Apesar de ser estratégica para a geração de energia no Brasil, cerca de três milhões de moradores da Amazônia Legal dependem de sistemas isolados movidos principalmente a combustíveis fósseis, como diesel e gás. Uma solução cara, poluente e que muitas vezes funciona apenas algumas horas por dia.
O cenário energético da região é detalhado na publicação ‘Energia: As Amazônias na agenda de transição‘, da rede Uma Concertação pela Amazônia, que contou com a parceria com o Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), de abril. Ela mostra como a exclusão energética afeta principalmente populações tradicionais e comunidades localizadas em territórios remotos da Amazônia Legal.
Nas unidades de conservação, 22% da população vive sem acesso à energia elétrica pública;
Em terras indígenas, quase 78 mil pessoas vivem sem atendimento adequado, muitas vezes dependentes de geradores individuais;
Mais de 212 mil pessoas em assentamentos rurais seguem excluídas do serviço elétrico;
O Pará concentra o maior número de pessoas em situação de exclusão energética, em um contexto marcado pelos impactos socioambientais das hidrelétricas.
Vale lembrar que a Amazônia ainda concentra quase um milhão de pessoas sem acesso público à eletricidade.
Além dos impactos sociais, a falta de energia também limita o desenvolvimento econômico da região. Atualmente, cerca de 221 mil estabelecimentos agropecuários da Amazônia Legal operam sem eletricidade, dificultando atividades como armazenamento de alimentos, irrigação, acesso à internet e beneficiamento da produção.
“O modelo baseado em sistemas isolados a combustíveis fósseis é caro, poluente e logisticamente vulnerável. Mas o principal problema é que ele costuma ser implantado sem adaptação às realidades locais e sem participação das comunidades”, afirma Vinícius Oliveira da Silva, pesquisador do IEMA e um dos autores do estudo.
Foto: Vandenilson dos Anjos/ Rede Energia e Comunidades
Energia incoerente
A publicação destaca uma incoerência: em 2020, a Amazônia Legal respondeu por 25,7% da geração nacional de energia elétrica (majoritariamente renovável), mas consumiu apenas 8,4% desse total. Enquanto isso, milhões de pessoas na própria região continuam dependentes de combustíveis fósseis.
Grande parte dessa população é atendida pelos chamados Sistemas Isolados (Sisol), redes que funcionam fora do Sistema Interligado Nacional (SIN), usado na maior parte do país. Hoje, 90,7% da energia gerada nesses sistemas vem de fontes fósseis. Segundo o estudo, as emissões de gases de efeito estufa dos Sisol são 16 vezes maiores do que as do SIN.
“O acesso à energia é condição essencial para o exercício da cidadania nas Amazônias”, afirma Georgia Jordão, responsável pela área de Conhecimento da Uma Concertação pela Amazônia. “A falta de energia confiável compromete o funcionamento de escolas, o armazenamento de vacinas, o acesso à internet e também limita atividades produtivas locais”.
Como alternativa ao modelo atual, o caderno propõe ampliar soluções renováveis descentralizadas, mais adequadas às características da Amazônia. Entre os potenciais identificados estão os sistemas solares off-grid (conjuntos de painéis solares, baterias e equipamentos que funcionam desconectados com a rede elétrica convencional), com capacidade para atender cerca de 226 mil residências. O estudo também destaca o aproveitamento do biogás gerado pela decomposição de resíduos orgânicos urbanos, que poderia produzir eletricidade para aproximadamente 546 mil moradias.
Segundo Georgia Jordão, a Amazônia pode ser protagonista de uma transição energética mais justa, baseada em soluções limpas, descentralizadas e adaptadas aos territórios. Para ela, mais do que expandir infraestrutura, é preciso tratar energia como instrumento de cidadania, desenvolvimento e redução das desigualdades.
*Com informações do Instituto de Energia e Meio Ambiente
A evolução do El Niño em 2026 desponta como um dos principais fatores de risco climático para a Amazônia e a América Latina. Avaliações recentes indicam um cenário de transição, com sinais de possível formação de um novo evento no segundo semestre, ainda cercado por incertezas.
Entre as principais consequências para a região estão secas severas, queda nos níveis dos rios, aumento da propagação de incêndios e maior vulnerabilidade de populações ribeirinhas. O registro mais recente ocorreu em 2024, quando o El Niño, combinado ao aquecimento do Atlântico Tropical, contribuiu para uma das secas mais intensas já observadas na Amazônia.
As análises sobre as probabilidades da consolidação de um novo El Niño este ano têm como base comunicados oficiais de órgãos que monitoram o Oceano Pacífico e a atmosfera, tais como a Comisión Multisectorial encargada del Estudio Nacional del Fenómeno “El Niño” (ENFEN), do Peru, o Centro Internacional para la Investigación del Fenómeno de El Niño (CIIFEN), do Equador, a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) dos EUA, e a Organização Meteorológica Mundial (OMM), da ONU. Todas são instituições científicas como olhar particular no fenômeno El Niño.
Segundo o último boletim do órgão americano, de maio a julho de 2026, há 61% de probabilidade de formação de El Niño entre maio e julho de 2026, com tendência de persistência ao menos até o final do ano. Já o CIIFEN, em seu boletim de abril, indica que a chance de um evento de maior intensidade no próximo semestre é relativamente baixa (cerca de 20%), sugerindo um cenário predominantemente fraco a moderado.
Em paralelo, a ENFEN manteve, em seu boletim de abril, o alerta de “El Niño costeiro”, um aquecimento mais localizado nas águas próximas ao litoral do Peru e do Equador, geralmente associado a chuvas intensas na faixa costeira. A expectativa é de que o El Niño costeiro atinja intensidade moderada entre junho e julho deste ano e continue até janeiro de 2027 com baixa intensidade.
De acordo com a especialista em mudança do clima do Observatório Regional Amazônico (ORA/OTCA), Isabelle Vilela, o cenário atual exige cautela na interpretação das previsões.
“Hoje há um cenário favorável ao desenvolvimento de El Niño a partir do segundo semestre de 2026, mas a previsão ainda não está plenamente consolidada em relação à intensidade e aos impactos regionais. Nesse contexto, o monitoramento contínuo das condições oceânicas e atmosféricas será essencial para refinar os cenários e reduzir as incertezas nas próximas atualizações” analisa Vilela.
Parte dessa incerteza se deve ao fato de que as anomalias de temperatura no Pacífico equatorial precisam persistir por pelo menos três meses consecutivos para que o fenômeno El Niño seja confirmado. Além disso, seus efeitos no clima costumam aparecer com alguns meses de atraso.
A especialista adiciona ainda que o comportamento do fenômeno não é homogêneo ao longo do Pacífico, com diferenças relevantes entre o Pacífico central e o leste, onde já há influência direta do El Niño Costeiro.
Risco de nova seca extrema?
Na região amazônica, a possível evolução do El Niño pode provocar alterações significativas no regime de chuvas, com efeitos diretos sobre os sistemas hidrológicos, os ecossistemas e as populações locais.
Para que o El Niño se forme, a temperatura da superfície do mar no Pacífico tropical central e oriental deve ficar pelo menos +0,5 °C acima da média durante vários meses consecutivos. Figura original da NOAA, editada com inteligência artificial. Foto: Divulgação/Opca
Outro efeito crítico associado ao El Niño é o aumento do risco de incêndios florestais, especialmente em um contexto de temperaturas mais elevadas e menor umidade.
“El Niño atua como um fator de amplificação, criando condições ambientais altamente favoráveis para que queimadas iniciadas localmente se tornem mais intensas, extensas e difíceis de controlar”, pontua Vilela.
