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‘Maior paçoca do mundo’ servirá cerca de 20 mil pessoas em Roraima

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Não tem nada a ver com amendoim! Composta por carne seca e farinha amarela, a ‘maior paçoca do mundo‘, começou a ser feita cinco dias antes de ser servida gratuitamente para cerca de 20 mil pessoas no Boa Vista Junina 2024. Prato típico da cultura indígena, a iguaria é uma das mais populares de Roraima e, para o tradicional arraial, usa quantidades gigantes de ingredientes.

Tão ‘maceta’ quanto o amor do roraimense pela iguaria é o volume de ingredientes dela. Neste ano, a paçoca leva:

2.800 kg de carne

520 kg de farinha amarela

170 kg de cebola

42 kg de manteiga

Leia também: Confira uma receita da paçoca de Boa Vista

Tudo isso para bater o próprio recorde e se manter como a ‘maior paçoca do mundo’, título dado pela prefeitura de Boa Vista desde a primeira vez em que a paçoca foi servida gratuitamente no arraial, em 2015. A produção envolve diretamente 15 pessoas, entre auxiliares de cozinha e de açougue.

A paçoca será servida no dia 7 de junho. A meta deste ano é entrar para Guinness World Records, o livro dos recordes, e ultrapassar os 1.264 kg servidos no ano passado. No dia 5 de junho a produção do prato foi destaque no programa ‘Mais Você’, comandado por Ana Maria Braga.

“Nosso objetivo é pesar um pouco mais do que isso e, claro, depois distribuir para todo mundo saborear essa nossa iguaria regional. A paçoca se tornou um produto turístico muito forte, fortaleceu a gastronomia regional sem dúvida nenhuma. Hoje é um dos principais souvenir que os turistas e os moradores de Boa Vista compram para presentear. [A expectativa] é de que esteja oficialmente no livro”, explicou a superintende de Turismo de Boa Vista, Alda Amorim.

Tradicional prato típico em Roraima, paçoca de carne seca e farinha amarela começou a ser preparada no dia 5 de junho e será distribuída gratuitamente na sexta-feira 7 no arraial Boa Vista Junina, em Boa Vista. A meta é colocar a iguaria no Guinness, o livro dos recordes.
Foto: Yara Ramalho/g1 Roraima

O preparo iniciou no dia 3 de junho, com a desossa e a salga da carne bovina. No dia 5, a carne começou a ser frita em um forno a lenha, onde são usadas troncos de acácias. Além disso, também é feito o reaproveitamento de paletes.

Responsável pela coordenação do preparo da paçoca, a chefe de cozinha, Daiana Gomes, que é indígena do povo Macuxi, acompanha de perto para que tudo saia com a qualidade prevista.

“É um grande desafio. Primeiro a gente desossa essa carne, frita, espera ela esfriar por um dia, tritura e faz a mistura com a farinha? Depois nós temperamos tudo”, explicou ela sobre o processo que envolve o preparo.

Foto: Yara Ramalho/g1 Roraima

Este ano, a preparação ficou por conta da Fábrica Pinheiro, empresa contratada pela prefeitura. Esta é a terceira vez que a empresa faz a produção gigante. A primeira foi em 2017, e a segunda, em 2019. Alda não soube informar o valor pago à empresa. Ano passado, o custo foi de R$ 232 mil.

Segundo o proprietário, Pedro Pinheiro, de 51 anos, embora estejam acostumados a produzir grandes quantidades de paçoca, preparar a ‘maior do mundo’ é um desafio.

“É um desafio com certeza. Embora a gente saiba que tem essa quebra de recorde, a gente ainda é pego de surpresa [com a quantidade]. Tudo aumenta, a quantidade de matéria prima é maior e a gente ainda tem que atender as outras demandas nesse tempo”, explicou o empresário.

Avaliação do Guinness

A ideia o município desde que iniciou com a distribuição era para entrar para o livro dos recordes, o que nunca ocorreu em oito anos – até 2023. Mas este ano segundo a prefeitura, uma equipe do Guinness Book deve ir até o arraial para validar a iguaria.

Para isso, uma equipe de dois chefes e dois nutricionistas indicado pelo Guinness acompanha o preparo da paçoca na Fábrica Pinheiro e anota as exigências do livro que acompanha recordes mundiais.

As exigências do Guiness são: qualidade, peso e distribuição. A qualidade vai ser atestada pelo chefe, que avaliar se realmente é um item tradicional. A nutricionista confere a qualidade nutricional da paçoca. Além disso, são avaliados o peso, que vai acontecer na sexta, e a distribuição para a população. Não pode ter desperdício.

O Grupo Rede Amazônica também fez contato com a equipe do Guiness e aguarda resposta.

‘Maior paçoca do mundo’

A história da ‘maior paçoca do mundo’ começou em 2015, quando a prefeitura decidiu servir gratuitamente ao público do arraial porções do prato típico. Naquele ano, foram distribuídos 500 Kg a 20 mil pessoas.

Depois, nos anos seguintes, os recordes foram batidos. A última vez que a paçoca foi servida foi em 2023, onde a quantidade chegou a 1.264 kg.

