Pouco mais de dois meses após o Rio Acre, em Rio Branco (AC), alcançar a segunda maior cota histórica e atingir mais de 70 mil pessoas com uma enchente devastadora, o manancial chegou a 2,52 metros em maio, menor marca para o mês nos últimos cinco anos. A situação alerta para a possibilidade de um período de seca que, segundo especialistas, pode se antecipar e se tornar cada vez mais frequente em um menor espaço de tempo.
Desde o início deste mês, o principal afluente do Estado está abaixo de 4 metros e preocupa autoridades pela possibilidade de uma seca severa em 2024. No dia 30 de maio, a Defesa Civil Municipal marcou 2,52 metros, mais de 15 metros abaixo do que foi registrado em 6 de março deste ano, quando o manancial alcançou 17,89 metros e se configurou como a maior enchente desde 2015 em Rio Branco.
Para entender o processo de mudança climática que afeta o principal rio do Acre, é preciso compreender os seguintes fatores:
Influência de sistemas climáticos, como o El Niño;
baixo índice de chuvas na região;
mudança no ciclo hidrológico, causado pela emissão de gases de efeito estufa.
Estes tópicos contribuem para o baixo índice de chuvas na região. A situação contrasta com a vivenciada no início do ano, quando o manancial transbordou, e o total de chuvas chegou a 438 milímetros.
Como projeções deste fenômeno de seca, é possível que haja alto risco de desabastecimento na capital e até mesmo possibilidade de o Rio Acre “morrer”. Em setembro de 2023, foi decretada emergência em áreas que sofriam com a falta d’água, situação esta reconhecida pelo governo federal nos 22 municípios.
Nesta mesma época, cerca de 40% da produção da zona rural foi afetada e o estado recebeu ajuda de mais de R$ 8 milhões para amenizar os impactos da seca.
Rio Acre marcou 2,79 metros em maio de 2024. Foto: João Cardoso/Rede Amazônica Acre
Sistemas climáticos
Em todo o mês de abril, o Rio Acre ficou abaixo dos sete metros na capital — o maior índice foi marcado no dia 14, quando atingiu 6,42 metros. Já em maio, o manancial começou medindo 4,89 metros e não ficou acima desta marca até então — a média histórica para o mês é de 5,63 metros. Além disto, houve chuvas significativas em apenas dois dias, em 4 e 5 de maio.
O coordenador da Defesa Civil Estadual, coronel Carlos Batista, afirmou que o nível do Rio Acre está abaixo do mesmo período em 2023, o que pode ser indicativo de seca intensa em 2024. Segundo ele, o estado se prepara com planos de contingência para amenizar os impactos de uma possível estiagem prolongada.
“Este ano, já solicitamos de todas as coordenadorias municipais os seus planos de contingência voltados para os incêndios florestais, voltados para essa seca mais prolongada se ocorrer, para que a gente entenda quais são as ações que os municípios estão fazendo e vão fazer durante esse período”, explicou.
Esta projeção de seca é prevista também pelo professor Foster Brown, pesquisador da Universidade Federal do Acre (Ufac) e doutor em Ciências Ambientais. Ele apontou que a seca extrema que assolou o Acre em 2023 estava sob a influência do atual ciclo do El Niño.
Tradicionalmente, o fenômeno El Niño ocorre entre períodos de dois a sete anos, causa secas no Norte e Nordeste do país — e chuvas abaixo da média — principalmente nas regiões mais equatoriais; além de provocar chuvas excessivas no Sudeste e Sul do país, como as que estão ocorrendo no Rio Grande do Sul.
Brown também diz haver envolvimento do aumento de emissão de gases de efeito estufa, que causam o aumento da temperatura na Terra e aceleram o aquecimento global. Como consequências deste problema ambiental, têm-se os extremos climáticos de cheias e secas.
“Nós temos o El Niño que está terminando, mas também o aumento dos gases de efeito estufa, que já fazem a temperatura aumentar. A atmosfera fica com mais energia, seja para cair chuva, como no Rio Grande do Sul, seja para evaporar a água, que está acontecendo em nossa região. Então, estamos em uma situação preocupante, porque o rio é um indicador da água que nós temos na bacia inteira”, disse.
Baixo índice de chuvas
É preciso entender ainda que as chuvas na região precisam estar dentro da normalidade para o rio poder correr normalmente, o que não está sendo o caso do Rio Acre. Somente este mês, até o dia 24 de maio, choveu apenas 54,1 milímetros na capital, sendo que o esperado é de 108 milímetros.
Saulo Aires de Souza, especialista em regulação de recursos hídricos e saneamento básico da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), explicou que a atmosfera funciona como um reservatório.
Por conta do aquecimento global, que eleva a temperatura na Terra, esses “reservatórios” aumentam a capacidade de armazenar vapor d’água. Quando enchem, ocorre o fenômeno da chuva que, nesse caso, costuma ser mais intensa na forma de tempestades.
Contudo, Souza frisa que em períodos com baixo índice de chuvas, o solo não consegue filtrar esta água e então ocorre o escoamento superficial, que podem ocasionar enxurradas em áreas urbanas. Sem o armazenamento desta água nos lençóis freáticos, que funcionam como reservatório no solo, não há como ‘recarregar’ o Rio Acre em épocas de estiagem.
“Por outro lado, a água não infiltra e, em um determinado momento, começa a diminuir a alimentação do lençol freático, e o rio vai ficar mais vulnerável quando ficar submetido a períodos mais secos, porque a parcela da água que deveria infiltrar e, nos períodos secos, alimentar os rios, não infiltra, vai embora escoando”, destaca. Esta irregularidade na quantidade de chuvas faz com que aumente a frequência de secas e de cheias. Os sistemas de larga escala, como o El Niño, acabam servindo como ‘catalisadores’, acelerando estes fenômenos climáticos e influenciando nas mudanças do clima.
Em Rio Branco, a Defesa Civil municipal confirmou que por conta desta possibilidade de seca “antecipada”, um plano de contingência de escassez hídrica está pronto para ser colocado em prática. Contudo, detalhes sobre quais medidas fazem parte do plano ainda não foram divulgados.
O ano em que o manancial apresentou a menor marca histórica foi em setembro de 2022, quando marcou 1,25 metro. Naquele ano, o rio já estava abaixo dos quatro metros no mês de maio.
O mesmo quadro foi observado em 2016, ano com a segunda pior seca. Em maio daquele ano, o nível do rio estava em 3,75 metros e em 17 de setembro atingiu a menor cota histórica da época: 1,30 metro.
“Este ano estamos [com o nível] muito mais baixo ainda para a época. A previsão é de que se não houver chuvas nos próximos dias, vamos ter um colapso de água. O nível do rio está baixo porque choveu pouco esse mês”, explicou o coordenador do órgão, tenente-coronel José Glácio Marques de Souza.
O diretor-presidente do Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb), Enoque Pereira, disse que apesar de o Rio Acre ter previsão de registrar uma cota menor que de 2022, a autarquia trabalha para que a vazão de água seja de 1,5 mil litros por segundo, para não comprometer o abastecimento da cidade.
“Para o ano de 2024, mesmo com todas as previsões de ser uma das secas mais severas dos últimos anos, o Saerb garante que manterá o abastecimento de Rio Branco, salvo em caso de colapso total do Rio Acre”, complementou.