Os impactos econômicos decorrentes do El Niño tendem a ser amplos e interconectados. A redução dos níveis dos rios pode comprometer a navegabilidade, afetando o transporte de alimentos, combustíveis e insumos. Setores como agricultura, pesca e energia também podem sofrer perdas significativas.
Populações ribeirinhas e indígenas estão entre as mais vulneráveis, com riscos relacionados ao acesso à água, segurança alimentar e isolamento geográfico.
“A redução dos níveis dos rios compromete o acesso à água potável, dificulta o deslocamento e o transporte de bens essenciais, e pode levar ao isolamento de comunidades, afetando serviços básicos como saúde e educação”, afirma a especialista.
Entretanto, no caso da Amazônia, impactos como secas severas, queda nos níveis dos rios e aumento do risco de incêndios não dependem apenas da intensidade do El Niño no Pacífico. “Mas os impactos não dependem de um único fator. O aquecimento anômalo do Atlântico tropical pode mudar o regime de chuvas e agravar a seca na Amazônia, enquanto o estado do solo e da vegetação pode intensificar ou amenizar esses efeitos”, esclarece Vilela.
A especialista complementa que, embora não seja possível afirmar que os eventos extremos recentes vão se repetir, a combinação entre a variabilidade climática e o aquecimento global mantém elevado o risco de impactos importantes na Amazônia, especialmente se o El Niño ocorrer junto com um aquecimento anormal do Atlântico tropical como foi o caso em 2023-2024.
Cooperação Regional
Os países membros da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) reconhecem o El Niño como um dos principais fatores de risco climático para a região amazônica. Em resoluções recentes, os governos destacam a necessidade de fortalecer a cooperação regional para enfrentar eventos extremos, por meio do intercâmbio de dados, do aprimoramento de sistemas de monitoramento e alerta precoce e da implementação de uma estratégia conjunta de gestão de riscos.
As decisões também enfatizam a importância de ampliar a capacidade de resposta a emergências e reduzir a vulnerabilidade das populações diante de secas, enchentes e incêndios florestais cada vez mais intensos.
Nesse contexto, o Observatório Regional Amazônico (ORA/OTCA) tem papel estratégico na integração de dados e no apoio à tomada de decisão.
“Fenômenos como o El Niño não respeitam fronteiras. A articulação de políticas nacionais e ação coletiva entre os países amazônicos é essencial para antecipar riscos, compartilhar dados e fortalecer a capacidade de resposta dos países amazônicos diante de eventos extremos”, aponta o coordenador do Observatório Regional Amazônico (ORA/OTCA), Arnaldo Carneiro.
Suraras do Tapajós. Foto: Derso Oliveira/ Nonada Jornalismo
Silvan Galvão cresceu em uma escola viva. Foi na Amazônia que o menino de Santarém aprendeu primeiro pelo corpo: dançou cordões de pássaro, carimbós, bois e outras manifestações populares do oeste do Pará. Depois vieram a percussão, as composições, o canto, as oficinas e os palcos. Hoje, mestre de carimbó ligado a Alter do Chão, ele circula pelo Brasil e já levou sua música para fora do país carregando essa formação.
“A Amazônia que trago em mim é uma escola que toda vez me ensina a me reinventar”, resume.
Nesta escola, um dos professores é o rio Tapajós. Antes de ser apresentado como bacia hidrográfica, dado ambiental ou território em disputa, o rio aparece como presença cotidiana para quem nasce, vive e cria a partir de suas margens. O Tapajós atravessa uma bacia de cerca de 500 mil km², distribuída por Mato Grosso, Pará, Amazonas e Rondônia, alcança 74 municípios e reúne ao menos 1,8 milhão de habitantes. É caminho, fonte de alimento, hidrovia, manancial e palco de disputas envolvendo garimpo, hidrelétricas, agropecuária e conservação ambiental. Mas, antes dos mapas e dos conflitos, é também memória, ritmo e modo de vida.
O rio não corre apenas como água na Amazônia paraense. Para as comunidades em suas margens, ele ensina, guarda lembranças, alimenta modos de vida e organiza festas, cantos e batuques. É em torno de suas águas que se articulam o Sairé de Alter do Chão, o Gambá de Pinhel, as rodas de curimbó e repertórios sobre canoas, bichos, encantados, praias e cotidianos atravessados pela floresta.
Em um território marcado por comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas, a música não trata a natureza como cenário: nasce da convivência com esse ambiente. Hoje, diante de pressões como hidrelétricas, desmatamento, garimpo e disputa por recursos naturais, esses sons ganham também a força de uma memória ambiental e política.
No Brasil, o desmatamento responde por 46% das emissões de gases de efeito estufa, segundo levantamento do Observatório do Clima publicado em 2023. É justamente sobre a necessidade de preservação da Amazônia, maior floresta tropical do mundo, que cantam os artistas e mestres do norte do país.
Antes de termos como ‘emergência climática’, ‘racismo ambiental’, ‘ponto de não retorno’ ou ‘transição energética justa’ se popularizarem no debate público, rios, florestas, animais, secas, cheias, queimadas e territórios em disputa já apareciam na música feita na Amazônia. Em muitos casos, não como discurso técnico, mas como parte da vida cotidiana de quem canta, dança, pesca, planta, constrói instrumentos, participa de festas populares e depende diretamente da natureza para manter seus modos de vida.
Nas toadas de boi-bumbá, no carimbó, no rap, nas aparelhagens, nas composições de artistas indígenas e nas sonoridades nascidas entre comunidades ribeirinhas, urbanas, extrativistas e periféricas, a relação com o ambiente aparece tanto como celebração quanto como alerta.
Para a professora Maria Celeste, da Universidade do Estado do Amazonas, as toadas tratam da natureza há muito tempo, primeiro como espaço de beleza e encantamento, depois incorporando de forma mais direta a ideia de preservação.
“Algumas temáticas das toadas tratam da natureza, exaltando-a como espaço exótico, mas também como meio ambiente que precisa ser preservado”.
Segundo ela, principalmente a partir da década de 1990, essas composições passaram a expressar com mais força preocupações com sustentabilidade, cuidado com os rios, extinção de animais e integração entre ribeirinhos e meio ambiente. Antes disso, diz, “a natureza e o caboclo aparecem integrados como paisagem bela e exótica”.
Nos últimos anos, essa abordagem se tornou mais urgente. A celebração da natureza passou a conviver com ameaças ao território, como queimadas, invasões e conflitos políticos ligados ao contexto amazônico. “Hoje, apesar da temática sobre natureza e meio ambiente, há um tom de urgência explícita sobre questões políticas referentes ao contexto amazônico”, afirma Maria Celeste.
Toadas que alertam
“Lá se vai a saracura correndo dessa quentura / E não vai mais volta / Lá se vai onça-pintada fugindo dessa queimada / E não vai mais voltar / Lá se vai a macacada junto com a passarada / Para nunca mais voltar / Para nunca mais, nunca mais voltar / Virou deserto o meu torrão / Meu rio secou, pra onde vou?”
Os versos de “Lamento de Raça”, toada do Boi Garantido lançada em 1996, condensa uma preocupação presente há décadas na música feita na Amazônia: a floresta como lugar de memória, perda e denúncia. Na canção, a queimada não aparece como abstração ambiental, mas como destruição de uma experiência de vida — a árvore da infância transformada em lenha, a dor coletiva diante da Amazônia em chamas.
Essa leitura também atravessa a trajetória do boi-bumbá. Ruan Jucá, da assessoria de comunicação do Boi Garantido, lembra que a relação entre toadas, meio ambiente e lutas populares não é recente. Segundo ele, antes mesmo da oficialização do Festival de Parintins, com a primeira edição em 1965, os bumbás já cantavam a fauna, a flora e a resistência dos povos indígenas.
