Artesã amapaense leva tradição familiar sustentável para semifinal de concurso moda nacional

Fernanda Bastos criou a marca 'Selvática' e vende bolsas, roupas e acessórios produzidos a partir de material reutilizado com foco na sustentabilidade.

A amapaense Fernanda Bastos, de 28 anos, foi selecionada para a semifinal da 3ª edição de um concurso de moda nacional com a loja ‘Selvática’, de sua marca autoral com peças produzidas a partir de material 100% sustentável que aprendeu com a família.

O principal estilo da produção é o streetwear ou moda de rua. As peças produzidas pela jovem vão de chapéus, bolsas, acessórios e outros. E levam como principal detalhe o patchwork, uma técnica onde um tecido é remendado ao outro.

Ela começou com o empreendimento em 2016 com pequenas produções, mas em 2018, criou a loja e marca autoral com sua assinatura e designs, com peças que levam retalhos e muitas cores e texturas.

Legado Familiar

A Fernanda Bastos é uma macapaense periférica e de origem humilde. Ela contou que por necessidade de renda extra, começou a empreender desde o ensino médio com um legado que lhe foi repassado através da família, a costura.

“Minha mãe e minha avó, são artesãs. Minha vó costurou muito para criar tantos filhos e o artesanato sempre esteve ligado na nossa família. A falta de recursos sempre foi um combustível para a criatividade de tudo que eu faço”, disse.

A jovem começou com broches e bordados ainda na escola e depois evoluiu para bolsas bordadas em jeans, e tapeçarias que sobravam do trabalho de seu pai, com vendas pela internet e para amigos próximos.

“Criei a loja Eras que era uma loja de bolsas bordadas em jeans feitas totalmente de forma manual e que eu vendia nas praças, vendia muito na Veiga, vendia pelo Instagram e aí vendia pra amigos próximos também” disse.

Ao passar dos anos ela buscou aprimorar sua produção. Fernanda é técnica em mineração, mas sempre sonhou em cursar moda já que arte e o artesanato sempre estiveram presentes em sua vida de diferentes formas.

“Sempre quis estudar moda, só que a dificuldade de não ter esse curso no estado me fez adiar muito esse sonho. Ano passado eu consegui estudar moda em Belém. Vou pra Belém todo início de semestre e todas as férias eu volto pra Macapá”, contou.

Ela destacou ainda, que mesmo com as dificuldades, sua família, amigos e namorada, sempre a incentivaram desde as vendas à clientela em Macapá até para levar a produção amapaense ao resto do Brasil.

Fernanda no pequeno ateliê para mais uma produção. Foto: Mayara Theodoro/Divulgação

Moda sustentável

Fernanda pensa em expandir o negócio cada vez mais, levando a moda tucujú ao Brasil todo. Desde o começo de suas produções, a sustentabilidade se tornou uma regra.

“Continuamos indo atrás de outras alternativas, outras formas de que aquilo que a gente faz impacte menos o meio ambiente, buscando também implementar o ‘zero waste’ dentro da nossa produção, que é como se fosse não gerar resíduos”, explicou Fernanda.

Ela destacou que além de trabalhar com a reutilização de peças, elas acabam se tornando únicas pela forma que são feitas.

“Todo design vai ser único, toda peça vai ser única, a gente não vai conseguir colocar o mesmo recorte, o mesmo retalho em duas peças diferentes. Então, essa também é uma forma de gerar exclusividade”, disse a artesã.

Concurso Nacional

A artista contou que participar da semifinal de um grande concurso é a realização de um sonho e este é o resultado de um trabalho em conjunto e que desde então, busca ser reconhecida pelo seu trabalho profissionalmente

“Eu sou muito feliz porque o norte tem um potencial imenso. Eu estou conhecendo tanta gente boa no que faz, só que não é reconhecido pelo sul e sudeste. Então eu vejo que é mais uma oportunidade da gente ser reconhecida”, disse a jovem.

Fernanda destacou que se caso passe para a final do concurso, ela e sua equipe, que são os seus amigos, já estão no preparo de um coleção regional completamente inusitada para ser reconhecida em escala nacional.

Além disso, Fernanda quer seguir estimulando a moda no Amapá, com o lançamento de bonés autorais a partir da doação de bonés que não são mais usados e em seguida, os desfiles nos concursos locais.

*Por Isadora Pereira, do G1 Amapá

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