Rio Acre registrou menor nível em maio de 2024 se comparado com os últimos 5 anos. Foto: Melícia Moura/Rede Amazônica
Ciclo hidrológico
Esta falta de regularidade nas chuvas faz com que o processo de evaporação e precipitação da água também seja afetado. O pesquisador da ANA disse que estudos feitos pela agência mostram que, em um cenário estimado para 2040, foi identificada uma diminuição média de 40% da disponibilidade de água, principalmente na bacia Amazônica, e que a quantidade de dias secos iria mais que dobrar.
“Isso implica situações que, além da quantidade normal que temos de água, que irá diminuir, uma parte desta diminuição será decorrente dessas secas, que é quando tem situações de precipitações muito abaixo da média. E o que a gente estima é que isto vá ficar cada vez mais frequente”, complementou.
Conforme Souza, é necessário um estudo para avaliar o grau de intermitência do manancial, já que o que determina a “morte” de um rio é a mudança de regime perene (rios que “correm” durante o ano) para intermitente (rios que secam completamente durante algum período).
A ‘morte’ do Rio Acre?
No caso do Rio Acre, dependendo da perspectiva, há uma chance de aumento desses graus de intermitência. Ou seja, a quantidade de vezes as quais o rio pode passar por situações de seca, pode ser maior.
“Não há evidências de cenários que possam ocorrer, mas isso não implica que não venha a ter. Eu diria que é muito cedo para entrar nesse grau de intermitência, o que não significa que a gente não vá ter problemas gravíssimos como essa seca que está passando”, frisou.
O pensamento é compartilhado pelo pesquisador em Ciências Ambientais da Ufac. Brown comenta também que o desmatamento é fator preponderante, já que afeta o solo, a qualidade do ar e também o transporte de água.
“A previsão que temos do Instituto de Pesquisa Internacional é que para os próximos meses, teremos chuvas abaixo do normal. Isso significa que se a previsão estiver certa, teremos menos água e isso é exatamente quando entramos na época seca. Estamos no caminho de um verão antecipado”, diz. *Por Renato Menezes, do G1 Acre
Diferentes técnicas de pintura, com o predomínio do grafite, revivem os muros de Parintins, compondo a terceira edição do projeto ‘Parintins, Galeria Cidade Aberta’. Neste ano, são 10 novos muros revitalizados com obras de artistas visuais locais que, somados aos trabalhos das edições anteriores, irão totalizar 32 muros artísticos. A iniciativa, que propaga a arte urbana, ganha as ruas da Ilha Tupinambarana (distante 369 quilômetros de Manaus), no Amazonas.
Com as características de uma galeria de artes a céu aberto, o projeto promovido pelo Governo do Estado, coordenado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa, integra a programação alternativa do 57º Festival de Parintins, que ocorre nos dias 28, 29 e 30 de junho.
Foto: Secretaria de Cultura e Economia Criativa/ Eduardo Melo (Liceu Parintins)Foto: Secretaria de Cultura e Economia Criativa/ Eduardo Melo (Liceu Parintins)
As obras, espalhadas pela ilha, retratam o cotidiano dos ribeirinhos, a cultura dos povos originários, o folclore enraizado no boi-bumbá e nas lendas amazônicas. A cada temporada, o “Parintins, Galeria Cidade Aberta” dá vazão ao talento dos artistas visuais parintinenses dando a eles a oportunidade de evidenciarem os seus trabalhos, democratizando a arte urbana.
O secretário de Cultura e Economia Criativa, Marcos Apolo Muniz, destaca que o projeto representa a expressão coletiva da cidade, conhecida nacionalmente pela cultura e classe artística pulsantes.
Foto: Secretaria de Cultura e Economia Criativa/ Eduardo Melo (Liceu Parintins)Foto: Secretaria de Cultura e Economia Criativa/ Eduardo Melo (Liceu Parintins)
“O Parintins, Galeria Cidade Aberta é o resultado do talento dos artistas parintinenses consagrados e da nova geração que se consolida a partir dos cursos do Liceu de Artes Ofício Claudio Santoro”, afirma o secretário.
“Durante a temporada do festival o município recebe um grande número de visitantes, que passam a conhecer e admirar o trabalho desses artistas. Muitas portas são abertas a eles no cenário nacional e internacional, valorizando a cultura do Amazonas e o legado artístico local”, complementa.
As obras que estampam os muros do projeto são concebidas pelo artista visual e executadas em parceria com um time formado por profissionais de excelência, além de alunos e egressos do Liceu Claudio Santoro de Parintins.
Foto: Secretaria de Cultura e Economia Criativa/ Eduardo Melo (Liceu Parintins)Foto: Secretaria de Cultura e Economia Criativa/ Eduardo Melo (Liceu Parintins)
Artistas, obras e locais de ativação
Andrew Viana
“A cara do Brasil indígena”
Onde: Tribunal Regional Eleitoral (TRE) – 1º. Vara da Comarca de Parintins, rua Jonathas Pedrosa, nº 1985, Centro
Dennis Amoedo
“Caminhos das águas: sonhos do pajé”
Onde: Escola Estadual Senador Álvaro Maia, rua Cordovil, nº 2387, Centro
Dermison Salgado
“Matriarcas”
Onde: Escola Estadual Dom Gino Malvestio, avenida Geny Bentes, nº 3482, Paulo Corrêa.
Glaucivan Silva
“Redário amazônico”
Onde: Res. Rafael Cavalcante Assayag (muro próximo à Praça dos Bois – Caprichoso), rua Maués, nº 36, Raimundo de Menezes.
Inácio Paiva e João Ferreira
“Utopia de curumim”
Onde: Idam Parintins (Central de Artesanato Soarte), rua Boulevard 14 de Maio esquina c/ rua Gomes de Castro, nº 61, Centro Histórico
Josinaldo Matos
“Meu rio, minha rua, minha vida”
Onde: Escola Estadual Padre Jorge Frezzini, rua Cordovil, nº 100, Centro
Levi Gama
“Cobra-canoa, cobra da vida”
Onde: CETI – Dep. Glaucio Gonçalves, rua Barreirinha, nº 1286, São Vicente de Paula
Os Ribeirinhos – Gabriel Menezes e Hiago Xavier
“Águas da vida…”
Onde: Drogamais, rua Senador Álvaro Maia, nº 2637, Centro
Pito Silva e equipe
“Sherwin Williams Colorindo Parintins – Azul do Caprichoso”
Onde: Escola de Artes Irmão Miguel de Pascalle (anexo ao Curral Zeca Xibelão), rua Gomes de Castro, 685, Centro
Pito Silva e equipe
“Sherwin Williams Colorindo Parintins – Vermelho do Garantido”
Onde: Galpãozinho do Garantido (anexo ao Curral Lindolfo Monte Verde), estrada Odovaldo Novo, 4015, São José
“Olha que isso aqui tá muito bom. Isso aqui tá bom demais!”. A temporada de comidas típicas de festas juninas já está aberta em Roraima e uma das procuradas é o arrumadinho, tradicional prato da culinária nordestina feito com feijão e charque. Nesse clima de festa, a chefe de cozinha Larissa Souza, de 38 anos, ensina a receita.
Chamado de arrumadinho no Piauí e conhecido como “pratinho” no Ceará, a comida é composta por feijão, farofa, charque ou carne de sol e um vinagrete bem temperado, feito com tomate, cebola, cheiro verde e até repolho.
