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COP30: 19 projetos vão recuperar 3,3 mil hectares em terras indígenas

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Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). Foto: Rafa Neddermeyer

Os 19 projetos contemplados pelo edital de seleção do programa Restaura Amazônia para Terras Indígenas foram anunciados nesta sexta-feira (21), em Belém (PA). A divulgação ocorreu durante o encerramento do Pavilhão dos Círculos dos Povos, na Zona Verde da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).

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Ao todo, concorreram 44 projetos para restauração de áreas degradadas e fortalecimento da cadeia produtiva sustentável, dos quais foram selecionados 19. Juntos, irão recuperar mais de 3,3 mil hectares em territórios indígenas, com 5,7 milhões de árvores plantadas e a geração de 1.420 empregos.

Imagem colorida mostra indígena assistindo Lula em telão durante fala na COP 30 em Belém
Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, COP30. Foto: Ricardo Stuckert/ PR

Os projetos contemplados concorreram no terceiro edital do Restaura Amazônia, uma política pública para estabelecer o Arco da Restauração na região mais devastada do bioma. Serão investidos R$ 123,6 milhões em recursos do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

“A gente vem hoje a público dizer que 26 terras indígenas serão contempladas nos estados de Rondônia, Amazonas, Acre, Mato Grosso, Tocantins, Pará e Maranhão. Ou seja, a gente vai ter 26 territórios indígenas, muitos deles recém-desintrusados, num esforço profundo de trabalho”, destacou o superintendente de Meio Ambiente do BNDES, Nabil Kadril.

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Governo brasileiro na COP30

Segundo a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, o anúncio fecha o ciclo de consolidação de ações climáticas anunciadas pelo governo brasileiro na COP30, contemplando as demandas de demarcação, proteção, gestão e restauração das terras indígenas.

COP30
Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, COP30. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

“Deixamos claro que não há como pensar soluções para a crise climática, se não incluir todos e todas que protegem os territórios, que cuidam da biodiversidade, que cuidam da mãe Terra. Não tem como encontrar soluções efetivas se não incluir essas diferentes vozes”, apontou a ministra.

Programa Restaura Amazônia

O programa Restaura Amazônia é parte de um esforço do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) para recuperar 12 milhões de hectares no Brasil, dos quais 6 milhões já foram recuperados a partir de iniciativas de replantio e restauração natural.

Saiba mais: Portal Amazônia responde: o que é a COP 30?

“A retomada do Fundo Amazônia chega em mais de 600 organizações da sociedade civil, em três de cada quatro municípios da Amazônia, em projetos de restauração ecológica para reconstruir o antigo Arco do Desmatamento, onde o reflorestamento construirá um verdadeiro cinturão verde no território de sete estados amazônicos”, ressaltou a secretária nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Brasil, escrito por Fabíola Sinimbú

Aprenda a fazer um brigadeiro “vibrante” com jambu

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Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC

O jambu é um ingrediente amazônico muito popular, por suas propriedade “vibrante” e sabor inconfundível. É comumente usado em receitas como o tacacá e até mesmo na cachaça. Mas você sabia que também dá para usá-lo em doces?

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O chef Jovailson Oliveira, do Acre, ensina uma receita de brigadeiro feita com o ingrediente como destaque. A base para o brigadeiro com inspiração amazônica é a geleia feita com o agrião paraense. Confira:

brigadeiro de jambu
Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC

Ingredientes

  • geleia de jambu
  • cachaça de jambu
  • 1 caixa de leite condensado
  • 1 caixa de creme de leite
  • flor de jambu em conserva
  • corante de jambu natural
  • 6 gramas de manteiga

Modo de preparo

Misture o leite condensado, o creme de leite e a manteiga em uma panela antes de ligar o fogão. Adicione uma medida pequena da cachaça e algumas gotas do corante (até atingir a cor desejada) até incorporar. Cozinhe tudo em fogo médio até começar a ferver.

Neste ponto, adicione a flor em conserva e a geleia, e continue mexendo até atingir o ponto desejado do brigadeiro. Quando chegar no ponto desejado, despeje em um recipiente untado, cubra com plástico filme e leve a geladeira. Decoração a gosto.

