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Projeto digitaliza peças raras do Museu do Marajó para preservação do acervo

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Gerson Ribeiro, especialista em escaneamento 3D da PUC-Rio, digitaliza peças raras do Museu do Marajó. Foto: Divulgação/PUC-Rio

A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) vem desenvolvendo nos últimos anos uma série de projetos na Amazônia, entre eles a digitalização das peças do Museu do Marajó. As ações fazem parte do projeto ‘Amazonizar’, metraprojeto da PUC-Rio, que engloba algumas ações da universidade voltadas para o meio ambiente.

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Em suas pesquisas, o professor Jorge Lopes, responsável pelo Biodesign Lab da PUC-Rio, teve acesso à história do padre Giovanni Gallo, um jesuíta italiano que viveu no Brasil e contribuiu para a cultura marajoara ao resgatar peças e fundar o Museu do Marajó.

O projeto

Museu do Marajó: digitalização das peças preservam acervo
Gerson Ribeiro, especialista em escaneamento 3D da PUC-Rio, digitaliza peças raras do Museu do Marajó – Divulgação PUC-Rio

O projeto de digitalização do acervo do Museu, sob a coordenação do professor, resultou no escaneamento de 47 vasos e urnas, além de aulas de tecnologia para a comunidade local. Houve a reconstrução de urnas em 3D e a criação de experiências em realidade aumentada para o público, incluindo a reprodução em mármore do busto do Padre Gallo, que foi doado ao museu.

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O professor destacou a importância da digitalização para a preservação do acervo. “No Museu Nacional, por exemplo, os arquivos 3D permitiram a reimpressão de esqueletos de múmias após o incêndio, inclusive utilizando as cinzas das próprias peças”, explicou Lopes, que também participou de projeto vinculado ao restauro das obras do Museu Nacional.

A próxima etapa dará continuidade à oferta de oficinas em Cachoeira do Arari (município na Ilha do Marajó), visando à troca de conhecimentos em tecnologias, e cursos de formação continuada em empreendedorismo para mulheres e em novas tecnologias para jovens.

Segundo a professora Jackeline Farbiarz, Vice-reitora de Extensão e Estratégia Pedagógica da PUC-Rio, após a morte do padre Galo, as mulheres que trabalhavam no museu perderam suas fontes de renda e agora buscam recuperar sua independência através de um projeto que valoriza suas habilidades.

COP 30

A realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30) tem sido uma oportunidade para a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) compartilhar uma série de projetos que vem desenvolvendo na Amazônia

“Esses projetos abordam questões de preservação cultural e empoderamento feminino, alinhando-se aos objetivos da COP 30. A continuidade do aprendizado dos jovens é um foco importante, pois permite que eles se tornem solucionadores de problemas em suas comunidades. Não se trata de impor conhecimento acadêmico, mas de fomentar a troca mútua de experiências, valorizando a realidade local e compreendendo que questões sociais, como pobreza e desigualdade, refletem problemáticas globais”, explicou.

Cerâmica marajoara. Foto: Divulgação

Idealizado pelo Reitor da Universidade, Padre Anderson Antonio Pedroso, S.J., o ‘Amazonizar’ é inspirado na encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, que adota a perspectiva da ecologia integral, ao considerar que aquilo que se faz hoje é resultado da preservação do passado e definirá o futuro.

“O Amazonizar é uma forma concreta de colocarmos a universidade a serviço da sociedade. A experiência transforma a vida dos nossos alunos e professores ao mesmo tempo em que fortalece as comunidades locais. É um exercício de troca, de escuta e de construção conjunta de soluções, que representa de maneira exemplar o espírito da PUC-Rio”, afirma o reitor.

Implantação do Parque Estadual das Árvores Gigantes da Amazônia entra em nova fase

Foto: Divulgação/FAS

Entre os dias 26 de setembro e 9 de outubro, a primeira missão da nova fase do Projeto ‘Árvores Gigantes para uma Nova Era – Fase II’ marcou o início do ciclo de implantação do Parque Estadual das Árvores Gigantes da Amazônia. A expedição técnica teve múltiplos objetivos, com maior ênfase para  a implantação da infraestrutura e da base operacional do Parque, com levantamentos de informações sobre o ambiente, logística e socioeconomia local que subsidiarão o planejamento operacional das demais atividades de gestão e uso público da unidade de conservação.

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A ação representa a primeira etapa de campo da fase de implantação do Parque e reuniu equipes da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), da Vonát Consultoria e Treinamentos e da Cooperativa de Ecoturismo do Vale do Jari (Coopetu Jari), com o apoio do Andes Amazon Fund (AAF).

O grupo percorreu estradas de terra, rios, trilhas e comunidades para adentrar ao Parque, localizado no Pará,  para definir a área  de instalação da base operacional do Parque, que contará com recepção, alojamentos, cozinha, escritório, trapiche e sistemas de energia fotovoltaica de captação de água, além de áreas de apoio logístico.