Desde que iniciou, somente nos anos de 2020 e 2021 não teve paçoca em razão da pandemia de Covid-19, quando o arraial não foi realizado. À época, em 2015, a ideia era levar a iguaria ao Guinness Book, o livro dos recordes, o que ainda não ocorreu oito anos depois.

*Por Yara Ramalho, do g1 Roraima

Programa lança 5 cartilhas sobre cadeias de valor que incluem a região amazônica

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Em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado no dia 5 de junho, o Programa REM MT realiza o lançamento de cinco cartilhas sobre cadeias de valor apoiadas pelo programa. O babaçu, a castanha do Brasil, o cumbaru e o pequi foram os produtos destaques dessas cartilhas, que mostram toda a história, o cultivo e a importância desses produtos da sociobiodiversidade para o Mato Grosso.

A data de lançamento das cartilhas foi escolhida intencionalmente, pois as cadeias de valor dependem da preservação ambiental para sua subsistência. O Programa REM MT tem uma forte atuação na promoção de atividades que buscam conciliar o uso econômico dos recursos do ambiente com a conservação da biodiversidade e a geração de renda para as comunidades locais, que fomentam a manutenção das florestas em pé, auxiliando não só o meio ambiente como também os agricultores familiares, os povos tradicionais e originários.

A coordenadora geral do Programa REM MT, Ligia Vendramim, explica sobre a importância da valorização desses produtos.

“O fortalecimento de cadeias de valor como o pequi, o babaçu, a castanha e o cumbaru são essenciais para fomento da conservação ambiental, já que, sem floresta não temos esses produtos. Também são essenciais para as diversas comunidades que têm nessas cadeias o seu sustento, a sua história e toda a riqueza cultural e gastronômica”, diz Ligia.

Foto: Divulgação/REM MT

Conheça as cartilhas

Babaçu – Melhores práticas para o manejo sustentável

A cartilha ‘Babaçu – Melhores práticas para o manejo sustentável’, fornece orientações práticas e valiosas para a população sobre a cadeia de valor do babaçu, especialmente para as mulheres que dependem dessa atividade para sua subsistência. O babaçu, uma palmeira nativa de regiões de floresta amazônica, Cerrado e Pantanal, desempenha um papel vital na vida das comunidades rurais, gerando renda e conservação ambiental.

A cartilha reúne informações essenciais sobre técnicas eficientes de extração, manejo sustentável, boas práticas de higiene e segurança no processamento, além de estratégias de mercado.

Confira aqui

Castanha do Brasil – Segredos, usos e conservação

A cartilha ‘Castanha do Brasil – Segredos, usos e conservação’ fornece informações importantes sobre a cadeia de valor da castanha do Brasil, também conhecida como castanha-do-pará ou castanha da Amazônia. A cartilha reúne orientações práticas e valiosas sobre o cultivo, colheita, beneficiamento e comercialização da castanha do Brasil, visando fortalecer essa importante atividade econômica e promover a melhor qualidade de vida às famílias envolvidas, por meio da geração de renda.

Confira aqui

Cumbaru – Fruto rico e nativo do Cerrado

A cartilha ‘Cumbaru – Fruto rico e nativo do cerrado’ reúne informações sobre técnicas eficientes de extração, manejo sustentável e boas práticas de higiene e segurança no processamento do cumbaru, conhecido também como Baru. Muitas famílias encontram no cumbaru uma fonte essencial de sustento, por isso, esse fruto é um verdadeiro tesouro, com alto valor nutricional e apreciado pelas comunidades rurais que podem utilizar seu fruto para produção de castanhas, óleos, farinha, manteiga, tortas e biscoitos, mantendo assim a floresta em pé.

Confira aqui

Pequi – Impacto positivo na sociedade

A cartilha ‘Pequi – Impacto positivo na sociedade’ fornece orientações práticas e valiosas para a população sobre a cadeia de valor do pequi, especialmente para as famílias que dependem dessa atividade.

O pequi é encontrado principalmente na região do Cerrado, no Brasil. Ela é uma espécie fundamental para as comunidades locais, pois sua extração é uma alternativa de renda e alimento para povos tradicionais e agricultores familiares.

Confira aqui

Sosciobiodiversidade – conheça as cadeias de valor do babaçu, castanha do Brasil, cumbaru e pequi

A cartilha ‘Sociobiodiversidade – Conheça as cadeias de valor do babaçu, castanha do brasil, cumbaru e pequi’ é um apanhado geral sobre as cadeias de valor de importantes recursos naturais do solo brasileiro: Babaçu, Castanha do Brasil, Cumbaru e Pequi, mostrando o que há de comum entre essas espécies, que representam uma ecologia extrativa e, ao mesmo tempo, geram renda e mantém a floresta em pé.

Os frutos e matérias extraídas dessas plantas estabelecem práticas ecológicas que mantém a tradição e o sustento de comunidades locais, povos tradicionais e agricultores familiares sem a degradação ambiental.