O nome arrumadinho, como é mais conhecido, surgiu da forma como o prato é apresentado: com alimentos separados em uma única refeição. Na hora de comer, no entanto, ele é todo misturado e fica “bagunçadinho”.
“Quando for comer, a pessoa dá uma misturada para agregar todos os ingredientes, para ela sentir o sabor que esse arrumadinho tem mesmo. No fim de tudo, o arrumadinho fica bagunçadinho, mas ele fica muito gostoso, muito saboroso”, afirma a chefe de cozinha.
Cheiro verde, cebola e tomate são alguns dos ingredientes do ‘arrumadinho’. Foto: Yara Ramalho/g1 RR
Ingredientes
150 gramas de charque ou carne de sol; 200 gramas de feijão branco; 100 gramas de repolho; 1 maço de cheiro verde; 3 tomates; 1 cebola; Alho a gosto; Óleo; Azeite de Oliva; Vinagre; Sal a gosto; Colorau a gosto; Pega marido a gosto (entenda mais abaixo).
Modo de preparo
Coloque o feijão de molho por 30 minutos e, quando pronto, cozinhe por cerca de 15 minutos. Com ele al dente, tempere com sal, colorau, pimenta do reino, alho e o pega marido a gosto. Reserve o feijão; Frite a carne em uma panela, usando um fio de óleo, e retire quando atingir o ponto: crocante por fora e macia por dentro. Reserve; Corte a cebola, os tomates, o cheiro verde e o repolho em pequenos pedaços. Em seguida, passe os ingredientes para uma travessa e adicione o sal, azeite e o vinagre a gosto; Com tudo isso pronto, divida cada alimento em único prato. Na sequência, misture tudo e aproveite!
A implantação do sistema de esgotamento sanitário nos novos trechos da avenida Constantino Nery segue com execução intensa. A obra já tem mais de 70% de execução concluída e a previsão é que seja finalizada até o final de junho. Nesta semana, outro trecho – no sentido bairro / Centro começa a ser construído. Ao todo, mais de 23,5 mil pessoas serão beneficiadas com o serviço.
A partir desta segunda-feira (03), as equipes iniciam as obras no sentido bairro / Centro. A intervenção ocorre a partir da saída da rua Arthur Bernardes, nas proximidades da passagem de nível do São Jorge. Nesta área, o serviço ocorre nos quatro turnos, com intervalo das 5h às 9h.
Para que o serviço ocorra com segurança, durante a execução das obras as vias serão interditadas parcialmente. Para isto, equipes do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) irão sinalizar a via e orientar os motoristas.
“Já iniciamos o corte do asfalto durante o último fim de semana. A partir de hoje estamos com equipes realizando a solda dos tubos, que são de dimensões maiores, para que sejam implantados na via, posteriormente. Estamos com equipes trabalhando de manhã, tarde, noite e madrugada. Também atuamos nos fins de semana para que a obra tenha mais celeridade. Com isso, Manaus avança no quesito saneamento básico e a cidade ganha em qualidade de vida para as pessoas e para o meio ambiente”, ressalta Damaceno.
O esgoto coletado na região será coletado e transportado para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do bairro Educandos.
Centro/bairro
No trecho entre a rua Leonardo Malcher e a avenida Álvaro Maia, o serviço tem intervalo das 16h às 19h. Além da rede coletora geral, as equipes também atuam na implantação do Terminal de Inspeção e Limpeza (TIL) na frente de cada imóvel. É através dele que cada morador poderá se conectar ao sistema.
“Nossas intervenções ocorrem em sincronia com o intuito de gerar o mínimo de impacto para a população. Atuamos com as grandes intervenções nos horários de menor fluxo de veículos – à noite – e nas menores nos horários mais movimentados – de dia. Esta obra é de grande importância para a cidade, pois contempla mais 23,5 mil pessoas direta e indiretamente, pois estamos falando de residência de toda esta região que passarão a ter o esgoto coletado e tratado”, enfatiza Damaceno.
Trata Bem Manaus
As obras da Constantino Nery fazem parte do cronograma de expansão do esgotamento sanitário na cidade, por meio do programa Trata Bem Manaus. O objetivo é garantir a universalização dos serviços de coleta e tratamento de esgoto da cidade em menos de dez anos. Estão previstas a implantação de mais de 2,7 milhões de metros de redes coletoras de esgoto nos próximos anos, além de obras de implantação e ampliação de pelo menos 70 Estações de Tratamento de Esgoto (ETE’s), espalhadas por todas as zonas da cidade.
Somente neste ano, serão construídos cerca de 200 quilômetros de rede coletora na cidade de Manaus.
O Distrito de Taquaruçu, no Tocantins, possui algumas curiosidades, principalmente para quem ama adrenalina. Entre elas, é que o município se torna capital do Tocantins por um dia. A ação acontece por um dia há quase 20 anos, durante a comemoração de homenagem ao antigo município de ‘Taquarussu do Porto’.
Isso ocorre porque ‘Taquarussu do Porto’ já foi sede administrativa enquanto Palmas, atual capital, era construída. O distrito foi criado pela lei estadual de Goiás nº 10.419 de 1º de janeiro de 1988, sob a categoria de município e com o nome de Taquarassu do Porto, sendo instalado somente em 1º de junho de 1989. Pela resolução nº 28, de 29 de dezembro de 1989, o município passou a pertencer, sob a condição de distrito, à cidade de Palmas, criada pelo mesmo decreto.
Uma emenda, em 2006, alterou a Orgânica do Município e determinou que todo dia 1º de junho Taquaruçu recebe os serviços relacionados à Prefeitura e a Câmara, relembrando o período em era sede.
Cachoeira do Evilson. Foto: Reprodução/Taquaruçu Turismo
Além dessa peculiaridade, Taquaruçu também é conhecido por seu potencial turístico devido as diversas cachoeiras. Dentre elas estão a cachoeira de Taquaruçu, Roncadeira e a do Evilson.
Esta última tem sua própria particularidade: está localizada na propriedade de Evilson Machado da Fonseca (daí o nome dela) e possui 21 metros de altura.
E para os aventureiros, o distrito abriga a Tirolesa Voo do Pontal, que está entre as maiores tirolesas do Brasil, cuja extensão é de 1300 metros e pouco mais de 200 metros de altura.
A amapaense Fernanda Bastos, de 28 anos, foi selecionada para a semifinal da 3ª edição de um concurso de moda nacional com a loja ‘Selvática’, de sua marca autoral com peças produzidas a partir de material 100% sustentável que aprendeu com a família.
O principal estilo da produção é o streetwear ou moda de rua. As peças produzidas pela jovem vão de chapéus, bolsas, acessórios e outros. E levam como principal detalhe o patchwork, uma técnica onde um tecido é remendado ao outro.
Ela começou com o empreendimento em 2016 com pequenas produções, mas em 2018, criou a loja e marca autoral com sua assinatura e designs, com peças que levam retalhos e muitas cores e texturas.
Legado Familiar
A Fernanda Bastos é uma macapaense periférica e de origem humilde. Ela contou que por necessidade de renda extra, começou a empreender desde o ensino médio com um legado que lhe foi repassado através da família, a costura.
“Minha mãe e minha avó, são artesãs. Minha vó costurou muito para criar tantos filhos e o artesanato sempre esteve ligado na nossa família. A falta de recursos sempre foi um combustível para a criatividade de tudo que eu faço”, disse.