A jornada envolveu uma complexa logística fluvial e terrestre, totalizando mais de 200 quilômetros de deslocamento até o interior do Parque, passando por corredeiras, cachoeiras e áreas de difícil acesso. O reconhecimento do território permitiu identificar rotas seguras, pontos de risco e áreas de grande beleza cênica, reforçando o potencial do Parque para o ecoturismo, turismo de aventura e observação da natureza, com foco na geração de renda local e no fortalecimento de práticas sustentáveis.

Durante a expedição, foram realizadas avaliações das condições ambientais e climáticas da região, mapeamento de trilhas, áreas sensíveis e potenciais atrativos turísticos. A equipe também identificou árvores vivas e caídas que poderão ser aproveitadas de forma sustentável na construção da infraestrutura.

As atividades incluíram uma oficina e visitas técnicas nas comunidades de São Francisco do Iratapuru, Cachoeira Santo Antônio, São José e Padaria, voltadas à sensibilização e capacitação de operadores de turismo e condutores locais em temas como Competências Mínimas para Condutores e Gestão de Riscos. Questionários socioeconômicos preliminarmente aplicados junto às lideranças subsidiarão as atividades de formação do Conselho Gestor e a elaboração do Plano de Gestão do Parque, que abordará uma metodologia participativa com as comunidades locais.

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O presidente do Ideflor-Bio, Nilson Pinto, ressalta que o Parque Estadual das Árvores Gigantes da Amazônia simboliza o compromisso do Governo do Pará com uma política ambiental moderna, que alia ciência, conservação e desenvolvimento sustentável.

“Esta nova fase de implantação representa muito mais do que a construção de uma base operacional — é o início de uma jornada para transformar um patrimônio natural único em um espaço de conhecimento, turismo responsável e geração de oportunidades para as comunidades locais. O Ideflor-Bio, em parceria com instituições que compartilham dessa visão, reafirma seu papel de guardião das florestas e promotor de um modelo de gestão que valoriza a Amazônia e o povo que nela vive”, frisou.

Para Juliane Menezes, coordenadora de Projetos do Programa de Políticas Públicas, Clima e Conservação da FAS, a missão representa um marco operacional na consolidação do Parque.

“A primeira fase do projeto foi dedicada à descoberta e à criação do Parque. Agora, iniciamos uma etapa de execução, com foco na implantação de infraestrutura e no fortalecimento do protagonismo comunitário. Essa missão foi fundamental para planejar as atividades de forma integrada às partes interessadas, conciliando conservação ambiental, pesquisa científica e geração de oportunidades para as populações locais”, destacou.

árvores gigantes são encontradas no amapá
Árvore gigante na Amazônia. Foto: Rafael Aleixo/GEA

O gerente da Região Administrativa de Belém do Ideflor-Bio e presidente da Rede Brasileira de Trilhas, Júlio Meyer, esteve na expedição e afirmou que o lugar é um santuário e deve ser tratado como tal.

“Parque é uma categoria de unidade de conservação que tem como um de seus propósitos a visitação. Estamos estudando a forma mais segura e com experiências mais imersivas para que as pessoas conheçam o santuário de árvores gigantes que existe dentro do parque, além de uma riquíssima natureza e cultura em todo o seu território. São comunidades tradicionais, biodiversidade abundante em uma paisagem selvagem  que possibilita que tenhamos um produto turístico de competitividade internacional. A estruturação de uma base vai contribuir com a proteção do local, além de ser fundamental para o desenvolvimento de pesquisas e para o turismo de natureza”, enfatizou.

Com o encerramento da missão, os próximos passos incluem a contratação de empresas especializadas para a construção da infraestrutura operacional e o manejo de trilhas, além da continuidade das capacitações e mentorias com operadores de turismo locais.

Também estão previstas novas visitas ao território para apoiar a formação do Conselho Gestor e a realização de oficinas participativas para a co-criação do Plano de Gestão, que definirá as diretrizes de gestão, conservação e uso público do Parque.

Árvores Gigantes para uma nova era

O Parque Estadual Ambiental das Árvores Gigantes da Amazônia, criado em setembro de 2024 no município de Almeirim (PA), protege cerca de 560 mil hectares de floresta e abriga algumas das maiores árvores já registradas no Brasil.

Entre elas, está o angelim-vermelho (Dinizia excelsa Ducke), com 88,5 metros de altura, aproximadamente 400 anos de idade e reconhecido como a maior árvore da América Latina. Expedições científicas identificaram ainda dezenas de outras árvores gigantes, consolidando a região como um patrimônio ecológico único.

Leia também: Maior que o cristo redentor: conheça o Angelim Vermelho, a árvore mais alta da Amazônia

O Projeto Árvores Gigantes para uma Nova Era – Fase II busca consolidar o Parque com infraestrutura, Plano de Gestão, pesquisa e turismo sustentável. A iniciativa de conservação é liderada pelo Governo do Estado do Pará, por meio do Ideflor-Bio, em parceria com a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e com financiamento do Andes Amazon Fund (AAF).

*Com informações da FAS

Fundo para florestas tropicais atinge aporte de US$ 5,5 bilhões

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou oficialmente o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), durante a Cúpula do Clima, em Belém (PA), na tarde desta quinta-feira (6), com investimento inicial feitos por governos nacionais.

