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Presidente do STF diz aos Yanomami que expulsar garimpeiros é respeito aos direitos indígenas e à humanidade

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Presidente do STF, Luís Roberto Barroso é relator da ADPF 709, uma ação que tramita no STF e pede pela proteção dos indígenas. Foto: Tribunal de Justiça do Estado de Roraima

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, visitou no domingo (14) a região de Palimiú, na Terra Yanomami, em Roraima, e afirmou que a retirada de invasores e garimpeiros da região foi uma medida “em respeito aos povos indígenas” e também de “interesse da humanidade”.

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O Grupo Rede Amazônica teve acesso com exclusividade a um vídeo que mostra o trecho da fala de Barroso durante a reunião com os indígenas. O vídeo foi enviado pela Hutukara Associação Yanomami.

“Hoje é um dia para nós comemorarmos o fato de que conseguimos retirar quase a totalidade dos invasores de toda a extensão da Terra Yanomami. Foi isso que nós pudemos fazer em respeito aos direitos de vocês e em nome do Estado brasileiro”, declarou Barroso em discurso feito aos indígenas.

O ministro destacou ainda a importância da floresta amazônica para o mundo e o papel das comunidades indígenas na preservação ambiental.

“As comunidades indígenas como os Yanomami são os guardiões da floresta. Nós preservamos as comunidades indígenas, primeiro por interesse de vocês legítimos e também porque há um interesse da humanidade na preservação da floresta”, disse.

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Barroso afirmou que a Corte seguirá acompanhando a situação. Luís Roberto Barroso é relator da ADPF 709, uma ação que tramita no STF e pede pela proteção dos indígenas e medidas para a retirada de garimpeiros da Terra Yanomami.

“Portanto, nós vamos lá em Brasília continuar atentos. Há aqui um pelotão de fronteira que também tem atuado intensamente para evitar a volta dos garimpeiros. Mas acho que hoje, com muita felicidade, eu venho aqui para comemorar esse momento de desintrusão”, declarou.

Durante a visita do Presidente do STF, o vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami, Dário Kopenawa, reforçou a preocupação com o retorno de garimpeiros e pediu mais proteção do Estado.

“Quando deixar de funcionar a ADPF 709, com certeza eles vão subir de novo. Essa é a nossa maior preocupação. Nossas crianças já morreram durante os sete anos de invasão na nossa terra. Chega de morrer nossas crianças, chega de violência contra as mulheres, chega de água poluída de mercúrio. Nós não queremos mais isso. Queremos ser protegidos como a Constituição garante”, disse Dário.

presidente do STF Luís Roberto Barroso
Presidente do STF em visita a região de Palimiú, na Terra Yanomami. Foto: Reprodução

A comunidade de Palimiú está localizada às margens do rio Uraricoera, distante cerca de 200 a 260 km de Boa Vista. A região foi palco de episódios graves de invasão, violência e risco para os indígenas devido à presença de garimpeiros ilegais.

Em maio de 2021, houve um ataque com tiros de garimpeiros, com embarcações que dispararam contra a comunidade. Idosos, mulheres e crianças tiveram de fugir quando começaram a atacar.

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Visita do presidente do STF ao território

O presidente do STF foi ao território para ver o avanço no combate ao garimpo ilegal em terras indígenas. Quando chegou em Roraima, foi recebido pelo xamã Davi Kopenawa e pela presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas, Joenia Wapichana.

Há décadas, o território é alvo do garimpo ilegal, que contamina os rios e afeta diretamente o modo de vida dos Yanomami. A região está em emergência de saúde desde janeiro de 2023, quando o governo federal começou a criar ações para atender os indígenas, como o envio de profissionais de saúde e cestas básicas, além da retirada de garimpeiros.

“A autoridade que mora longe da nossa floresta Yanomami, veio para visitar, olhar a realidade, para ver se está dando certo ou não. Em 2023 e 2024, morreram muitos parentes, nossas crianças… chega de morte. Por isso estamos aqui com o ministro, ele que manda o pessoal tirar o garimpo. Não está resolvido ainda”, declarou Davi Kopenawa.

A Terra Yanomami é o maior território indígena do Brasil com quase 10 milhões de hectares entre os estados do Amazonas e Roraima, onde está a maior parte. Cerca de 32 mil indígenas vivem na região, em 392 comunidades.

Nessa segunda-feira (15), o ministro seguiu agenda em Boa Vista e com apresentação das ações executadas no plano de desintrusão do garimpo ilegal, na Casa de Governo.

*Por Valéria Oliveira e Caíque Rodrigues, da Rede Amazônica RR

Atrativos turísticos que só a Amazônia Equatoriana proporciona

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Fotos: Reprodução

A Amazônia é um bioma que divide entre nove países, entre eles o Equador. E, por sua preservação, a Amazônia equatoriana tem atraído cada vez mais visitantes em busca de contato com a natureza, tradições ancestrais e paisagens de tirar o fôlego.

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Entre rios, florestas tropicais, comunidades indígenas e águas termais, a região oferece experiências únicas para viajantes que buscam turismo sustentável e imersão cultural. Confira algumas opções:

Reserva de Produção de Vida Silvestre Cuyabeno

A Reserva de Produção de Vida Silvestre Cuyabeno é considerada um dos maiores patrimônios florestais do Equador, reconhecida internacionalmente por sua riqueza biológica e cultural. Até 2002, o país apresentava a maior diversidade de árvores por hectare do mundo: 1.561 árvores de 473 espécies, 187 gêneros e 54 famílias.

A fauna também é impressionante: 493 espécies de aves, 165 de mamíferos, 91 de répteis, 96 de anfíbios e 475 de peixes. Além disso, cinco povos indígenas vivem na reserva — Siona, Secoya, Shuar, Quíchua e Cofán — preservando tradições ancestrais em harmonia com a floresta.

Foto: Reprodução/Green Forest Ecolodge

Centro de Interpretação “Mundo Subaquático” Yaku Kawsay

Às margens do Rio Napo, no noroeste do Parque Nacional Yasuní, encontra-se o Centro de Interpretação Mundo Subaquático Yaku Kawsay. Este museu temático apresenta figuras da fauna aquática amazônica, como botos-cor-de-rosa e peixes-boi, com o objetivo de educar e conscientizar os visitantes sobre as ameaças que essas espécies enfrentam e a importância de sua conservação.

A comunidade de Nueva Providencia oferece visitas guiadas, encontros comunitários e projetos de preservação, como a iniciativa de conservação da tartaruga charapa.

Foto: Reprodução/Edvotur

Torre de Observação e Comunidade Añangu

A comunidade Añangu habita mais de 21 mil hectares dentro do Parque Nacional Yasuní. Ao contrário de outras áreas da Amazônia, a região se mantém bem preservada, com rica biodiversidade de flora e fauna.

