileiros: História crítica do brigadeiro’ (2019), de Pedro von Mengden Meirelles, o brigadeiro, doce mais famoso do Brasil, tem uma história “nebulosa”.

Uma versão popular sobre a origem do brigadeiro é que ele teria sido criado em meio à campanha do político Brigadeiro Eduardo Gomes, em meados do século XX, e vendido por suas eleitoras para arrecadar fundos ou distribuídos para angariar votos.

A versão conta que uma das senhoras participantes da equipe do candidato teria levado a curiosa sobremesa para uma reunião. Heloisa Nabuco de Oliveira apresentou ao restante do grupo o doce que fez um sucesso imediato e, para homenagear Gomes, deu ao doce o nome de “brigadeiro”.

A receita “original”, é composta por:

1 lata ou caixinha de 395 g de leite condensado
3 colheres (sopa) de chocolate em pó
1 colher (sopa) de manteiga
1 xícara (chá) de chocolate granulado

Junta-se todos os ingredientes em uma panela. Leve a panela ao fogo e mexa sem parar até atingir um ponto em que ele desgruda do fundo da panela. Deixa-se esfriar em recipiente untado e, depois, “enrola” a massa em pequenas bolinhas que devem ser passadas em granulados (da sua preferência) para formar os tradicionais brigadeiros.

Mas, claro, a receita foi sendo adaptada ao longo dos anos e tem ganhado versões diferentes, como a que incorpora um sabor típico da Amazônia: a banana frita. Confira:

Beijinho de coco

Doce beijinho é famoso nas festas de criança
Beijinho é um doce de coco com leite condensado e açúcar também muito consumido em festas infantis. Foto: Yardena / Wikipédia

Apesar da fama no Brasil, o doce é originário dos conventos de Portugal e, a princípio, a receita levava amêndoas e calda de açúcar. Ele chegou ao Brasil durante o período de colonização, junto com a família real portuguesa e, como o coco era uma fruta abundante aqui, foi incluído ralado na receita, no lugar das amêndoas, mudando o nome para beijinho de coco. Além disso, na calda de açúcar, foi acrescentado o leite.

Tempos depois, em meados do século XX, o doce ganhou mais uma adaptação: o uso do leite condensado, assim como outros doces da época e o popular brigedeiro.

O cravo também foi adicionado na composição visual do doce e o beijinho, já com este nome, espalhou-se por todo o país e continua sendo um dos mais tradicionais até hoje.

Inspirados tanto no brigadeiro quanto no beijinho, outros docinhos com sabores amazônicos já foram criados, como estes:

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Quindim

O Quindim é doce à base de gema de ovo, açúcar e coco, típico de outras regiões do Brasil, mas amplamente apreciado no Norte. Foto: Leonardo “Leguas” Carvalho / Wikipédia

De acordo com a tese ‘Influência portuguesa no preparo do quindim’, de Ilana Santos, da mesma maneira que outros doces populares no Brasil, o quindim também teve sua origem em Portugal. E foi nos conventos portugueses que este doce surgiu.

As freiras que viviam no convento tinham o hábito de usar claras de ovos para engomar as suas roupas, e com as gemas que sobravam elas faziam doces diversos como o bom-bocado, papo de anjo e brisas do lis.

Antigamente o brisas do lis tinha o nome de “beijinho”, mas como na época não era apropriado pedir um beijinho a uma religiosa o nome precisou ser mudado e esse doce deu origem ao quindim.

O brisas do lis era feito basicamente com açúcar, gemas e amêndoas. Na dificuldade de encontrar amêndoas no Brasil, elas foram substituídas pelo coco, dando origem ao quindim. Essa substituição veio das mulheres africanas que vieram ao Brasil escravizadas.

A popularidade desses doces ocorre porque o paladar amazônico é receptivo a novas experiências, especialmente quando essas receitas podem ser adaptadas aos ingredientes locais, como castanhas, frutas e especiarias. No caso do quindim, uma receita criada por um chef acreano incorporou o açaí:

A fusão entre tradição local e receitas de outras regiões cria uma familiaridade afetiva, tornando-os presentes em festas e encontros familiares. Para Talita, esses doces trouxeram diversidade e inspiraram a criatividade da culinária local.