A jovem começou com broches e bordados ainda na escola e depois evoluiu para bolsas bordadas em jeans, e tapeçarias que sobravam do trabalho de seu pai, com vendas pela internet e para amigos próximos.
“Criei a loja Eras que era uma loja de bolsas bordadas em jeans feitas totalmente de forma manual e que eu vendia nas praças, vendia muito na Veiga, vendia pelo Instagram e aí vendia pra amigos próximos também” disse.
Ao passar dos anos ela buscou aprimorar sua produção. Fernanda é técnica em mineração, mas sempre sonhou em cursar moda já que arte e o artesanato sempre estiveram presentes em sua vida de diferentes formas.
“Sempre quis estudar moda, só que a dificuldade de não ter esse curso no estado me fez adiar muito esse sonho. Ano passado eu consegui estudar moda em Belém. Vou pra Belém todo início de semestre e todas as férias eu volto pra Macapá”, contou.
Ela destacou ainda, que mesmo com as dificuldades, sua família, amigos e namorada, sempre a incentivaram desde as vendas à clientela em Macapá até para levar a produção amapaense ao resto do Brasil.
Fernanda no pequeno ateliê para mais uma produção. Foto: Mayara Theodoro/Divulgação
Moda sustentável
Fernanda pensa em expandir o negócio cada vez mais, levando a moda tucujú ao Brasil todo. Desde o começo de suas produções, a sustentabilidade se tornou uma regra.
“Continuamos indo atrás de outras alternativas, outras formas de que aquilo que a gente faz impacte menos o meio ambiente, buscando também implementar o ‘zero waste’ dentro da nossa produção, que é como se fosse não gerar resíduos”, explicou Fernanda.
Ela destacou que além de trabalhar com a reutilização de peças, elas acabam se tornando únicas pela forma que são feitas.
“Todo design vai ser único, toda peça vai ser única, a gente não vai conseguir colocar o mesmo recorte, o mesmo retalho em duas peças diferentes. Então, essa também é uma forma de gerar exclusividade”, disse a artesã.
Concurso Nacional
A artista contou que participar da semifinal de um grande concurso é a realização de um sonho e este é o resultado de um trabalho em conjunto e que desde então, busca ser reconhecida pelo seu trabalho profissionalmente
“Eu sou muito feliz porque o norte tem um potencial imenso. Eu estou conhecendo tanta gente boa no que faz, só que não é reconhecido pelo sul e sudeste. Então eu vejo que é mais uma oportunidade da gente ser reconhecida”, disse a jovem.
Fernanda destacou que se caso passe para a final do concurso, ela e sua equipe, que são os seus amigos, já estão no preparo de um coleção regional completamente inusitada para ser reconhecida em escala nacional.
Além disso, Fernanda quer seguir estimulando a moda no Amapá, com o lançamento de bonés autorais a partir da doação de bonés que não são mais usados e em seguida, os desfiles nos concursos locais.
Rio Branco aparece em situação de aumento nas tendências de longo prazo em casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) considerando a 20ª semana epidemiológica de 2024, entre 12 de abril a 18 de maio, segundo o Boletim InfoGripe, divulgado na última semana pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Da região Norte, figuram apenas a capital acreana e Porto Velho (RO).
Segundo o estudo, se observa sinal de aumento dos novos casos semanais de SRAG na tendência de longo prazo, ou seja, nas últimas seis semanas, além de sinal de estabilidade a curto prazo, nas últimas três semanas. O cenário atual do aumento de SRAG no país, segundo o boletim, é decorrência fundamentalmente dos vírus sincicial respiratório (VSR), Influenza A e rinovírus.
Foto: Reprodução/Boletim Infogripe
Entre as capitais, além de Rio Branco, outras 14 apresentam sinal de crescimento nos casos de SRAG. São elas:
Aracaju (SE)
Boa Vista (RR)
Campo Grande (MS)
Cuiabá (MT)
Florianópolis (SC)
João Pessoa (PB)
Macapá (AP)
Maceió (AL)
Natal (RN)
Porto Velho (RO)
Recife (PE)
Rio de Janeiro (RJ)
São Luís (MA)
Teresina (PI)
Marcelo Gomes, coordenador do Boletim Infogripe, chama atenção para o início da desaceleração das internações em algumas regiões.
“Para o VSR, em alguns estados do Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, observa-se interrupção do crescimento ou queda. Em relação ao influenza A, associado ao aumento de SRAG em adolescentes e adultos, já se observa desaceleração no Nordeste e em parte do Norte e Sul do país”, destaca Gomes.
Cenário nacional
No cenário nacional, 15 unidades da federação apresentam sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo. Além do Acre, apresentam-se: Alagoas, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Rondônia, Santa Catarina e Sergipe.
O indicador de longo prazo permite avaliação de tendência suavizando o efeito de eventuais oscilações entre semanas consecutivas, algo natural em dados de notificação.
Já o indicador de curto prazo permite identificar, de forma oportuna, possíveis alterações no comportamento de longo prazo, mas que necessitam interpretação cautelosa à luz de eventuais oscilações.
Emergência
O governo do Acre decretou situação de emergência em decorrência do aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave e da superlotação dos leitos de terapia intensiva. O documento foi publicado na última terça-feira (14) no Diário Oficial do Estado (DOE) e tem validade de 90 dias.
O documento, assinado pelo governador Gladson Cameli, enumerou que tomou a decisão baseada na ‘alta taxa de ocupação de leitos adultos em unidades de terapia intensiva nas unidades de saúde pública e rede privada’.
Além disto, a publicação diz ainda que a declaração de emergência é por conta da situação anormal vivenciada pelo estado, além do ‘aumento exponencial da procura por atendimento nas unidades estaduais de saúde, com grande número de queixas de sintomas gripais, e a gravidade dos casos identificados, os quais muitas vezes são submetidos a internação em leitos de terapia intensiva’.
O Governo Federal, por meio da Força Nacional do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) começou, no dia 31 de maio, a desintrusão na Terra Indígena Karipuna (TIKA), localizada nos municípios de Porto Velho e Nova Mamoré, em Rondônia. A ação tem como objetivo retirar os invasores, majoritariamente garimpeiros e madeireiros ilegais, para devolver o domínio da região aos povos originários.
A região Karipuna possui 153 mil hectares, com a população indígena distribuída em duas comunidades. Devido ao histórico de extermínio, são comunidades pequenas, compostas, em maior parte, por jovens que estabelecem relações de trabalho nos distritos e vilas de Porto Velho.
A região enfrenta ameaças devido às atividades ilegais de madeireiros e garimpeiros, que exploram os recursos naturais, contaminam os rios, colocam em risco a saúde da população local e ameaçam a cultura e a organização social dos povos indígenas.
De acordo com dados da Plataforma Brasil Mais, em 2023 foram registrados 51 alertas de desmatamento na TI Karipuna. Em comparação com o ano de 2022, durante os últimos 12 meses do governo anterior, foram registrados 435 alertas de desmatamento no local, indicando uma redução de 88% neste ano.