Leia também: MMA explica como funcionará o Fundo Florestas Tropicais para Sempre

Mais três países se juntaram ao Brasil com investimentos: Noruega, Indonésia e França, que anunciaram respectivamente US$ 3 bilhões, US$ 1 bilhão e US$ 500 milhões em investimentos no novo mecanismo de financiamento climático. Com o aporte de US$ 1 bilhão anunciado pelo governo brasileiro, o fundo já conta com US$ 5,5 bilhões.

Segundo  o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a nova ferramenta financeira inova por combinar recursos públicos e privados na forma de investimento, e não de doação.

“Há aporte de capital de investidores, que vão ser remunerados por uma taxa básica. Esses recursos vão ser emprestados e financiar projetos definidos pelo seu comitê. E a diferença da taxa de juros, o spread do que é pago para o investidor e o que é cobrado [de juros] do tomador [do empréstimo], vai servir de lastro para financiar o pagamento desses serviços ambientais”, explicou Haddad.

De acordo com o ministro, além de trazer uma estrutura que vai assegurar um sistema sustentável financeiro, há regras que também garantem a continuidade das florestas em pé, com penalidades aos países que descumprirem o requisito mínimo de participação no pagamento pelos serviços ambientais.

Além disso, a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, lembrou que 20% do pagamento desses serviços que garantem a floresta em pé serão destinados aos povos indígenas e comunidades locais. “Os povos indígenas tiveram uma participação ativa na construção desse mecanismo”, destaca.

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A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, comemorou o avanço do mecanismo financeiro em tão pouco tempo. “Estou muito feliz de ver chefes de Estado do mundo todo dizendo que essa é a COP da implementação, porque isso aqui [o TFFF] é implementação”.

O secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Maurício Lyrio, destacou que, com os aportes já divulgados e o anúncio da Alemanha previsto para esta sexta-feira (7), um total de 53 países endossou a declaração de apoio ao TFFF apresentada pelo Brasil na Cúpula do Clima.

Entre os países que endossaram a declaração, figuram como potenciais investidores Alemanha, Armênia, Austrália Áustria, Bélgica, Canadá, China Dinamarca, Emirados Árabes Unidos, Finlândia, Irlanda, Japão, Mônaco, Países Baixos, Portugal, Reino Unido, Suécia, além da União Europeia.

Risco de não investir em florestas é elas desaparecerem

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O TFFF receberá investimentos de US$ 3 bilhões por parte do governo da Noruega ao longo dos próximos 10 anos. Trata-se do maior aporte individual anunciado até agora por um único país ao novo mecanismo.

“Existe um risco para todos os países em não investir no TFFF. Um dos maiores riscos que enfrentamos hoje é o desaparecimento das florestas tropicais diante de nossos olhos, e isso não é algo que tenha consequências apenas para o Brasil”, afirmou Andreas Bjelland Eriksen, ministro do Clima e do Meio Ambiente da Noruega. 

Em coletiva de imprensa para anunciar o apoio, ele estava acompanhado dos idealizadores do mecanismo, os ministros brasileiros Fernando Haddad (Fazenda) e Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima).

“Mesmo para um país como a Noruega, um país frio, no extremo norte do mundo, distante das florestas tropicais, somos todos interdependentes na gestão desse risco e na garantia de que as florestas tropicais não sejam destruídas nas próximas décadas. Portanto, do nosso ponto de vista, o risco associado ao modelo é gerenciável, considerando o trabalho que será desenvolvido daqui em diante”, disse. 

Após questionamento sobre o grau de risco desse investimento, o norueguês enfatizou que talvez exista um risco ainda maior em não participar do TFFF daqui para frente. 

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Brasil, escrito por Fabíola Sinimbú e Pedro Rafael Vilela

Tecnologia de satélite auxilia no monitoramento de 67,5 milhões de hectares da floresta amazônica peruana

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Foto: Reprodução/Governo do Peru

Por meio de sua plataforma Geobosques, o Programa Florestas do Ministério do Meio Ambiente (Minam) no Peru monitora continuamente cerca de 67,5 milhões de hectares, o que corresponde a 100% das florestas tropicais da Amazônia no país.

Segundo Daniel Castillo, chefe da Área de Monitoramento Florestal do referido programa setorial, esta iniciativa  utiliza análise de imagens de satélite, software especializado para processamento de imagens de satélite e sistemas de informação geográfica, o que permite gerar informações precisas e oportunas sobre a cobertura florestal. Com base nesses dados, são gerados alertas precoces sobre a perda florestal.

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O sistema está em funcionamento contínuo desde 2016 e é de acesso gratuito para o público em geral. Ele fornece dados abertos para apoiar a tomada de decisões.

Até o momento, em 2025, 19 pacotes de alerta foram publicados em todo o país. “Essas informações são fundamentais para a conservação, o monitoramento e o planejamento do uso da terra”, informa o Minam.

Atualmente, essa ferramenta digital conta com mais de 6.700 usuários inscritos em seu sistema de alertas, que recebem notificações personalizadas sobre mudanças detectadas em suas áreas de interesse.