Leia também: Conheça os benefícios do agrião do Pará e sua famosa cachaça

Aprenda a fazer um brigadeiro "vibrante" com jambu
Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC

*Com informações da Rede Amazônica AC

Negociações na COP30 seguem em Belém e países buscam acordo

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Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) continua sem um desfecho, na manhã deste sábado (22). A plenária de encerramento da conferência estava prevista para as 12h (horário de Brasília), quando deverão ser conhecidos os textos finais sobre as decisões.

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As negociações em torno do documento final da conferência se estenderam pela madrugada. O evento estava previsto para terminar nesta sexta-feira (21). No início da manhã da sexta, foram divulgados os rascunhos dos textos que estavam em discussão, o chamado Pacote de Belém.

Pessoas em frente a fachada do pavilhão, chegam para participar de plenárias na COP30. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
Pessoas em frente a fachada do pavilhão, chegam para participar de plenárias na COP30. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Representantes da sociedade civil criticaram a falta de ambição das nações para buscar as metas climáticas previstas no Acordo de Paris, que procura conter o aumento da temperatura do planeta em até 1,5ºC, como limite para que o planeta não entre em um ciclo grave de catástrofes ambientais.

Leia também: Presidente da COP30 convoca países a buscar consenso em reta final: “instintivamente agimos juntos em momentos de crise”

Um dos principais pontos de frustração foi a ausência do mapa do caminho para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis, como petróleo e carvão mineral, os principais responsáveis pelas emissões dos gases que causam o aquecimento global.

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O governo brasileiro, e especialmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, insistiu na aprovação de um texto que abordasse alguma proposta de cronograma de implementação dessa transição energética.

*Com informações da Agência Brasil

Anfíbios são protagonistas de evento científico que orienta sobre seu papel na Amazônia

Fotos: Rickelmy Holanda e Igor Yuri Fernandes

Promover informações e sensibilizar a população sobre a importância dos anuros, grupo de anfíbios que inclui sapos, rãs e pererecas, por meio da distribuição de um guia ilustrado de espécies da região do Médio Solimões é o objetivo de um evento realizado em Tefé (AM), previsto para o dia 29 de novembro.

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O evento, “Save the Frogs” (salve os sapos), faz parte do projeto ‘Popularizando os sapos da região do médio Solimões, Amazônia Brasileira: um olhar pela Terra Firme, Várzea e Paleo-várzea’.

Durante o evento será lançado oficialmente um guia ilustrado de anuros do Médio Solimões. A programação inclui atividades interativas e expositivas voltadas à popularização da ciência e à valorização da fauna amazônica.

Ação é apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), via Programa de Apoio à Popularização da Ciência, Tecnologia e Inovação (POP CT&I), edital nº 003/2025.

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Realizado pela primeira vez no interior do Amazonas, o encontro “Save the Frogs” é inspirado no movimento internacional criado em 2008 pelo biólogo Kerry Kriger. A iniciativa é coordenada por Kelly Torralvo, doutora em Ecologia e pesquisadora do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM).

Segundo a coordenadora, a desinformação e as crenças populares representam desafios na proteção desses anfíbios, que desempenham papéis ecológicos essenciais no ecossistema amazônico.

“Existem vários fatores que afetam esse grupo, porque são sensíveis às mudanças do ambiente. Poluição, desmatamento e mudanças no clima são riscos atuais. A desinformação e a falta de simpatia das pessoas com as espécies são comuns em ambientes urbanos e ribeirinhos, já que não são animais desejados ao convívio”, destacou Kelly Torralvo.

Anfíbios são protagonistas de evento científico que orienta sobre seu papel na Amazônia
Guia que reúne dados de anfíbios também será apresentado no evento. Fotos: Rickelmy Holanda e Igor Yuri Fernandes

Guia Ilustrado de anfíbios

O material abrange três ambientes amazônicos:

  • Terra Firme na Floresta Nacional (Flona) de Tefé;
  • Várzea na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) de Mamirauá;
  • e Paleovárzea (RDS Amanã).

O guia ilustrado com informações sobre os anfíbios foi produzido em linguagem acessível e em versão bilíngue (português e inglês). A publicação inclui fotografias e informações morfológicas e ecológicas de mais de 80 espécies, e será distribuída durante os workshops comunitários nas três unidades de conservação participantes.