Ações
As ações do Governo Federal pretendem retirar os grupos invasores de forma pacífica. Também faz parte da operação, a reintegração de posse de terras da União e destruição de instalações e de acessos que possibilitem a reocupação dos invasores. Isso será feito com a utilização de maquinário pesado para interdição de vias terrestres, cercas de contenção de terras, abertura de valas, destruição de pontes de acesso ao território e outras edificações que não sejam de interesse dos indígenas.
Além disso, foram disponibilizados recursos tecnológicos como: aplicativos web para registro de dados; drones para reconhecimento de ponto/área; antenas de comunicação via satélite; e disponibilização de sinal de internet que possibilitará o bom andamento das ações.
Posteriormente, haverá o monitoramento da região e elaboração de um plano de sustentabilidade do território, feito em parceria com Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e o Ministério da Defesa (MD), sob a coordenação da Secretaria-Geral da Presidência da República (SG/PR).
Além do MJSP, participam do processo de desintrusão os seguintes órgãos: Casa Civil, Ministério dos Povos Indígenas, Ministério da Defesa, Secretaria-Geral da Presidência da República, Advocacia-Geral da União, Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
ADPF 709
Por meio da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 709, o Supremo Tribunal Federal (STF) ordenou, em novembro de 2023, que a União preparasse, em um prazo de 90 dias, planos para a retirada de invasores nas terras Yanomami, Karipuna, Araribóia, Kayapó, Uru-Eu-Wau-Wau, Trincheira Bacajá e Mundurucu, que seguem cronogramas distintos de desintrusão.
Em de março deste ano, foi homologado, pela Corte, os planos operacionais, incluindo o Plano de Monitoramento e Desenvolvimento Continuado (MDC), destacando a necessidade de que os processos de retirada em cada território sigam planejamentos semelhantes e adaptados à realidade de cada comunidade.
Funções do MJSP
No âmbito do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a Força Nacional, a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal possuem importantes funções operacionais para retirar os invasores e impedir a volta deles, além de atuarem: com a repressão de ilícitos no geral; para o enfraquecimento de organizações criminosas que atuam na região; para coibir a exploração ilegal de madeira; na erradicação do trabalho análogo à escravidão; no fomento à preservação do meio ambiente; e no fortalecimento da presença do Estado brasileiro.
Força Nacional, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal
Cabe à Força Nacional garantir a segurança nas ações de desintrusão e de fiscalização ambiental durante e após os procedimentos. Além disso, também disponibiliza equipes de Polícia Judiciária e de Perícia Técnica em apoio à Polícia Federal, realiza operações táticas e ajuda no reestabelecimento da ordem pública nas imediações das bases operacionais.
Dentre as funções da Polícia Federal, vale ressaltar as investigações criminais para desarticular e desestruturar financeiramente as organizações criminosas dos grupos invasores, o que é feito por meio de análises de materiais apreendidos e demais informações coletadas durante a execução da operação
Além disso, a instituição é responsável: pela coordenação de ações de Polícia Judiciária, em conjunto com órgãos e agências envolvidos na operação; por eventuais prisões em flagrante; por apreensão de materiais ilícitos ou ilegais; por perícias; por coleta de dados sobre condutas criminosas; pelo apoio nas atuações dos oficiais de Justiça e dos grupos táticos; e por destruir cultivos de drogas.
É atribuição, da Polícia Rodoviária Federal, combater crimes ambientais e socioambientais, especialmente nos acessos ao território indígena. Ainda, os agentes de segurança pública do órgão devem fiscalizar o transporte de maquinários e de insumos de abastecimento das áreas de desmatamenteo ilegal, bem como apoiar o Grupamento de Choque e fornecer apoio em relação aos demais recursos logísticos demandados.
*Com informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública
Rondônia registrou um aumento de 50% no número de focos de queimadas registrados nos primeiros cinco meses de 2024, em relação ao mesmo período de 2023, revelou os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Os focos ativos estão relacionados à detecção de incêndios em tempo real através de satélites, de acordo com informações Inpe.
De acordo com os dados do “Programa Queimadas” do Instituto, entre os meses de janeiro a maio de 2024, o estado registrou 282 focos de queimadas; o que representa um aumento de 50%, em comparação com o mesmo período de 2023, quando 188 focos foram detectados.
Até o momento, março foi o mês de 2024 com o maior número de focos, com 79 notificações. Janeiro foi o período com o menor número de registros.
Um foco precisa ter pelo menos 30 metros de extensão por 1 metro de largura para que os chamados satélites de órbita possam detectá-lo. No caso dos satélites geoestacionários, a frente de fogo precisa ter o dobro de tamanho para ser localizada, segundo informações do Inpe.
A terceira geração de judeus marroquinos compreende o período da grande crise, que vai de 1920 a 1950, quando durante esse período de trinta anos, a economia amazônica entrou em crise e os descendentes da primeira geração e pioneiros, que se internaram nos mais remotos lugares, vilas, povoados e pequenas cidades da Amazônia, iniciaram o seu êxodo para Manaus e Belém. (BENCHIMOL, 1998).
Era, como disse acima, os tempos das vacas magras, de pobreza, penúria, quando os judeus – e juntamente os sírios-libaneses e nordestinos-cearenses – começaram a abandonar os seringais, castanhais, regatões, flutuantes, casas de comércio, sítios e fazendas, que já não valiam mais nada, em busca de sobrevivência nas capitais dos Estados do Pará e Amazonas.
E continua a narrativa do professor Samuel Isaac Benchimol, agora destacando Belém do Pará que já existiam organizadas duas comunidades religiosas:
[…] Em Belém do Pará já existiam organizadas duas comunidades, a de Essel (ou Eshel) Abraham, fundada em 1824 (1823) por Abraham Acris, e Shaar Hashamain, ao que tudo indica fundada antes, ou reinaugurada por marroquinos haviam emigrado para o Pará, no período de 1810 a 1920, ou seja durante cerca de um século, afluiu a Belém considerável massa de judeus que abandonaram as suas vilas e cidades de origem: Cametá, Baião, Gurupá, Breves, Macapá, Altamira, Santarém, Óbidos, Alenquer, Faro, Oriximiná, Itaituba, Boim, Aveiros, deixando pra trás os seus cemitérios abandonados, com os nomes de seus pais e mães esculpidos na lápide de mármore. Abandonaram as suas casas de moradias, os seus negócios e até, como no caso da Cametá, as duas sinagogas que chegaram a funcionar nessa cidade, de onde trouxeram os seus sefarim (rolos da Torah) para as sinagogas de Belém.
Muitos, principalmente mandaram os seus filhos para serem educados no pensionato de D. Sol Israel, bondosa e lutadora, esposa do senhor Elias Israel, filho pioneiro Judah (Leão) Elias Israel, que teve papel muito importante na salvação das crianças judias do interior do Pará e Amazonas, dando-lhes educação judaica e abrigando-as apesar da pobreza no seu lar. Seu marido, o senhor Elias Israel, que chegou a ser rico e próspero, para sobreviver foi ser Shaliaha da Sinagoga Shaar Hashamaim e como nada ou pouco recebia, vivia de ensinar, de casa em casa, os meninos judeus e, ao mesmo tempo, de vender no varejo como ambulante, botões de todos os tipos, para confecção e costureiras. Botões esses que os rebeldes e traquinos judeus tiquitos (pequenos) ralampeavam (haquitia para surrupiar) nas aulas de hebraico, para brincar nos seus times de futebol de botão.