Leia também: Governo Federal inicia ‘Defesa Civil Alerta’ no Norte e amplia rede de proteção nacional; entenda

Escritórios regionais de monitoramento da floresta

Tecnologia de satélite auxilia no monitoramento de 67,5 milhões de hectares da floresta amazônica peruana
Foto: Reprodução/Ministério do Meio Ambiente no Peru

O Programa implementou três escritórios regionais de monitoramento em Huánuco, Puno e Amazonas (no Peru), graças a um investimento de aproximadamente S/ 1,7 milhão (moeda peruana). Cada escritório está equipado com tecnologia avançada, permitindo que essas regiões monitorem diretamente 5,6 milhões de hectares da floresta amazônica. Dessa forma, contribui para a detecção precoce de ameaças e para a coordenação oportuna com os governos regionais para a conservação florestal.

Até o final deste ano, está prevista a abertura de três novos escritórios descentralizados em Loreto, Junín e Pasco. Isso ampliará a rede de monitoramento e fortalecerá a capacidade técnica dos governos regionais, segundo o Minam.

*Com informações da Agência Andina

Três locais para conhecer em Belém durante a COP30

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Foto: Reprodução/Agência Pará

A COP30 chegou em Belém (PA) este mês e, durante duas semanas são esperadas mais de 50 mil pessoas na cidade, segundo o Ministério do Turismo. Além de participar do evento que trata das mudanças do clima no mundo, é possível conhecer um pouco da Amazônia paraense.

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O visitante tem diversas opções que contam com suas próprias programações expondo a história, a versatilidade e a efervescência cultural da capital paraense.

Estação das Docas

Inaugurada em 13 de maio de 2000, a Estação das Docas é referência nacional, o espaço congrega gastronomia, cultura, moda e eventos na orla fluvial do antigo porto de Belém. O complexo turístico é quase uma “parada obrigatória” da cidade.

Saiba mais: 3 coisas que você só encontra da Estação das Docas, em Belém

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Foto: Janaína Arielo/Agência Belém

Mercado Ver-o-Peso

Considerada a maior feira aberta da América Latina, o Mercado Ver-o-Peso é um dos ícones de Belém. As ervas, banhos, frutas e muito muito mais são responsáveis por atrair centenas de visitantes diariamente ao local. O Complexo de 25 mil m² é formado por construções históricas como o Mercado de Carne, Praça do Relógio, Doca, Feira do Açaí e a Ladeira do Castelo.

Saiba mais: 6 motivos para conhecer o Mercado Ver-o-Peso, em Belém

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Foto: Alexandre Costa/Alepa

Museu Goeldi

O Museu Paraense Emílio Goeldi, desde sua fundação em 1866, concentra-se no estudo científico dos sistemas naturais e socioculturais da Amazônia, bem como na divulgação de conhecimentos e acervos relacionados à região. O Parque Zoobotânico do museu é o primeiro parque do gênero no país. O local é um dos escolhidos também para receber ações da COP30.

Saiba mais: Parque Zoobotânico do Museu Goeldi: conheça o primeiro parque do gênero no país

Foto: Reprodução/Arquivo Embratur

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E aí? Quais outros locais deveriam entrar nesta lista?

Curta produzido por estudantes em oficina de audiovisual em Caracaraí é selecionado em Mostra Internacional de São Paulo

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Foto: Divulgação

O curta Yuri (doc, 10 min, 2025), produzido por estudantes em oficina de audiovisual em Caracaraí (RR) foi selecionado para compor a programação de uma das maiores Mostras de Cinema do país. A programação da 21ª edição da Mostra Internacional do Cinema Negro de São Paulo (MICINE/SP), que será realizada de 3 de novembro à 22 de dezembro de 2025, exibindo filmes brasileiros e de outros países.

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A Mostra acontecerá presencialmente em diversos pontos de São Paulo, como no Teatro do SESI-SP, no Centro Cultural FIESP; Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS/SP); Diversitas – Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos, da Universidade de São Paulo; no LabArte/FEUSP; Cine REAG Belas Artes e; na Faculdade Sesi de Educação.

A mostra é uma realização da Fiesp/SP, com apoio da Fundação Roberto Marinho, Globo Filmes, Canal Futura, Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo, com curadoria do professor, livre docente da USP e antropólogo, Dr. Celso Luiz Prudente.

Leia também: ‘A Bota de Lama’: talento amazonense é apresentado na 24ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis

Foto: Divulgação

YURI

Dirigido pelos cineastas Leandro Monte e Éder Santos, o curta ‘Yuri’ foi idealizado e roteirizado por adolescentes que participaram de duas oficinas de cinema em Caracaraí (RR). A equipe de produção é composta por estudantes do município, como parte das atividades da Mostra de Cinema “A Moda é Viver”, realizada em abril desse ano, com apoio de emenda parlamentar do deputado federal Zé Haroldo (PSD).

“Estamos felizes e honrados com a seleção de um de nossos curtas. Participar de uma mostra internacional que valoriza experiências da Amazônia é um reconhecimento importante para quem vive no interior do estado de Roraima e acredita na cultura como instrumento de superação e oportunidade para os jovens”, afirma Alda Araújo, que é presidente do Instituto A Moda é Viver.

Foto: Divulgação

O diretor e cineasta, Éder Santos, explica que a comunidade em Caracaraí é a protagonista nesse processo.

“A partir das atividades da Mostra local em Caracaraí foi despertado o interesse dos alunos para fazer audiovisual, envolvendo uma rede de amigos, familiares, professores e gestores da escola do município. Cinema é coletividade. O cinema negro é o cinema das maiorias minorizadas e Roraima estará bem representado”, comemorou.

O curta

Yuri conta a história de luta de uma adolescente local, Luciana Paiva, que após enfrentar vários dramas pessoais, como a separação dos pais, o falecimento do pai em um acidente, a descoberta da gravidez e o nascimento de seu filho, Yuri, superou o preconceito e os desafios para finalizar seus estudos.

Yuri - Curta produzido por estudantes em oficina de audiovisual em Caracaraí é selecionado em Mostra Internacional de São Paulo
Foto: Divulgação

MPF pede que Rondônia conclua tombamento da EFMM e cobra R$ 6 milhões por danos coletivos

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O MPF quer que o Estado conclua o processo de tombamento e apresente plano de preservação da ferrovia. Foto: Reprodução/Rede Amazônica RO

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação na Justiça para pedir a proteção e o tombamento definitivo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM), em Rondônia. O órgão quer que o Estado conclua o processo de tombamento e, junto com a União e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), apresente um plano de preservação da ferrovia.

O MPF também pede que os responsáveis paguem R$ 6 milhões por danos morais coletivos, dinheiro que deve ser usado em projetos de valorização do patrimônio histórico.

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A ferrovia, que liga Porto Velho a Guajará-Mirim (RO), é um dos principais símbolos da história de Rondônia e está até no brasão do Estado. Parte do conjunto — como os trilhos, o pátio ferroviário, as Três Caixas d’Água e o Cemitério da Candelária — já é protegida pelo Iphan desde 2007.

Mesmo assim, o MPF afirma que o tombamento estadual ainda não foi concluído, porque o governo de Rondônia não terminou o processo formal exigido por lei. Segundo a ação, A Secretaria da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer do Estado (Sejucel) informou que o tombamento é definitivo, mas o MPF contesta essa informação e diz que falta documentação e ações práticas de preservação.

Durante a investigação, o MPF também apontou falta de diálogo com o governo estadual e ausência de medidas concretas para proteger o local. Segundo o órgão, a situação de abandono da ferrovia tem piorado com o tempo.

Leia também: 113 anos da EFMM: imagens raras mostram a ‘Ferrovia do Diabo’ em funcionamento

A EFMM, considerada um dos marcos históricos mais importantes da Amazônia, sofre há anos com roubos, depredações e ocupações irregulares. Trilhos e pontes metálicas foram levados, dormentes foram usados em outras construções e locomotivas estão abandonadas.

Na ação, o MPF pede que a Justiça determine:

  • Que o Estado de Rondônia inicie o processo de tombamento em 30 dias e conclua tudo em até um ano;
  • Que o Estado, a União e o Iphan elaborem em 180 dias um plano conjunto para recuperar e proteger os trilhos, estações e locomotivas;
  • Que os réus paguem indenização, sendo R$ 1 milhão pelo Estado e R$ 5 milhões pela União e pelo Iphan juntos;
  • E, se o tombamento não cobrir todos os 366 km da ferrovia, que a União recolha os materiais restantes (como trilhos e dormentes) em até um ano, respeitando o direito à moradia das famílias que vivem nesses locais, com apoio da Defensoria Pública.

O Grupo Rede Amazônica entrou em contato com o Governo de Rondônia, a União e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

MPF pede que Rondônia conclua tombamento da EFMM e cobra R$ 6 milhões por danos coletivos
A ferrovia marcou a fundação da capital de Rondônia. Foto: Reprodução/Rede Amazônica RO

“Cemitério das locomotivas” em Rondônia

Parte da história de Porto Velho está esquecida, já que alguns veículos e vagões da Estrada de Ferro Madeira Mamoré (EFMM) estão abandonados há mais de 50 anos nos trilhos da ferrovia. O que era para ser lembrado como história na fundação e desenvolvimento, hoje é conhecido como ‘cemitério das locomotivas’.

A ferrovia marcou a fundação da capital de Rondônia e tinha como objetivo o transporte do principal produto de exportação brasileiro da época: a borracha.

Segundo o historiador e professor Célio Leandro, após a desativação da EFMM na década de 70, cerca de nove locomotivas foram deixadas nos trilhos que ligavam Porto Velho a Guajará-Mirim, próximo do atual ‘cemitério da Candelária‘.

Além dessas, outros veículos do trem foram restaurados e estão localizados no Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, no espaço alternativo da cidade e nas proximidades do Museu Rondon.

De acordo com Jorge Teles, presidente da Associação dos Ferroviários da EFMM, desde a desativação da ferrovia, há mais de 50 anos, as estruturas se deterioraram e acabaram sendo abandonadas e tomadas pelo matagal.

Ainda de acordo com o presidente, a Associação não tem o quantitativo de máquinas e peças dos veículos que foram deixadas pela malha ferroviária, mas destacou que a Associação entrou com um pedido de tombamento de preservação e agora, aguarda o retorno.

Leia também: Estrada de Ferro Madeira-Mamoré: patrimônio histórico deu origem ao município de Porto Velho

História

Inaugurada em 1° de agosto de 1912, a construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré fazia parte do tratado de Petrópolis selado com a Bolívia, em 1903, após a compra de território boliviano pelo Brasil. O ‘combinado’ no tratado foi construir a ferrovia Madeira Mamoré em um prazo de quatro anos.

Depois de dois anos de lucro, a ferrovia em Rondônia entrou em declínio devido à queda vertiginosa da participação brasileira no mercado da borracha. Isso porque a concorrência asiática oferecia um produto de qualidade e de mais fácil extração, afetando assim a exportação brasileira.

Com 54 anos acumulando prejuízos, Humberto de Alencar Castelo Branco determinou a erradicação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, que foi substituída por uma rodovia.

Leia também: Maria Fumaça volta à ativa em comemoração os 111 anos de Porto Velho

*Com informações da Rede Amazônica RO

Projeto posiciona mulheres quilombolas e catadoras no centro da transição ecológica na Amazônia

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Foto: Reprodução/Acervo MDA/Incra

Mulheres são centrais para a transformação ecológica e justa na Amazônia. Essa é a tônica do projeto de Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável, que tem mulheres quilombolas e catadoras de materiais recicláveis da região como foco.

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O objetivo é fortalecer as capacidades desse grupo para a participação social, política e econômica nas agendas sobre clima e meio ambiente na região, reduzindo a situação de vulnerabilidade à violência e às múltiplas formas de discriminação.

O projeto tem sido desenvolvido em Belém do Pará, coração da Amazônia, nos territórios do Marajó e na Região Metropolitana de Belém.

Nomeado “Mulheres como Agentes-Chave para uma Transformação Ecológica e Socialmente Justa na Amazônia”, a iniciativa é implementada pelo Ministério das Mulheres e pela Agência Alemã de Cooperação (GIZ), com recursos do Ministério Federal da Cooperação Econômica e Desenvolvimento (BMZ) da Alemanha.

Leia também: Conheça histórias inspiradoras de quatro mulheres indígenas

Início produtivo

Em outubro, o projeto realizou oficinas de planejamento com as quilombolas de diferentes comunidades localizadas na Ilha do Marajó, que integram a Malungu (Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará), e de autocuidado com 35 catadoras de diferentes cooperativas da Região Metropolitana de Belém. O tema de enfrentamento à violência e trabalho de cuidado guiou as atividades.

Nery Araújo, coordenadora de atendimento do Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher, participou das atividades e avaliou o momento como produtivo para os objetivos do projeto. “Muito proveitoso, estivemos desenvolvendo metodologias para avançar nas questões e na identificação dos pontos importantes para essas mulheres”, disse Nery, que atua na Secretaria Nacional de Enfrentamento à Violência do Ministério.

Ana Taila, que é quilombola da comunidade Balieiro, no município de Bagre, na Ilha do Marajó, contou que a expectativa é que o projeto consiga levar até elas políticas que normalmente não chegam a seus territórios.

“Muitas vezes as nossas mulheres são esquecidas, as políticas não chegam até nós. Temos uma grande esperança de que ele venha nos trazer muitas oportunidades e nos fortalecer para buscar o nosso espaço e para conseguir esse espaço dentro da sociedade”, contou.

Claudinete de Assunção, da comunidade quilombola de Rosário, no município de Salvaterra, na Ilha do Marajó, vê no projeto a possibilidade de levar mais segurança para elas no território. “Envolver, capacitar e ter uma participação política ainda maior, fortalecer as nossas mulheres, as nossas comunidades e, acima de tudo, a nossa Vila do Marajó”, acrescentou Claudinete. 

Até 2027, foram mapeadas uma série de oportunidades de atuação em âmbito local, nacional e internacional, como na COP30 (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), que acontece em Belém do Pará, em novembro de 2025, para garantir às catadoras e quilombolas espaços para a participação política, oportunidades de conquistar autonomia econômica e ações de prevenção à violência.

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Projeto posiciona mulheres quilombolas e catadoras no centro da transição ecológica na Amazônia
Foto: Reprodução/Ministério das Mulheres

Apoio às mulheres catadoras

Também faz parte da parceria entre o Ministério das Mulheres e a GIZ, com o Sebrae, o apoio ao EcoCírio, por meio do Programa Pró-Catadoras e Pró-Catadores de Reciclagem Popular. Durante o Círio de Nazaré de 2025, a iniciativa envolveu 10 cooperativas e cerca de 200 pessoas catadoras de resíduos, estimulando o protagonismo das que desempenham essa função. 

Além disso, a pasta coordena o Fórum Nacional de Mulheres Catadoras de Materiais Recicláveis, que reúne gestoras de cooperativas e movimentos de base em discussões sobre políticas públicas, condições de trabalho e reconhecimento profissional para a categoria.

*Com informações do Ministério das Mulheres

Lideranças amazônicas começam debates para formar ‘Carta da Amazônia’ durante expedição rumo à COP30

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Documento reunirá propostas de ações e reivindicações das comunidades amazônicas sobre mudanças climáticas, preservação da floresta e desenvolvimento sustentável. Foto: Patrick Marques/Rede Amazônica AM

Lideranças comunitárias, representantes de movimentos sociais e organizações da sociedade civil iniciaram, nesta quarta-feira (5), a construção da chamada “Carta da Amazônia” durante o primeiro dia de viagem do barco Banzeiro da Esperança, que partiu de Manaus (AM) rumo à COP30, em Belém (PA).

Leia também: ‘Banzeiro da Esperança’: Barco Cultural levará lideranças amazônicas para a COP30

A “Carta da Amazônia” será o documento que reunirá propostas de ações e reivindicações das comunidades amazônicas sobre mudanças climáticas, preservação da floresta e desenvolvimento sustentável. O conteúdo será apresentado durante a Conferência da ONU sobre o Clima, marcada para ocorrer entre os dias 10 e 21 de novembro.

Com o tema “Banzeirou”, a programação começou com uma abertura oficial conduzida por representantes da organização da expedição, como a Fundação Amazônia Sustentável e a Virada Sustentável, além de uma apresentação cultural de artistas que participam da jornada.

Em seguida, a comitiva que viaja no barco participou de dinâmicas como a chamada “farinhada” – ato de produção da farinha – que foi usada como exemplo para que os participantes trabalhem em conjunto em prol da missão da expedição.

Durante a tarde, os debates para a construção dos manifestos coletivos que integrarão a carta final, a principal missão da expedição, têm início no “Banzeiro da Esperança”.

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'Banzeiro da Esperança': Barco Cultural levará lideranças para a COP30 na Amazônia
Barco levará ações para comunidades durante o trajeto. Foto: Divulgação/FAS

Carta da Amazônia

Um dos participantes dos debates e da expedição é o presidente da Associação Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá, no Amazonas, Carlos de Carvalho Gonçalves. Ele contou que se reuniu com lideranças antes de iniciar a viagem e reuniu as principais melhorias que o povo que vive na região precisa para que a floresta permaneça preservada.

“O povo tá muito preocupado com tudo aquilo que o mundo tá fazendo e tá olhando de uma forma a Amazônia. A Amazônia é importante, precisa nos ouvir pra poder falarmos realmente aonde precisa mudar e aonde precisa realmente colocar os pontos da necessidade. Eu acredito que a Amazônia está de pé, mas isso só é possível porque existe um povo que cuida, que protege e que mora nela. Então é junto com as instituições as quais o ‘Banzeiro da Esperança’ está levando, que a gente coloca o conhecimento tradicional e o científico”, disse Gonçalves.

Segundo os organizadores, a ideia é que o documento reflita vozes de territórios que historicamente têm pouca participação nas tomadas de decisão sobre questões ambientais. As discussões no barco devem continuar ao longo de toda a viagem pelos rios da região.

“A gente está construindo, ao longo dessa jornada, uma visão que vai procurar colocar todos os que estão aqui dentro como autores. Essa carta vai trazer um manifesto desse universo, que obviamente não representa a Amazônia inteira, é uma amostra da Amazônia, mas é uma amostra que tem uma legitimidade importante para trazer a sua visão sobre como nós podemos esperançar, praticar o verbo de manter acesa a chama da esperança”, afirmou o superintendente geral da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Virgílio Viana.

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Banzeiro da Esperança rumo à COP 30

A expedição faz parte da “Jornada COP 30”, mobilização que percorre rios da Amazônia com lideranças comunitárias, representantes de movimentos sociais, organizações da sociedade civil e instituições públicas, visando construir planos de ação climática a partir da realidade das comunidades amazônicas.

Segundo Eunice Venturi, gerente de Comunicação da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), o barco foi adaptado para a missão e transporta cerca de 230 pessoas:

“O Banzeiro da Esperança foi preparado para receber lideranças comunitárias de todo o Amazonas. Mais do que uma embarcação, ele representa uma jornada que começou no início do ano e que vai levar as vozes dessas comunidades até a COP30”.

Durante o trajeto, o barco funcionará como espaço de diálogo e construção coletiva, com oficinas e encontros sobre crise climática. As propostas debatidas serão reunidas em uma carta final a ser apresentada durante a COP 30, que acontece entre os dias 10 e 21 de novembro, em Belém.

“Essa carta vai reunir tudo o que foi debatido nessa jornada, trazendo as perspectivas de comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas. Queremos mostrar o ponto de vista de quem vive longe dos centros urbanos e sente mais intensamente os impactos das mudanças climáticas”, completou Venturi.

*Por Patrick Marques, da Rede Amazônica AM

Tsimane, a comunidade indígena na Bolívia em que as pessoas envelhecem mais lentamente

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Foto: Reprodução/Instagram-Unesco

O povo indígena Tsimane, que habita regiões da Amazônia boliviana, tem despertado atenção da comunidade científica internacional por seus índices de envelhecimento saudável. Estudos apontam que os indígenas apresentam uma das menores taxas de doenças cardiovasculares do mundo.

Vivendo em comunidades isoladas, os Tsimane mantêm hábitos de vida distintos dos padrões urbanos modernos. A alimentação natural, o contato direto com a floresta e a rotina de atividades físicas são alguns dos fatores considerados determinantes para a longevidade.

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Pesquisadores têm acompanhado essa população há mais de uma década, com levantamentos que envolvem exames clínicos, análises genéticas e estudos de campo. Os resultados revelam dados que contrastam com os números de países industrializados.

Entre as descobertas, os cientistas identificaram que os Tsimane possuem corações com sinais de envelhecimento muito mais tardios. Isso se reflete em uma expectativa de vida mais longa e com menos limitações de saúde.

Estilo de vida e hábitos alimentares

Os Tsimane vivem principalmente nas margens dos rios e em áreas de floresta, localizadas no departamento de Beni, na Bolívia. Estima-se que o grupo reúna cerca de 16 mil pessoas distribuídas em diferentes comunidades. A base da alimentação é composta por mandioca, banana, milho, peixe e carne de caça, além de frutas nativas da região. Esses alimentos garantem uma dieta rica em fibras e proteínas, com baixo consumo de gordura saturada.

Outro fator determinante é o nível de atividade física. Um estudo publicado na revista The Lancet em 2017, sob o título ‘Coronary atherosclerosis in indigenous South American Tsimane: a cross-sectional cohort study‘ destaca que o cotidiano dos Tsimane inclui caminhadas longas, cultivo da terra, caça e pesca.

Mesmo idosos continuam ativos em suas comunidades, desempenhando tarefas diárias sem interrupção. Esse padrão difere dos cenários urbanos, onde o sedentarismo é um dos principais fatores de risco para doenças crônicas.

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Pesquisas realizadas pela Universidade da Califórnia e pelo Instituto Santa Fé, nos Estados Unidos, mostraram que mais de 85% dos adultos Tsimane apresentavam artérias em excelente condição, mesmo em idades avançadas. O estudo envolveu exames de tomografia computadorizada para avaliar o acúmulo de cálcio nas artérias coronárias, considerado um dos principais indicadores de problemas cardíacos.

Além disso, as taxas de obesidade e diabetes entre os Tsimane são extremamente baixas em comparação com populações urbanas da América do Sul. Isso reforça a hipótese de que os fatores ambientais e culturais desempenham papel central no envelhecimento saudável dessa população.

Longevidade e estudos científicos

Mas envelhecimento entre os Tsimane não está livre de desafios. Apesar da baixa incidência de doenças cardiovasculares, o artigo publicado em 2007 destaca ainda que eles enfrentam riscos relacionados a infecções, acesso limitado a cuidados médicos e mortalidade infantil elevada. Ainda assim, os idosos conseguem manter qualidade de vida por mais tempo, preservando funções cognitivas e motoras.

Este mesmo estudo destacou que o coração dos Tsimane envelhece cerca de duas décadas mais devagar em comparação ao de adultos de sociedades industrializadas. Isso significa que um idoso de 70 anos entre os Tsimane pode apresentar condições cardíacas semelhantes às de um adulto de 50 anos nos centros urbanos.

A ciência tem buscado entender como esse padrão pode contribuir para a prevenção de doenças em outras populações. Pesquisadores apontam que a combinação entre dieta tradicional, intensa atividade física e baixo nível de exposição a alimentos processados cria um ambiente biológico favorável para o envelhecimento saudável.

Foto: Tsimane Health and Life History Project Team

A pesquisa destaca ainda que os Tsimane também demonstram níveis reduzidos de inflamação crônica, considerada um dos fatores que aceleram o envelhecimento celular. Mesmo em casos de infecções recorrentes, o organismo desses indígenas apresenta uma resposta diferenciada, o que contribui para a proteção contra doenças degenerativas.

Atualmente, os estudos sobre os Tsimane seguem em expansão, envolvendo equipes multidisciplinares da Bolívia, dos Estados Unidos e de outros países. O objetivo é compreender melhor os mecanismos de saúde dessa população, mas, ao mesmo tempo, respeitar sua cultura e modo de vida.

Desafios dos Tsiname

Apesar dos benefícios naturais de seu estilo de vida, os Tsimane enfrentam pressões externas. O avanço de atividades extrativistas, o desmatamento e a aproximação com áreas urbanas têm trazido mudanças culturais e alimentares. A introdução de produtos industrializados em algumas comunidades já começa a alterar padrões de saúde observados por pesquisadores.

Organizações locais e internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU), alertam para a necessidade de políticas que garantam a preservação do território e a proteção da cultura dos Tsimane. Manter os hábitos tradicionais é visto como fundamental não apenas para a sobrevivência do povo, mas também para a continuidade dos estudos científicos que ajudam a compreender o envelhecimento humano.

A longevidade dos Tsimane se tornou um campo de observação relevante para a ciência global. Seu modo de vida, baseado em práticas ancestrais, mostra como fatores ambientais e culturais podem moldar a saúde ao longo do tempo. Ao mesmo tempo, o futuro desse povo depende da proteção de suas terras e de sua autonomia frente às mudanças externas que já começam a impactar suas comunidades.