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Pontos de Informação Turística serão disponibilizados em Belém para a COP30, informa MTur

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Parque Linear da Nova Doca em Belém. Foto: Alexandre Costa/Agência Pará

Belém (PA) terá Pontos de Informação Turística (PITs) com dados bilíngues para acolhimento aos visitantes que participarão da COP30, que acontecerá em novembro. Diante da expectativa de receber mais de 40 mil visitantes na Conferência Mundial do Clima, as estruturas trarão informações sobre a cidade em pontos de grande circulação e estratégicos do evento.

O anúncio foi feito pelo ministro do Turismo, Celso Sabino, durante agenda com o presidente Lula na quinta-feira (2), na capital paraense, para a inauguração do Parque Linear da Nova Doca.

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O Protocolo de intenções que viabiliza a instalação dos PITs faz parte de um acordo que une esforços do Ministério do Turismo, da Secretaria Extraordinária para a COP30, da Embratur, do Governo do Pará e da Prefeitura de Belém.

O ministro Celso Sabino destacou que os Pontos de Informação Turística reforçam a importância da COP30 como um marco para o turismo amazônico.

“Esse acolhimento com os pontos de informação posicionados estrategicamente vão mostrar ao mundo o potencial do Pará e do Brasil, oferecendo uma experiência acolhedora, informativa, alinhada à sustentabilidade e fortalecendo o legado da COP da Amazônia para o turismo nacional”, afirmou o ministro.

A visita do presidente da República à cidade teve como objetivo entregar obras da COP30 e anunciar novos investimentos, e os PITs fazem parte da estratégia do turismo para atender o grande público esperados no encontro.

Agenda em Belém (PA) marcou anúncio da instalação de Pontos de Informação Turística (PITs) na cidade para a COP30.
Agenda em Belém (PA) marcou anúncio da instalação de Pontos de Informação Turística (PITs) na cidade para a COP30. Fotos: Alessandra Serrão/MTur

O presidente Lula agradeceu o empenho do ministro Celso Sabino na preparação da COP30 e frisou que o encontro deste ano vai reforçar a imagem positiva do Brasil no exterior.

“Nós vamos virar motivo de orgulho para o mundo a partir dessa COP. Aqui, quando a gente resolve trabalhar com o governo municipal, o governo estadual e o governo federal juntos, ninguém consegue segurar. A gente quer ser o exemplo mundial de defesa do clima”, declarou Lula.

Ao ressaltar os números da atividade turística brasileira na sua fala, Celso Sabino ressaltou que os esforços do governo federal vêm mudando a história do turismo do Brasil. “O resultado mais gratificante é o que toca o cidadão: a geração de empregos. Desde 2023, foram mais de 500 mil vagas com carteira assinada criadas em atividades ligadas ao turismo”, enfatizou o ministro.

Também participaram do anúncio o governador do Pará, Helder Barbalho; o prefeito de Belém, Igor Normando; o diretor-geral da Itaipu Binacional, Enio Verri; o ministro das Cidades, Jader Filho, e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, entre várias outras autoridades.

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Atendimento nos Pontos

A instalação dos Pontos de Informação Turística será realizada em pontos estratégicos de Belém, incluindo áreas de grande fluxo de visitantes, como o Aeroporto Internacional, a Estação das Docas, os arredores da Basílica de Nazaré e as zonas Verde e Azul da COP30.

As unidades vão oferecer atendimento bilíngue, informações sobre roteiros culturais, gastronômicos e de ecoturismo, além de orientações sobre serviços essenciais, como saúde, segurança e transportes.

Também estão previstas ações interativas, a disponibilização de totens digitais, estandes temáticos e a distribuição de materiais sustentáveis e informativos, reforçando a imagem de um Brasil comprometido com a biodiversidade e o turismo responsável.

A rede de PITs oferecerá suporte durante a COP30, mas também será um legado duradouro para o turismo de Belém e do Pará, consolidando a cidade como destino estratégico para o ecoturismo, o turismo cultural e de base comunitária.

*Com informações do Ministério do Turismo

Pesquisa inédita revela microplásticos no estômago de macacos na Amazônia

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Foto: Miguel Monteiro/Instituto Mamirauá

Um estudo pioneiro realizado por pesquisadores do Instituto Mamirauá na Amazônia Central acaba de trazer a primeira evidência da ingestão de microplásticos por um primata que vive em árvores – o guariba, também conhecido como macaco-bugio (Alouatta juara). A descoberta, publicada na revista EcoHealth, acende um alerta sobre a contaminação por plásticos em florestas tropicais e seus impactos em animais silvestres.

Leia também: Contaminação por plástico na Amazônia e riscos à saúde de populações preocupam pesquisadores

Cientistas analisaram o conteúdo estomacal de 47 animais, cujos estômagos foram doados por caçadores de subsistência de duas Reservas de Desenvolvimento Sustentável no Amazonas: Mamirauá e Amanã. Os animais foram caçados entre 2002 e 2017 como parte do sustento das comunidades locais – nenhum foi morto para a pesquisa.

Em dois dos estômagos, ambos de animais que viviam em florestas de várzea (alagadas sazonalmente), os pesquisadores identificaram fibras de microplástico com menos de 5 mm de comprimento. As partículas eram semelhantes a filamentos provenientes de redes de pesca abandonadas, conhecidas como “redes fantasmas”.

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RDS Mamirauá. Foto: Daniel Marques via Wikimedia Commons (CC BY 2.0).

Implicações ecológicas e sanitárias dos microplásticos

A presença de microplásticos em um animal arborícola e folívoro (que se alimenta principalmente de folhas) era algo inesperado. A hipótese é que, durante as cheias anuais, as redes de pesca perdidas nos rios se decompõem e seus fragmentos são carregados pela água, contaminando a vegetação que serve de alimento aos macacos.

De acordo com Anamelia Jesus, pesquisadora do Instituto Mamirauá e primeira autora do estudo: “encontrar essas partículas de plástico no estômago de guaribas é preocupante. Nós já sabemos que a poluição plástica é algo muito difícil de controlar e encontrá-la na fauna silvestre, em um ambiente conservado, como o das reservas, acaba sendo mais um alerta. Especialmente quando a gente encontra essas partículas num animal arborícola, que não vai ter tantas oportunidades de contato com qualquer resíduo que possa ficar no solo da floresta”.

Além dos riscos diretos aos animais – como problemas digestivos, desnutrição e toxicidade –, o consumo de carne de caça por populações humanas pode levar à bioacumulação de microplásticos também em pessoas. Estudos recentes já encontraram microplásticos na placenta humana, associados a estresse oxidativo e inflamação.

A pesquisa reforça a urgência de políticas públicas que reduzam o uso de plásticos descartáveis, promovam materiais alternativos e incentivem o descarte adequado de resíduos, especialmente artigos de pesca. A poluição plástica já não é uma questão apenas em ambientes modificados pela ação humana, mas também em regiões remotas que ainda mantêm florestas bem preservadas.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Mamirauá

Quando o gavião-real não está, as cuícas fazem a festa e roem até os ossos; vídeo

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Foto: Machado et al.

Um estudo inédito documentou um comportamento pouco conhecido da fauna brasileira: gambás-de-orelha-marrom, também chamados de cuícas-lanosas (Caluromys lanatus), foram flagrados se alimentando de restos de presas deixados em ninhos do gavião-real (Harpia harpyja), a maior águia das Américas. 

Leia também: Conheça o gavião-real: A maior águia das Américas e que desfila sua realeza pela floresta amazônica

A pesquisa, conduzida em Salto do Céu (MT), usou armadilhas fotográficas instaladas em um ninho da espécie e revelou que os marsupiais noturnos visitavam o local na ausência da ave para consumir carcaças de mamíferos que eram consumidas pelas aves e filhotes.

Gavião-real era o foco original do estudo, mas cuíca surpreendeu

“Originalmente, estávamos estudando a dieta da harpia [gavião-real], mas nos surpreendemos ao observar a cuíca-lanosa ‘roubando’ restos de comida do ninho”, conta o biólogo Guilherme Siniciato Terra Garbino, professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), um dos autores do artigo publicado na revista Biotropica.

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As câmeras permaneceram ativas (fotografando 24 horas por dia) por quase um ano, captando mais de 11 mil fotos e dezenas de vídeos. Nesse período, foram registradas três ocasiões em que a cuíca-lanosa se alimentou de restos de tatus levados pela harpia.

Como o gavião-real é diurno e a cuíca noturna, houve pouca sobreposição de horários, o que permitiu que o mamífero explorasse os restos deixados no ninho. “Esse é o primeiro registro documentado, em fotos e vídeos, de necrofagia em cuícas-lanosas”, explica Garbino. Assista:

Apesar de terem dieta predominantemente frugívora e nectarívora, esses marsupiais já tinham registros ocasionais de consumo de pequenos animais. Agora, a pesquisa confirma que eles também podem desempenhar o papel de necrófagos. 

“O estudo comprova um comportamento que já era inferido, mas nunca havia sido registrado de forma direta. Isso mostra que a espécie, embora prefira frutas, aproveita oportunidades de se alimentar de carcaças quando elas estão disponíveis”, detalha o pesquisador. Esse comportamento amplia o entendimento sobre a plasticidade alimentar da espécie.

Cuíca-lanosa. Foto: Machado et al.

Outros mamíferos, como iraras (um mustelídeo), saguis-de-rabo-preto, macacos-da-noite, um marsupial de pequeno porte e esquilos, também foram registrados próximos ao ninho, mas apenas a cuíca-lanosa foi vista consumindo carniça. “Algumas espécies, como a irara, até poderiam consumir animais mortos, mas esse comportamento é raro. Já primatas e roedores preferem frutos, sementes ou invertebrados, e não os restos maiores deixados por predadores”, pontua Garbino.

Para os cientistas, o achado reforça a importância de observar as interações entre espécies no ecossistema. “O papel dos marsupiais como removedores de carcaça é relevante, mas ainda subestimado. Eles ajudam a reciclar nutrientes e a manter o equilíbrio natural, assim como outros animais necrófagos. A ausência de grandes consumidores de carniça na copa das árvores pode ter favorecido esse comportamento oportunista”, sugere o autor.

Com esse registro, os pesquisadores esperam abrir caminho para novas investigações sobre o papel ecológico de pequenos mamíferos na floresta. “Nosso próximo passo é observar o comportamento de outros mamíferos que aparecem nas câmeras, em diferentes ninhos de harpia, para entender melhor essas interações pouco conhecidas”, afirma Garbino. O estudo contou com apoio da American Society of Mammalogists, que financiou parte das análises laboratoriais.

Ninho de gavião-real em Mato Grosso
Gavião-real. Foto: Machado et al.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

“Tokenização” da castanha da Amazônia: startups investem em cadeias de manejo sustentável com ajuda de tecnologia

Foto: Divulgação/Zeno Nativo

A fintech ForestFi e a Zeno Nativo são duas startups com DNA genuinamente amazônico que inovam com a proposta de investimento em cadeias de manejo sustentável. Na parceria, uma entrou com a tecnologia e outra com o produto.

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A cultura de investimento tem ganhado cada vez mais força, há diversas opções para perfis mais conservadores, como Tesouro Direto, CDB e LCI, além de outras que atendem investidores moderados e arrojados.

E agora, interessados em ganhar com investimentos que ampliam o lucro para algo além do dinheiro, aliando benefícios – como manter a floresta em pé e fortalecer as cadeias de produtos da sociobiodiversidade da Amazônia – ao retorno financeiro, encontraram uma nova opção: os tokens de castanha da Amazônia.

Leia também: Tokenização: modelo de negócio muda realidade de agricultores do Amazonas

castanha da amazônia
Foto: Divulgação/Zeno Nativo

Leia também: Qual o termo certo: castanha do Pará, do Brasil ou da Amazônia?

A inovação é fruto de um projeto entre a ForestiFi, uma fintech de Manaus, no Amazonas, especializada em investimentos de impacto, e a Zeno Nativo, que produz e comercializa produtos da floresta junto às populações tradicionais que vivem próximas ao Rio Acará, no Pará.

Ambas são startups que fazem parte do portfólio da AMAZ, aceleradora de negócios de impacto da Região Norte, com foco em empresas que atuam na Amazônia Legal.

Em abril deste ano, as startups transformaram 1.850 quilos de castanha da Amazônia em ativos digitais e arrecadaram R$ 114,7 mil em investimentos. Ao todo, 82 pessoas participaram da campanha, adquirindo 4.588 tokens vendidos a R$ 25 cada. O retorno era previsto para setembro (cinco meses), com a expectativa que cada token seja resgatado por R$ 26,69 — um acréscimo de R$ 1,69. Isso representa uma valorização de R$ 7,7 mil sobre a safra tokenizada e uma movimentação final de R$ 122,4 mil.

O valor captado será repassado diretamente para mais de 50 famílias extrativistas da região do Rio Acará (PA), de onde vieram as castanhas tokenizadas nesta campanha.

Glauco Aguiar, cofundador da ForestiFi, é um dos responsáveis pela inovação. Ele já trabalhou com outros produtos da sociobiodiversidade amazônica, incluindo cacau nativo, pirarucu de manejo e guaraná selvagem, mas afirma que sempre houve interesse em tokenizar a castanha e potencializar a geração de renda para a população que trabalha com a cadeia sustentável.

“Isso permite que pequenos produtores, tradicionalmente excluídos do sistema financeiro, acessem recursos. […]. Mostramos que a castanha extraída anualmente é um ativo legítimo, capaz de servir como lastro para a captação de recursos”, detalha.

O procedimento, entretanto, não se limita à criação de um sistema de compra e venda de ativos com amparo da tecnologia blockchain.

Há necessidade de análise de governança, segurança jurídica e contábil das organizações interessadas em tokenizar seus produtos, para garantir o sucesso das rodadas de investimento. “Isso nos permite enfrentar as complexidades logísticas da região amazônica de maneira estruturada e eficiente”, complementa.

Além disso, Glauco reforça que a tokenização é uma ferramenta aliada para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, pois estimula o amadurecimento organizacional dos grupos produtores, o que se reflete em melhores práticas de gestão, aumento da eficiência produtiva e valorização dos produtos da sociobiodiversidade.

Leia também: Livro revela como a castanha se tornou uma das mais importantes atividades econômicas da Amazônia

Produção sustentável e valorização da sociobiodiversidade

Outro ator fundamental no processo de tokenização é Zeno Gemaque, cofundador da Zeno Nativo. A parceria nasceu durante uma ação de networking promovida pela AMAZ. Após reuniões e visitas estratégicas, surgiu a ideia de inovar por meio da transformação da castanha em ativos digitais. Ele comemora o sucesso da iniciativa.

“Vamos comprar matéria-prima, no caso a castanha, para fazer o beneficiamento e comercializá-la. […]. Será uma média de 6,9 mil quilos de castanha, que vão beneficiar mais de 50 famílias extrativistas [do Rio Acará]”, explica o empreendedor. O beneficiamento é um processo que inclui seleção, descasque, desidratação, embalagem e logística da castanha.
Desde sua fundação, em 2012, a startup já comercializou mais de 15 toneladas de castanha e cinco de cacau fino, preservando mais de 17 mil hectares de floresta nativa, sempre com certificação orgânica emitida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).

Atualmente, a Zeno Nativo trabalha em colaboração com mais de 300 famílias extrativistas da Amazônia, fortalecendo a preservação da floresta em pé e gerando renda para a população.

Foto: Divulgação/Zeno Nativo
Foto: Divulgação/Zeno Nativo

“Oferecemos produtos da sociobiodiversidade para mercados que valorizam rastreabilidade e práticas socioambientais sustentáveis. Isso é fundamental para apoiar a floresta em pé, combater a monocultura e a contaminação de rios, e fortalece uma economia que respeita a natureza e as pessoas”, complementa.

Entretanto, o Pará sofre com diversos problemas socioambientais, como queimadas e garimpo ilegal. De acordo com o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o estado foi o que registrou o maior índice de desmatamento no último ano. Foram 1.260 quilômetros quadrados (km²) desmatados.

Para mudar esse cenário, uma das alternativas mais viáveis é a diversificação das culturas, de forma que outros produtos da sociobiodiversidade regional ganhem valor.

“Temos interesse em tokenizar cacau no futuro, mas isso vai depender muito dos resultados da primeira experiência. Estamos testando o mecanismo, vendo como isso se comporta dentro da empresa, quais os resultados para os nossos fornecedores. A partir daí, vamos fazer uma avaliação e verificar a possibilidade de novas rodadas”, finaliza o empreendedor.

Reconhecimento internacional

Este foi o sexto projeto da ForestiFi na Amazônia, que também envolve trabalhos com cacau nativo, pirarucu de manejo e guaraná selvagem. Isso se traduz em quase meio milhão de reais captados desde sua constituição, há dois anos.

Toda essa dedicação rendeu à ForestiFi o reconhecimento como uma das startups de sustentabilidade mais inovadoras do mundo pela Change 100, uma campanha da plataforma We Make Change com apoio de grandes parceiros, como Microsoft Entrepreneurship for Positive Impact e Techstars. O anúncio ocorreu durante o evento “Change Now”, realizado em Paris, no mês de abril.

O destaque da ForestiFi é o fortalecimento da bioeconomia amazônica através da tecnologia blockchain, conectando pequenos produtores rurais a mercados de investimento sustentáveis. A startup tem transformado o cenário de acesso à capital financeiro no Norte do Brasil, utilizando a tokenização como ferramenta para financiar atividades produtivas sustentáveis, proteger áreas de floresta e gerar impacto socioambiental positivo.

“Esse reconhecimento reforça a relevância do trabalho que desenvolvemos e abre portas para novas conexões internacionais. […]. Daqui para frente, vamos intensificar nossa estratégia de expansão, consolidando a ForestiFi como referência global em tokenização de ativos da natureza”, finaliza Glauco.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Amaz Aceleradora de Impacto

SGB realiza missão pioneira de navegação para estudar ciclo da água na Amazônia

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O Serviço Geológico do Brasil (SGB) realizou até 27 de setembro uma missão pioneira de navegação para estudar o ciclo da água na Amazônia. As atividades começaram no dia 5 de setembro para percorrer parte dos rios Negro, Solimões, Purus, Madeira e Amazonas, com o objetivo de coletar amostras de água no âmbito do Programa de Aplicações Isotópicas do SGB.

Essa é a maior campanha isotópica, em extensão de rio, já realizada no país, e, possivelmente, uma das maiores do mundo. A bordo do navio oceanográfico Rio Branco, da Marinha do Brasil, foram percorridos mais de dois mil quilômetros.

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O projeto busca aprofundar o conhecimento sobre o ciclo hidrológico da Amazônia, região vital para o clima global, gerando informações sobre a origem e dinâmica de circulação da água no bioma amazônico. As coletas são realizadas em três profundidades – 2, 5 e 10 metros – a cada 20 quilômetros no curso dos rios e desembocadura de igarapés.

Leia também: Portal Amazônia responde: quais os tipos de rios que existem na Amazônia?

Foram realizadas coletas a partir do próprio navio, assim como com o apoio de lanchas em áreas específicas como o Parque de Anavilhanas e igarapés de maior porte. As amostras serão submetidas a análises hidroquímicas e isotópicas (traçadores de oxigênio, hidrogênio e estrôncio). Nas amostras coletadas nas profundidades de 10 metros, foram realizadas análises de Radônio com equipamento portátil (RAD8) à bordo.

“Com base em tentativa e erro, desenvolvemos toda uma estratégia de coleta em diferentes profundidades. A enorme correnteza dos rios e o padrão de navegação da Marinha foram desafios superados graças à integração das equipes do SGB e da Marinha, permitindo coletas rápidas, seguras e bem-sucedidas”, explicou o técnico do SGB, Sérgio Estevam.

Dados do SGB como base para ações

Os dados obtidos permitirão traçar as rotas de geração de umidade e chuva, estimar contribuições de escoamento de base e parcelas de água de degelo, além de fornecer subsídios para entender o ciclo hidrológico como um todo e sustentar futuras pesquisas nacionais e internacionais.

A hidrologia isotópica, de forma geral, contribui para compreensão do ciclo da água e tem aplicações na gestão de recursos hídricos, além de gerar informações que auxiliam em estudos sobre mudanças climáticas, ecologia, fauna selvagem e rastreabilidade das fontes de alimentos.

O pesquisador do SGB Roberto Kirchheim ressalta o valor estratégico da atuação da instituição na região: “A vida das pessoas depende da dinâmica dos rios, sua navegabilidade e manutenção das funções ecossistêmicas. É necessário avançar com projetos estruturantes, equipamentos modernos e maior articulação com parceiros para garantir a sustentabilidade da Amazônia. A COP 30 certamente irá amplificar os desafios da região e o SGB precisa ter respostas institucionais à altura”, frisou.

Leia também: Conheça as diferentes cores de águas em rios da Amazônia e entenda suas mudanças

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Foto: Divulgação/SGB

A equipe do SGB a bordo inclui Roberto Kirchheim, Roberto Paiva e Sérgio Estevam, com apoio de outros pesquisadores do SGB e de instituições, como a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Faculdade do Espírito Santo (UNES), Universidade de São Paulo (USP),  Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Universidade da Córsega e Universidade do Texas (EUA).

O pesquisador Roberto Paiva reforçou a importância do trabalho colaborativo para viabilizar o trabalho: “Trata-se de uma missão pioneira, envolvendo múltiplas instituições e setores, materializando uma força-tarefa em prol de objetivos com benefícios a todos”.

O sucesso da missão também se deve à parceria com a Marinha do Brasil, que disponibilizou o navio e toda infraestrutura e tripulação ao SGB para o sucesso da jornada pelos rios da Amazônia.

*Com informações do SGB

Lenda do Mayantú: conheça o guardião da floresta amazônica peruana

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No meio da floresta amazônica peruana, reza a lenda que uma criatura mítica habita aquela selva com a missão de proteger a natureza, ajudar os necessitados e também de castigar aqueles que ousam destruí-la. Essa é a história de Mayantú, figura conhecida como protetora da floresta e que faz parte do cenário mitológico dos povos que habitam aquela região.

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Assim como ocorre no Brasil – com lendas como a do Curupira -, esta lenda peruana é transmitida por gerações e gerações, especialmente em Iquitos, uma das cidades mais conhecidas da Amazônia peruana. A lenda de Mayantú detalha a história de uma espécie de duende com aparência reptiliana, um rosto de sapo, olhos grandes e brilhantes e de uma pele que se camufla com a natureza. É uma figura respeitada e temida por ser o protetor da natureza.

Relatos encontrados espalhados em vários sites contam que o Mayantú é um exímio conhecedor da floresta, especialmente das plantas medicinais e que ele usa esse conhecimento para ajudar os mais necessitados. Por isso, é conhecido por ter um espírito bondoso, desde que os humanos não representem ameaça ou perigo para a vida selvagem.

Leia também: 6 lendas folclóricas para conhecer a cultura na Amazônia Internacional

Origem da lenda de Mayantú

De acordo com histórias contadas pelo povo de Iquitos, a lenda nasceu com um grupo de exploradores que adentraram na selva para descobrir novas espécies e explorar a biodiversidade. No entanto, alguns indivíduos do grupo começaram a destruir a floresta, derrubando árvores, poluindo as águas e deixando um rastro de lixo por onde passavam.

floresta amazonica no peru guarda a lenda de mayantú
Foto: Reprodução/Agência Andina

Tal atitude, segundo a lenda, invocou a ira de Mayantú, que envolvido numa mistura de tristeza e raiva, aproveitou uma noite fria e nebulosa para fazer uma visita no acampamento dos exploradores. Ficou observando cada um, com a intenção de castigar cada responsável pelas atitudes contra a natureza.

Foi aí que um dos exploradores, chamado Pedro, perdeu-se quando buscava plantas medicinais. Desesperado sem saber sair da floresta, ele começou a pedir ajuda da natureza, momento esse em que Mayantú apareceu na sua frente.

Comovido pela sinceridade do explorador, Mayantú mostrou o caminho de volta e, em agradecimento, Pedro disse: “Graças por ajudar-me, prometo respeitar esta terra e contar tua história”.

Pedro foi o único que regressou sem problemas da expedição, enquanto os outros enfrentavam a fúria do guardião da floresta. Desde então, Pedro se converteu em um verdadeiro defensor da natureza, contando a todos a história de Mayantú e a importância de respeitar a floresta amazônica.

O canal peruano no Youtube, La MYSTERIOTEKA, conta a lenda em detalhes:

Importância da história

A lenda se difundiu, reforçando a ideia de que a floresta não é um recurso inesgotável, e sim um bioma que precisa ser preservado e protegido. Enquanto isso, Mayantú segue protegendo a Amazônia peruana, ajudando os perdidos e castigando aqueles que ousam destruí-la.

Entre os povos da região, a lenda de Mayantú serve como um exemplo de proteção à selva peruana, bem como a importância de conviver em harmonia com a natureza.

Amazônia peruana

Uma das regiões com maior biodiversidade do planeta, a Amazônia peruana é um dos países da América do Sul que compõem a Amazônia internacional. Começa no Peru e termina ao oriente da Cordilheira dos Andes. Possui uma área de 782,880.55 km², e população é de aproximadamente 390 mil habitantes, de acordo com dados governamentais. A cidade de Chachapoyas é considerada a capital da Amazônia peruana.

Assim como no Amazonas brasileiro, a região é famosa por cachoeiras e pela natureza ser um atrativo turístico. Entre os atrativos estão os bosques, a Fortaleza de Kuelap e a Catarata de Gocta.

A fronteira nacional é com Loreto, San Martín, La Libertad e Cajamarca. Já internacionalmente é com o Brasil, a Colômbia, o Equador, a Bolívia e o Chile. 

Amazônia e a indústria farmacêutica: inovação em Pesquisa e Desenvolvimento para a saúde

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Angelim vermelho. Foto: Reprodução/Fundacão Amazônia Sustentável

A indústria farmacêutica é um dos setores que mais investem em pesquisa, desenvolvimento e inovação (P&D) no Brasil. E a tendência é de crescimento. Segundo dados do Ministério da Saúde, as projeções para 2025 apontam que mais de 80% das empresas farmacêuticas planejam ampliar seus aportes em P&D, contra pouco mais de 50% da indústria geral.

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Para Iran Gonçalves Júnior, Diretor Médico da EMS, do Grupo NC Farma, a indústria nacional tem papel decisivo na democratização do acesso à saúde: “O Brasil tem mostrado capacidade de inovar e de investir em pesquisa clínica, mas precisamos avançar ainda mais para transformar ciência em soluções acessíveis para a população. A integração entre academia, indústria e governo é fundamental para que possamos oferecer terapias modernas e de qualidade”.

Iran Gonçalves ainda destaca a importância e dimensão da planta industrial de medicamentos localizada na Zona Franca de Manaus. Trata-se, segundo o Diretor Médico da SEM, da quarta maior planta de medicamentos do mundo.

Amazônia e a indústria farmacêutica
Foto: Roberto Dziura Jr/AEN

Já Fernanda de Negri, do Ministério da Saúde, destaca a necessidade de alinhar inovação com políticas públicas de saúde: “O Complexo Econômico-Industrial da Saúde é estratégico para o país porque combina inovação científica, desenvolvimento produtivo e acesso universal. A biodiversidade da Amazônia amplia nossas oportunidades, mas é essencial que saibamos transformar esse potencial em benefícios reais para o SUS e para os brasileiros”.

Segundo o professor Adriano D. Andricopulo, presidente da Academia de Ciências do Estado de São Paulo, o Brasil reúne um “imenso potencial” para o desenvolvimento de novas moléculas e medicamentos a partir de pesquisas conduzidas nos principais centros científicos do país. Ele destacou, em especial, as oportunidades abertas pela biodiversidade amazônica, ressaltando a importância de identificar moléculas bioativas com aplicações farmacêuticas.

Pesquisa celular. Foto: Michel Rocha Baqueta

Andricopulo aponta que métodos laboratoriais, computacionais e de biotecnologia já permitem acelerar esse processo, desde a coleta até a triagem de substâncias promissoras. No entanto, chamou atenção para a necessidade de ampliar a infraestrutura nacional de pesquisa incluindo laboratórios, bancos de germoplasma, museus e redes de biodiversidade e de fortalecer a ponte entre a produção acadêmica e o desenvolvimento industrial.

“É fundamental garantir que descobertas feitas no laboratório avancem para ensaios clínicos, testes de toxicologia e, por fim, cheguem à produção em escala”, afirmou o especialista. 

Biodiversidade amazônica

Sementes de Seringueira. Foto: Reprodução/Fapeam

A Amazônia, uma das maiores reservas de biodiversidade do planeta, reúne um potencial único para transformar a pesquisa farmacêutica.

De acordo com estudo da Universidade Federal da Bahia (UFBA), já foram catalogadas na região amazônica mais de 14 mil espécies de plantas com sementes, reforçando sua relevância como fonte de conhecimento científico e inovação em saúde. Iniciativas recentes vêm reforçando esse protagonismo: 

  • A base de dados Trajetórias (SinBiose / CNPq) reúne 36 indicadores ambientais, socioeconômicos e epidemiológicos de 772 municípios da Amazônia Legal, cobrindo o período de 2000 a 2017.
  • O projeto Synergize está mapeando a biodiversidade amazônica terrestre e aquática para identificar lacunas no conhecimento e apoiar políticas públicas de conservação. 

Diálogos Amazônicos

Durante o webinar ‘Diálogos Amazônicos’, que aconteceu no dia 29 de setembro, autoridades se reuniram para discutir inovações o papel de bioativos da Amazônia na indústria farmacêutica.

Leia também: Pesquisa desenvolve bioprodutos encapsulados a partir de plantas e fungos amazônicos

Conferência Diálogos Amazônicos traz reflexões sobre o futuro da Amazônia. Foto: CIEAM

O encontro contou com a participação de Fernanda de Negri, Secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde do Ministério da Saúde; Adriano D. Andricopulo, Coordenador de Inovação do Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos (CIBFar/CEPID) da FAPESP e presidente da Academia de Ciências do Estado de São Paulo; e Iran Gonçalves Júnior, Diretor Médico da EMS, do Grupo NC Farma.

Durante o debate, foram abordados temas centrais para o futuro da indústria de medicamentos no Brasil, como o desenvolvimento de novas moléculas, terapias biológicas, biotecnologia e uso de inteligência artificial, além das inovações recentes promovidas por empresas brasileiras. Um dos pontos de destaque foi a discussão sobre a relevância da biodiversidade da Amazônia como fonte de conhecimento e insumos para a pesquisa e desenvolvimento de fármacos, reforçando a importância da preservação ambiental para a inovação científica.

Inovação, saúde e sustentabilidade

O webinar ‘Diálogos Amazônicos’ reforçou a necessidade de integração entre indústria, academia e governo na criação de políticas e soluções que unam inovação, saúde e preservação ambiental, posicionando o Brasil de forma estratégica no cenário global de ciência e tecnologia.

A série ‘Diálogos Amazônicos‘ tem o patrocínio do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), Bic da Amazônia; Coimpa; Honda; Copag; Mondial; UCB da Amazônia; Visteon; Sinaees; Águas de Manaus; Super Terminais; Midea Carrier; Abraciclo; Simmmem; Impressora Amazonense; Fieam; Caloi; Tutiplast Indústria; Recorfama Indústria; GBR Componentes; Embalagem Placibras; Atem; Vinci; Bemol e Fundação Rede Amazônica.

*Com informação do Centro da Indústria do Estado do Amazonas – CIEAM


No ‘Mundo Perdido’: pesquisas revelam a origem e a diversidade de borboletas nos tepuis

Pesquisa sobre borboletas foi realizada em tepuis de Roraima. Foto: Isabela Oliveira

Imagine montanhas que parecem ter sido recortadas do céu, com topos planos, florestas envoltas em névoa e paisagens que inspiraram a criação do romance ‘O Mundo Perdido’, de Arthur Conan Doyle. Esses são os tepuis, formações rochosas monumentais que se erguem no Escudo das Guianas, na fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana – o tepui mais famoso para os brasileiros é o Monte Roraima.

Isolados como ilhas no céu, os tepuis abrigam espécies únicas de plantas e animais, muitas delas não são encontradas em outros lugares do planeta.

Leia também: Cientistas descobrem novas espécies em montanhas isoladas da Amazônia

Nos últimos anos, pesquisadores brasileiros têm desvendado um pouco desse enigma natural. Dois estudos recentes — conduzidos por cientistas do Instituto Mamirauá, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e instituições parceiras — revelaram como as borboletas respondem às variações de altitude nos tepuis e como sua diversidade foi moldada por mudanças climáticas ao longo de milhares de anos. As descobertas reforçam o valor biológico dessa região e alertam para os riscos que essas espécies enfrentam em um cenário de aquecimento global.

Imagem aérea da face norte da Serra do Sol (Uei Tepui) no estado de Roraima, Brasil. Foto: Thiago Laranjeiras

A origem de uma fauna singular

O Pantepui, como é chamada a província biogeográfica formada pelo conjunto dos tepuis, guarda uma biodiversidade marcada pelo alto endemismo — espécies que só existem ali. Entre elas está a borboleta Antirrhea ulei, descrita pela primeira vez em 1912 e redescoberta em expedições recentes. Segundo o pesquisador Rafael Rabelo, do Instituto Mamirauá, a história dessa espécie ajuda a entender a origem da fauna local.

borboletas
Face dorsal (A) e ventral (B) de um indivíduo macho de Antirrhea ulei, espécie endêmica dos tepuis, coletado na Serra do Sol. Foto: Isabela Freitas

“As flutuações climáticas do passado, especialmente durante a última glaciação, fizeram com que espécies adaptadas ao frio migrassem para áreas mais baixas. Com o aquecimento, elas voltaram a subir as montanhas. Esse vai e vem pode ter moldado a distribuição atual de espécies endêmicas nos tepuis”, explica Rabelo.

Modelos desenvolvidos pelos pesquisadores mostram que, durante o último máximo glacial (há cerca de 21 mil anos), A. ulei provavelmente ocupava áreas mais amplas e conectadas. Hoje, sua distribuição se restringe a poucos pontos elevados, o que a torna mais vulnerável às mudanças ambientais.

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Borboletas no gradiente da montanha

Outro estudo, liderado por Isabela Oliveira, do ICMBio em parceria com o Instituto Mamirauá, trouxe novas respostas ao analisar a diversidade de espécies de borboletas ao longo do gradiente altitudinal do Uei Tepui, nome indígena para Serra do Sol, na fronteira Brasil-Venezuela dentro dos limites da Terra Indígena Raposa Serra do Sol e do Parque Nacional Monte Roraima. Em apenas 21 dias de expedição, foram registradas 93 espécies de borboletas, das quais várias são exclusivas dos tepuis.

Os resultados mostraram que a riqueza e a abundância diminuem consideravelmente à medida que a altitude aumenta. Porém, acima de 1330 metros ocorre uma mudança drástica: as espécies comuns da Amazônia dão lugar a borboletas endêmicas, adaptadas às condições únicas das florestas nebulares e topos rochosos.

“É como se a montanha tivesse uma linha invisível. A partir dela, vemos menos espécies, mas mais especializadas e exclusivas desse ambiente. É um filtro natural, que seleciona organismos capazes de viver em condições mais frias e restritas”, comenta Oliveira.

Prancha com exemplares de espécies de borboletas endêmicas registradas no Uei Tepui durante a expedição à Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Foto: Isabela Freitas

Entre as espécies registradas estão novas ocorrências para o Brasil e até possíveis novas espécies para a ciência. O estudo também revelou que a borboleta Antirrhea ulei é dominante nas maiores altitudes, confirmando seu status de símbolo da singularidade biológica dos tepuis.

Por que tanta exclusividade?

Mas o que explica essa concentração de espécies únicas nos tepuis? A resposta está no isolamento geográfico e ecológico dessas montanhas. Como verdadeiras ilhas cercadas por florestas e savanas, os tepuis criam barreiras naturais que limitam o deslocamento de organismos, mesmo que sejam organismos voadores como borboletas e aves. Além disso, seus ambientes apresentam fortes contrastes em pequenas distâncias — da floresta densa à vegetação arbustiva sobre rochas — o que favorece a diferenciação de espécies.

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Esse processo faz com que muitas linhagens evoluam de forma independente, resultando em endemismo elevado. Segundo Rabelo: “Cada tepui tem características próprias, e isso significa que duas montanhas separadas por poucos quilômetros podem abrigar comunidades de borboletas muito distintas. É um verdadeiro laboratório natural de evolução”.

O desafio das mudanças climáticas

Se o passado geológico e climático moldou a riqueza dos tepuis, o futuro traz preocupações. Com o aumento das temperaturas globais, espécies que já vivem próximas ao topo das montanhas podem não ter para onde escapar. Para muitas delas, não existe “um degrau acima”.

“Essas borboletas dependem de condições específicas de clima e vegetação. Se essas condições desaparecerem, o risco de extinção é real”, alerta Oliveira.

Além do aquecimento, a maior frequência de extremos climáticos, como secas e tempestades intensas, pode afetar diretamente a sobrevivência das espécies e a regeneração de suas plantas hospedeiras. Para os cientistas, é urgente ampliar o monitoramento da biodiversidade dos tepuis e integrar essas áreas às estratégias de conservação.

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Uma janela para o desconhecido

Os estudos também destacam a importância das parcerias locais. A pesquisa no Uei Tepui só foi possível com o apoio do povo indígena Ingarikó, que vive na região, além da colaboração de gestores de unidades de conservação como o Parque Nacional do Monte Roraima e a Terra Indígena Raposa Serra do Sol.

“Conhecer essa biodiversidade não é apenas uma questão científica. É também valorizar a cultura e o território dos povos que sempre viveram em harmonia com esse ambiente”, reforça Rabelo.

Para Oliveira, a mensagem é clara: “Os tepuis ainda guardam muitos segredos. Estamos apenas arranhando a superfície do que existe ali. Cada expedição traz descobertas que reforçam o quanto precisamos proteger esse ‘Mundo Perdido’”.

A ciência mostra que os tepuis são mais do que paisagens espetaculares: são refúgios de biodiversidade moldados por milhares de anos de história natural. As borboletas, com sua beleza e sensibilidade às mudanças ambientais, revelam como esses ecossistemas são frágeis e únicos. Proteger os tepuis significa proteger não apenas espécies isoladas, mas todo um patrimônio biológico e cultural que pertence à Amazônia e ao planeta.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Mamirauá, escrito por Rafael Rabelo e Isabela Oliveira

Programas do Amazon Sat chegam à grade da Rede Amazônica no Acre; saiba quais

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A partir do dia 6 de outubro, os programas ‘Gente do Norte’, ‘Panc’, ‘Galeria’ e ‘Amazônia Animal’, produzidos pelo canal Amazon Sat, passam a integrar a grade da Rede Amazônica no Acre, incluindo ainda mais representatividade regional, cultura, ciência e gastronomia para o público acreano.

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Segundo o diretor de programação do Grupo Rede Amazônica, Silvério Machado, a mudança faz parte de um ajuste na grade local para reforçar a conexão e a sintonia com o público do estado.

“A mudança de grade no Acre foi estudada pela Rede Amazônica com o objetivo de conectar a programação da TV Globo ao cotidiano do povo acreano. Essa movimentação possibilitou à Rede Amazônica criar um slot para aproveitar outros conteúdos do grupo. Foi definido que vamos utilizar os conteúdos do Amazon Sat porque, como diz o slogan do canal, têm a cara e a voz da Amazônia, e são conteúdos que têm sintonia com o acreano, com a região amazônica, e têm qualidade. Nada mais natural do que aproveitar esses conteúdos que têm qualidade, relevância e que trazem o protagonismo do amazônida”, afirmou o diretor. 

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O coordenador do Amazon Sat, Lemmos Ribeiro, destacou que a parceria com a Rede Amazônica no Acre amplia o alcance dos programas e reforça a missão de valorizar a cultura nortista.

“O Amazon Sat já está presente no Acre, mas essa nova janela de exibição amplia significativamente nossa capacidade de levar conteúdos autorais e regionais a ainda mais telespectadores. A parceria fortalece nosso compromisso de valorizar a identidade amazônida, criando uma conexão mais profunda com o público local e promovendo a cultura da região Norte de forma autêntica”, explicou Ribeiro. 

Ainda de acordo com o coordenador, o público acreano terá acesso a quatro novos programas que celebram a diversidade e a riqueza cultural da Amazônia, com temas que vão desde cultura popular até biodiversidade. Os conteúdos são pensados para refletir a realidade e os valores do povo amazônida, com a marca registrada do Amazon Sat: informação com identidade regional forte.

Segundo Reuton Morais, gerente de Canais e Performance, a mudança tem como objetivo manter o foco principal do Grupo: desenvolver e integrar a Amazônia. 

“Esse movimento é de grande importância para a emissora e para a região, fomentando a Amazônia e integrando o público. A expectativa dessa experiência e da repercussão de integração dos conteúdos de ambas as emissoras são as melhores, onde estamos mobilizando todas as nossas plataformas como divulgação, e acredito que já é um sucesso. E, no fim, quem ganha é toda a população do Acre”, afirmou Morais. 

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Programas do Amazon Sat que passam a integrar a grade

Entre os destaques está o programa ‘Galeria’, apresentado por três jornalistas. Entre elas, Isabelle Lima afirma que o intuito do programa é valorizar a produção artística e cultural amazônica.

Programa Galeria do Amazon Sat
Foto: Reprodução/Amazon Sat

“O Galeria busca mostrar não só a beleza natural da região amazônica, mas também contar sua história e como a cultura pode ser uma grande formadora da nossa identidade. Une arte, cinema, literatura, turismo, e o Acre é um estado com acervo de histórias e uma cultura diversa que tem que ser mostrada para toda a região”, disse.

Já o programa Amazônia Animal, comandado pelo biólogo Rodrigo Hidalgo, mostra histórias sobre a fauna amazônica, animais domésticos e muitas curiosidades sobre as espécies.

“Com muita alegria chegamos na Rede Amazônica para falar sobre as maravilhas da Amazônia, histórias de animais da floresta, da fazenda e também os pets! Ainda não conheço o Acre, tenho alguns amigos de lá, e seria um sonho gravar nesse estado tão rico em fauna, flora e cultura”, afirmou.

A estreia dos programas está prevista para segunda-feira, 6 de outubro, com transmissões semanais nas madrugadas. Confira a programação: 

Lula reafirma que Belém terá a “COP da verdade”

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Foto: Reprodução/Agência Pará

A pouco mais de um mês para a realização da COP 30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
voltou a dizer que o evento mundial sobre mudanças climáticas vai ser a “COP da verdade”. Em visita ao Pará, nesta quinta-feira (2), Lula disse reconhecer os problemas da capital Belém, que mereceu a indicação para sediar a conferência da ONU.  

“Eu sabia que Belém era uma cidade com problemas. Tem os problema de drenagem, tem os problema da pobreza. Mas veja, por que que nós aceitamos de Brasil de fazer a COP lá? É porque é preciso mostrar para o mundo o que é a Amazônia e o que é o Pará. Não vai ser a COP do luxo, é a COP da verdade”.

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O presidente fez a declaração durante passagem pelo arquipélago do Marajó, para inaugurar obras de educação e assinar a retomada da obra do Novo PAC, Programa de Aceleração do Crescimento. 

No mesmo evento, Lula também voltou a cobrar que os países ricos “paguem” o preço da poluição que eles promoveram para se desenvolver:

“Queremos saber se os presidentes do mundo estão preocupados com a questão climática. Eu quero saber se o presidente Trump, se o presidente Xi Jinping, se o presidente Macron estão preocupados em resolver o problema da situação climática. Porque para que a gente mantenha nossas florestas em pé, é preciso que eles, que poluíram o mundo há muito mais tempo do que nós, resolvam pagar para que a gente possa dar qualidade de vida pro povo que mora na Amazônia”.

Presidente Lula esteve em Belém no dia 2 de outubro para compromissos gerais antes da COP 30.
Foto: Ricardo Stuckert/PR

Na região, o presidente entregou três unidades de ensino em duas cidades da Ilha do Marajó: Breves e Melgaço. Por lá, Lula ainda assinou uma ordem de serviço para a retomada de sete obras da educação em Melgaço: cinco escolas, uma creche e uma quadra escolar.

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De acordo com o governo federal, a Ilha de Marajó tem mais de cem empreendimentos com retomada de obras previstas. Eles incluem creches, escolas e quadras, para atender quase vinte e 5 mil estudantes. No ano passado, a região foi selecionada como “prioritária de assistência técnica e monitoramento educacional” pelo governo.

Depois dos eventos nas duas cidades da ilha, o presidente Lula seguiu para a capital paraense para visitar obras de infraestrutura, inclusive de drenagem e saneamento.

*Com informações da Rádio Agência Nacional