Eram numerosas as famílias judias da terceira geração que haviam abandonado o interior para viver em Belém: Athias, Pazuelo, Benzecry, Serfaty, Levy, Obadia, Abtibol, Nahon, Bemergui, Benjó, Dahan, Elmescany, Bentes, Benchimol, Anijar, Aguiar, Benzaquem, Zagury, Hamu, Melul e centenas de outras famílias que, juntamente com os judeus locais, formavam um grupo de cerca de 600 famílias, num total de cerca de 3.000 judeus na década dos anos de 1930 a 1950.
A atividade comunitária era intensa, pois as duas sinagogas se encarregavam em proporcionar consolo espiritual para esses empobrecidos judeus que haviam, outrora, conseguido alcançar prosperidade durante o ciclo da borracha, de 1890 a 1910. As sinagogas Essel Abraham – Bosque, Arvoredo ou Pousada de Abraham, na Rua Campo Sales abrigavam os judeus mais pobres e os forasteiros (Toshavin), cuja rivalidade contra os sefaradins megorashin ainda permanecia.
Essa primeira e mais antiga sinagoga sempre foi denominada Esnoga de Los Pobres, (os judeus forasteiros, na sua pronúncia em hebraico, suprimiam a diferença fonológica entre o shin (chiante) e o sin (sibilante), e, por isso ao invés de Eshel Abraham se referiam a Essel Abraham, nome incorreto, pelo qual ficou sendo conhecida a esnoga dos forasteiros da Rua Campos Sales (Inácio Obadia, depoimento e correligionário), porém nunca faltava minyan (quórum de 10 judeus) para poder fazer certas orações como abrir o Hehal (área onde são guardadas os sefarim – rolos da lei) e dizer o Kadish (oração pelos mortos). Os forasteiros como eram muito mais religiosos e doutos do que os sefaraditas mantinham as suas tradições e eram muitas vezes mais exigentes no ritual, sobretudo na leitura da Torah, onde o Baal-Korê (leitor das escrituras em Lashon-Hakodesh-Língua Hebraica Sagrada) não podia cometer mais do que três erros.
Por esse motivo havia muitas discussões na sinagoga e muitas delas geravam brigas, desafios e malquerências, o que forçavam os revoltosos e dissidentes, muito a contragosto, a frequentar a sinagoga dos sefaraditas Shaar Hashamain, da Rua Arcipreste Manoel Teodoro, para depois regressar e fazer as pazes com a sua esnoga original. Esta era considerada, no passado, a esnoga dos aviadores e dos ricos, pois tinha muita imponência, embora o ritual não fosse tão rigoroso como na sinagoga da Campos Sales. Com o empobrecimento dos judeus de ambas as sinagogas, a primeira se tornou esnoga de los pobres forasteiros e a outra a pobre esnoga dos judeus aviadores falidos.
Prezença de Israel, Samuel e Isaac Benchimol, prefeito de Manaus Loris Cordovil, além de outros membros da Comunidade Judaica de Manaus, no lançamento da Pedra Fundamental da Sinagoga Beth Yaacov. Foto: Anne Benchimol/Acervo Sinagoga
Outra grande figura de judeu foi a do Major Eliezer Moyses Levy, que foi duas vezes Prefeito de Macapá e uma de Afuá, tendo o seu irmão Moyses sido Prefeito de Igarapé-Mirim. O Major Eliezer, mesmo nesses tempos de crise, jamais perdeu a sua consciência política e comunitária, pois após haver deixado o interior, onde além de político tinha uma companhia de navegação, foi um ardoroso sionista, tendo fundado o jornal A Voz de Israel. A sua filha Anita Levy fundou, na década dos anos 30, juntamente com seu primo, o erudito e sábio David José Perez, o Deborah Clube, uma associação de moças com o objetivo de fazer reuniões, festas e ajudar a comunidade. Um dos seus filhos, o Dr. Judah Eliezer Levy foi o arquiteto, construtor ou reformador de 3 sinagogas: Essel Abraham e Shaar Hashamain em Belém e Beth-Yaacov/Rebi Meyer em Manaus.
Muitos outros eminentes judeus atuaram, nesse período, tanto no campo religioso como na área comunitária e empresarial. Porém no campo religioso não podemos deixar de mencionar a liderança de Levy Obadia, Isaac Pinhas Melul, judeu de Cametá que ao se mudar para Belém, pelo seu notável conhecimento das escrituras e da Torah, tornou-se o Shaliah comunitário da Sinagoga Essel Abraham, até a sua morte aos 106 anos de idade, em 30/04/1974; Samuel Benjó, Leon Benjó, Isaac Dahan( natural de Alenquer), Abraham El-Mescany (de Óbidos), Abraham Moyses Melul, José Ricardo Anijar e o professor Inacio Obadia, todos eles ilustres hahamin, leitores da escritura (Baal Korê) e profundos conhecedores da Torah da Sinagoga Essel Abraham da Rua Campos Sales, de los pobres forasteiros toshavim.
Na outra sinagoga, da outrora rica, e durante a terceira geração dos judeus pobres judeus aviadores e comerciantes falidos – Shaar Hashamaim da Rua Arcipestre Manoel Teodoro- funcionaram como líderes espirituais: Judah (Leão) David Israel, no período de 1890 a 1898, Rebby Messod Dabella, Rebbi Jacob Benualid, Elias Leão Israel (1909 a 1912), Abraham Anijar (rabino atual da Sinagoga Shel Guemilut Hassadim do Rio de Janeiro), Leão Samuel Aguiar, David Benzaquem, Leon Bengio, Menasseh Zagury, Rabino Abraham Hamu e Rabino Moyses Elmescany, este último da cidade de Óbidos e que hoje é o líder religioso e espiritual do Centro Israelita do Pará, dirigido pela arquiteta Oro Serruya e pelo Dr. Marcos Serruya que a sucedeu no período de 1998-2000. Há ainda uma terceira Sinagoga do Grupo Beit/Chabad, dirigida pelo Rabino Disraeli Zagury, que tem conseguido aumentar o número de seus fiéis mais conservadores, atraídos pelo seu fervor religioso.
O Centro Israelita do Pará foi fundado em 20/06/1918 em Belém, e desde então tem sido presidido por grandes figuras do judaísmo paraense: Moyses Levy, Marcos Athias, Abraham Athias, Jaime Bentes (durante cerca de 20 anos) Isaac Barcessat, Elias Pazuello, Ramiro Isaac Bentes, Aarão Isaac Serruya, Isaac David Nahon, Oro serruya e agora Marcos Serruya.
Lançamento da Pedra Fundamental da Sinagoga Beth Yaacov. Foto: Anne Benchimol/Acervo Sinagoga
Na parte empresarial, os judeus paraenses da terceira geração, que haviam falido durante a crise da borracha, ou ficaram muito empobrecidos, tentaram reerguer-se com a ajuda de suas esposas, trazendo as suas famílias para Belém, onde reiniciaram a sua luta e a sua nova vida. Uns como empregados e funcionários públicos, outros como vendedores, negociantes e lojistas. Alguns se transformaram em grandes exportadores de borracha, sorva, castanha, couros e peles, cumaru, timbó e outros produtos regionais, na década dos anos de 1930 a 1950. Nesse período sobressaíram-se: Jayme Pazuello, Marcos, Marcos Athias, Jacob Benzecry, Y. Serfaty, Major Levy e Samuel Levy (de Macapá) Marcos Abitbol e muitos outros.
Os negócios durante a Segunda Grande Guerra, com os Acordos de Washington de 1942, a criação do Banco da Amazônia, em 1940, e a Nova Constituição Federal de 1946, que no seu artigo 199 instituiu o Fundo de Valorização da Amazônia, com recursos de 3% retirado da receita federal durante 20 anos, ajudou a recuperar a economia amazônica, e os judeus tiveram uma prosperidade efêmera, pois passaram a dominar o comércio exterior e a agregar valor aos produtos nativos através da industrialização e beneficiamento da borracha, castanha, couros de jacaré, timbó, serraria, destilação de pau-rosa e etc.
E continua o professor Samuel Isaac Benchimol a narrativa histórica da civilização deste povo que se constituiu sob o signo do sofrimento, do silêncio e da esperança. Rio sem margens que converge para o largo mar da memória, cemitério de lembranças, onde jazem velhos barcos arruinados, náufragos e viajantes em busca de um porto seguro. Como se fossem velhos navegadores conduzindo suas naus através de rotas antigas, reconstruindo a geografia de um passado perdido no tempo e que descrevo aqui na minha obra. Agora com destaque para a cidade de Manaus de um período importante para nossa história.
[…] Em Manaus idêntico movimento repetiu os mesmos padrões seguidos pela terceira geração de judeus paraenses. A luta talvez tenha sido mais difícil para os israelitas amazonenses, pois vivendo no interior da selva, a 1500 Km de Belém, tudo se tornava mais difícil, oneroso e caro.
Os judeus falidos e empobrecidos do interior começaram a chegar a Manaus que, em 1930, tinha cerca de 90.000 habitantes (o senso de 1920 indicou 75.704 e o de 1940 106.399 habitantes). Como não houve senso em 1930, pode se estimar a população de Manaus em cerca de 90.000 habitantes. A maioria dos judeus amazonenses veio de Itacoatiara (Perez, Ezagui, Azulay), Parintins (Cohen, Assayag), Maués (Levy, Abecassis), Borba (Laredo), Humaitá (Julio Levy), Porto Velho (Querub), Guajará Mirim (Benesby), Fortaleza do Rio Abunã (Isaac Israel Benchimol e seus 8 filhos), Tefé (Siqueira, Cagy), Coari (Pinto), Tarauacá (Henry Cerf Levy e seus 12 filhos católicos), Iquitos (Tapiero, Toledano), apenas para mencionar alguns nomes, correndo sempre o risco grave de omissão que será reparada quando mencionar os nomes dos judeus das cidades interioranas, em outro capítulo.
Deve-se também mencionar que muitos judeus paraenses de Alenquer, Óbidos, Santarém e, sobretudo, de Belém começaram a migrar para Manaus, em busca de novas oportunidades de trabalho e emprego. Entre os judeus paraenses que vieram reforçar a comunidade de Manaus, devemos mencionar nessa terceira geração os Sabbá, Benarrós, Bemergui, Benmuyal, Aguiar, Azulay,Benzecry e outros que se estabeleceram e muitos tiveram extraordinário sucesso e liderança na economia e sociedade amazônica. O maior deles foi Isaac Benayon Sabbá, que foi o pioneiro da industrialização da Amazônia, com a construção da Refinaria de Petróleo de Manaus, inaugurada em janeiro de 1957 e que durante sua vida construiu um império de 41 empresas e estabelecimentos industriais.
A comunidade judaica de Manaus, nesse período de 1930 a 1950, cresceu para 250 famílias, com a vinda de migrantes do êxodo rural proveniente do interior do Estado e da capital Paraense, Por ser menor do que a comunidade paraense de Belém e pelo fato dos judeus viverem na sua quase totalidade, no interior do Estado, somente em meados da década dos anos 20 tiveram oportunidade de organizar as instituições da comunidade judaica (sinagoga, cemitério, hebrá, escola, clube social e os cinco pilares da vida comunitária).
Essas organizações foram sendo criadas pelos novos migrantes do interior que se estabeleceram em Manaus. Depois de reconstruir as suas vidas, alguns judeus se tornaram líderes como: Isaac José Perez, o grande prefeito judeu que revolucionou, urbanizou Itacoatiara (1926 a 1930) e fundou os cemitérios judeus de Manaus.
Era casado com Rachel Hilel Benchimol, cujos pais vieram de Gilbratar para Cametá em 1850 e depois se transferiu para Itacoatiara, onde realizou como prefeito a urbanização da cidade como veremos em capítulo especial, no segundo volume desta pesquisa. Isaac José Perez veio para Manaus em 1928, ainda como Prefeito de Itacoatiara conseguiu, com o seu prestígio, junto ao Governador Efigênio de Sales, a troca de um terreno aos fundos do Cemitério São João Batista, que havia sido comprado para ser o cemitério judeu por um terreno melhor situado ao lado do Cemitério São João Batista, na esquina do Boulevard Amazonas, hoje Avenida Álvaro Maia.
Comprado o cemitério judaico e feito seu gradeamento, Isaac José Perez teve o grande infortúnio e desdita de ver morrer de febre amarela o seu querido e amado filho Leon Perez, jovem engenheiro politécnico, que estava em visita aos seus pais. Por ironia do destino, o fundador do Cemitério Judeu de Manaus o inaugurou, enterrando seu próprio filho, em 12 de setembro de 1928. Foi o primeiro kadish (oração pelos mortos) dito por um judeu para seu filho na Mearah (cemitério em haquitia) de Manaus, pois anteriormente os judeus eram enterrados no cemitério católico ao lado sem nenhuma cerimômia, pois praticamente não existia comunidade organizada e nem talvez minyan (quórum de 10 judeus) para poder dizer o kadish à beira da sepultura (qeburah).
O segundo passo para organizar uma sinagoga. Os exilados (os novos megorashim e toshavim-sefaraditas e forasteiros) do interior resolveram a Sinagoga Beth Yaacov, cuja a primeira sede foi na Rua Lobo D’Almada, perto do antigo escritório de A Crítica, e depois transferida para Rua Barroso, quase em frente da Biblioteca Pública, para em seguida ser novamente mudada para um sobrado na Avenida 13 de Maio (atual Getúlio Vargas), ao lado do cine Polytheama, onde coloquei os meus telefim (bar-mitzvh), cerimônia de maior idade e integração à comunidade, realizada aos 13 anos de idade no ano de 1936.
Sede da antiga Sinagoga Beth Yaacov. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
No ano seguinte, Isaac Israel Benchimol, um próspero e rico seringalista da Fortaleza do Rio Abunã, que faliu e empobreceu na grande crise da borracha, de 1930 e que se transferiu para Manaus com seus 8 filhos em 1933, recomeçou a sua vida como humilde e pobre guarda-livros.
É eleito Presidente do Comitê Israelita do Amazonas e um dos seus primeiros atos foi comprar a sede própria da Sinagoga Beth-Jacob, que passou a funcionar no novo prédio, adquirido na Rua Ramos Ferreira nº 596 (Praça da Saudade), desde o dia 4 de junho de 1937, quando o referido prédio foi comprado de D. Francisca Regallo Araújo.