Os visitantes podem vivenciar práticas ligadas à cultura Kichwa, como o ritual ancestral da guayusa, passeios em catamarã tradicional, degustação da culinária típica, observação noturna da vida selvagem e uma visita ao Centro Cultural Kuri Muyo.

Uma das experiências mais marcantes é a subida matinal à torre de observação, de onde se pode assistir ao nascer do sol sobre o imenso tapete verde da floresta tropical equatoriana.

Foto: Reprodução/Gabriel Moyer-Perez

Parque Linear de Tena

Localizado na Avenida Muyuna, o Parque Linear de Tena é um espaço natural voltado para recreação gratuita e expressão cultural. Seus 11,1 hectares incluem amplas áreas verdes, playgrounds, quadras esportivas e trilhas para corrida e ciclismo.

O local se consolidou como um ponto de lazer tanto para moradores quanto para turistas nacionais e estrangeiros, oferecendo contato direto com a natureza no coração urbano.

Leia também: Tena: cidade equatoriana considerada porta de entrada para a selva amazônica

Foto: Reprodução/Facebook-Parque Lineal de Tena

Trilha La Isla’

A Trilha La Isla está a cerca de uma hora de caminhada do Hotel Termas de Papallacta. O percurso segue o Rio Loreto Papallacta, atravessando uma floresta única em meio à paisagem de páramos. Ao longo do trajeto, é possível ouvir o canto de diversas espécies de aves da Amazônia, além de apreciar orquídeas, bromélias e pequenas cachoeiras. No final da trilha, uma pequena ilha oferece espaço para banho em águas cristalinas.

Foto: Reprodução/Ecuador.Travel

Lagoa Zancudococha

Zancudococha é a maior lagoa da Amazônia equatoriana e está localizada na parte baixa da Reserva Natural Cuyabeno, próxima ao Rio Aguarico. Seu nome vem da palavra Siona “secoya” (soncorai), que significa “lagoa do sonco”, referindo-se a um peixe abundante na região. Perto da lagoa fica a comunidade Kichwa de Zancudo, que mantém um programa de turismo comunitário.

Foto: Reprodução/Ecuador.Travel

Praia sem mar? Veja onde encontrar seis refúgios de água doce em Rondônia

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Foto: Reprodução/Prefeitura de Costa Marques

Quando pensamos em praia, o mar logo vem à mente. Mas Rondônia guarda um segredo que surpreende visitantes e encanta moradores: as praias de água doce. Elas surgem durante a estiagem, quando os grandes rios amazônicos baixam e revelam faixas de areia que se transformam em pontos de lazer, cultura e turismo.

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Entre julho e setembro, muitas dessas orlas fluviais se tornam palco dos tradicionais festivais. São eventos que movimentam cidades inteiras, com competições esportivas, shows musicais, feiras gastronômicas e muita animação. É a celebração do chamado “verão amazônico”, um momento de encontro entre comunidades locais e turistas.

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Mais do que diversão, esta é uma temporada que tem impacto direto no desenvolvimento regional: fortalece o turismo, movimenta a economia e valoriza as belezas naturais de Rondônia. Conheça:

Praia de Calderita

Às margens do Rio Jamari, em Porto Velho, é uma das mais famosas do estado. Suas águas calmas e areias claras atraem centenas de banhistas todos os anos. Além do banho refrescante, a região recebe festivais que reúnem música e gastronomia típica.

Foto: Mateus Moraes

Praia de Curralinho

No grande Rio Guaporé, o local é bastante frequentado por banhistas, referência como ponto de encontro no tradicional Festival de Praia de Costa Marques. Quem visita a região ainda pode conhecer a Fortaleza do Príncipe da Beira, um dos mais importantes patrimônios históricos da Amazônia Ocidental.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Costa Marques

Praia de Jaci-Paraná

Localizada no distrito Jaci-Paraná, em Porto Velho, é ponto de encontro da comunidade local e durante a seca, o lugar se transforma em espaço de lazer. O festival, que acontece todos os anos, reúne moradores, turistas e visitantes de vários cantos do estado, com uma programação repleta de atrações musicais, esporte na areia, atividades culturais e comidas regionais.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Porto Velho

Praia de Teotônio

Próxima às corredeiras do Rio Madeira, é um local de beleza natural e valor cultural. Além do banho de rio, visitantes têm contato com tradições ribeirinhas que fazem parte da identidade local.

Foto: Reprodução/Nova Vila de Teotônio

Fortaleza do Abunã

Na fronteira com a Bolívia, o distrito de Fortaleza do Abunã, em Porto Velho, recebe turistas que buscam diversão às margens do rio. Durante a temporada, o local sedia festivais com música, esportes náuticos e comidas típicas.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Porto Velho

Praia de Pimenteiras

A cidade de Pimenteiras do Oeste se destaca pelas praias formadas às margens do Rio Guaporé. O destino é perfeito para quem busca tranquilidade em contato com a natureza amazônica.

festival de praia pimenteiras do oeste
Foto: Corpo de Bombeiros/Pimenteiras do Oeste

*Por Amanda Oliveira, da Rede Amazônica RO

Plano para desenvolvimento de fronteiras é revisado com participação de comunidades no Norte do país, anuncia MIDR

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Fronteira entre Brasil e Venezuela. Foto: Divulgação

Com o intuito de identificar e compreender as principais demandas locais que possam orientar a implementação de projetos na região de fronteira, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) está realizando a revisão do Plano de Desenvolvimento e Integração da Faixa de Fronteira (PDIFF), instrumento de planejamento territorial voltado à promoção do desenvolvimento sustentável e da integração das áreas fronteiriças brasileiras. 

Como parte dessa etapa, representantes da pasta promoveram, entre terça-feira (9) e sábado (13), duas oficinas participativas simultâneas nos estados do Amazonas e de Roraima.

Leia também: Saiba quais Estados da Amazônia brasileira fazem fronteira com a Amazônia Internacional

As atividades contam com membros dos governos federal, estadual e municipal, além de representantes e lideranças de povos tradicionais, indígenas e quilombolas. Os encontros foram realizados em parceria com o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Plano de Desenvolvimento e Integração da Faixa de Fronteira

As oficinas integram o processo de elaboração dos PDIFFs nos estados do Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia e Roraima, e da formação dos respectivos Núcleos Estaduais de Fronteira (NEFs). Ao todo, a ação engloba 97 municípios localizados total ou parcialmente na faixa de 150 quilômetros ao longo da fronteira terrestre brasileira, onde se destacam nove cidades-gêmeas.

O consultor da Coordenação-Geral de Gestão do Território do MIDR, Marcelo Pires, explica que a metodologia de escuta ativa foi utilizada como ferramenta central.

Oficinas fronteiras Amazonas e Roraima
Oficinas no Amazonas e em Roraima reúnem governos e comunidades locais para atualizar o PDIFF. Foto: Divulgação/SDR

Leia também: Portal Amazônia responde: a maior fronteira da França é com o Brasil?

“Essas oficinas representam um grande esforço coletivo para consolidar uma agenda estratégica nas áreas de fronteira. Já realizamos etapas no Pará, Amapá e Rondônia, e agora chegou a vez de Roraima e Amazonas. É fundamental contar com a participação de todos, agentes públicos, sociedade civil e instituições parceiras, para construirmos um plano de médio e longo prazo que ajude a enfrentar os desafios e potencializar as oportunidades das nossas fronteiras. A contribuição de cada um é essencial para o sucesso dessa iniciativa”, afirmou.

Os PDIFFs terão como eixos estruturantes:

  • Ordenamento territorial, regularização fundiária e gestão ambiental e climática
  • Infraestrutura para o desenvolvimento
  • Atividades produtivas sustentáveis e inclusão social
  • Povos indígenas e comunidades tradicionais
  • Integração regional, migrações e segurança

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Com a conclusão das atividades nos dois estados da região Norte, o MIDR avança na meta de consolidar os PDIFFs como instrumentos de planejamento territorial que promovam integração, inclusão produtiva e cooperação internacional. Mais informações sobre o projeto podem ser acessadas no site oficial: www.fronteirasamazonia.ibam.org.br.

*Com informações do MIDR

Catraieiros de Alter do Chão, os guardiões da travessia na Ilha do Amor

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Catraieiros de Alter do Chão são Patrimônio Histórico-cultural Imaterial de Santarém. Foto: Reprodução/Prefeitura de Santarém

Alter do Chão, distrito de Santarém, no Pará, é conhecido por suas areias brancas, águas cristalinas e por ser a “Ilha do Amor”, cartão-postal da região. Mas, para chegar a esse paraíso amazônico, há um grupo de trabalhadores que desempenha um papel fundamental: os catraieiros.

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Responsáveis por conduzir as pequenas canoas que fazem a travessia até a Ilha, os catraieiros são, para muitos visitantes, o primeiro contato com a hospitalidade da vila.

Mais do que um simples transporte, o serviço é parte da experiência turística de Alter, considerado patrimônio cultural imaterial e expressão viva da relação entre o povo ribeirinho e o Rio Tapajós.

Na alta temporada, o vai e vem das catraias colore as águas do Lago Verde. O embarque é rápido, mas a travessia se transforma em um passeio à parte, com a visão privilegiada da praia e da orla.

Leia também: 9 fatos curiosos sobre o “Caribe amazônico”: Alter do Chão

Foto: Reprodução/Prefeitura de Santarém

Durante as festividades do Sairé, uma das manifestações culturais mais antigas da Amazônia, o trabalho dos catraeiros ganha ainda mais importância. São eles que conduzem os símbolos do ritual religioso e transportam os participantes da festa, reforçando a ligação entre a prática profissional e as tradições culturais da comunidade.

Leia também: Sairé ou Çairé: qual é a grafia certa da famosa festa de Alter do Chão?

A rotina desses trabalhadores depende diretamente do Rio Tapajós. Quando o nível do rio está alto, no chamado ‘inverno amazônico’, as barracas da Ilha do Amor ficam submersas e a procura pelo serviço cai. Já no verão amazônico, quando as faixas de areia aparecem, os catraeiros veem o movimento aumentar, embora alguns visitantes arrisquem a travessia a pé ou a nado, atitude perigosa diante da força do rio.

Catraieiros de Alter do Chão
Foto: Reprodução/Prefeitura de Santarém

Reconhecimento dos catraieiros

O ofício dos catraieiros ultrapassa a dimensão econômica. Em 21 de março de 2022, a Câmara Municipal de Santarém aprovou o pedido de reconhecimento das matrizes tradicionais dessa prática, resultado de mobilização de entidades públicas e privadas.

A decisão representou um passo importante na valorização da atividade, que é vista como herança cultural e identidade do povo de Alter do Chão. Assim, a atividade foi declarada Patrimônio Histórico-cultural Imaterial
do município de Santarém.

Mais do que atravessar turistas até a Ilha do Amor, os catraieiros carregam histórias, tradições e a força de uma comunidade que tem no rio sua estrada e sua vida.

Sucesso de público marca Mormaço Cultural no Teatro Municipal

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Mais de 3 mil pessoas prestigiaram a peça que homenageia a trajetória da rainha do rock brasileiro na Sala Roraimeira. Foto: Giovani Oliveira/PMBV

O Mormaço Cultural 2025 se despediu neste domingo (14), do espetáculo “Rita Lee: Uma Autobiografia Musical”, que lotou o Teatro Municipal durante três noites consecutivas. Mais de 3 mil pessoas prestigiaram a peça que homenageia a trajetória da rainha do rock brasileiro na Sala Roraimeira.

Nos três dias, os ingressos esgotaram em poucos minutos após a abertura da bilheteria. Um sucesso que confirma a força do espetáculo que tem atraído multidões por onde passa e foi promovido de forma gratuita pela prefeitura.

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Para o presidente da Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura de Boa Vista (FETEC), Dyego Monnzaho, o Teatro Municipal já se consolidou como um importante equipamento cultural e agora é parte essencial da programação do Mormaço.

“Lotar o teatro todas as noites e os ingressos esgotarem em 10, 15 minutos, representa e diz muito que a cidade quer consumir esse tipo de cultura. Estamos muito felizes com o resultado. A programação continua lindamente com artistas da cidade nos presenteando com espetáculos maravilhosos”, declarou o presidente da Fetec.

Espetáculo trouxe à memória os clássicos de Rita Lee, interpretados por Mel Lisboa . Foto: Giovani Oliveira/PMBV

Leia também: Moro-Morí: Projeto de piscicultura avança e chega à comunidade indígena São Marcos

Festival reúne gerações em momentos de arte e cultura

Público de todas as idades prestigiaram o Espetáculo. Um grupo de primas da mesma família conferiu de perto a programação. Fernanda Rios veio ao Mormaço pela primeira vez. Ela destacou a importância de um evento desse porte na capital. “Estou encantada. Agora, não falto mais nenhuma edição”, contou.

Família reunida prestigia o festival de arte e cultura. Foto: Giovani Oliveira/PMBV

Outra integrante da família, Lene Rios, participou de todas as edições do festival e convidou as primas para curtirem esse momento.

“Estou muito feliz de estar mais uma vez aqui. A prefeitura está de parabéns por abrir esses espaços de forma gratuita, democratizando a cultura para todos. Muitas pessoas não têm a oportunidade de assistir uma apresentação de nível nacional, mas no Mormaço todos têm acesso gratuitamente”, disse.

Diversidade musical marca apresentações na área externa do Teatro Municipal

A programação também trouxe apresentações de artistas locais na área externa do Teatro Municipal. O público pôde acompanhar o set do DJ Felipe Fizon, marcado por uma performance intimista, cheia de identidade e interpretações singulares. Na sequência, Eliakin Rufino — integrante do Trio Roraimeira, autor do Hino de Boa Vista e referência cultural no estado, encantou a plateia com uma apresentação que uniu música e poesia em uma verdadeira interpretação cantada.

DJ Felipe Fizon, Eliakin Rufino e a Banda Kruviana animaram o público na área externa do Teatro Municipal. Foto: Divulgação/PMBV

O domingo foi marcado pela estreia da Banda Kruviana no festival, celebrando 12 anos de trajetória. O grupo levou ao palco mensagens de luta e resistência, reafirmando a força da cultura indígena local. O vocalista Dam Kuy A’ki ressaltou a relevância do momento:

“Para nós é uma satisfação enorme levar o nosso som a um evento como o Mormaço Cultural. É o resultado de muito ensaio e dedicação. Estamos extremamente felizes com o show!”, destacou. “Vem mais por aí!”.

Pesquisa investiga perdas na produção de frutas no Amazonas e propõe soluções para reduzir desperdícios

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Foto: Angela Maria da Silva Mendes/Acervo pessoal

Uma pesquisa realizada nos municípios de Manacapuru, Rio Preto da Eva e Itacoatiara, avaliou e quantificou as perdas pós–colheita que produtores de banana, mamão e abacaxi enfrentam, nesses respectivos municípios.

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O estudo também monitorou o uso e o descarte de agrotóxicos, identificando práticas que precisam ser ajustadas para reduzir riscos ambientais e de saúde.

Intitulada ‘Ação estratégica de avaliação e quantificação de perdas pós-colheita e de uso de agrotóxicos em fruteiras, como base para o consumo e produção responsável no Amazonas’, a pesquisa procurou contribuir para o alcance das metas da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) relacionadas ao consumo e à produção sustentável.

Pesquisa investiga perdas na produção de frutas no Amazonas
Foto: Angela Maria da Silva Mendes/Acervo pessoal

De acordo com a coordenadora do projeto, o estudo proporcionou um diagnóstico inédito sobre os desafios da fruticultura amazonense. Entre os achados mais importantes, está a constatação de que o manuseio inadequado das frutas, aliado à incidência de doenças fitopatológicas, é uma das principais causas de perdas pós-colheita.

“O estudo buscou identificar os fatores de perda pós-colheita, como o manuseio inadequado, o que pode causar danos mecânicos nas frutas, e a incidência de doenças (fitopatológicas). Os problemas fitossanitários são a principal causa de grandes perdas pós-colheita”, pontuou Angela.

As etapas de colheita, casa de embalagem, transporte, comercialização e até mesmo consumo foram analisadas, revelando que em cada uma delas há pontos críticos que resultam em desperdício de alimentos e aumento de custos para o produtor.

Consumo e produção responsável

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), cerca de 30% da produção agrícola mundial é perdida ou desperdiçada após a colheita, o que corresponde a 1,3 bilhão de toneladas de alimentos descartados todos os anos.

Foto: Angela Maria da Silva Mendes/Acervo pessoal

A pesquisa está alinhada ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nº 12, que tem como objetivo garantir padrões de consumo e produção responsáveis, promovendo a redução do desperdício de alimentos e o manejo adequado de produtos químicos.

“A ideia do projeto surgiu por se tratar de uma abordagem multidisciplinar que envolveu pesquisadores das áreas da fitotecnia e fitopatologia e da necessidade de entender e abordar os desafios da cadeia produtiva de frutas no estado do Amazonas. A pesquisa buscou investigar as limitações que levam a perdas significativas e fornecer informações que ajudem o estado a se alinhar com os ODS da ONU”, explicou a professora.

Metodologia

A pesquisa foi conduzida a partir de entrevistas com técnicos e produtores rurais, além de observações diretas nas propriedades. Foram feitas análises a respeito das condições ambientais durante a colheita, transporte e armazenamento, bem como registros de danos físicos e doenças. O estudo também investigou o uso e descarte de agrotóxicos nos municípios pesquisados.

Foto: Arquivo/Angela Maria da Silva Mendes

“Buscamos identificar os produtos utilizados, o destino final das embalagens, os locais de armazenamento e preparo das caldas. O monitoramento desses fatores é essencial para reduzir impactos ambientais e propor medidas mais seguras”, ressaltou a coordenadora.

Todas as informações levantadas pela pesquisa foram registradas em diários de campo e acompanhadas de fotografias. A partir desse diagnóstico, a equipe da pesquisa organizou reuniões de validação em cada município, reunindo produtores e técnicos de órgãos oficiais para apresentar os resultados, ouvir sugestões e construir coletivamente estratégias de prevenção e redução de perdas.

Impactos da pesquisa

De acordo com a pesquisadora, a iniciativa tem beneficiado produtores e consumidores. Para os agricultores, as informações levantadas apoiaram a tomada de decisões, reduziram desperdícios e otimizaram custos de produção.

Já para os consumidores, a expectativa alcançada foi de maior disponibilidade de frutas no mercado e preços mais acessíveis, aliados a práticas agrícolas mais sustentáveis. Os resultados da pesquisa foram compartilhados diretamente com os produtores, por meio de reuniões de validação em cada município.

Apoio da Fapeam

Para a coordenadora, o apoio da Fundação é decisivo nas atividades de pesquisa voltadas ao setor agropecuário no estado.

“As atividades de pesquisas no setor agropecuário do estado do Amazonas só são possíveis de se realizar com o fomento de agências financiadoras. A Fapeam é a segunda Fundação de Apoio à Pesquisa no Brasil, que mais deu apoio e incentivo por meio de editais voltados para essa área. Sem o apoio de campo e insumos para os laboratórios multidisciplinares, não seria possível realizar esta pesquisa”, pontuou a pesquisadora.

A iniciativa foi apoiada pelo Governo do Estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), no âmbito do Programa Amazônidas – Mulheres e Meninas na Ciência, via edital n° 002/2021, coordenado pela pesquisadora, professora e doutora em Agronomia Tropical, Angela Maria da Silva Mendes, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Programa Amazônidas – Mulheres e Meninas na Ciência

O Programa é uma iniciativa do Governo do Amazonas, desenvolvida pela Fapeam, e integra o Movimento Mulheres e Meninas na Ciência. Seu objetivo é ampliar a representatividade feminina no campo da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) local, por meio da concessão de auxílio-pesquisa para despesas de capital, custeio e bolsas. A proposta é incentivar projetos de pesquisa, tecnologia e inovação como ação afirmativa, fortalecendo a liderança feminina nessas áreas.

*Com informações da Fapeam

O que Jack Welch aprendeu com o banqueiro alemão?

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

Jack Welch fez uma carreira de 21 anos na General Eletric (GE) antes de assumir o cargo de CEO. O grupo enfrentava uma grave crise financeira, apesar de seu enorme tamanho em diferentes setores, em centenas de países. Sua gestão marcou uma verdadeira revolução no grupo, fazendo com que a GE crescesse exponencialmente e se tornasse uma das empresas mais valiosas do mundo. Mais do que isso, seu estilo de liderança impactou a própria teoria de gestão, fazendo Jack tornar-se um ícone como líder, um guru para muitos executivos em vários continentes. Ele esteve à frente da GE por 20 anos, totalizando 41 anos de carreira na mesma empresa. Ao encerrar o ciclo, tornou-se um autor de sucesso, escrevendo sobre liderança e gestão, além de consultor de várias empresas entre as 500 maiores da Fortune.

Diz a lenda que, já na condição de um dos mais respeitados executivos do mundo, Jack teve interrompida uma reunião com um banqueiro alemão, um senhor mais velho, muito conceituado na área. O tal banqueiro disse que precisava interromper o encontro pois tinha um compromisso com o seu mentor. Jack surpreendeu-se. Alguém tão sênior e já tão realizado tinha um mentor? Quis saber quem era ele. A explicação era que o tal mentor era um jovem de 28 anos, o que surpreendeu ainda mais Jack. Era um mentor de tecnologia. Welch saiu impressionado e, diz a lenda, que quando desembarcou nos EUA, determinou que os seus principais diretores contratassem mentores jovens de tecnologia. Era o início dos anos 90 e, nesta área, a distância entre as gerações era muito maior do que hoje. Tal iniciativa ajudou a competitividade da GE, uma empresa tradicional, em um setor que se tornou o terreno das startups.

Jack Welch era curioso por natureza e conhecido por tirar aprendizados do cotidiano aplicando-os em diversas situações. Qual teria sido a principal lição que ele teve no episódio com o tal banqueiro alemão, aplicável a vida e aos negócios? Que lição você tiraria da situação?

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Para mim, o aprendizado seria o que hoje serve como uma das premissas em nosso trabalho no MCI: “todos têm o que ensinar, assim como todos têm o que aprender, desde que desejem isso”. Aprender com mais jovens é algo que faço todos os dias.

Cada pessoa carrega algo a compartilhar, como no caso de um jovem de 28 anos mentorando um bem-sucedido empresário, talvez, próximo dos 70. Uma pessoa que viveu mais, naturalmente, teve a chance de acumular mais conhecimentos e experiências. Como ela aproveitou estas oportunidades dependerá de muitos fatores e ainda mais se ela, além do conhecimento, foi capaz de desenvolver sabedoria, que é algo diferente, mas este é um outro assunto. Aqui importa destacar que todos têm o que compartilhar e isto é uma das coisas que mais gratificação proporciona ao ser humano. Todos nós podemos ser mentores de algo a alguém e nos realizarmos com isso.

Mas como exercer uma mentoria efetiva, capaz de fazer com que o conhecimento e experiência de alguém possam ser úteis a outra pessoa ou mesmo a uma organização?

É aí que entra a formação técnica e as competências que diferenciam um mentor profissional de uma pessoa qualquer. Não é apenas o conhecimento, mas também a maneira de compartilhar com o outro, aproveitando a experiência do outro, a capacidade do outro, o potencial do outro. Tudo isto requer do bom mentor ainda algo além, que ele seja continuamente uma melhor pessoa e que esteja genuinamente interessado no desenvolvimento do outro, sendo capaz de criar com ele uma verdadeira parceria inspiradora, baseada na confiança mútua. O chamado mentoring avançado, que, além do conhecimento do mentor, faz uso de importantes competências do coaching profissional, se propõe a isso. No MCI apelidamos este tipo de mentoring de mento-coaching.

Mas, retornando à questão, qual teria sido a principal lição de Welch no episódio com o tal banqueiro alemão, aplicável à vida e aos negócios? E que lição você tiraria da situação?

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

‘Esquecimento’ e desmatamento ameaçam parque amazônico com pinturas rupestres milenares

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A guia do Parque Estadual Monte Alegre (Pema), Luana Wanessa Assunção, mostra as pinturas rupestres aos visitantes da reserva. Foto: Peter Speetjens

Localizado na margem norte do Rio Amazonas, próximo a Santarém, o município paraense de Monte Alegre abriga uma das joias antropológicas mais bem preservadas em território brasileiro.

Elas estão guardadas no Parque Estadual Monte Alegre (Pema), fundado como área de conservação ambiental em 2001. Nesse local de “relevante beleza cênica e peculiar ecossistema”, conforme descrevem portais oficiais do estado, é possível explorar um vasto complexo florestal com cânions, vales e cavernas.

É também no coração do parque onde estão situadas cerca de 600 pinturas rupestres — algumas com mais de 11 mil anos de idade.

Leia também: Parque Estadual de Monte Alegre preserva sítios arqueológicos mais antigos da Amazônia

Com mais de 3,6 mil hectares, o Pema foi escolhido em 2022 pela World Monuments Watch, cujo monitoramento incentiva a preservação histórica, como um dos 25 patrimônios de maior importância em todo o mundo.

Por seu valor cultural e a exuberância de suas paisagens, a reserva teria tudo para se tornar uma atração de destaque em qualquer lugar do planeta. No entanto, o parque enfrenta dificuldades para atrair visitantes.

“Esse é um dos nossos maiores desafios. Recebemos cerca de 4 mil visitantes por ano. Não é muita gente”, disse o gerente do Pema, Jorge Braga.

Em entrevista à Mongabay, o gestor disse que o problema soma dois fatores: a baixa popularidade e o difícil acesso. Segundo as estimativas do gerente, apenas uma em cada dez pessoas da região reconhece a importância do parque. A proporção, ele diz, é “ainda menor” quando brasileiros de outras partes do país e estrangeiros são levados em conta.

Há, porém, um outro dilema. Embora o Pema esteja amparado por leis nacionais de proteção ambiental, seus arredores têm sido cada vez mais afetados pelo avanço do desmatamento.

Por muito tempo, o estado do Pará se destacou negativamente por suas altas taxas de perda florestal. Esse cenário mudaria em anos recentes, diante de reduções significativas nos números de desmatamento.

Agora, novos alertas ambientais indicam que o problema pode estar voltando de forma silenciosa — até mesmo na porção norte do estado, em áreas que sempre estiveram “blindadas” de maiores danos pela proteção natural do Rio Amazonas, que funciona como barreira.

Estrutura rochosa conhecida como Pedra do Pilão, uma das mais emblemáticas do Parque Estadual Monte Alegre. Foto: Peter Speetjens

Para qualquer visitante atento, as mudanças visuais são perceptíveis. Ao longo da rota fluvial de 50 quilômetros que liga Santarém a Monte Alegre, já é possível observar a multiplicação de pastos para a pecuária, além de outras áreas desmatadas em meio à paisagem de florestas.

De acordo com um ativista local, que preferiu não se identificar, uma única família originária do Mato Grosso — estado que lidera o agronegócio no Brasil — seria a responsável por comprar boa parte dessas terras. Esses mesmos proprietários, segundo ele, já possuem cerca de 3 mil hectares, usados de forma frequente para o plantio de soja.

Braga, do Pema, disse à reportagem que a soja chegou de vez à região de Monte Alegre há cerca de dois anos. Para o gerente, além de “trazer desmatamento”, o setor também responde por uma atividade que representa diversos riscos sanitários a comunidades locais, uma vez que utiliza grandes quantidades de agrotóxicos para o cultivo do grão.

“Nós iniciamos um movimento para conscientizar as pessoas [sobre os riscos trazidos pela soja]. No entanto, isso é muito perigoso. Os produtores tentaram entrar na região pela primeira vez em 2001. Eu fui uma das pessoas a fazer oposição a eles. Como consequência, recebi ameaças de morte e vivi sob proteção policial por dois anos”, disse.

Segundo um levantamento da Global Forest Watch (GFW), entre 2001 e 2024, o Pará registrou a maior taxa de desmatamento estadual do país, perdendo 18,6 milhões de hectares no período; o estado é seguido pelo Mato Grosso (14,2 milhões) e pelo Maranhão (6,6 milhões). Grande parte da derrubada se deve à criação de terras para a pecuária e o cultivo de milho, cana-de-açúcar e soja.

De acordo com dados da GFW, o município de Monte Alegre, onde fica o Pema, perdeu pouco mais de 66 mil hectares de floresta primária úmida entre 2002 e 2024. Acompanhando a tendência de aumento recente do desmatamento no resto do estado, os números ali também vêm crescendo — o município perdeu 11 mil hectares de floresta nativa apenas no último ano.

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Nos mapas da GFW, em áreas próximas ao Rio Amazonas, Monte Alegre aparece com frequência cada vez maior entre marcações em rosa — a cor que indica os locais desmatados. Faixas verdes só são mais dominantes ao norte, graças à proteção garantida por um mosaico de áreas protegidas que soma 22,3 milhões de hectares, entre os quais os  4,2 milhões de hectares da Estação Ecológica Grão-Pará, maior unidade de conservação de proteção integral de florestas tropicais no mundo.

Muito além da degradação da natureza, os riscos impostos às pinturas rupestres em Monte Alegre não são eventos isolados.

Em maio, um relatório do MapBiomas revelou um aumento da intervenção humana em áreas próximas a sítios arqueológicos no Brasil entre 1985 e 2023. No último ano analisado pela pesquisa, mais da metade desses locais históricos já se encontrava em pontos alterados pelo ser humano, considerando todos os biomas brasileiros.

A agricultura, segundo o estudo, representa a maior parte (43,1%) do uso da terra ao redor de sítios arqueológicos, o que aumenta os desafios para a conservação.

Quando Alfred Wallace visitou Monte Alegre

Apesar de não atrair grandes multidões nos dias de hoje, Monte Alegre já havia despertado a curiosidade do naturalista britânico Alfred Russel Wallace há mais de um século. O pesquisador esteve na região em 1849, como parte de uma expedição de quatro anos pela Amazônia. Um dos principais objetivos de Wallace era ver as “escritas indígenas” com seus próprios olhos.

Reconhecido como o “outro pai” da Teoria da Evolução ao lado de Charles Darwin, Wallace viajou pela região amazônica de barco e a cavalo. Ao caminhar ao redor da Pedra do Pilão, uma rocha em formato de canoa vista no topo de outra grande formação natural (onde hoje está o Pema), avistou inúmeras pinturas em vermelho, com traços que se uniam para formar animais, figuras humanoides e padrões geométricos.

“Elas consistiam, principalmente, em grandes círculos concêntricos, chamados de ‘sol’ e ‘lua’ pelos nativos”, disse em seu livro Uma Narrativa de Viagens na Amazônia e no Rio Negro, publicado em 1853.

O círculo vermelho preenchido de amarelo e a figura suspensa com cabeça radiante, conforme a descrição de Wallace, estão entre os achados de maior destaque entre as centenas de pinturas ancestrais que podem ser vistas no Pema.

Hoje, no entanto, tudo é mais simples de se observar: à diferença do cientista britânico, os visitantes atuais podem contemplar os desenhos subindo uma escada esculpida na rocha.

Luana Wanessa Assunção, uma das guias do parque, disse à Mongabay que os círculos coloridos “podem representar um eclipse, enquanto os raios podem ser o sol ou um relâmpago”.

“Para mim, olhar esses desenhos antigos é como colocar os olhos em arte contemporânea. Há um jogo de interpretação: onde uma pessoa vê um peixe, outra pode ver um pássaro”.

Há, também, particularidades na geografia local. Em parte, isso se deve ao relevo acidentado do Pema, produto de atividades tectônicas ocorridas há milhões de anos. Como resultado da combinação de afloramentos rochosos e vales arenosos, alguns trechos de vegetação do parque se assemelham aos do Cerrado — e em muitos pontos da paisagem, se parecem um pouco menos com uma floresta tropical.

Em meio à jornada, no sopé da chamada Serra da Lua — onde estão os famosos desenhos rupestres com um sol e, como o nome indica, uma lua —, é onde os turistas encontram o centro de visitantes do Pema, que ainda passa por melhorias em sua infraestrutura. Atrás do centro, avista-se uma grande colina, coberta de árvores.

Assunção diz que esse lugar também guarda seus mistérios. “A colina está fechada ao público, já que é muito difícil de se escalar. É uma pena, pois é o único lugar onde se pode ver a pintura de uma pessoa em movimento. Todas as outras representações do parque mostram figuras estáticas”, disse.

Parque Estadual Monte Alegre (Pema)
O centro de visitantes do Parque Estadual Monte Alegre, ainda em construção, em meio às árvores. Foto: Peter Speetjens

A história escrita — e reescrita

Segundo seus próprios registros, Wallace não ficou tão impressionado quando visitou a maior caverna de Monte Alegre. Situada no interior do Pema, a imensa cavidade de pedra ainda tem um “chão arenoso e liso”, como ele mesmo descreveu no antigo século, além de “aberturas que levam a outras câmaras” na parte interna. Essas, no entanto, ele não pôde explorar — já que havia esquecido suas velas.

Caso o cientista tivesse algumas à disposição na mochila, provavelmente espantaria os morcegos que moram ali, como a reportagem pôde comprovar no momento em que as lanternas dos celulares foram acesas.

“Não havia nada de notável”, escreveu Wallace. “A vegetação ao redor não era, de forma alguma, exuberante ou bonita. Na verdade, muitas de nossas cavernas na região calcária [em território britânico] são, em todos os aspectos, mais pitorescas e interessantes”.

“Quando finalmente avistei a caverna, após uma longa caminhada pela floresta, fui tomado por uma sensação de admiração, intensificada pelo barítono acolhedor — ou ameaçador — de um macaco, que, por uma fração de segundo, pareceu silenciar toda a floresta”, contou o explorador.

Se Wallace soubesse o que se sabe hoje, teria uma opinião diferente?

O local em questão leva o nome de Caverna da Pedra Pintada. Lá, a história foi escrita e, milhares de anos depois, reescrita. Primeiro, pelos povos antigos que a utilizaram como abrigo, deixando suas marcas pintadas nas paredes. Depois, no século 20, por cientistas que seguiram os passos de Wallace e escavaram o lugar.

Entrada da Caverna da Pedra Pintada. Foto: Peter Speetjens

“Aqui, é onde a arqueóloga Anna Roosevelt, dos Estados Unidos, fez suas escavações”, disse a guia Luana, apontando para o lado direito da caverna. “Nesse outro lado, quem trabalhou foi a arqueóloga brasileira Edithe Pereira.”

No início da década de 1990, Roosevelt se tornou a primeira pessoa a escavar parte do complexo da Pedra Pintada e a utilizar técnicas de datação por radiocarbono para identificar suas descobertas. Os resultados foram mais do que surpreendentes.

A arqueóloga descobriu que os restos das ferramentas de pedra, carvão e alimentos misturados aos materiais usados para a pintura datavam de cerca de 11,2 mil anos. Mais tarde, as pesquisas de Edithe Pereira confirmariam a datação de sua colega estrangeira de profissão — e mais do que isso, ainda fariam o relógio “voltar” algumas centenas de anos.

Até então, a teoria dominante na ciência dizia que a bacia do Rio Amazonas havia sido povoada nos últimos 2 mil anos. Ademais, acreditava-se que os primeiros humanos só haviam chegado ao continente americano no final da última Era Glacial.

Segundo essa corrente, os seres humanos só teriam cruzado o Estreito de Bering para o Alasca há cerca de 11 mil anos — e, só a partir daí, avançado lentamente pelas grandes planícies norte-americanas em direção, mais abaixo no mapa, à Cordilheira dos Andes, à Amazônia e além.

Como isso poderia ser verdade, no entanto, se naquela época já havia pessoas caçando, coletando e pintando paredes em cavernas em Monte Alegre, no coração da América do Sul?

Esses primeiros habitantes, além disso, não pintaram apenas imagens rudimentares, como animais e pessoas: eles também criaram figuras geométricas de caixas e cruzes, com formações que se assemelham a um jogo da velha gigante. Conhecido como Painel do Pilão, esse conjunto de desenhos é tido como o primeiro calendário solar do continente americano.

A guia Luana Assunção explica as pinturas para os visitantes do Parque Estadual Monte Alegre. Foto: Peter Speetjens

Essa nova compreensão da ocupação humana nas Américas estabelece as bases para novos esforços de proteção da Amazônia e de outros biomas, levando em conta não apenas seu valor natural, mas, também, sua contribuição cultural.

De olho nesse objetivo, cientistas liderados pelo arqueólogo brasileiro Eduardo Neves buscam registrar sítios arqueológicos como monumentos nacionais, o que daria a várias partes do bioma amazônico uma “camada extra” de proteção legal.

Ao reconhecer oficialmente esses sítios arqueológicos, como os geoglifos, especialistas pretendem manter a floresta intacta e permitir que as comunidades locais continuem vivendo ali. Neves compara as áreas de florestas da Amazônia às pirâmides egípcias e mexicanas, destacando seu significado cultural e a importância de protegê-las.

Leia também: A construção dos ‘deuses geométricos’: os geoglifos da Amazônia

Os desafios para difundir conhecimento

Embora o Pema pudesse ser uma atração de destaque em vários lugares do mundo, a maioria das pessoas da própria região não sabe o que o parque tem a oferecer. Ao mesmo tempo, poucos estrangeiros que viajam de barco entre as capitais Belém e Manaus pensam em fazer uma parada em Monte Alegre.

“O Pema tem tudo para ser tão bem-sucedido quanto o Parque Nacional da Serra da Capivara”, disse Edithe Pereira, em seu escritório no Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém. “Mas, essa não é a realidade. Há problemas de organização, promoção e educação.”

Declarado Patrimônio Mundial da Unesco em 1991, o Parque Nacional da Serra da Capivara, no estado do Piauí, abriga milhares de pinturas rupestres pré-históricas. Ali, arqueólogos também encontraram ferramentas de pedra que datam de 22 mil anos — evidências que desafiam ainda mais as teorias antropológicas conhecidas. O parque atrai mais de 20 mil visitantes por ano.

“Quando o Pema foi criado, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) pediu a um grupo de pesquisadores, do qual eu fazia parte, que fosse elaborado um plano para ajudar a ‘difundir’ o parque em Monte Alegre”, disse Pereira. “E nós o fizemos — mas nada foi feito a partir desse plano.”

“Desde o início, o objetivo era desenvolver atividades sociais e educativas com os moradores, de olho em tornar o Pema parte da comunidade, criar um senso de ‘propriedade’ e, assim, aumentar a proteção [ao que existe no lugar]. Há muito tempo, porém, falta vontade política para qualquer coisa acontecer”, desabafou a arqueóloga.

A arqueóloga Edithe Pereira em seu escritório no Museu Emílio Goeldi, em Belém. Foto: Peter Speetjens

O Pema é administrado pelo Instituto Estadual de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio). Criada em 2007, a entidade tem como principal tarefa promover “o desenvolvimento sustentável dos diferentes segmentos florestais do estado do Pará”, bem como “gerenciar sua biodiversidade”.

“Depois de concluir meu doutorado, eu queria alcançar um público mais amplo”, disse Edithe Pereira. “Desenvolvi um livro ilustrado sobre arte rupestre, trabalhei com livros infantis, histórias em quadrinhos, CDs, escrevi artigos para revistas, produzi material didático para exposições e escolas. O resultado final era sempre o mesmo: ou não eram usados, ou eram usados da maneira errada.”.

Em dado momento, alguns professores de arte da região de Monte Alegre se interessaram por um pequeno livro sobre a história local. Assim, Pereira e alguns colegas, com apoio financeiro do governo do Pará, iniciaram um projeto de arqueologia para as escolas. A obra foi distribuída gratuitamente em unidades de ensino de toda a região.

Mais artes rupestres, mais desafios

Em toda a região, as pinturas ancestrais do Pema são as mais famosas — e talvez as mais antigas —, mas não são as únicas artes rupestres encontradas no estado do Pará. Durante a entrevista, Edithe Pereira mostrou um mapa pontilhado que indicava os locais onde existem outras pinturas e inscrições em território paraense.

“Já no século 16, padres jesuítas observaram a presença de inscrições ao longo dos rios do Pará. A maior parte do estado, no entanto, ainda não foi mapeada”, disse.

Trabalhando na região há mais de 30 anos, a arqueóloga veterana identificou cerca de outras 60 pinturas rupestres no estado. Aproximadamente uma dúzia delas se encontra em uma rica paisagem de rochas e vegetação, cerca de 30 quilômetros ao norte do Pema.

Por coincidência, o terreno em questão estava à venda — e um amigo da especialista decidiu comprar os seus três hectares, por 40 mil reais, para protegê-lo. Futuras pesquisas ainda precisam ser desenvolvidas para trazer mais detalhes sobre os desenhos que se escondem ali.

Cientistas, agora, correm contra o tempo. Novos estudos devem ser feitos o quanto antes, dizem os especialistas, à medida que a região se vê ameaçada pela crescente ameaça dos incêndios, usados para “limpar” a vegetação para o manejo do gado e o cultivo da soja.

A chegada da soja à margem norte do Rio Amazonas está atrelada à inauguração de um terminal de grãos da gigante do setor Cargill, em Santarém, no ano de 2003, e mais ao sul, ao longo do Rio Tapajós, em Itaituba, em meados de 2017.

Enquanto o trecho noroeste do Pará se transformava em um centro logístico, a região de Santarém crescia, tornando-se um dos dez maiores polos produtores de soja do estado.

Barcos próximos ao terminal da empresa Cargill, em Santarém. Foto: Peter Speetjens

Os problemas foram aparecendo ao longo do anos. Ao passo que as comunidades locais em Santarém e Itaituba diziam que a multinacional dos EUA não cumpria as regras ambientais e os regulamentos de licenciamento, a vida dos moradores era afetada cada vez mais pelos químicos utilizados.

Atualmente, a Cargill está construindo um terminal de 700 milhões de reais em áreas biodiversas próximas a Belém. O empreendimento enfrenta a crítica de moradores locais, enquanto o Ministério Público investiga supostas irregularidades em transações entre a empresa e um parceiro local na aquisição de terrenos.

Em dezembro de 2024, representantes do Mato Grosso da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja/MT) solicitaram às autoridades federais a revogação da Moratória da Soja — acordo comercial que busca proibir a compra de soja cultivada em áreas desmatadas da Amazônia.

O setor do grão diz que a medida cria um “cartel” de restrições que, por sua vez, violaria a lei brasileira, gerando perdas anuais na casa dos 20 bilhões de reais. A crise segue.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Mongabay, escrito por Peter Speetjens (com edição de Xavier Bartaburu e tradução de Thaissa Lamha)

Ranking do saneamento 2025: Brasil, pobre país rico

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Foto: Reprodução/Instituto Trata Brasil

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

O Instituto Trata Brasil (ITB), em parceria com a GO Associados, publica a 17ª edição do Ranking do Saneamento com o foco nos 100 municípios mais populosos do Brasil. Para produzir o ranqueamento foram levados em consideração os indicadores mais recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), ano-base 2023, publicado pelo Ministério das Cidades, além de uma ponderação de pesos na evolução dos indicadores estabelecida em metodologia criada em parceria com a consultoria GO Associados. Desde 2009, o ITB monitora os indicadores dos maiores municípios brasileiros com base na população, com o objetivo de revelar um problema histórico vivido no país. A falta de acesso à água potável impacta 16,9% dos brasileiros e 44,8% não possuem coleta de esgoto, refletindo em problemas na saúde, produtividade no trabalho, valorização imobiliária, turismo e na qualidade de vida da população, fatores adversos ao processo de desenvolvimento brasileiro.

Compõe-se o ranking da análise em três “dimensões” distintas do saneamento básico de cada município: “Nível de Atendimento”, “Melhoria do Atendimento” e “Nível de Eficiência”. Nesta edição, Campinas (SP) foi a primeira colocada, seguida por Limeira (SP) e Niterói (RJ). O ITB esclarece um ponto importante a ser observado: a verificação de aparente queda nos resultados gerais de saneamento reportados pelo SINISA de 2025, a partir dos dados do ano de 2023, quando comparados aos dados do SNIS de 2024 (ano-base 2022). No entanto, essa percepção pode ser explicada pela atualização metodológica em razão da publicação do Censo de 2022. Nos últimos anos, em razão do atraso na coleta e divulgação dos dados do Censo, estimava-se um número maior de pessoas por residência. Com a divulgação dos dados, contudo, descobriu-se que a população residente não aumentou como se projetava anteriormente.

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Saneamento: Campinas e Limeira (SP), Niterói (RJ), S.J do Rio Preto, Franca (SP), Aparecida de Goiânia e Goiânia (GO); Santos (SP); Uberaba (MG); Foz do Iguaçu (PR); Uberlândia (MG); Jundiaí (SP); Ponta Grossa e Maringá (PR); São Paulo (SP); Montes Claros (MG); Taubaté (SP); Curitiba e Londrina (PR); Praia Grande (SP).

Na outra ponta, os 20 piores no Ranking são: Bauru (SP); Olinda, Recife (PE); Juazeiro do Norte (CE); Maceió (AL); Manaus (AM); S. João do Mereti (RJ); Jaboiatão dos Guararpes (PE); Duque de Caxias (RJ); São Luís (MA); Várzea Grande (MT); Ananindeua (PA); São Gonçalo (RJ); Belém (PA); Belford Roxo (RJ); Rio Branco (AC); Macapá (AP); Porto Velho (RO); Santana (AP).

À exceção de Boa Vista (RR), todas as capitais da Amazônia encontram-se entre os piores municípios no Ranking do Saneamento 2025 do Instituto Trata Brasil. O dado é contundente. Aponta, sobretudo, o fracasso dos planos de desenvolvimento e a consequente negligência com que é tratada a região pelo poder público, particularmente desde a redemocratização de 1985. De fato, a região demanda respostas, soluções pragmáticas, não recorrentes maus agouros de pitonisas prognosticando a desertificação de seu ecossistema. Todavia, tendo a inimiga número 1 da Amazônia, Marina da Silva, ministra do MMA à frente, Brasília insiste em festejar planos de desmatamento zero não considerando as necessidades de melhoria das condições de vida de cerca de 30 milhões de cidadãos que vivem, trabalham e defendem o Setentrião Brasileiro.

Políticas ineficazes e contraditórias em relação ao equacionamento dos problemas sociais e econômicos que historicamente se abatem sobre a região. Desvios cristalizados, particularmente sobre regularização fundiária, implantação e operacionalização do Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), manejo florestal e tecnologias desenvolvidas pela Embrapa e institutos locais de pesquisa destinadas à exploração sustentável do bioma, sem as quais não se preserva nem desenvolve a região.

    Sobre o autor

    Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

    *O conteúdo é de responsabilidade do colunista