No caso do Garantido, uma sequência de toadas e temas ajuda a mostrar essa presença ambiental. Na década de 1990, aparecem “Lamento de Raça” (1996) e “A Vida Depende da Vida” (1999), com reflexões sobre devastação. Nos anos 2000, a pauta se intensifica: “Nossa Amazônia” (2000), o álbum “Amazônia Viva” (2001), com a toada “Não Mate a Vida”, “O Boi da Amazônia” (2002) e “Amazônia, Santuário Esmeralda” (2003) reforçam a floresta como patrimônio a ser protegido.
Em 2005, “Festa da Natureza” inclui a luta do ativista político Chico Mendes em “Aquarela da Amazônia”. No ano seguinte, “Terra, a Grande Maloca” amplia o debate para mudanças climáticas e para o desequilíbrio causado pela ação humana. A sequência segue com “Guardiões da Amazônia” (2007), “O Boi da Preservação” (2008) e “Filhos do Amanhã – A Sabedoria Não Envelhece” (2009), com uma projeção de futuro a partir dos saberes ancestrais.
Amazônia em ritmo de carimbó
Cantor, compositor, percussionista e pesquisador, Silvan Galvão vê essa relação como algo próprio da cultura popular. Para ele, comunidades tradicionais sempre estiveram ligadas à natureza, independentemente da presença atual do tema climático nos debates públicos. “Só expressar o seu viver, a sua história, você já mostra uma intimidade com o seu território, logo com a natureza”, define.
Silvan começou na dança, ainda criança, com carimbó e boi. Depois passou pela percussão, pela composição, pelo canto e pela construção de instrumentos. Hoje, diz que não gosta de ser delimitado apenas como mestre de carimbó, embora reconheça essa trajetória. Interessa falar de “várias Amazônias, como a urbana, periférica, ribeirinha, extrativista, indígena, LGBTQIA+”.
Entre Alter do Chão, Rio de Janeiro e São Paulo, Silvan transformou o deslocamento em método de trabalho. “Fico um pouco lá, um pouco cá, para trazer a cultura da Amazônia, os saberes, os nossos costumes, a nossa voz até esses grandes centros”, afirma. A distância também virou forma de reconhecimento. “O presente que o Sudeste me deu foi me encontrar cada vez mais amazônico”, diz.
A leitura do pesquisador de música amazonense Igor Marques caminha na mesma direção. Para ele, a canção popular brasileira nasce da relação entre pessoas e territórios.
“Toda arte é um produto da relação entre o ser humano, com o local no qual ele se insere. Não é diferente com a canção popular brasileira, ela é um reflexo dos saberes e fazeres de quem canta seus territórios”.
Essa relação muda conforme a paisagem, o trabalho e os modos de vida. “Os pescadores dos litorais cantam suas relações com o mar, enquanto os ribeirinhos de água doce versam sobre os rios”, diz Igor. Para ele, essas diferenças não aparecem apenas nas letras, mas também nos instrumentos, nas danças e nas sonoridades.
Até a matéria-prima muda. “O amazônida que faz sua rabeca certamente utilizará uma madeira diferente daquela que será usada pelo sertanejo que fará o mesmo instrumento. O som muda e a forma de se relacionar com ele também”, conta.
Igor lembra que Norte e Nordeste correspondem a mais de 60% do território brasileiro, extensão também traduzida em diversidade cultural e étnica. “São variações rítmicas, melódicas, acústicas, coreográficas, tecnológicas e cosmológicas que, apesar de conectadas em maior ou menor medida, têm suas singularidades”, observa.
No carimbó, essa relação aparece de forma direta. Roberta Brandão, jornalista, comunicadora popular e carimbozeira, afirma que o ritmo sempre falou das questões climáticas porque é feito por pessoas que lidam diretamente com a natureza, como artesãos, pescadores e agricultores. “São pessoas que observam o mundo. Elas se relacionam com isso”, resume.
Segundo Roberta, desde suas primeiras letras, o carimbó fala dos animais, das águas, das paisagens e das formas de vida ao redor. A própria divisão entre carimbó dos campos, carimbó praieiro e carimbó urbano mostra como o ritmo reflete o ambiente onde se insere. Para ela, quando se fala hoje de defesa de um mundo melhor ou de um clima mais justo, é preciso reconhecer esses protagonistas como parte do centro do carimbó, muito antes da pauta ganhar visibilidade com eventos internacionais. “A gente fala de preservação há décadas, muito antes dessa temática ter vindo ser posta para nós”.
Entre as canções citadas por ela como referência está “Queimadas”, do mestre Lourival Igarapé. Para Roberta, é uma das grandes músicas do carimbó quando o assunto é preservação. A letra parte da observação de um beija-flor e chega às queimadas nas florestas tropicais, às fontes secando e à falta de água. Ela também menciona o grupo Batucada Misteriosa, que lançou um carimbó chamado “Chico Mendes”, e o grupo Mayaná, com o álbum “Amazônia Resiste?”.
O Tapajós como presença
Mas a música amazônica não fala apenas da natureza como uma imagem bonita. Ela também denuncia. Val Munduruku, nome artístico de Valdineisa Auré, é indígena Munduruku, ativista socioambiental, formada em gestão pública e desenvolvimento regional, presidente da Associação de Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós e integrante do grupo musical de mesmo nome, em que toca maraca e faz backing vocal. Para ela, a arte é uma forma de comunicar o que acontece nos territórios.
O grupo surgiu depois da organização coletiva de mulheres indígenas em torno de temas como território, saúde, educação, direitos, formação política e defesa das comunidades.
“A gente viu, enquanto grupo musical, como uma ferramenta de luta, de falar, de denunciar o que estava acontecendo no nosso território”, afirma Val. “Então, a gente carrega o Tapajós, que é o nome do nosso rio, com essa grande representatividade do grupo de mulheres indígenas, de falar e denunciar a mineração, as invasões no território. Mas sempre com uma percepção de fazer a luta ser mais leve. Então, a gente se estrutura inicialmente enquanto esse grupo coletivo de mulheres indígenas tocando carimbó”.
No caso das Suraras, o Tapajós é presença central. O rio aparece como nome, identidade, espiritualidade e campo de disputa. Val diz que o grupo canta a luta das mulheres indígenas, a defesa do território e a denúncia da mineração e das invasões, mas tenta fazer isso de uma forma capaz de conectar as pessoas pela dança e pela música. “Nossa luta não é sempre árdua. Ela pode ser cantada, pode ser dançada e celebrada”, pontua.
Essa ideia aparece em composições como “Amazônia”, de Leila Borari, com toques de Silvan Galvão, e “Da Nascente à Foz”, música que Val associa ao ativismo socioambiental, à defesa do território contra a mineração e à preocupação com lideranças ameaçadas. A canção nasceu no território indígena Sawré Muybu, no Pará, em trabalho realizado junto à Fundação Oswaldo Cruz, e tem participação da liderança Maria Leusa, citada por Val como referência na luta socioambiental da região.
A crise muda o som
A relação entre música e ambiente também atravessa o próprio fazer musical. A crise climática, segundo Val e Silvan, já interfere na construção de instrumentos, no artesanato e no cotidiano dos territórios. Val cita a dificuldade crescente de encontrar buriti, açaí, palhas, sementes, cuias e outras matérias-primas usadas em objetos, biojoias, rituais e instrumentos. As cuias das maracas, as sementes colocadas dentro delas, as árvores usadas para fazer curimbós e até palhas antes usadas para cobrir barracas na Ilha do Amor, em Alter do Chão, têm se tornado mais escassas. “Isso é ver a mudança acontecendo na tua frente”.
Ela conta que, em 2024, a seca foi severa na região do Tapajós e, desde então, as comunidades perderam parte da previsibilidade de seus calendários tradicionais. “A gente vê mesmo várias espécies sumindo. O que era abundante agora virou escassez”, lembra. “Na região do Tapajós, estamos vivendo muito isso, uma adaptação forçada. Um ano está muito cheio, no outro está seco. Já não temos o mesmo controle sobre como nos orientar por esse calendário seguido, até então, por nossos antepassados”, diz.
O impacto, diz ela, recai diretamente sobre quem vive no território. “Quem sofre com isso somos nós, que vivemos no território, necessitamos dele e dependemos dele para fazer as coisas acontecerem. A gente quer continuar com nossas culturas vivas, com as nossas identidades vivas, mas cada vez mais isso tem sido um desafio”.
Para Silvan, os impactos não aparecem apenas na matéria-prima dos instrumentos. Eles também atingem a circulação dos artistas, a realização das festas e a manutenção da vida cultural nos territórios. “Quando acontece um evento climático extremo, a primeira coisa que as pessoas deixam de fazer é a cultura”, diz.
Segundo ele, as mudanças climáticas e suas causas, como desmatamento e desequilíbrios ambientais, tornam mais raras peças fundamentais para a construção de instrumentos: troncos, sementes e couros. Silvan cita madeiras como cumaru e sucupira, usadas em curimbós, e lembra que hoje já existem alternativas, como instrumentos feitos de PVC. “Mas não é a mesma sonoridade, nem identidade”, pontua.
O músico também ressalta que, na feitura tradicional de um tambor, não se trata simplesmente de cortar uma árvore. “É preciso esperar que ela complete seu ciclo, cresça, se reproduza, morra e forme o oco necessário para o instrumento”, explica. Para ele, o processo mostra uma relação de tempo, respeito e conhecimento com a natureza.
Mestres fora do debate
Apesar de uma atuação histórica em prol do meio ambiente, artistas e mestres da cultura popular ainda são pouco reconhecidos como agentes de conscientização ambiental, segundo especialistas. Roberta vê no carimbó um grande instrumento pedagógico, especialmente para escolas. Em vez de usar sempre as mesmas músicas nas festas juninas, seria possível trabalhar letras como “Queimadas” com crianças e adolescentes, discutir quem foi Chico Mendes e refletir sobre preservação a partir da dança e da música. “O carimbó tem outro tempo. Sempre dá para aprender e ensinar”.
Para ela, mestres e mestras não são suficientemente reconhecidos como ativistas ambientais. O fato de o carimbó e outras manifestações populares do Pará não ocuparem posição central em debates e palcos ligados à COP é, em sua avaliação, um sinal da desvalorização. Silvan é ainda mais direto. Para ele, os mestres não são considerados como deveriam em políticas públicas, patrocínios ou ações de conscientização ambiental.
Ele também critica a visão que restringe mestres populares a uma imagem folclorizada, como se circular por outros espaços, estudar, articular redes ou ocupar palcos maiores retirasse a legitimidade de quem vem da cultura popular. “A cultura popular não precisa ser ignorante. Tem que circular e ocupar todos os lugares que ela merece”, afirma.
“Todo mundo está querendo ser bem-visto por isso”, diz, ao comentar o interesse crescente de empresas e instituições pela pauta climática. “E essas pessoas são os agentes mais importantes da cultura popular, mas nós não temos apoios, patrocínios decentes”.
Val também aponta dificuldades de acesso a políticas públicas. Ela diz que leis de incentivo e fomento a pontos de cultura têm se tornado recursos mais conhecidos entre fazedores de cultura, mas ainda são difíceis de acessar, especialmente para quem está mais isolado nos territórios. Para driblar isso, grupos e associações têm buscado se organizar para compartilhar informações, ajudar em inscrições de projetos e pressionar por políticas mais acessíveis.
Procurado, o Ministério da Cultura afirmou reconhecer as expressões culturais amazônicas como ferramentas de comunicação, educação, memória e mobilização em torno da agenda socioambiental e da crise climática. A pasta citou políticas como a Política Nacional Aldir Blanc, Cultura Viva, Pontos e Pontões de Cultura, Lei Rouanet e ações ligadas à COP30 como frentes de apoio a artistas, mestres e grupos culturais.
Segundo o MinC, mestres e artistas dos territórios amazônicos são “agentes de conscientização ambiental” e atuam como elo entre saberes ancestrais e demandas atuais de sustentabilidade. O Ministério do Meio Ambiente também foi procurado, mas não respondeu até a publicação.
Canto para traduzir
Quando se fala em crise climática, a música também serve como tradutora. Termos como “ponto de não retorno”, “greenwashing”, “justiça climática” ou “racismo ambiental” nem sempre chegam às comunidades de forma clara. Silvan afirma que algumas palavras, mesmo em português, afastam mais do que aproximam. Por isso, acredita que a música pode ajudar a tornar o debate mais compreensível.
Em suas próprias composições, ele tenta enfrentar esse desafio. Cita músicas como “Emergência Climática”, “O Tempo que Ainda Temos”, “Mãe Amazônia” e “Passado e Futuro”. Em “O Tempo que Ainda Temos” há referências a petróleo, mineração, queimadas, devastação, crise global e ponto de não retorno. A mensagem central lembra que o verdadeiro capital não é o acúmulo, mas o tempo de vida ainda restante.
Val também vê a arte como uma estratégia de comunicação. Para ela, grupos indígenas e artistas de diferentes linguagens usam carimbó, rap, hip-hop, sertanejo e outros ritmos para falar do que vivem nos territórios. Isso também ajuda a enfrentar estereótipos sobre povos indígenas. “Tem gente reclamando que a gente viaja de avião, usamos celular e computador”, comenta. “Mas isso são coisas que a gente fez questão de atribuir para nossa jornada, porque a gente precisa ocupar todos os espaços”. Ao circular por outras cidades, Val diz que as Suraras do Tapajós levam não apenas o carimbó, mas também a vivência de seu território.
A turnê, iniciada em abril deste ano, por exemplo, serve para mostrar “a Amazônia para diversas outras Amazônias” e dialogar com centros urbanos de outras regiões.
Voz anterior à emergência
A relação entre música, território e ambiente, segundo o pesquisador Igor Marques, atravessa diferentes momentos da música brasileira. Entre as décadas de 1940 e 1960, artistas nordestinos como Luiz Gonzaga, Gordurinha, Marinês, Anastácia e a dupla Venâncio e Corumbá se tornaram conhecidos cantando os ciclos de seca no sertão. “A miséria, a fome, a migração em massa e o coronelismo nordestino musicados”, comenta.
O pesquisador também cita “Sobradinho”, de Sá e Guarabyra, lançada em 1977, sobre deslocamento, alagamento e impactos da barragem no sertão baiano. Na Amazônia, lembra “Argumento”, de Adelson Santos, com o refrão “Não mate a mata”; “Natureza”, de Nazaré Pereira, que clama por paz na floresta; “Ao Chico”, de Tião Natureza, em referência a Chico Mendes; além do grupo Raízes Caboclas, formado em Benjamin Constant, no Amazonas, com uma obra conectada ao cotidiano ribeirinho, indígena e metropolitano.
Também menciona o Boi Caprichoso, que em 2024 levou ao Bumbódromo o ritual Mothokari, narrando a luta dos povos indígenas Yanomami para “segurar a queda do céu”, e o Garantido, que em 1991 já cantava “Filhos do Sol”, com defesa explícita da mata.
Para ele, há uma diferença importante entre cantar a natureza como paisagem e cantar o território como espaço de disputa, memória e sobrevivência, mas ele chama atenção para o risco de só reconhecer como político aquilo que tem linguagem abertamente combativa ou intelectualizada. Como exemplo, cita que, em 2023, ao perguntar ao poeta, escritor, professor de filosofia, produtor cultural e cantor Eliakim Rufino, integrante do Trio Roraimeira, se compor sobre a natureza de Roraima durante a ditadura militar não poderia soar alienado, ouviu dele que “a estética, em si mesma, é política”.
A resposta ajuda a resumir a leitura do pesquisador. “Para uma grande parcela da população, a música intelectualizada é a única capaz de discutir política”, afirma. Para ele, essa visão impede que manifestações como trap, funk, forró, beiradão, pagodão e outras expressões periféricas sejam reconhecidas como formas de debate público.
Igor diz ainda que existe uma idealização do que seria discutir emergência climática, muitas vezes restrita à ideia de preservação. O problema, segundo ele, é que essa abordagem pode negligenciar as urgências de quem vive nas periferias do país, seja no calor excessivo das comunidades urbanas sem saneamento básico, seja na ausência do Estado em áreas submetidas ao tráfico de madeira, animais, minerais e drogas.
“ Talvez, se pensarmos nestes contextos nos quais as disputas políticas acontecem e as tomadas de decisões são realizadas, a gente entenda que a poesia combativa não é a única forma de resistência”, pondera. “É um ato de afirmação quando a periferia consegue contemplar a si mesma na dança, música, gastronomia e moda”, resume.
Para Silvan, a Amazônia não precisa apenas ser descrita por pesquisadores, governos, empresas ou eventos internacionais. “A Amazônia tem uma voz, e a voz dela são os povos que vivem”, diz. “O que muda agora é a urgência de ouvi-la”.
Linha do tempo
Antes de 1965 — As toadas dos bumbás já cantavam natureza, fauna, flora, proteção ambiental e resistência dos povos indígenas antes da oficialização do Festival de Parintins. Aqui não há uma música específica citada, mas um marco histórico sobre a presença antiga desses temas nas toadas.
1965 — Primeira edição oficial do Festival de Parintins. A data serve como referência porque os especialistas indicam que a relação entre boi-bumbá, meio ambiente e lutas populares é anterior ao próprio festival oficial.
1975 — Adelson Santos realiza a ópera “Dessana Dessana – ou o começo antes do começo”, inspirada na cosmovisão de criação dos povos indígenas do Alto Rio Negro. É um marco para pensar música amazônica, cosmologia indígena e território.
1980 — Nazaré Pereira grava “Natureza”, canção associada à defesa da floresta e à denúncia da destruição ambiental. Aparece como um dos exemplos mais fortes da música amazônica voltada à preservação já nos anos 1980.
1981 — Adelson Santos lança o LP “Um Certo Tempo Depois…”, que traz “Argumento”, canção com apelo direto à preservação da mata. Reforça a presença da pauta ambiental na música amazônica antes da popularização contemporânea do debate climático.
1987 — O Boi Caprichoso apresenta “O Canto do Uirapuru”, em defesa da Amazônia.
1988 — O grupo amazonense Raízes Caboclas, formado em Benjamin Constant, inaugura sua discografia. A canção “Porto de Lenha” é citada como referência. O grupo conecta sonoridades amazônicas ao cotidiano ribeirinho, indígena e urbano.
1989 — Tião Natureza lança “Ao Chico”, canção em homenagem a Chico Mendes, assassinado em 1988. A música insere a memória do líder seringueiro e ambientalista no repertório amazônico.
1991 — Paulinho du Sagrado e Inaldo Medeiros compõem “Filhos do Sol” para o Boi-Bumbá Garantido. A toada é marcada por versos de defesa da mata, como “Não mate a mata, seu moço”.
A partir de 1995 — As toadas passam a tratar com mais força de meio ambiente, sustentabilidade, rios, animais e ameaças aos territórios. Antes disso a natureza aparecia mais como paisagem bucólica, bela e exótica; a partir daí, ganha tom mais político e urgente.
1996 — O Boi Garantido apresenta “Lamento de Raça”. A toada é citada como exemplo de reflexão sobre devastação ambiental.
1996 — Em Rondônia, é lançada a coletânea “Amazônia em Canto”. O material é tratado como marco da difusão da pauta ecológica na música da região.
2006 — Mestre Lourival Igarapé compõe “Queimadas”. É uma das grandes referências do carimbó sobre destruição da mata, queimadas e escassez de água. A música teve circulação posterior em outras gravações e plataformas.
2018 — Leona Vingativa lança “Lixo na sua cara”, paródia de “Na sua Cara”, de Anitta. A música satiriza o problema do lixo em Belém e aproxima cultura pop, humor e crítica urbana.
2021 — As Suraras do Tapajós lançam o álbum “Kiribasáwa Yúri Yí-Itá (A Força Que Vem das Águas)”, com a faixa “Amazônia”, de Leila Borari e Silvan Galvão. O álbum canta a Amazônia do oeste paraense, o Rio Tapajós, seus afluentes e a força das mulheres indígenas.
2021 — Bira Lourenço e Catatau Batera lançam “Sons da Beira”. Álbum instrumental gravado com sons de elementos da paisagem natural e cultural de Porto Velho, em Rondônia.
2022 — Silvan Galvão lança o EP “Mãe Amazônia”, com faixas como “Mãe Amazônia, De Pé!” e “Passado e Futuro”. O trabalho reforça a defesa da Amazônia e dialoga com território, ancestralidade e crise ambiental.
2024 — Silvan Galvão e Doralyce lançam “Emergência Climática”.
2026 — O Grupo Mayaná lança o álbum visual “Amazônia Resiste!?”. O trabalho reúne músicas autorais e linguagem audiovisual, articulando carimbó, dança, animação e defesa da Amazônia.
Observação: em alguns casos, é importante diferenciar ano de composição, ano de apresentação em festival, ano de gravação e ano de lançamento em plataformas digitais. Para músicas de tradição oral, rodas, bois e carimbós, a circulação pode ser anterior ao registro oficial.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Nonada Jornalismo, escrito por Lucas Veloso
Representantes de 28 entidades lançaram a “Carta da Amazônia” na TranspoAmazônia 2026. Foto: Divulgação
Representantes de 28 entidades internacionais, nacionais e regionais lançaram a “Carta da Amazônia”, documento que reúne uma série de reivindicações voltadas à infraestrutura de transporte na Região Norte, durante a cerimônia de encerramento da TranspoAmazônia 2026 – III Feira e Congresso de Transporte e Logística.
Entre os principais pontos defendidos pelas entidades está a necessidade de manutenção e garantia da trafegabilidade de seis importantes rodovias da região: BR-319, BR-174, BR-364, BR-153, BR-163 e BR-230, conhecida como Transamazônica. Segundo os representantes do setor, as estradas enfrentam problemas estruturais e, em alguns trechos, estão em situação de abandono.
O documento também pede atenção permanente do poder público para a navegabilidade dos rios amazônicos, com investimentos em dragagem e ações que assegurem o transporte fluvial durante os períodos de estiagem, quando a circulação de embarcações é impactada pela redução do nível das águas.
Além disso, a Carta da Amazônia destaca a importância da continuidade dos investimentos em infraestrutura e logística, considerados fundamentais para o desenvolvimento econômico da região.
As entidades defendem ainda a criação de condições mais igualitárias para novos empreendimentos, com o objetivo de ampliar oportunidades e reduzir desigualdades históricas na Amazônia.
Foto: Beatriz Aquino/ Arsepam
Participação internacional
A TranspoAmazônia 2026 reuniu entidades representativas do setor de transporte e logística do Brasil e do exterior. Participaram do encontro instituições como a Confederação Nacional do Transporte (CNT), a Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac) e a Câmara Internacional da Indústria de Transporte (CIT). O evento também contou com representantes de mais de 60 países ao longo dos três dias de programação.
“A gente reconhece, enquanto lá em Brasília e nas outras regiões do Brasil, que a Amazônia precisa crescer e tem que crescer. Esse é o apoio que viemos trazer aqui pra Amazônia”, afirmou o diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Souza.
Durante o encerramento do congresso, o presidente da Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agenciamento de Cargas da Amazônia (Fetramaz) e idealizador da TranspoAmazônia, Irani Bertolini, avaliou que a edição de 2026 consolidou o evento como uma referência para o setor.
“Realizamos um evento que já entrou para a história. Foram muitas conquistas esta semana, da presença do presidente da República, com a reabertura da BR-319, novos investimentos em infraestrutura e logística, até a presença inédita de mais de 60 países, muitos dos quais já interessados em parcerias e negócios com empresas amazonenses e de toda a região”, disse.
Os organizadores também confirmaram a realização da próxima edição da feira. A TranspoAmazônia 2027 ocorrerá entre os dias 19 e 21 de maio. Segundo Bertolini, a decisão foi motivada pela procura de expositores, visitantes e entidades participantes.
“A demanda partiu dos próprios expositores, do público e das entidades presentes diante do grande potencial do mercado amazônico que encontraram, e também do alto nível tecnológico, profissional e de inovação que puderam comprovar”, afirmou.
A TranspoAmazônia 2026 contou com apoio do Governo do Amazonas, de entidades representativas dos setores de transporte e indústria, além do patrocínio da Transpetro.
Segundo o pré-candidato à Presidência da República pelo Democracia Cristã (DC), Aldo Rebelo, a Zona Franca de Manaus (ZFM) foi “criada à partir do abandono da Amazônia”. O político também comentou sobre outras questões durante conversa com o jornalista Welliton Lopes, no programa ‘Entrevistas‘, do canal Amazon Sat.
“A Zona Franca de Manaus foi uma situação criada a partir do abandono da Amazônia. Como você daria a possibilidade de desenvolvimento na área industrial, criou-se a Zona Franca que vem sendo mantida”, afirmou Aldo.
Aldo Rebelo é um dos convidados do programa Entrevistas. Foto: Reprodução/Amazon Sat
Aldo afirma que é preciso defender a ZFM
“Eu fui deputado por São Paulo, mas sempre votava para defender a Zona Franca como uma necessidade não só da Amazônia, mas do Brasil”, declarou Aldo. Assista:
O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.
Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.
‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições:
quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas, às 19h30.
Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).
As terras raras estão nos hospitais, nos carros do futuro e até nos mísseis de última geração. Os minerais são o combustível da tecnologia moderna e são essenciais para manutenção do mundo digital. No meio da maior floresta tropical do planeta, uma descoberta coloca o estado do Amapá no centro do tabuleiro estratégico global.
Os municípios de Calçoene, Ferreira Gomes, Mazagão, Pedra Branca do Amapari, Serra do Navio e Vitória do Jari apresentam potencial para existência de três elementos predominantes da tabela periódica. Os dados oficiais foram compilados na plataforma Atlas Raro.
Mesmo em fase de testes, o monitoramento acendeu o radar de gigantes globais, como Alemanha, Bélgica, China, Estados Unidos e Japão. “E também de outros países que buscam dominar a tecnologia para, a partir do aperfeiçoamento, desenvolver equipamentos e tecnologias”, ressalta o fundador da plataforma Atlas Raro, Pedro Prestes.
Na prática, os minerais são a chave para transição energética global. São indispensáveis para a produção de baterias de carros elétricos, os geradores de energia eólica, bem como a fabricação de celulares, telas de notebook, televisão e drones. São a espinha dorsal da indústria aeroespacial.
“As terras raras são um conjunto de minerais formados a partir dos 15 elementos químicos da tabela periódica. Garantem a soberania nacional em termos de defesa. Mísseis, sistemas de radar e lasers utilizam terras raras na composição”, explica o doutor em Ciências Exatas e Tecnológicas, Franciolli Araújo.
De acordo com o professor da Universidade de Relações Exteriores da China, Marcus Vinicius de Freitas, o país asiático domina o setor: detém cerca de 70% das reservas, refina 90% das terras raras do planeta e usa o mineral como moeda de negociação internacional. É uma liderança que os Estados Unidos tentam quebrar a todo custo. Com fortes indícios da presença dos elementos, o Amapá se torna um alvo estratégico nesta guerra comercial.
“O Brasil foi abençoado com grande quantidade de minérios de terras raras. Isso proporciona ao país uma oportunidade de tratar estrategicamente, e não como commodity, este bem que é necessário para o desenvolvimento da indústria tecnológica global. Eu acredito que muita gente vai bater na nossa porta, querendo comprar terra, minerar e deixar o problema ambiental para o Brasil. É um problema que precisa de regulamentação, mas não precisa ter uma regulamentação que impeça efetivamente a exploração”, enfatiza.
Mas o tamanho da oportunidade é proporcional ao tamanho da responsabilidade. O Amapá é o estado mais preservado do Brasil. Diante de tanta riqueza na superfície, a possibilidade de extrair o que está no subsolo levanta o mais sensível debate. Como minerar sem destruir o ambiente?
“Se aprovada a atividade exploradora no Amapá, que seja com a garantia de proteção ambiental, não contaminação das águas e solos da região, e o respeito sociocultural e econômico das comunidades tradicionais, particularmente das áreas em que se encontram as jazidas”, disse o economista Arthur Oscar Guimarães.
Para que o ganho econômico não se torne desastre ambiental, Arthur Oscar Guimarães garante que o caminho passa por fiscalização, contratos prévios bem esclarecidos e capacitação local. Uma resposta que é desenhada nas salas de aula.
O Instituto Federal do Amapá (Ifap) criou o curso de Engenharia de Minas, com foco na redução de impactos ambientais. A finalidade é criar uma barreira técnica para que a riqueza gere desenvolvimento à população e não apenas a evasão de divisas.
“Valeria muito a pena que o Brasil e a liderança política e governamental tivesse a possibilidade de buscar em outras partes do mundo, no caso a China, as melhores práticas empreendidas, importar a tecnologia, aprender como se faz para que os minerais sejam explorados de maneira estratégica e possam servir de fato para que a região dê um pulo importante no desenvolvimento”, finaliza Marcus Vinicius de Freitas.
Foto: Divulgação/Rede Amazônica AP
Com um dos tesouros mais cobiçados do século XXI, o Amapá está diante de uma encruzilhada histórica. A direção do estado depende da sabedoria das autoridades para equilibrar os olhos atentos do mercado internacional com a proteção do maior patrimônio: a vida que pulsa sobre a terra.
Tecnologia do equipamento instalado no Instituto de Geociências e Engenharias da Unifesspa. Foto: Reprodução/ Unifesspa
A Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) deu um passo estratégico no fortalecimento de sua infraestrutura científica com a instalação de um equipamento avançado de monitoramento ambiental, voltado ao acompanhamento, em tempo real, de variáveis meteorológicas e da qualidade do ar na Amazônia.
Instalado no Instituto de Geociências e Engenharias (IGE), o sensor — desenvolvido pela empresa indiana Aurassure, especializada em soluções tecnológicas para monitoramento climático — permite o acompanhamento contínuo de indicadores como temperatura do ar, umidade relativa, material particulado (PM₂,₅ e PM₁₀), dióxido de carbono (CO₂) e compostos orgânicos voláteis totais (TVOC).
A tecnologia do equipamento amplia a capacidade da universidade de produzir dados ambientais qualificados em uma região marcada por intensas transformações climáticas e urbanas.
Equipamento auxilia na pesquisa orientada às demandas da Amazônia
A iniciativa está vinculada ao projeto de pesquisa ‘Variabilidade climática e qualidade do ar em uma cidade da Amazônia Legal: um estudo de monitoramento ambiental’, coordenado pela professora Nuria Pérez Gallardo.
O estudo tem como foco a compreensão integrada das dinâmicas climáticas e da qualidade do ar no município de Marabá, contribuindo para a produção de conhecimento científico aplicado às realidades amazônicas.
Nuria Pérez Gallardo, coordenadora do projeto. Foto: Reprodução/ Unifesspa
A consistência científica do projeto se ancora na trajetória da pesquisadora, cuja tese de doutorado investigou, em profundidade, a resposta térmica de edificações em clima tropical a partir da interação entre variáveis ambientais, materiais construtivos e dinâmicas atmosféricas. O estudo, de caráter experimental, analisou o desempenho térmico de estruturas com e sem cobertura vegetal, demonstrando como elementos como radiação solar, umidade e ventilação influenciam diretamente o microclima e o conforto térmico dos ambientes construídos.
Ao evidenciar que o uso de vegetação em fachadas e coberturas contribui para a redução de amplitudes térmicas, o aumento do atraso térmico e a melhoria das condições internas das edificações, a pesquisa não apenas dialoga com princípios da climatologia aplicada, mas também aponta caminhos concretos para soluções sustentáveis em contextos urbanos tropicais. Trata-se, portanto, de uma abordagem que articula clima, cidade e sustentabilidade — eixo que se projeta diretamente no escopo do monitoramento ambiental agora desenvolvido na Amazônia.
O projeto conta com a colaboração dos professores Lygia Policarpio Ferreira, Adriane Marques de Souza Franco e Alan Monteiro Borges, consolidando uma abordagem interdisciplinar voltada à análise ambiental.
Mulheres, ciência e Amazônia: um posicionamento institucional
Um dos aspectos mais significativos da iniciativa é o protagonismo feminino em sua condução. A maior parte da equipe de pesquisa é composta por mulheres, incluindo sua coordenação, liderada por uma pesquisadora estrangeira que desenvolve investigação científica na Amazônia.
Mais do que um dado circunstancial, essa configuração expressa um posicionamento que dialoga com a necessidade de fortalecimento da equidade de gênero na ciência — especialmente em áreas estratégicas como as ciências ambientais, historicamente marcadas por assimetrias de participação e reconhecimento.
Ao evidenciar mulheres na liderança e na produção de conhecimento de alta complexidade, a iniciativa reafirma o papel da universidade pública como espaço de transformação social, de ampliação de oportunidades e de enfrentamento das desigualdades estruturais.
Além disso, a presença de uma pesquisadora estrangeira atuando na região amazônica reforça a dimensão internacional da ciência produzida na Unifesspa e contribui para a construção de olhares múltiplos sobre a Amazônia, ampliando a capacidade de interpretação dos desafios climáticos contemporâneos a partir de perspectivas diversas e complementares.
“Fazer ciência na Amazônia, sendo mulher e estrangeira, é também um gesto de compromisso com a diversidade de olhares que a própria região exige. A produção de conhecimento precisa ser plural, sensível às especificidades locais e aberta ao diálogo. Quando mulheres ocupam esses espaços, ampliamos não apenas a representação, mas também as formas de compreender e enfrentar os desafios ambientais contemporâneos”, destaca a professora Nuria Pérez Gallardo.
Infraestrutura, formação e produção de conhecimento
A incorporação do equipamento representa um avanço significativo na infraestrutura de pesquisa da Unifesspa, ampliando as condições institucionais para o desenvolvimento de estudos científicos e tecnológicos. Os dados gerados poderão subsidiar pesquisas, políticas públicas e estratégias de planejamento urbano sustentável na região.
A iniciativa também fortalece a formação acadêmica, ao possibilitar a participação de estudantes em projetos de iniciação científica e trabalhos de conclusão de curso baseados em dados produzidos localmente, articulando ensino, pesquisa e extensão.
Esse movimento está em consonância com o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) da Unifesspa, que estabelece como missão institucional a produção, sistematização e difusão de conhecimentos científicos e tecnológicos voltados à melhoria da qualidade de vida e à construção de uma sociedade mais justa e democrática. No mesmo sentido, o documento reafirma o papel da universidade como vetor de desenvolvimento regional sustentável, com forte inserção na realidade amazônica.
Ciência, inovação e compromisso regional
A instalação do equipamento foi viabilizada a partir da atuação da professora Nuria Pérez Gallardo, com apoio do diretor do IGE, professor José Elisandro de Andrade, e da Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa e Inovação Tecnológica (PROPIT), por meio de incentivo à pesquisa.
Tecnologia instalada no Instituto de Geociências e Engenharias da Unifesspa, que amplia a produção de dados ambientais no Pará. Foto: Reprodução/ Unifesspa
Alinhada às diretrizes institucionais, a iniciativa reforça a estratégia da Unifesspa de investir na ampliação de sua infraestrutura científica e tecnológica, na consolidação da pesquisa e na produção de conhecimento orientado às demandas sociais e ambientais da região.
Em um cenário marcado pelos desafios das mudanças climáticas, a produção de dados confiáveis e contínuos sobre o ambiente amazônico torna-se essencial. Ao investir em tecnologia e pesquisa aplicada, a Unifesspa reafirma seu papel como instituição pública comprometida com a ciência, a inovação e o desenvolvimento sustentável da Amazônia.
*Com informações da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará
Coordenador do projeto, Diogo Hungria, participa do lançamento. Foto: Reprodução/Centro de Cultura e Formação Kanindé
A Kanindé lançou, no dia 22 de maio, o projeto ‘IA para Monitoramento da Biodiversidade: Detecção de Impactos em Florestas da Amazônia’, iniciativa que une inteligência artificial, ciência e monitoramento ambiental para fortalecer a proteção da Amazônia e antecipar ameaças aos territórios florestais.
O lançamento ocorreu durante o II Festival de Cultura, Identidade e Educação Ambiental Amefricanidade, realizado no campus Calama do Instituto Federal de Rondônia (IFRO), em Porto Velho.
Apresentado por Diogo Hungria, coordenador da iniciativa, o projeto propõe uma nova abordagem para o monitoramento da biodiversidade e da degradação ambiental, utilizando tecnologias avançadas para detectar impactos antes que se consolidem em grandes áreas de desmatamento.
“A floresta muda em silêncio. Com IA, podemos escutar antes que o dano vire perda”, afirma Diogo Hungria.
O que é o projeto?
Ao contrário do que se pode imaginar, o projeto não busca criar uma nova inteligência artificial do zero. Seu diferencial está na integração estratégica de modelos e tecnologias de deep learning já existentes, adaptados ao monitoramento ambiental de forma mais precisa, acessível e eficiente.
O Instituto Federal de Rondônia (IFRO) é uma das instituições parceiras do projeto, representado pelo professor Jordano, que também participou do lançamento.
A iniciativa utiliza um sistema híbrido capaz de combinar dados de radar (Synthetic Aperture Radar – SAR) e imagens multiespectrais de satélites, como Planet e Sentinel, além de empregar o índice próprio MOVI (Multi-source Optimized Vegetation Index). A metodologia permite processar informações complexas e identificar alterações ambientais mesmo em áreas encobertas por nuvens ou submetidas a processos graduais de degradação.
Como o projeto contribui para a proteção ambiental?
Enquanto métodos tradicionais de monitoramento costumam identificar o desmatamento apenas quando grandes clareiras já foram abertas, o projeto funciona como um sistema de alerta precoce, permitindo a identificação de sinais de degradação antes que a destruição avance em larga escala. A tecnologia possibilita detectar perdas parciais e graduais da vegetação, conhecidas como degradação seletiva, processo que frequentemente antecede o desmatamento e compromete a integridade da floresta de forma silenciosa e progressiva.
Além disso, ao contribuir para a redução da degradação florestal, a iniciativa auxilia no enfrentamento das mudanças climáticas, evitando a liberação de grandes volumes de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera e fortalecendo estratégias de conservação e justiça climática. O projeto também busca transformar a lógica da proteção ambiental ao priorizar ações preventivas em vez de apenas reativas, tornando mais ágil a fiscalização e reduzindo custos operacionais.
Outro diferencial é o protagonismo local: o sistema será validado de forma participativa junto aos povos da floresta, utilizando uma plataforma de código aberto, replicável e alinhada às diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
O projeto é executado pela Kanindé, com financiamento do Instituto Clima e Sociedade (iCS), e conta com parceria da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), do Instituto Federal de Rondônia (IFRO), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) e do Meu Pé de Árvore.
*Com informações do Centro de Cultura e Formação Kanindé
O Consórcio de Pesquisa em Biodiversidade Brasil–Noruega (BRC) lança, no dia 2 de junho, o livro ‘Floresta Amazônica: Biodiversidade e Restauração Florestal em Paragominas’. O evento integra a programação da Semana do Meio Ambiente e marca os 10 anos de uma cooperação científica pioneira voltada para a preservação e reabilitação de ecossistemas na Amazônia paraense.
Formado pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Universidade de Oslo (UiO) e pela Hydro, o BRC tem como objetivo principal o desenvolvimento de pesquisas ambientais de ponta.
O livro sintetiza o conhecimento acumulado em uma década de estudos, sendo um dos resultados mais expressivos desta colaboração internacional entre o setor privado e instituições acadêmicas.
Para Hugo de Boer, líder da Diretoria do BRC e representante da Universidade de Oslo, o livro é uma ferramenta de educação científica.
“Ele deve ser visto como um recurso didático que explica a estudantes e pesquisadores a biodiversidade única da Amazônia, consolidando anos de intercâmbio de conhecimento”, afirma.
Inovação e Reabilitação de Áreas
A publicação destaca o modelo inovador de parceria para o desenvolvimento sustentável. Segundo Ana Cristina Oliveira, líder do Comitê Científico do BRC, o livro demonstra como a união entre academia e empresa pode gerar soluções práticas para a conservação.
“A obra traz visibilidade ao consórcio e mostra como as pesquisas financiadas contribuem para o entendimento da floresta e para as melhores práticas de restauração em áreas de mineração”, explica.
Indicado ao Prêmio Jabuti Acadêmico 2026, o livro detalha a paisagem de Paragominas, abordando temas críticos como solo, processos ecológicos, fauna aquática e estratégias de recuperação ambiental. A obra já está disponível em português e inglês, com acesso gratuito pelo site oficial do BRC.
O livro está disponível em português e inglês para download gratuito aqui.
O Consórcio de Pesquisa em Biodiversidade Brasil–Noruega (BRC) é uma iniciativa de cooperação internacional que busca fortalecer a pesquisa científica na Amazônia Oriental. Com foco em biodiversidade e restauração florestal, o consórcio une o rigor acadêmico à aplicação prática no setor mineral, promovendo o compartilhamento de dados e o desenvolvimento de metodologias de conservação.
Quem integra o Consórcio BRC:
Universidade Federal do Pará (UFPA)
A Universidade Federal do Pará é uma das principais instituições de ensino, pesquisa e extensão da Amazônia brasileira. Com atuação na produção de conhecimento científico voltado para a região, a universidade desenvolve iniciativas nas áreas de biodiversidade, mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável, inovação e inclusão social, consolidando-se como referência nacional e internacional na pesquisa amazônica.
Universidade Rural da Amazônia (UFRA)
A Universidade Federal Rural da Amazônia atua na formação acadêmica, pesquisa e extensão voltadas ao desenvolvimento sustentável da Amazônia. Reconhecida por sua contribuição nas áreas de ciências agrárias, ambientais e socioeconômicas. A instituição fortalece a relação entre ciência, território e populações amazônicas.
Museu Emílio Goeldi (MPEG)
O Museu Paraense Emílio Goeldi é uma das mais antigas e importantes instituições científicas da Amazônia. Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o museu desenvolve pesquisas nas áreas de biodiversidade, ciências humanas e da terra, além de atuar na preservação e difusão do patrimônio científico e cultural amazônico.
Universidade de Oslo
A Universidade de Oslo é a maior e mais antiga universidade da Noruega, reconhecida internacionalmente pela excelência em pesquisa e cooperação científica. A instituição mantém parcerias globais voltadas ao avanço do conhecimento em áreas como sustentabilidade, meio ambiente, mudanças climáticas e biodiversidade, fortalecendo iniciativas colaborativas entre pesquisadores de diferentes países.
TranspoAmazônia 2026 recebeu lideranças dos mais diversos setores de transporte do mundo. Foto: Beattriz Aquino/Arsepam
A III Feira e Congresso Internacional de Transporte e Logística da Amazônia, a TranspoAmazônia 2026, encerrou nesta sexta-feira (29) emm Manaus (AM) após três dias de grande movimentação do setor logístico. O evento reuniu representantes de cerca de 65 países, além de empresas nacionais e internacionais do setor de transporte, logística e agenciamento de cargas.
O encontro no Centro de Convenções Vasco Vasques contou com debates, rodadas de negócios, palestras e exposição de serviços e tecnologias voltadas ao segmento.
Promovida pela Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agenciamento de Cargas da Amazônia (Fetramaz), a feira reúne mais de 150 marcas nacionais e internacionais e movimenta mais de R$ 1 bilhão em negócios durante os três dias de programação.
O encontro fortalece conexões entre empresas, investidores, autoridades e operadores logísticos ligados aos modais rodoviário, aéreo, aquaviário e de cabotagem, além da indústria naval.
Encontro internacional amplia intercâmbio logístico
A edição deste ano ampliou a participação internacional e consolidou a feira como um dos principais encontros do setor no Brasil. A presença de representantes estrangeiros ocorre em meio às discussões sobre infraestrutura, integração regional, rotas logísticas e soluções para desafios enfrentados na Amazônia, como a navegabilidade dos rios durante períodos de seca.
O presidente da Fetramaz e idealizador da feira, Irani Bertolini, destacou a proposta de integração da TranspoAmazônia entre os diferentes setores ligados à logística.
“A TranspoAmazônia é mais do que uma feira. É uma plataforma de integração da Amazônia com o restante do Brasil e com o mundo, promovendo negócios, inovação e soluções logísticas para os desafios da região”, afirmou o empresário durante o evento.
Ivan Salmito, do Sindicato da Indústria Naval, Offshore e Reparos do Amazonas (Sindnaval), ressaltou a necessidade de integração entre os diferentes sistemas de transporte utilizados na região.
“Os modais rodoviário, fluvial e aéreo são fundamentais para atender a dinâmica logística da Amazônia, principalmente diante das grandes distâncias e das particularidades da região”, comentou.
Foto: Dayson Valente/Portal Amazônia
TranspoAmazônia 2026
Ao longo dos três dias de programação, a TranspoAmazônia realizou painéis sobre os desafios da logística na Amazônia, debates sobre hidrovias, reforma tributária, rotas bioceânicas e geopolítica econômica. A feira também conta com workshops, reuniões estratégicas, rodadas de negócios e apresentações de soluções voltadas ao transporte de cargas.
O evento reúne representantes de empresas, investidores, autoridades e especialistas ligados aos setores de transporte, logística, cabotagem, navegação e infraestrutura. A programação inclui ainda exposição de serviços, tecnologias, equipamentos e soluções voltadas ao setor logístico.
Além dos debates técnicos, a TranspoAmazônia reúne expositores ligados à construção naval, tecnologia, seguros, gerenciamento de riscos, operadores logísticos e fabricantes de equipamentos e veículos pesados. Cerca de 15 mil visitantes passam pelos diversos estandes ao longo da programação.