“Eles convivem com os ingredientes amazônicos, e muitas vezes ganham versões regionais, incorporando frutas, castanhas e sabores típicos da região. Isso não apenas enriquece o repertório de sobremesas, mas também nos inspira a criar novas combinações e releituras que valorizam a cultura amazônica”, conclui a chef.

*Por Karla Ximenes, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

‘Amazônia Negra: Expedição Amapá’: documentário destaca resistência da cultura afro-brasileira na região

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Obra vai mostrar a tradições da ancestralidade dos amapaenses. Foto: Veve Milk/Dvulgação

O documentário ‘Amazônia Negra: Expedição Amapá’, que destaca a resistência da cultura afro-brasileira na região e a força do Marabaixo, manifestação tradicional do estado, estreia nesta sexta-feira (12) no Globoplay e em canais de TV.

A obra acompanha o cantor e compositor Carlinhos Brown em uma jornada ancestral de descobertas e reencontros no Amapá. Brown, que é embaixador do Marabaixo no estado, diz ter vivido um reencontro com suas origens.

“Foi uma alegria conhecer de perto essas tradições e ser recebido com tanto respeito. Me senti integrado, pois estava me defrontando com as minhas origens afro-ameríndias. Dar luz a essas histórias nos ajuda a compreender melhor o legado ancestral”, disse ao grupo Rede Amazônica.

Leia também: Conheça história do Marabaixo, manifestação cultural ancestral do Amapá

Documentário vai mostrar tradição dos povos originários e ancestralidade no Amapá — Foto: Veve Milk/Dvulgação
Documentário vai mostrar tradição dos povos originários e ancestralidade no Amapá. Foto: Veve Milk/Dvulgação

A produção será exibida no Canal Bis na sexta-feira (12) à meia-noite, e no Globonews em 20 de dezembro, às 23h. Após a primeira exibição, ficará disponível para assinantes do Globoplay.

Sobre a produção no Amapá

O diretor do documentário Marcel Lapa, disse em entrevista ao Grupo Rede Amazônica, que o objetivo é mostrar amplamente a diversidade cultural do estado.

“O documentário foi pensado para mostrar ao mundo o lado cultural do Amapá, um estado muito rico, com muitas frentes e ideias. Nosso objetivo foi representar o máximo possível dessa diversidade cultural […]O documentário é vivo nas pessoas — não é apenas uma história que eu conto, mas a representação de todo o estado”, explicou o diretor.

Carlinhos Brown guia expedição no Amapá — Foto: Veve Milk/Dvulgação

A obra mistura conteúdo didático e informativo com uma pegada musical. O diretor disse ainda que o ponto de vista do marabaixeiro, artesãos e mestres de toque, possuem um destaque especial.

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São apresentados espaços como o Museu Sacaca e o quilombo do Patuazinho, além de quilombos como o Groove, Curiaú, Mazagão e a Aldeia do Manga.

“Apresentamos os ladrões do Marabaixo e lugares importantes do estado. Além dos espaços, mostramos seus representantes, porque acreditamos que o conteúdo precisa ser retratado pelo próprio povo amapaense”, disse Marcel.

Ele explicou que a ideia surgiu em diálogo com o governo do Amapá e a Secretaria de Cultura (Secult) O trabalho contou com acompanhamento de historiadores indicados pela secretaria.

O diretor também ressaltou a importância de Carlinhos Brown na produção. Para o artista, dar visibilidade nacional às tradições amapaenses é essencial. Ele destaca que o estado guarda riquezas culturais que ajudam o Brasil a compreender melhor sua própria formação.

“O Amapá faz com que um lugar muito simples, mas muito rico, convide o Brasil a se conhecer […] Foi como atravessar a alma num sonho, forte como o que sinto nos candomblés de Oxumarê na Bahia”, contou Brown.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP