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Marapuama: o potencial medicinal e econômico de uma planta amazônica

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Foto: Maša Sinreih/ Wikimedia Commons

A marapuama (Ptychopetalum olacoides Bentham) é uma das espécies mais conhecidas da flora amazônica por suas propriedades medicinais e valor econômico. Popularmente chamada também de “muirapuama” ou “miranãa”, a planta é nativa da região Norte do Brasil e pertence à família Olacaceae. A árvore, de pequeno porte, tem sido amplamente utilizada por comunidades tradicionais e por indústrias farmacêuticas, alimentícias e cosméticas.

O nome marapuama tem origem nas palavras indígenas muira (lenho ou árvore) e puama (forte ou potente), o que reflete o significado de “árvore da força”.

A espécie ganhou notoriedade por suas propriedades e uso tradicional, que é registrado há séculos entre os povos indígenas amazônicos. Segundo os autores da obra ‘Plantas Medicinais da Amazônia – Bioeconomia e Desenvolvimento Sustentável de Cadeias Produtivas‘, “a espécie Ptychopetalum olacoides Bentham é amplamente utilizada por suas propriedades estimulantes e afrodisíacas, sendo exportada para diversos países”.

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Durante o início do século XX, o interesse comercial pela marapuama levou à exportação de grandes quantidades da planta, o que resultou em falsificações e substituições de espécies. A exploração intensa e sem manejo adequado colocou a planta em situação de risco.

Características botânicas e químicas da marapuama

A marapuama ocorre naturalmente na floresta de terra firme da Amazônia brasileira e é encontrada também na Guiana Francesa, Guiana e Suriname. No Brasil, sua presença é mais marcante nos estados do Amazonas, Pará e Amapá.

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As pesquisas relatadas no livro apontam que, embora a planta apresente elevado potencial medicinal, é surpreendente a escassez de dados fitoquímicos disponíveis sobre a espécie.

Os estudos científicos publicados nessa obra identificaram nas raízes e cascas da planta substâncias como óleos essenciais, esteroides, taninos e alcaloides.

Dentre seus compostos mais estudados estão o β-sitosterol, lupeol, α-pineno, canfeno e cânfora. Tais componentes têm sido associados a propriedades antioxidantes e neuroprotetoras.

Além disso, foram observados efeitos antidepressivos e antiestresse. “O efeito neuroprotetor identificado na marapuama pode ser explicado pela sua capacidade em melhorar a eficácia da rede celular antioxidante no cérebro, diminuindo o estresse oxidativo”, aponta a publicação.

Outras pesquisas recentes, realizadas com camundongos, apontam ainda que a marapuama pode atuar na melhoria da memória e na recuperação pós-isquemia cerebral.

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Cadeia produtiva e usos industriais

A exploração da marapuama ainda é predominantemente extrativista. Segundo dados da obra, ‘Plantas Medicinais da Amazônia – Bioeconomia e Desenvolvimento Sustentável de Cadeias Produtivas‘, a produtividade pode atingir de 3 a 4 toneladas por hectare ao ano, com retorno de até cinco anos.

No entanto, a falta de incentivos para o cultivo sustentável e o corte indiscriminado das raízes contribuíram para a redução das populações naturais.

O derivado vegetal da espécie é usado em indústrias farmacêuticas, de cosméticos e bebidas. A marapuama é utilizada como flavorizante natural (substâncias, naturais ou sintéticas, usadas para adicionar ou intensificar o aroma e o sabor de alimentos, medicamentos e outros produtos) em bebidas energéticas e alcoólicas.

Na indústria farmacêutica, é encontrada em extratos, tinturas e cápsulas manipuladas. Um dos exemplos citados é o fitoterápico Catuama, que combina a marapuama com outras plantas de uso medicinal, como guaraná e gengibre.

Além do uso industrial, o extrato da planta é encontrado em feiras e mercados regionais da Amazônia, onde é comercializado como pó ou em chás medicinais. Entre suas aplicações populares estão o combate ao reumatismo, à fraqueza sexual, às dores musculares e à fadiga.

marapuama

Aspectos socioculturais e regulatórios

O uso tradicional da marapuama está enraizado na cultura amazônica. Povos indígenas e comunidades ribeirinhas utilizam a planta em infusões e banhos medicinais para tratar males neuromusculares, gastrointestinais e reumáticos.

Um estudo etnobotânico citado na obra, realizado na Floresta Nacional do Amapá, registrou que “o uso de plantas medicinais no tratamento de problemas de saúde faz parte da cultura local”, e que a marapuama é considerada eficaz no tratamento de impotência sexual e dores musculares.

No mercado internacional, a espécie é comercializada em diferentes formas, incluindo cápsulas, extratos secos e suplementos multivitamínicos. Ela compõe dezenas de produtos fitoterápicos voltados à melhoria do desempenho físico e cognitivo.

Do ponto de vista legal, a marapuama é reconhecida em farmacopeias brasileiras e estrangeiras desde o início do século XX. Atualmente, o uso e o acesso ao patrimônio genético da planta são regulados pela Lei da Biodiversidade (Lei nº 13.123/2015), que busca garantir a repartição justa dos benefícios e coibir a biopirataria.

Os autores enfatizam que “a Lei da Biodiversidade representa um instrumento de proteção aos recursos genéticos a fim de evitar que conglomerados internacionais se apropriem de forma ilegal destes recursos”.

Importância econômica e ambiental

A marapuama representa, assim, uma cadeia produtiva promissora para a bioeconomia amazônica. Seu aproveitamento sustentável pode gerar renda para comunidades locais e contribuir para a conservação da floresta. No entanto, a ausência de manejo florestal e de regulamentação do cultivo coloca a espécie sob risco de extinção.

De acordo com os autores da obra, é necessário o desenvolvimento de técnicas de domesticação e cultivo sustentável para garantir a preservação da espécie e o fortalecimento de sua cadeia de valor.

Assim, a marapuama continua sendo um símbolo da relação entre biodiversidade, saber tradicional e desenvolvimento econômico na Amazônia, reunindo potencial científico, medicinal e sociocultural.

Presidente da Biblioteca Nacional visita Rondônia

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Lucchesi (à direita) está com o presidente da ARL, Diego Vasconcelos, em Rondônia. Foto: Divulgação

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

O escritor e historiador Marco Lucchesi, ex-presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL) e atual presidente da Fundação Biblioteca Nacional, esteve em Porto Velho nesta quarta-feira (12) para cumprir agenda institucional.

Pela manhã, Lucchesi participou de atividade no campus local do Instituto Federal de Rondônia (IFRO) e visitou a Biblioteca Municipal Francisco Meirelles. À tarde, foi recebido na sede da Academia Rondoniense de Letras (ARL).

Com simpatia, o visitante cumprimentou os presentes, conversou sobre literatura e destacou a boa impressão de sua primeira visita ao estado. Durante o encontro, recebeu obras produzidas por autores locais.

Carioca, Lucchesi ocupa desde 2011 a cadeira nº 15 da ABL e é professor titular da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 2017, aos 54 anos, tornou-se o mais jovem presidente da Academia Brasileira de Letras.

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O presidente ri satisfeito durante a cantoria na ARL. Foto: Divulgação

Música para saudar Lucchesi

Quem imagina um “imortal” sisudo, de fardão engomado e semblante austero, logo se surpreende ao encontrar Marco Lucchesi. Um dos nomes mais respeitados da literatura brasileira, ele carrega consigo a simplicidade e o carisma que desarmam qualquer expectativa.

Na visita que fez à sede da Academia Rondoniense de Letras, em Porto Velho, foi recebido sem protocolos, no jeito descontraído dos porto-velhenses. O encontro virou sarau: Ernesto Melo e Carlinhos Maracanã puxaram canções populares e os demais imortais cantaram também; até o Hino de Rondônia ganhou ritmo de samba. E não demorou para que o próprio Lucchesi se juntasse à roda, entoando com voz firme “Nada além”, clássico de Nelson Gonçalves, e “Nervos de aço”, de Lupicínio Rodrigues. O riso fácil do homenageado foi a senha da aprovação ao ambiente.

Presidente da Biblioteca Nacional visita Rondônia
Primeiro reitor eleito da Universidade Federal de Rondônia e decano da ARL, José Dettoni, soltando a voz com o imortal-cantor. Foto: Divulgação

Entre música e conversa, ficou claro que o essencial não estava nas formalidades, mas na fraternidade de estar entre confrades. Houve também espaço para reflexões sérias: Lucchesi, que veio à Amazônia em missão da Biblioteca Nacional em parceria com a Marinha, falou sobre o desafio da leitura na era digital. Para ele, nenhuma mídia é inimiga da outra; o risco está em escolher apenas um caminho.

“Uma leitura lenta, devagar, faz o mundo desacelerar para um mergulho mais profundo, que requer tempo, preparação e espaço”, disse. E concluiu: “É preciso construir uma pedagogia da leitura”.

Assim, entre samba, poesia e pensamento, Marco Lucchesi deixou em Porto Velho não apenas sua voz, mas também a lembrança de que a literatura é encontro — e que, às vezes, se canta.

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Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Polo Industrial de Manaus tem maior faturamento da história: setembro bate recorde com R$ 20,07 bilhões

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O Polo Industrial de Manaus (PIM) registrou em setembro o maior faturamento mensal de 2025 e da história dos Indicadores: R$ 20,07 bilhões. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

O Polo Industrial de Manaus (PIM) registrou em setembro o maior faturamento mensal de 2025 e da história dos Indicadores, alcançando R$ 20,07 bilhões. O resultado, que superou a marca anterior de R$ 19,4 bilhões (registrada em maio), ajudou a impulsionar o faturamento acumulado do PIM, que totalizou R$ 167,94 bilhões nos nove primeiros meses de 2025 – o que indica crescimento de 10,45% em relação a igual período de 2024 (R$ 152,05 bilhões).

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A média mensal de empregos do polo em Manaus em 2025 (janeiro a setembro) é de 131.304, número 7,57% superior à média registrada em igual período de 2024 (122.063), entre trabalhadores empregados, efetivos, temporários e terceirizados.

Segmentos e produtos de destaque em Manaus

Os principais subsetores do PIM em participação no faturamento, até setembro, foram:

  • Bens de Informática (20,9% de participação);
  • Duas Rodas (20,08%);
  • Eletroeletrônico (16,85%);
  • Químico (10,11%);
  • Mecânico (9,02%);
  • Termoplástico (8,79%);
  • e Metalúrgico (7,96%).

Já em termos de crescimento do faturamento na comparação entre janeiro e setembro de 2025 com igual período do ano passado, pode-se destacar, principalmente, o desempenho do Polo de Duas Rodas, com crescimento de 23,16%; Madeireiro, com 38,77%; e Vestuário e Calçados, com 38,37%.

Leia também: Conheça as curiosidades do Polo Industrial de Manaus

Polo Industrial de Manaus
Desempenho do Polo de Duas Rodas em Manaus apresenta crescimento. Foto: Divulgação

Algumas linhas de produção que se destacaram no período de janeiro a setembro deste ano incluíram:

  • motocicletas, motonetas e ciclomotos, com 1.613.527 unidades produzidas e aumento de 16,58%;
  • aparelhos de barbear, com 1.499.015 unidades e aumento de 10,7%;
  • condicionadores de ar do tipo split system, com 4.698.309 unidades e aumento de 10,09%;
  • monitores com tela de LCD, para uso em informática, com 2.626.853 unidades e aumento de 9,63%;
  • tablets, com 1.303.703 unidades e aumento de 4,44%;
  • e bicicletas, inclusive, elétricas, com 306.378 unidades e aumento de 3,28%.

Avaliação

Para o superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, os indicadores demonstram a maturidade do PIM, que consegue sustentar um crescimento robusto com elevados resultados de faturamento e geração de empregos.

“O mais importante é observar o quadro geral: crescemos o faturamento em mais de 10% no acumulado do ano e, fundamentalmente, sustentamos uma média de empregos 7,57% superior à do ano passado, firmemente acima dos 131 mil trabalhadores”, destacou.

Segundo o superintendente, o recorde de R$ 20 bilhões em setembro coroa esse desempenho. “Isso é resultado da confiança do setor produtivo no modelo e da segurança jurídica proporcionada pelo Governo Federal. Estamos no caminho certo para fechar 2025 de forma muito positiva”, reforçou.

*Com informações da Rede Amazônica AM

‘Feira Me Encanta Manaus’ celebrará o Natal com arte, empreendedorismo e magia no Parque Dez

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Foto: Júnior Pain/Sintonnia Artística

A magia do Natal vai tomar conta do CSU do Parque Dez, em Manaus (AM), de 5 a 8 de dezembro, a partir das 15h, com a realização da ‘Feira Me Encanta Manaus‘. O evento promete encantar o público com uma programação diversificada que une empreendedorismo, cultura e lazer familiar. A entrada será gratuita.

Entre os destaques, a chegada do Papai Noel, no dia 6, e as apresentações de corais natalinos prometem emocionar o público. A feira também conta com atrações musicais, área kids e uma seleção de produtos artesanais, doces, pães, papelaria criativa e presentes personalizados. Empreendedores interessados em expor podem entrar em contato pelo telefone (92) 98412-8157.

De acordo com o organizador e CEO da Sintonnia Artística, Arnaldo Neto, o evento é mais do que um espaço de comercialização e lazer, é um momento de celebração e fé.

“Estamos nos preparativos finais para a feira, que simboliza união e esperança. Além de gerar renda e promover o empreendedorismo, queremos celebrar o verdadeiro sentido do Natal: o nascimento de Jesus, que será representado em um presépio e exaltado nas canções dos Corais natalinos que participarão da Feira”, destaca, acrescentando que a programação geral ainda será divulgada.

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'Feira Me Encanta Manaus' celebrará o Natal com arte, empreendedorismo e magia no Parque Dez
Foto: Júnior Pain/Sintonnia Artística

Leia também: Feliz Natal: conheça a história da cidade com origem nas festividades natalinas

Feira itinerante

A ‘Feira Me Encanta Manaus‘ será itinerante, programada também em outras datas festivas, como Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais e Dia das Crianças. A iniciativa busca fortalecer a economia criativa, valorizar pequenos empreendedores e reunir as famílias.

“Me Encanta Manaus é uma expressão de amor à cidade. Representa o talento e a força de quem transforma criatividade em oportunidade. Lembrando que a Feira foi idealizada pela empresária Liliane Morato durante muitos anos e agora está sob nossa direção”, reforça Arnaldo Neto.

Foto: Júnior Pain/Sintonnia Artística

Barqueata reúne movimentos sociais em Belém durante a COP30

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Barqueata teve a presença de indígenas, quilombolas e feministas que reivindicam direitos e justiça climática. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Povos Kayapo, Munduruku, Kayapó Panará, Borari, Tupinambá, Xipaya, Arapiun, quilombolas, sem terra, sem teto, sem direitos, periféricos, agricultores, pescadores, extrativistas, ribeirinhos. Os povos. Aqueles que não ocupam lugares de destaque e espaços de decisão na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) saíram unidos nesta quarta-feira (12), em uma barqueata pelas águas da Baía do Guajará, em Belém (PA).

A manifestação marca o início da Cúpula dos Povos, evento que acontece na sede da Universidade Federal do Pará (UFPA), entre os dias 12 e 16 de novembro, em paralelo à COP30. O ato também conclui a Caravana da Resposta, que saiu de Sinop, no Mato Grosso, em 8 de novembro, e chegou a Belém, no último dia 10.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é a Cúpula dos Povos?

No trajeto pelas terras e rios do país, os diferentes povos percorreram o chamado “corredor da soja” e denunciaram os impactos do agronegócio e das grandes obras de infraestrutura, como a Ferrogrão e as hidrovias do Arco Norte, sobre territórios e vidas tradicionais.

Os povos se encontraram para reunir vozes, demandas e forças. Em comum, trazem o lema “a resposta somos nós”. Uma reivindicação por escuta, respeito e soberania popular.

“Os povos indígenas estão lutando desde o início. Temos que ser respeitados, valorizados, conforme a nossa cultura. Então, a resposta somos nós”, disse o líder indígena Bepmoroi Metuktire, de Mato Grosso, membro da articulação do Instituto Raoni.

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Barqueata reúne movimentos sociais em Belém durante a COP30
 Barqueata da Cúpula dos Povos é liderada pela “Caravana da Resposta”. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

“Durante a Caravana, tivemos essa conexão e união com outros parentes nossos que estão enfrentando vários tipos de ameaças dentro dos territórios deles. E são ameaças iguais às que nós enfrentamos também. Então, precisamos juntar forças para lutar e defender nossos territórios”, complementou.

A manifestação reuniu mais de 200 embarcações, com cerca de 5 mil pessoas, segundo os organizadores. Dentro da barca principal, que reuniu movimentos sociais e jornalistas, povos tradicionais se apresentaram com músicas, poesias e compartilharam as principais bandeiras de luta. Entre um balanço e outro do rio, as vozes foram ganhando mais volume.

Leia também: ‘COP30 da Bicharada’: conheça a manifestação cultural paraense que marcou presença na conferência mundial

Quilombolas

Da comunidade kilombola (grafia com K, conforme uso local) Morada da Paz, território de Mãe Preta, no Rio Grande do Sul, veio Kahamy Ãdetta, que exerce a função religiosa Íyá Ekedi na Nação Muzunguê.

Ela lista uma quantidade grande de ameaças que os quilombolas enfrentam por conta de um pretenso desenvolvimento econômico liderado por empresários e políticos.

“Exigimos o direito à consulta prévia, livre, informada e de boa fé para todas as comunidades tradicionais, para todos os territórios indígenas ameaçados e já atingidos por empreendimentos de infraestrutura, pela mineração e empreendimentos imobiliários, assim como ampliação de estradas, que desrespeitam a soberania dos povos, a soberania da terra, soberania da água”, disse.

Barqueata foi realizada na Baía do Guajará, em Belém. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Kahamy destaca como os quilombolas e comunidades periféricas são especialmente atingidas pelas mudanças climáticas, provocadas pelas emissões de gases do efeito estufa.

“Só reconhecemos a possibilidade da vida, se a água, se a terra, se o ar são puros. E se temos o direito de ser e de viver como queremos. Lá na Figueira Negra, no Rio Grande do Sul, por exemplo, nós estamos em uma área que está sendo ameaçada pela ampliação de uma rodovia federal. E nós estamos cercados pelo plantio de monocultura de acácia e de eucalipto”, disse a líder quilombola.

“Como nós somos uma das únicas áreas de mata nativa e com água pura, todos os animais vêm para o nosso território. Então, em períodos de plantio extenso e de pulverização de agrotóxico, o ar que gente respira e que os animais respiram fica contaminado. Muitos morrem”.

Pescadores e ribeirinhos

Do município de Prainha, no Pará, veio Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP). Rosângela Santos Vieira, coordenadora do movimento e multiplicadora de mulheres, explica que o principal objetivo do grupo é discutir os impactos da crise climática que afetam a atividade com os peixes.

Rosângela conta que lida com um câncer de pele desde 2005 e não pode mais pescar por causa da exposição ao sol. Desde então, ela tem se engajado mais no movimento de pescadores. E destaca como a crise climática tem afetado a saúde de todos.

“Nós, pescadores, estamos vivendo uma crise com a escassez dos peixes por causa da seca e da invasão dos madeireiros em nossos territórios. Os madeireiros têm invadido nossas áreas, desmatando as nascentes e causando secas nos rios, o que mata os peixes e prejudica nossa sobrevivência. Essa situação afetou principalmente o acari, peixe que sempre foi a base da nossa pesca e do nosso sustento”, disse Rosângela.

“A maior parte do povo pescador pescava o acari. Hoje, para sobreviver, estamos pescando camarão, que não era a nossa atividade. Com o nosso movimento, estamos conseguindo envolver mais pessoas no MPP, para que possamos lutar por uma alimentação saudável e rios sem poluição”, complementou.

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Ato é pela Amazônia e pela justiça climática, realizado durante a COP 30. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Mulheres agricultoras

De Santarém, no Pará, vieram representantes do Coletivo Muvuca, a Associação de Mulheres da Agroecologia do Tapajós. Elas lutam por uma agricultura ancestral e sem veneno. Há, no movimento, gestoras ambientais, agrônomas e técnicas do meio ambiente.

Ana Karina Barbosa coordena o movimento e presta serviços relacionados à formação sobre ancestralidade, resgate dos saberes dos povos na agricultura e na produção de alimentação saudável. Ela denuncia o avanço da monocultura na região de Santarém, o que prejudica as populações tradicionais ao redor.

“Onde vivemos se tornou um polo especialmente da soja. Isso devastou várias comunidades e expulsou famílias inteiras de seus territórios, além de afetar a saúde dos comunitários e de todos que vivem na região”.

“Quem leva esse modelo de produção para lá não tem relação com o território, não participa da vida comunitária e, por isso, não sente os impactos diretos. Mas quem sofre são justamente os verdadeiros donos da terra”.

“A expansão da soja aconteceu de forma tão intensa que causou impactos sociais e culturais profundos. Muitas populações perderam suas referências culturais e modos de vida, sendo forçadas a migrar para as cidades ou para outros lugares que não são seus territórios de origem”.

Movimentos feministas

Da região dos Pampas, no Rio Grande do Sul, vieram representantes de três organizações que conectam lutas feministas e ambientais: Amigas da Terra Brasil, Marcha Mundial das Mulheres e Periferia Feministas.

Anne Moraes, socióloga, é uma das líderes dessa aliança, que surgiu durante a pandemia da covid-19. Ela vê a COP30 como uma oportunidade especial de compartilhar com outros movimentos sociais as dificuldades e soluções vindas dos territórios que ocupam.

“Os movimentos que represento lutam por justiça climática, soberania alimentar e uma transição justa. Nosso trabalho inclui hortas comunitárias e cozinhas solidárias nas periferias, conectando o cuidado com as pessoas e com o meio ambiente”, disse Anne.

“Sofremos muito com as enchentes no Rio Grande do Sul. A ação dos movimentos sociais foi fundamental para acolher a população, porque os governos não apresentaram planos de mitigação ou proteção naquele momento. Conectar o debate sobre emergência climática com uma perspectiva feminista e popular é essencial, pois as mulheres estão na linha de frente tanto das crises quanto das soluções”, complementou.

*Com informações da Agência Brasil

Por que Belém? Entenda como a capital paraense se tornou sede da COP30

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Foto: Ricardo Stuckert/PR

Belém (PA) recebe a 30ª Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (COP30) entre os dias 10 e 21 de novembro este ano. Muito tem se falado sobre a estrutura, quais são as discussões em foco, objetivos, etc, mas você lembra por que Belém foi escolhida como sede desta edição do maior evento que debate as questões climáticas?

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A “campanha” que tornaria a capital paraense sede da COP30 começou em 2022, ainda na COP27, realizada em em novembro daquele ano em Sharm El Sheikh, no Egito. 

À época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um pedido à ONU: uma vez que a Amazônia era um dos focos de discussão sobre preservação para um futuro melhor, o presidente brasileiro alegou que os que defendem a pauta climática deveriam a conhecer de perto, instigando a reflexão das lideranças globais.

“Uma coisa é discutir a Amazônia no Egito; outra coisa é discutir a Amazônia em Berlim; outra coisa é discutir a Amazônia em Paris. Agora, não. Agora nós vamos discutir a importância da Amazônia dentro da Amazônia. Nós vamos discutir a questão indígenas, vendo os indígenas. Nós vamos discutir a questão dos povos ribeirinhos, vendo os povos ribeirinhos e vendo como eles vivem”, afirmou o presidente.

Belém, sede da COP30

Com o primeiro passo dado, em janeiro de 2023, o governo, por meio do Itamaraty, formalizou o pedido à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), tornando Belém oficialmente candidata a receber uma edição da COP.

Belém é candidata a sediar COP30, em 2025.
Foto: Ricardo Stuckert/PR

Mas para que Belém se tornasse, oficialmente, a primeira cidade na Amazônia a sediar a Conferência, os países latino-americanos precisavam apoiar unanimemente a candidatura da cidade brasileira, uma exigência da ONU para oficializar a indicação. Feito que foi alcançado.

E, ainda em 2023, no mês de maio, veio a primeira carta de aceitação, assinada pela ONU:

Foto: Reprodução/Agência Pará

A confirmação oficial foi feita durante a COP28, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, também em 2023, tornando Belém a cidade amazônica pioneira da região como anfitriã de uma edição da Conferência.

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COP30

A COP30 é a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (Conferência das Partes), um encontro global anual onde líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil discutem ações para combater as mudanças do clima.

De acordo com o governo brasileiro, “a COP30 representa uma oportunidade histórica para o Brasil reafirmar seu papel de liderança nas negociações sobre mudanças climáticas e sustentabilidade global. O evento permitirá ao país demonstrar seus esforços em áreas como energias renováveis, biocombustíveis e agricultura de baixo carbono, além de reforçar sua atuação histórica em processos multilaterais, como na Eco-92 e na Rio+20”.

Os principais temas em discussão nesta edição incluem:

  • Redução de emissões de gases de efeito estufa;
  • Adaptação às mudanças climáticas;
  • Financiamento climático para países em desenvolvimento;
  • Tecnologias de energia renovável e soluções de baixo carbono;
  • Preservação de florestas e biodiversidade;
  • Justiça climática e os impactos sociais das mudanças climáticas.

Transformação

Após a aprovação e confirmação, Belém precisou ser transformada para receber, de fato, a Conferências. Além da ter apenas metade dos 50 mil leitos necessários para receber os visitantes, outros problemas precisaram de atenção. Assim, a cidade foi sendo adaptada para se tornar anfitriã.

Entre as dificuldades de hospedagem, o choque cultural e divergências, Belém cumpre seu papel de cidade sede até o dia 21 de novembro, quando se espera ter novas metas globais para a Amazônia construídas com a ajuda dos povos originários e comunidades locais.

O que é a COP?

COP é uma conferência global, realizada desde 1995, com representantes de centenas de países que ocorre todos os anos e que tem como principal objetivo conter as consequências da crise climática causada pela humanidade.

Na cúpula, entre outros temas, os países participantes revisam seus compromissos de manter o aquecimento global bem abaixo de 2°C acima dos níveis pré-industriais, buscam esforços globais para limitá-lo a 1,5°C e discutem como ajudar nações vulneráveis às mudanças climáticas.

Amapá tem o menor índice de desmatamento entre estados da Amazônia Legal, diz INPE

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Área desmatada no Amapá em 2020. Foto: Reprodução/Arquivo/Polícia Civil

Amapá registrou uma queda de 48,15% no desmatamento entre agosto de 2024 e julho de 2025, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O estado teve a segunda maior redução percentual da Amazônia Legal, atrás apenas do Tocantins, que liderou com 62,5%.

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As informações são do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes). O levantamento aponta uma redução de 11,8% na taxa de desmatamento da Amazônia em 2025, em comparação com o ano anterior.

Segundo o Prodes, a área desmatada na Amazônia foi estimada em 5.796 km² — o menor índice registrado nos últimos 11 anos.

Entre agosto de 2024 e julho de 2025, os dados do INPE mostram que vários estados da Amazônia Legal registraram quedas expressivas no desmatamento. Tocantins liderou em redução percentual, seguido por Amapá, Roraima e Rondônia.

“Amapá mostra que é possível”

“O Amapá mostra que é possível conciliar desenvolvimento com conservação. É um exemplo para o país”, afirmou a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

Ranking de estados com maior queda de desmatamento

PosiçãoEstadoRedução (%)
Tocantins62,5%
Amapá48,15%
Roraima37,39%
Rondônia33,61%
Acre27,62%
Maranhão26,06%
Amazonas16,93%
Pará12,4%

Fonte: INPE

O resultado é atribuído a ações conjuntas entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), forças de segurança e outros parceiros. As operações priorizaram a proteção de florestas intactas e terras indígenas.

Segundo o ICMbio, no Amapá, a área desmatada caiu de cerca de 2.500 para 1.300 campos de futebol entre 2024 e 2025. A maior parte dessa redução ocorreu dentro de áreas protegidas, como parques, reservas biológicas, estações ecológicas e reservas extrativistas.

Leia também: Mais de 90% do desmatamento da Amazônia é para abertura de pastagem, informa MapBiomas

Desmatamento zero

A analista ambiental do ICMBio, Érica Martins, destacou que o Brasil tem chances reais de atingir a meta de desmatamento zero até 2030 se mantiver o ritmo atual de fiscalização e políticas de incentivo

“O país teve uma tendência de queda entre 2014 e 2018, mas entre 2018 e 2022 os números explodiram. Agora, voltamos a uma redução drástica. Só nas áreas protegidas, a queda acumulada desde 2022 é de cerca de 72%”, afirmou.

Floresta Nacional do Amapá. Foto: Rafael Aleixo/Rede Amazônica AP
Floresta Nacional do Amapá. Foto: Rafael Aleixo/Rede Amazônica AP

Segundo Érica, a combinação de fiscalização rigorosa com apoio à agricultura familiar e à sociobiodiversidade pode garantir o cumprimento da meta.

Além disso, o Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), também do INPE, fornece alertas em tempo real.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Estados da Amazônia Legal apresentam projetos na COP30; confira algumas propostas

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Foto: Ricardo Stuckert/PR

Os estados que compõem a Amazônia Legal estão reunindo esforços para levar à COP30 uma série de projetos voltados à conservação ambiental, à bioeconomia e à governança territorial. A conferência, marcada para ocorrer em Belém, no Pará, até o dia 21, assume protagonismo na agenda climática global.

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Diferentes iniciativas regionais visam mostrar como a floresta amazônica pode contribuir para os objetivos globais de mitigação e adaptação às mudanças do clima.

Esses projetos fazem parte de um esforço de articulação entre governos estaduais, sociedade civil e instituições de pesquisa, com foco em soluções de base territorial.

As propostas estão programadas para serem apresentadas formalmente no decorrer da COP30, no âmbito da chamada “Action Agenda” (Agenda de Ação) do Brasil, com vistas à captação de financiamento internacional e reconhecimento global.

Estratégia articulada dos estados amazônicos

O Consórcio Interestadual da Amazônia Legal lançou sua estratégia unificada para a COP30, definindo eixos prioritários como uso da terra, sistemas alimentares, mineração sustentável, adaptação climática, financiamento verde, transição energética, conservação ambiental e justiça climática.

Os estados participantes — Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins — assumem que a floresta amazônica cumpre uma função ecológica global essencial, mas também pode se tornar um vetor de desenvolvimento local sustentável.

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A mobilização inclui fóruns de participação social em cada estado, além da integração com órgãos federais e municipais, para sistematizar contribuições de comunidades tradicionais, indígenas e setor privado.

Entre os instrumentos preparados está um documento de prioridades, que busca traduzir as demandas regionais em compromissos concretos a serem discutidos na COP 30, destacando as particularidades e potencialidades de cada território amazônico.

Projetos de uso da terra e regularização fundiária

Um dos principais projetos que estará no centro da agenda amazônica é o programa Caminhos Verdes, voltado à regularização fundiária na Amazônia Legal. O investimento previsto é de aproximadamente R$ 146 milhões, destinado à titulação de cerca de 13 mil famílias.

Outra iniciativa de destaque envolve a recuperação de áreas degradadas e a criação de florestas produtivas em assentamentos de reforma agrária. Estima-se que 80 assentamentos estejam envolvidos, beneficiando 6 mil famílias e promovendo a restauração de mais de 4 mil hectares.

Essas ações buscam compatibilizar a produção econômica com a conservação da floresta, fortalecendo atividades sustentáveis e diminuindo a pressão sobre áreas de desmatamento.

Na COP30, os estados pretendem apresentar esses projetos como exemplos de políticas públicas que conciliam desenvolvimento rural, regularização territorial e combate ao desmatamento ilegal.

Carbono, bioeconomia e mercados sustentáveis

Outro foco importante das apresentações é o desenvolvimento de projetos de carbono e bioeconomia. Nos estados do Acre e Rondônia, técnicos estão estruturando um guia de boas práticas para orientar a criação de projetos de carbono com transparência e qualidade, voltados ao mercado internacional.

Além disso, o Fundo de Bioeconomia da Amazônia, operado em parceria com organismos multilaterais, deve ser um dos destaques na COP30. Esse fundo busca canalizar investimentos privados para cadeias de valor sustentáveis, apoiando produtos da sociobiodiversidade e cadeias extrativistas.

Os projetos também visam valorizar o conhecimento tradicional das populações indígenas e ribeirinhas, integrando saberes locais com ciência e tecnologia. A expectativa é que as propostas contribuam para gerar emprego e renda sem comprometer os ecossistemas amazônicos.

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Ciência, adaptação e monitoramento climático

A região amazônica também será palco de apresentações científicas sobre projetos de monitoramento climático e adaptação. Um dos exemplos é o AmazonFACE, instalado nas proximidades de Manaus (AM), que simula as condições atmosféricas futuras da floresta para compreender como o ecossistema responderá ao aumento da concentração de gás carbônico.

Além da pesquisa científica, ações ligadas à adaptação, governança territorial e fortalecimento comunitário fazem parte da agenda amazônica. Essas iniciativas incluem programas de capacitação para comunidades locais, incentivo à agricultura de baixo impacto e sistemas de alerta contra eventos climáticos extremos.

Na COP30, os estados pretendem demonstrar que a Amazônia é também um espaço de inovação e aprendizado climático, oferecendo dados e experiências práticas para o enfrentamento das mudanças do clima.

Os resultados científicos desses programas darão suporte técnico aos projetos que serão apresentados, fortalecendo a posição da Amazônia Legal nas negociações internacionais.

COP30 EM BELÉM
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Expectativas para a COP30

Os estados da Amazônia Legal chegam à COP30 com três grandes objetivos:

  • ampliar a visibilidade internacional das suas iniciativas,
  • captar recursos para financiar projetos sustentáveis
  • e integrar suas ações à agenda global de conservação e adaptação climática.

A “Action Agenda” brasileira para a COP30 destaca eixos como transição energética, florestas, biodiversidade, agricultura sustentável e sistemas alimentares. Os projetos da Amazônia Legal serão apresentados dentro desses eixos, reforçando o papel da região como protagonista das soluções climáticas.

Além da captação de recursos, os governos estaduais esperam firmar parcerias internacionais com agências multilaterais e investidores privados, para garantir a continuidade das ações.

Com isso, a Amazônia Legal se prepara para ocupar um papel central na COP 30, apresentando uma carteira de projetos que une governança ambiental, inovação científica e economia sustentável, contribuindo diretamente para as metas climáticas globais.

Bioinstrumentos da Amazônia: conheça 12 instrumentos criados com insumos amazônicos

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60 bioinstrumentos já foram catalogados. Foto: Reprodução/Site oficial Grupo Imbaúba

O músico, cantor, escritor e poeta amazonense Celdo Braga é um multiartista reconhecido por sua contribuição cultural na Amazônia levando a arte regional para o mundo. E muito mais que isso: Celdo contribui também com a criação de bioinstrumentos, instrumentos musicais produzidos com material amazônico e inspirados na floresta e a musicalidade da mesma.

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Ele reuniu as criações no livro ‘Bioinstrumentos amazônicos’, em conjunto com outros músicos da região, totalizando 60 bioinstrumentos originais e adaptados.

O trabalho une a literatura- no livro que explica a trajetória do poeta e a criação dos bioinstrumentos – com a tecnologia – usando QR Codes que levam o leitor direto para o canal no Youtube onde é possível ouvir cada instrumento.

Bioinstrumentos da Amazônia: Celdo Braga
Celdo Braga. Foto: Reprodução/Site oficial Grupo Imbaúba

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Elementos como a cuia, usualmente vista apenas como um utensílio diário, conforme pontua o autor na obra, são transformados em ferramentas musicais após pesquisas relacionadas à sonoridade e aperfeiçoamento dos sons. Celdo inclusive participa da iniciativa que leva a arte amazônica para a COP30, em Belém.

No total, são 60 bioinstrumentos catalogados, mas confira aqui 12 dos bioinstrumentos amazônicos:

Canção de fogo

Cuia com varetas de churrasco, fixadas no tampo de meia cuia, atadas em barbante.

Autor: Celdo Braga.

Buzina de barco

Lâmina de látex para ser soprada num ângulo especial sobre a borda da cuia.

Autor: Celdo Braga.

Chuva de cuia

Meia cuia xom tampo de papel e, na parte interna, um mecanismo de talas e missangas.

Autor: Celdo Braga.

Iaçá

Três espetos de churrasco com caroços de manga nas extremidades, fincados em rolhas de cortiça sobre meia cuia.

Autor: Celdo Braga.

Saporeca

Cuia inteira com quatro ou cinco aberturas circulares com diâmetros diferentes ao longo da cuia, para ser tocada em um balão inflado internamente. Ao seco, imita o canto do papagaio, da curica; molhado, imita os vários coaxares de sapos e pererecas.

Autor: Celdo Braga.

Tricó

Três cuias ao meio fixas num cabo de vassoura, com buracos no fundo empapelados, servindo como pele de vibração.

Autor: Celdo Braga.

Cigarra

Pedaço de palmeira jupati escavado, com abertura lateral e as extremidades cobertas por papel madeira. O mecanismo sonoro acontece a partir da fricção de um cordão de tucum girando em um pedaço de madeira roliça.

Autor: João Paulo.

Tucuaci

Caroços de tucumã cravados no interior da estipe de açaizeiro.

Autor: João Paulo.

Macaco-prego

Confeccionado com sementes de cumaru, dispostas em duas varetas metálicas, fixadas sobre uma base de madeira, com suporte de cuia que potencializa sua projeção acústica.

Autor: Eduardo Mendes Gomes.

Tambor d’água

Instrumento de origem africana, adaptado pelo Grupo Gaponga para ser tocado com duas bandas de cuia, cujas bordas são revestidas com emborrachados para garantir a flutuação na água. É montado no interior de uma capemba (curuatá) de palmeira inajá, apoiada sobre uma banqueta de madeira.

Autor: adaptado pelo Grupo Gaponga.

Trivo

Instrumento de três cordas, afinado na escala natural. Suas cordas são ‘dó’, ‘sol’ e ‘mi’ (da grave à aguda). O seu corpo e braço são feitos de madeira e as suas tarrachas são de metal. Suas cordas são de náilon, porém possui uma variante em cordas duplas de aço, chamado trivo duplo. O desenho de seu corpo é em forma de remo, o que representa a cultura da Amazônia.

Autor: produzido por Bero Vidal.

Pata de onça

Produzido com um mecanismo em molas e sementes de cumaru fixadas em uma estrutura de madeira, que sugere o formato da pata da onça-pintada.

Autor: Eduardo Mendes Gomes.

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Música da Amazônia: bioinstrumentos são usados para defender floresta na COP30

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Celdo Braga participa da expedição levando declamações, apresentações e também os chamados bioinstrumentos. Foto: Patrick Marques/Rede Amazônica AM

A arte e a música se tornaram uma das principais formas de expressão da Amazônia na COP30, mostrando a riqueza cultural e a importância da preservação da floresta. Poesia, canções e ilustrações conectaram histórias, identidades e vozes da região à discussão global sobre mudanças climáticas e proteção ambiental.

Entre os artistas que deram voz e forma à Amazônia estiveram o poeta e músico Celdo Braga, o acordeonista Éder do Acordeon e o cartunista Rogério Mascarenhas, o Romas, que marcaram a participação da região com poesia, música e desenho.

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Poesia e bioinstrumentos que reverberam a floresta

Com 43 anos dedicados à poesia, à música e à valorização da identidade amazônida, Celdo Braga participou levando declamações, performances musicais e os bioinstrumentos, criados a partir de sementes, cascas e materiais naturais da floresta.

“Eu estava bastante à vontade, porque venho, há muitos anos, desenvolvendo um trabalho voltado para que a natureza seja preservada e a vida seja respeitada. Então, em um evento como este, meu trabalho encontrou ressonância”, afirmou.

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O projeto de bioinstrumentos já contava com 60 instrumentos catalogados, feitos com frutos e fibras amazônicas, como caroço de tucumã e casca de cupuaçu, e integrou a plataforma internacional The Amazonic, considerada a primeira biblioteca de sons amazônicos do mundo.

“O projeto tinha oito anos e já havia frutificado em muitos lugares. No final de novembro, lancei um livro reunindo esses 60 instrumentos, como referência simbólica para o estado e para a narrativa de que a floresta vive, soa e respira”, explicou Celdo.

Amazônia: bioinstrumentos
Celdo explica que o projeto dos bioinstrumentos já conta com 60 instrumentos catalogados, todos feitos a partir de frutos e fibras amazônicas, como caroço de tucumã e casca de cupuaçu. Foto: Patrick Marques/Rede Amazônica AM

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Música que chama a Amazônia pelo nome

Natural do Juruá, Éder do Acordeon usou a música para chamar atenção para a preservação, com apresentações que envolveram o público e transformaram perguntas em refrão:

  • “Vocês vão sujar a água? Vocês vão fazer queimada?”
  • “Eu não!” — respondeu a delegação.
  • “Se você fizer queimada, vai aumentar a poluição”, disse o músico iniciando a canção.

“Cantei pela Amazônia, mas também para o mundo inteiro. O que acontece aqui muda o clima do planeta. A música ajudou a tocar o coração de quem ainda não entendeu isso”, finalizou.

*Por Patrick Marques, da Rede Amazônica AM