Os encontros são destinados a moradores locais, agentes de gestão, educadores e interessados em atividades de ecoturismo e conservação ambiental.

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Kelly Torralvo explica que a entrega do livro é uma das atividades mais importantes do evento, pois o material tem potencial para uso acadêmico.

“Além de sensibilizar, com informações e fotografias a quem convive com esses animais, o guia tem como objetivo o uso em atividades de ecoturismo que já acontecem e vêm se consolidando nas unidades de conservação em que amostramos as espécies. O guia tem uma linguagem leve, é ilustrativo e será publicado com traduções em inglês”, detalhou.

Fomento científico

Evento busca orientar sobre o papel dos anfíbios na natureza amazônica. Fotos: Rickelmy Holanda e Igor Yuri Fernandes

Para a pesquisadora, o apoio da Fapeam é fundamental para a popularização da ciência no interior do Estado. “A popularização da ciência se faz com muitas mãos e é necessário muito recurso financeiro também. São com eles que conseguimos apostar em materiais de qualidade, proporcionando uma experiência marcante aos participantes dos eventos e para que possamos chegar em locais mais distantes, como é o caso das comunidades ribeirinhas”, concluiu a coordenadora projeto.

*Com informações da Fapeam

Presidente da COP30 convoca países a buscar consenso em reta final: “instintivamente agimos juntos em momentos de crise”

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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Enquanto as negociações chegam ao ponto decisivo na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), o presidente do evento, André Corrêa do Lago, convocou na manhã desta sexta-feira (21) os países a chegarem a um consenso pelo bem comum do planeta.

Corrêa do Lago disse que o momento é de cooperação internacional e que os países não devem pensar os resultados da COP em termos de vitória ou derrota.

“Sabemos o quanto há de obstáculos para colocar palavras em prática e como é muito difícil chegar a consensos. Mas nós nunca podemos esquecer que o mesmo consenso que às vezes nos exaspera — analistas, delegados, tantas pessoas — fortalece este regime. Temos que mostrar que esta é a COP em que consenso é força”, disse o embaixador.

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“Não podemos nos dividir no contexto do Acordo de Paris. Temos aqui a percepção de divisão que vem de vários negociadores da convenção. Essa noção de divisão nós tentamos reduzir durante esta negociação, com transparência e soluções verdadeiras que vêm das delegações”, complementou.

Para o embaixador, pelo menos três objetivos colocados como centrais para a presidência brasileira serão alcançados:

  • fortalecer o multilateralismo;
  • conectar os debates da COP à vida das pessoas;
  • e acelerar a implementação do Acordo de Paris (que busca reduzir emissões de gases do efeito estufa e limitar o aquecimento do planeta a 1,5ºC).

O presidente da COP30 também destacou que realizar o evento em Belém, na Amazônia, foi essencial para a mensagem de preservação do bioma.

“Ao organizar esta COP na Amazônia, o presidente Lula quis que o mundo visse não apenas a beleza forte desse bioma incrível, mas também os desafios que nós temos que desenvolver”, disse Corrêa do Lago.

Leia também: Por que Belém? Entenda como a capital paraense se tornou sede da COP30

“Eu acredito que mudamos a percepção da relação entre natureza e clima. Obrigado pelos momentos que todos vocês passaram aqui e pela sensibilidade em relação às nossas florestas, que é algo que nem todos instintivamente entendem que é preciso proteger”, complementou.

Presidente da COP30 André Corrêa do Lago
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

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Incêndio

Durante a abertura da plenária informal na Zona Sul, espaço oficial onde ocorre a COP30, o embaixador também lembrou o incêndio que destruiu parte dos pavilhões na Blue Zone nesta quinta-feira (20).

Ele disse que, apesar de todos os aspectos negativos do ocorrido, houve demonstração de apoio coletivo, que poderia ser levado para a mesa de negociação da carta final do evento.

“Estamos aqui juntos depois do fogo. Isso foi rapidamente controlado e contido. Isso nos lembrou da nossa vulnerabilidade compartilhada e de como instintivamente agimos juntos em momentos de crise. Eu gostaria de agradecer a todos pelo profissionalismo e solidariedade. Recebemos muitas mensagens de apoio. Muitas delas foram realmente muito fortes, amigáveis e sensíveis”, disse o Corrêa do Lago.