O Comitê Israelita do Amazonas foi fundado em 15 de julho de 1929, sendo seu primeiro presidente o Sr. Raphael Benoliel, sócio presidente da firma B. Levy & Cia., a mais rica e próspera firma exportadora de aviamentos para o interior do Estado, que nessa altura já estava em situação difícil, vindo a liquidar-se em 1943. Os fundadores do Comitê que assinaram a ata de presença foram, além de Raphael Benoliel, os Srs. Raphael Benayon, Isaac José Perez, David Alberto Sicsú, Alberto Abraham, Jacob Benchimol, S. J. Aben-Althar, Pacífico Ezagui, Moyses Benchimol, Jacob Abecasis, Jacob Chocron, Isaac Sabbá, David Leão Israel, Samuel J. Benoliel, Simão Benchimol, Marcos Ezagui, Abraham Samuel Alves, Leão Abraham Azulay, Jacob I. Benzaquen, Salomão Alves, Augusto Ezagui, Marcos Esquenasi, Isaac Rozenstein, José David Israel, Laão Abraham Pinto, Nessim Pessah, Mogluff Cohen, Salomão Benemond, Solon Benemond, Moyses Julio Levy, Isaac S. Benoliel, David Israel, Julio Levy, Raphael José, David Fortunato Benarrosh, Samuel A. Ohana, David J. Israel, Joseph Tapiero, Hebron Levy, Lazaro Klein, José Samuel Levy, Lazaro Sasson Tayah, Elias Benchimol, Jacob Sabbá, Fortunato Berrarrosh, José David Sicsú (Fonte: Manuscrito descoberto pelo Dr. Isaac Dahan, atual Presidente do Comitê Israelita do Amazonas).
Todos esses fundadores eram na sua maioria, líderes empresariais de Manaus, com exceção do Dr. Raphael Benayon, que era advogado e Professor e Catedrático de Direito Internacional Privado da Faculdade de Direito do Amazonas e que havia traduzido do francês para o português o famoso livro de R. Von Ihering -O Espírito do Direito Romano, que durante várias gerações foi livro de teto de quase todas as Faculdades de direito do Brasil ( Menezes, Aderson, 1959:57).
Interior atual da Sinagoga Beth Yaacov. Foto: Anne Benchimol/Acervo SinagogaInterior antigo da Sinagoga. Foto: Anne Benchimol/Acervo Sinagoga
Desde a sua fundação, o Comitê teve 11 Presidentes: Raphael Benoliel (1929/1931), Jacob Benoliel (1932/1937), Isaac Israel Benchimol (1937/1957), Israel Siqueira Benchimol (1958/1961), Isaac Israel Benchimol (1962/1974), Samuel Isaac Benchimol (1975/1985), José Laredo (1985/1988), Franklin Isaac Pazuello (1988/1991), Samuel Koifman (1991/1994), Celso Neves Assayag (1994/1997) e Isaac Dahan (1997/2000).
A segunda sinagoga de Manaus foi fundada pelo nosso correligionário Jacob Azulay com um grupo de judeus forasteiros (Toshavim) e sefaraditas (megorashin), descontentes com a comunidade da esnoga Beth-Yaacov, que era considerada a sinagoga dos sefaraditas megorashin y de los ricos. Este segundo templo com o nome Rebby Meyr funcionou no começo num prédio familiar cito a Praça 15 de Novembro, perto da antiga firma Higson & Cia., e da Rua Tamandaré. Posteriormente foi transferida para um prédio próprio na Av. 7 de Setembro 385 com fundos para a Rua Visconde de Mauá nº 301, conforme escritura de 20 de maio de 1945.
Eram seus dirigentes e depois de sucessivos presidentes os correligionários Salvador Bemergui, Salomão Benmuyal, Augusto Pacíficico Ezagui, David José Israel, Vidal David Israel, Samuel D. Israel, Elias D. Israel, Salomão José Laredo, Miguel Cohen e outros. Era conhecida como la esnoga de los pobres, tal como a esnoga Essel Abraham da Rua Campos Sales, de Belém do Pará.
Ambas as sinagogas foram fundidas com a construção do novo templo, em 18 de janeiro de 1962, com o novo nome de Esnoga Beth-Jacob/Rebi Meyr, que assinala o fim da rivalidade sefaraditas/megorashim e forasteiros/toshavim em Manaus, com a reconciliação das duas correntes do judaísmo marroquino do século XIX. Esta fusão foi realizada graças ao trabalho do Presidente Isaac Israel Benchimol Z’L’ (Zichronô Libracha – de abençoada memória) falecido em 24 de dezembro de 1974, e Vice-Presidente Samuel Isaac Benchimol, com a plena cooperação do Sr. Jacob Azulay, que passou a funcionar como nosso Shaliah (oficiante) comunitário, grande conhecedor da Torah (Baal Korê) até a sua morte, em 09 de fevereiro de 1976.
Funcionaram como Shaliah, Hazan, Baal Korê (oficiante, cantor, leitor das escrituras bíblicas), desde a fundação os nossos correligionários: Jacob Azulay, Isaias Abensur, Isaac Pazuelo, Miguel Cohen, todos Z’L’ de abençoada memória e, mais recentemente, os Srs. Leon Benjó, Dr. Isaac Dahan, Moyses Elmescany (atual rabino da comunidade de Belém) Prof. Dr. Inácio Obadia, também Shaliah da Esnoga Essel Abraham de Belém, David Salgado Filho, Dr. Abraham Elmescany e novamente, a partir de 1998, o Prof. Inácio Obadia.
Sinagoga Beth Yaacov. Foto: Anne Benchimol/Acervo Sinagoga
A vida social comunitária de Manaus foi iniciada em 1940 com a fundação do Clube Azul e Branco, pelo nosso correligionário David Israel jornalista fundador do jornal Folha Israelita, que circulou em Manaus no período de 1948 a 1958), sendo a sua primeira presidente a jovem Gimol Levy, esposa do sr. Israel Siqueira Benchimol. Posteriormente, esse clube foi transformado em 1945, no Grêmio Cultural e Recreativo Sion, que funcionava na casa de D. Sultana Esquenazi e depois passou a funcionar na Rua Henrique Martins (conhecida como a Rua dos Judeus, pois lá viviam, naquela época, cerca de 40 famílias e casa comerciais de judeus).
Finalmente, em 1976, na gestão do Presidente do Comitê Israelita do Amazonas, sr. Samuel Isaac Benchimol, foi fundado o atual Clube A Hebraica, com a compra do prédio situado na Av. Joaquim Nabuco, 1842, com fundos para a Rua Dr. Machado, adquirido em 30 de janeiro de 1976, da Grande Loja do Amazonas, com a ajuda financeira de toda a comunidade e com o produto da venda da antiga sinagoga da Praça da Saudade ao Banco Nacional de Habitação.
O seu primeiro presidente foi o correligionário Ilko Minev, seguido de Samuel Benzecry, e depois um colegiado dirigido por Nora Benchimol Minev, Sonia Assayag Cohen, Denise Benchimol Rezende, Fátima Assayag, Sarah Foiquinos, Bonina Bemergui. Em 1995 foi eleito Presidente Dany Schwarcz e, em 1997, a nossa correligionária Nora Benchimol Minev, tendo como Vice-Presidente o Sr. Samuel Appenzeller.
Fonte: BENCHIMOL, Samuel. Eretz Amazônia: os judeus na Amazônia. Manaus: Valer, 1998, p. 104-122.
Sobre o autor
Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.