*Com informações da Agência Brasil

Em Manaus, templos de religiões de matriz africana estão localizados em zonas de risco geológico, revela mapeamento

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Em Manaus (AM), terreiros e templos de religiões afro‐brasileiras, espaços sagrados para comunidades negras e praticantes, se encontram em proximidade com áreas identificadas como de risco geológico, inundação, alagamento e erosão, segundo análise inédita realizada com base no mapeamento do Serviço Geológico do Brasil (CPRM). No contexto da Semana da Consciência Negra o achado lança luz sobre uma dimensão pouco debatida: a vulnerabilidade territorial e simbólica desses espaços de fé.

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O relatório “Mapeamento das áreas de risco geológico da zona urbana de Manaus (AM)”, elaborado pela CPRM, aponta centenas de setores da capital amazonense classificados como alto e muito alto risco para desastres como inundações, alagamentos, erosão, deslizamentos e enxurradas.

Templos de matriz africana em áreas de risco de Manaus
O relatório “Mapeamento das áreas de risco geológico da zona urbana de Manaus” foi elaborado pela CPRM. Foto: divulgação

Paralelamente, com a ajuda do levantamento realizado pelo Atlas ODS Amazônia e o Instituto Ganga Zumba, foi elaborado um mapa que sobrepõe os pontos dos terreiros/templos e as áreas de risco geológico identificadas. A análise identifica a proximidade entre os locais de culto de matriz africana e as zonas de risco: essa interseção aponta para uma situação de vulnerabilidade tanto física (estrutura, segurança) quanto simbólica (preservação da cultura, fé, pertencimento).

Principais achados

Há diversos templos localizados dentro ou muito próximos de zonas classificadas como R3 (“alto risco”) ou R4 (“muito alto risco”) pelo mapeamento da CPRM.

Há diversos templos localizados dentro ou muito próximos de zonas classificadas como R3 (“alto risco”) ou R4 (“muito alto risco”), em Manaus. Foto: Divulgação

Leia também: Como religiões de matriz africana são símbolo de resistência e identidade negra no Amapá

Segundo a atualização de 2025, o município de Manaus possui 362 setores classificados como risco alto (R3) e 76 como muito alto (R4), totalizando 438 setores e impactando aproximadamente 112 mil pessoas.

No contexto da fé afro‐brasileira, os terreiros não são apenas locais de culto, mas centros comunitários, educacionais e de resistência identitária — o que amplia o impacto de qualquer risco à infraestrutura ou interrupção da atividade.

Relevância para a Semana da Consciência Negra

Local com risco de erosão. Foto: Rafael Aleixo/Rede Amazônica

“O mapa apresenta claramente os territórios sagrados e a proximidade de áreas de risco, alguns deles estão no meio dessas áreas e o risco é iminente. A questão maior é que existe um contingente considerável de pessoas vivendo próximas a essas áreas e com os eventos climáticos cada vez mais graves, como fortes chuvas, é preciso agir”, afirma o pesquisador Danilo Egle, pesquisador do Atlas ODS Amazônia.

Ele acredita que o mapeamento chama atenção para que as políticas de proteção não se limitem a manifestações culturais visíveis, mas também abarquem a segurança e a permanência dos terreiros e templos como parte do patrimônio imaterial e territorial negro.

O mapeamento revela que a proteção das expressões religiosas de matriz africana em Manaus passa também por um olhar para o território. No mês em que se celebra a Consciência Negra, emerge o convite para que a fé, a cultura e o sagrado sejam parte integrante de políticas de prevenção de riscos, planejamento urbano e valorização patrimonial. A preservação desses espaços — tão significativos para a comunidade negra — exige visibilidade, engajamento institucional e ação coordenada entre poder público, sociedade civil e comunidades de terreiro.


Baguncinha, lambadão e “vôte”: coisas que só quem é cuiabano entende

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Foto: Rennan Oliveira/Prefeitura de Cuiabá

Os cuiabanos preservam um conjunto de tradições linguísticas, gastronômicas e culturais que se destacam dentro do Centro-Oeste brasileiro. A identidade regional se manifesta na forma de falar, nas comidas típicas e nas manifestações artísticas que atravessaram gerações.

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A variedade de costumes observada em diferentes bairros da capital mato-grossense demonstra o quanto elementos históricos e influências de distintos povos moldaram o cotidiano local. Entre expressões, pratos e ritmos, muitos hábitos são reconhecidos de imediato por quem nasceu ou cresceu no município.

O Mato Grosso é um dos estados que compõem a Amazônia Legal e o modo de vida dos cuiabanos reúne referências indígenas, africanas e europeias, que se misturaram ao longo do tempo e contribuíram para uma identidade própria. Essa combinação aparece na linguagem, nas receitas tradicionais e nas festas populares.

Essas características tornaram-se marcantes e grande parte delas só é plenamente compreendida pelos próprios cuiabanos, que vivenciam esses costumes na rotina familiar ou comunitária.

Gastronomia que marca gerações

A culinária típica é um dos pilares culturais mais conhecidos pelos cuiabanos. Entre os pratos mais lembrados está o baguncinha: lanche preparado na chapa que mistura carnes, temperos e complementos, geralmente acompanhado da tradicional maionese temperada. O preparo tornou-se uma referência entre vendedores de lanches e é encontrado em vários pontos da cidade. E mais: o baguncinha e a maionese temperada são reconhecidos como patrimônio cultural e imaterial do município desde março de 2022. 

Imagem colorida mostra baguncinha, um típico prato cuiabano
Foto: Geslaine Arruda Silva/ Wikimedia Commons

Outro ícone gastronômico é o prato Maria Izabel, feito com carne seca e arroz. O prato é facilmente identificado nas casas e restaurantes da região e costuma ser preparado em grandes porções. A receita, de origem histórica ligada a trabalhadores rurais e viajantes, tornou-se parte do repertório culinário dos cuiabanos.

Pixé. Foto: Reprodução/Márcia Mesquita

A farofa de banana, feita com banana-da-terra madura (pacovã), farinha de mandioca, manteiga, cebola, alho e temperos, é outro acompanhamento presente em almoços e eventos tradicionais. O sabor marcante e o uso de ingredientes regionais reforçam a ligação da comida com o território.

Também faz parte do repertório o pixé – ou piché, doce preparado com milho torrado, açúcar e canela, frequentemente vendido enrolado em cones de papel. Já o quebra-torto é um café da manhã reforçado, composto por carne com arroz, ovo frito e farofa, consumido principalmente por pessoas que trabalham nas primeiras horas do dia.

Expressões que identificam os cuiabanos

O vocabulário regional é uma das características mais reconhecidas pelos cuiabanos. A expressão “vôte” é usada para demonstrar espanto, surpresa ou repulsa, sendo mencionada em diversas situações cotidianas. A palavra é lembrada por moradores de diferentes faixas etárias.

Outro termo comum é “pau-rodado”, usado para se referir a pessoas que vieram de outras cidades. A palavra é associada à imagem de troncos de árvores que desciam rios e só paravam ao encostar em algum ponto, simbolizando alguém que chega e se fixa no local.

Leia também: Zé Bolo Flô: poeta andarilho, ambulante e símbolo cultural de Cuiabá

Entre os hábitos linguísticos, aparece também o verbo “rebuçar”, utilizado para indicar a ação de cobrir o corpo com lençol ou cobertor. A expressão “chapa e cruz” é usada para identificar pessoas que nasceram e morreram em Cuiabá, reforçando vínculos familiares locais.

Esses termos circulam entre gerações e se mantêm presentes mesmo com a influência de novas formas de comunicação geradas pela internet e pelas redes sociais.

Ritmos e tradições culturais

A cultura cuiabana abriga manifestações próprias, reconhecidas pelos cuiabanos em diferentes espaços da cidade.

Entre elas, está o lambadão, ritmo e dança de forte presença regional. O estilo musical combina influências do rasqueado, do carimbó e da lambada paraense. Bailes e apresentações comunitárias contribuem para manter o ritmo vivo entre músicos e dançarinos.

Lambadão é uma das danças mais tradicionais entre os cuiabenses. Foto: Michel Alvim/ Prefeitura de Cuiabá – Arquivo/ 2014

As danças cururu e siriri também fazem parte da tradição local. O cururu é executado principalmente por homens e tem forte ligação com expressões religiosas e folclóricas da região. O siriri, por sua vez, é praticado por mulheres e crianças, que utilizam saias rodadas e executam movimentos circulares ao som de instrumentos regionais.

Saiba mais: Cururu, Chorado, Mascarados: conheça danças que fazem sucesso em Mato Grosso

Outro símbolo cultural é a viola de cocho, instrumento artesanal produzido a partir de uma tora de madeira escavada. A viola de cocho acompanha danças, cantorias e encontros tradicionais.

Esses elementos demonstram como os cuiabanos preservam manifestações transmitidas por famílias, grupos artísticos e comunidades que mantêm vivas práticas populares ao longo do tempo.

Origem e significados do nome Cuiabá

Diversos estudos apontam explicações para a origem do nome Cuiabá. Uma das mais mencionadas é a palavra bororo Ikuiapá, que significa “lugar da Ikuia”, em referência a flechas usadas para pesca em áreas próximas ao córrego da Prainha, ponto onde os bororo desenvolviam atividades de caça e coleta.

Outra versão associa o termo ao guarani Kyyaverá, traduzido como “rio de lontra brilhante”. Há também interpretações ligadas à existência de árvores produtoras de cuia às margens do rio, sugerindo que o nome significaria “rio criador de vasilha”.

As diferentes versões mostram como elementos naturais, povos originários e práticas tradicionais ajudaram a formar a identidade regional reconhecida até hoje pelos cuiabanos.

Indicações Geográficas impulsionam desenvolvimento sustentável no Pará

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Foto: Bruno Cruz/Agência Pará

Com o painel “Indicações Geográficas e marcas coletivas no Estado do Pará: a proteção jurídica, bioeconomia e desenvolvimento territorial”, a Universidade do Estado do Pará (Uepa) participou, nesta sexta-feira (21), da programação do Pavilhão Pará, na Green Zone, durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), cuja programação oficial se encerra hoje.

Leia também: Portal Amazônia Responde: que produtos da região amazônica possuem Indicação Geográfica?

O momento apresentou os resultados do grupo de pesquisa Laboratório de Análise e Pesquisas Territoriais Estratégicas da Amazônia (Lapet), com foco no estudo e na consolidação das Indicações Geográficas (IGs) e marcas coletivas como instrumentos de valorização de territórios e de fortalecimento da bioeconomia.

Indicações Geográficas são reconhecimento de potencial

Segundo o professor Valente, o reconhecimento da origem dos produtos é essencial para garantir competitividade e preservação cultural.

“Esses instrumentos são reconhecidos mundialmente, e todos os países estão correndo para proteger seus produtos. Nós, paraenses, também precisamos proteger especialmente aqueles com grande potencial de escala, como o açaí, o cacau e a pimenta-do-reino”, destaca.

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Indicações Geográficas impulsionam desenvolvimento sustentável no Pará - COP30
Indicações geográficas reforçam importância de produtos locais. Foto: Bruno Cruz/Agência Pará

Ele enfatiza ainda que as políticas públicas desempenham papel decisivo para ampliar a presença das IGs no Estado.

“O importante é que o governo, por meio das políticas públicas — como o recém-criado Programa Estadual de Indicação Geográfica —, fomente não apenas as IGs e marcas já consolidadas, mas também incentive a criação de novas. Elas são instrumentos de proteção desses produtos e, acima de tudo, de desenvolvimento territorial”, explica Valente.

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O professor reforça que o tema dialoga diretamente com as pautas da COP30.

“Grande parte desses produtos é originada da agricultura familiar e está ancorada em princípios de sustentabilidade. O Pará tem uma grande oportunidade de promover o desenvolvimento sustentável das suas marcas produtivas”, conclui.

Assim, as Indicações Geográficas mostram caminhos estratégicos para impulsionar economias locais e fortalecer o papel do Pará na agenda global da bioeconomia.

*Com informações da Agência Pará e UEPA

COP30: Novo Programa de Proteção de Terras Indígenas é lançado pelo MPI

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Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Povos indígenas, governo brasileiro e parceiros internacionais lançaram, no dia 19 de novembro, o novo Programa de Proteção de Terras Indígenas, o PPTI, durante a COP30, em Belém (PA). A iniciativa prevê recursos para demarcação de terras, fortalecimento das organizações indígenas e gestão ambiental e territorial.

A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, afirma que o programa reforça o compromisso do país de proteger 59 milhões de hectares de terras indígenas. Ela destaca que o desafio é incluir nas declarações da COP a demarcação de terras como política climática:

“Nós esperamos, pactuamos, construímos, articulamos. Dois anos para construir a maior participação indígena da história. Agora, nós temos apenas três dias para conseguir emplacar, no texto final, a demarcação de terras indígenas como uma política climática. Então, é muito importante, aqui, este programa que a Apib vem construindo, junto com a Alemanha, para se ter uma cooperação internacional com o governo brasileiro e o movimento indígena”.

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sonia guajajara fala sobre novo programa de proteção de terras indígenas na cop30  foto Bruno Peres Agência Brasil
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Alemanha se compromete com o novo programa

O governo da Alemanha já se comprometeu a participar do novo Programa de Proteção de Terras Indígenas. Rita Walraf, representante do Ministério de Cooperação Econômica e Desenvolvimento alemão, acredita no sucesso da iniciativa:

“O governo alemão tem certeza de que o PPTI será um programa de cooperação internacional de sucesso, que apoiará no avanço significativo da demarcação de terras indígenas e também, claro, no fortalecimento das organizações indígenas. Esses eixos principais são também a receita exitosa para uma efetiva proteção do clima”.

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Kleber Karipuna, coordenador executivo da Apib, a Articulação dos Povos Indígenas Brasileiros, reforça que essa é mais uma iniciativa concreta para implementar as promessas de combate às mudanças climáticas:

“A proposta do PPTI é ser um plano de ação concreta para implementar os compromissos que estão sendo, por exemplo, anunciados aqui nessa COP. Implementar com muita articulação política, interinstitucional, com o governo, com cooperação, com o movimento indígena, as nossas organizações, os nossos mecanismos de fundos indígenas. Fazer com que esses compromissos assumidos aqui na COP, via o programa PPTI e outras iniciativas, sejam assumidos como plano concreto, de ação concreta, para implementar esses compromissos”.

O Programa de Proteção de Terras Indígenas terá uma gestão compartilhada entre o movimento indígena, o governo brasileiro e a cooperação internacional. A previsão é que ele comece a funcionar já no próximo ano.

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*Com informações da Agência Brasil

Lei que institui o Dia da Mulher Indígena é sancionada em Roraima

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Lei institui o Dia da Mulher Indígena. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Governo de Roraima sancionou a Lei Estadual n°. 2.278 de 13 de novembro de 2025, de autoria da deputada estadual, Joilma Teodora (Podemos), que inclui no Calendário Oficial do Estado de Roraima o Dia Estadual da Mulher Indígena. Essa data será celebrada anualmente em 5 de setembro, como forma de reconhecer esse público e promover ações de valorização.

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Para a parlamentar, celebrar o Dia da Mulher Indígena é uma grande vitória não só para o público feminino roraimense, mas para todos os povos originários que integram a população local.

Lei institui o Dia da Mulher Indígena
Mulheres indígenas. Foto: Diego Silva/Secom-AC

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O objetivo da lei é reconhecer e valorizar a mulher indígena, além da conscientização em escolas, universidades e órgãos públicos.

“É importante ressaltar que essa conquista é fruto de muitos esforços coletivos e, ao mesmo tempo, como autora dessa importante Lei, busco conscientizar sobre a importância da participação dessas mulheres na sociedade, na luta por melhores condições de vida, seja em escolas, universidades e órgãos púbicos”, comemorou Joilma.

Lei foi construída em conjunto

A deputada afirma ainda que em meio a sociedade, Roraima conta com o trabalho de muitas mulheres indígenas, que segundo ressaltou, merecem destaque pelos relevantes serviços que contribuem para o desenvolvimento do Estado e o fortalecimento da economia local.

Mulher Indígena
Mulher indígena. Foto: divulgação

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“Temos como exemplo a nossa querida Telma Taurepang, uma liderança inspiradora, uma mulher indígena guerreira que sempre está lutando pelas causas sociais e principalmente, pelo povo de Roraima, assim como outras personalidades que sonham em termos um estado justo, fraterno e solidário”, finalizou Joilma, que agradeceu ao governador Antônio Denarium (PP), pela sanção.