Confira aqui

*Com informações do REM MT

Pesquisador do Museu Goeldi participa de pesquisa que descobriu 3 novas espécies de cobras corais

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Em estudo publicado na revista científica Systematics and Biodiversity, pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi, do Steinhardt Museum of Natural History e da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, apresentam três novas espécies de cobras corais do gênero Micrurus, distribuídas pelas regiões Nordeste e Sudeste do Brasil, em partes da Mata Atlântica e da Caatinga.

Micrurus bonita, Micrurus janisrozei e Micrurus anibal foram os nomes dados pelos pesquisadores às novas espécies de cobras corais. Micrurus bonita é uma homenagem à ‘Maria Bonita’, personagem histórica do cangaço e símbolo da cultura nordestina brasileira. 

Micrurus janisrozei homenageia o biólogo e especialista em cobras corais Janis A. Roze e a Micrurus anibal faz uma homenagem em memória de Anibal Rafael Melgarejo Gimenez, herpetólogo e toxicologista uruguaio radicado no Brasil que contribuiu para os estudos das cobras brasileiras, especialmente as cobras corais.

A descoberta é resultado da pesquisa de doutorado de Lywouty Nascimento, sob a orientação da Dra. Ana Lúcia Prudente, do Laboratório de Herpetologia do Museu Goeldi.

Leia também: Entenda a diferença entre as cobras coral-verdadeira e falsa-coral

A publicação também conta com as contribuições de Roberta Graboski, que atualmente realiza suas pesquisas no Laboratório de Herpetologia no Steinhardt Museum of Natural History, na Universidade de Tel Aviv e Nelson Silva Jr., do Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais e Saúde, da Pontifícia Universidade Católica de Goiás. 

Abordagem integrativa

Tradicionalmente, os estudos taxonômicos, responsáveis pela descoberta e descrição de novas espécies de seres vivos, são baseados em evidências morfológicas, isto é, a partir da análise acurada da forma e da estrutura dos organismos.

As características morfológicas desempenham um papel fundamental em diagnosticar a diversidade de espécies, como as cobras corais, todavia, para tornar ainda mais aprimorada a descrição de novas espécies, os pesquisadores do Museu Goeldi destacam a necessidade de uma abordagem integrativa, agregando outros tipos de análises para alcançar uma delimitação taxonômica mais precisa e minuciosa do gênero.

Segundo a publicação, algumas serpentes classificadas como sendo a Micrurus ibiboboca já foram confundidas com outras cobras corais do nordeste brasileiro devido às similaridades nos seus padrões de cor e no formato das suas escamas cefálicas, o que torna a identificação morfológica mais difícil e leva ao aumento de ocorrências de erros taxonômicos.

Para se ter uma ideia, atualmente o grupo de cobras Micrurus possui mais de 80 espécies reconhecidas e distribuídas geograficamente desde o sudeste dos Estados Unidos até o sul da América do Sul. No Brasil, 38 espécies já foram identificadas como sendo pertencentes a este grupo. Agora, com a nova descoberta, mais três espécies, até então confundidas com a Micrurus ibiboboca, passam a compor esse quantitativo. Como abordagem integrativa, além da análise morfológica, os pesquisadores também realizaram análises moleculares para chegar ao resultado da pesquisa.

Estudos taxonômicos incluindo conjuntos de dados moleculares são essenciais para avaliar e inferir de maneira mais acurada a diversidade do gênero Micrurus, e são uma poderosa ferramenta taxonômica para identificar e descobrir novas espécies. 

Coleções científicas

“As coleções servem de base para os estudos sistemáticos e taxonômicos. A descrição de uma nova espécie passa pelo processo de análise comparativa de espécimes preservados nas coleções científicas”, explica a Drª Ana Lúcia Prudente.

Os pesquisadores construíram um conjunto de dados geográficos com 492 amostras de 130 localidades para as espécies que fazem parte do grupo da Micrurus ibiboboca. Foram incluídos espécimes examinados em coleções científicas e utilizados apenas exemplares cuja identificação e origem foram confirmados. Para realizar este estudo, a equipe de pesquisadores visitou coleções herpetológicas de diferentes instituições científicas do Brasil, Estados Unidos, França e Reino Unido.

Ana Lúcia Prudente pontua que, “ao comparar esse material da Caatinga e da Mata Atlântica, observamos diferenças significativas no padrão de cor. Isso nos levou a uma investigação mais aprofundada de outros complexos de caracteres, incluindo as moléculas”.

Por meio de análises nas amostras das coleções, os pesquisadores descobriram que as diferenças significativas nos padrões de cores das populações de Micrurus ibiboboca estavam relacionadas à cor do focinho, número e comprimento dos anéis triadais e no padrão de cores dos primeiros anéis brancos das tríades (uma sequência de três anéis pretos, separados por dois anéis brancos e intercalados por dois anéis vermelhos).

Os resultados demonstram a importância das coleções científicas para os identificação de novas espécies e análise contínua da diversidade biológica. Além disso, evidenciam que as regiões da Mata Atlântica e Caatinga são áreas de alta biodiversidade, com incidência de espécies endêmicas e ameaçadas, o que chama a atenção para a necessidade fundamental de preservação desses biomas.

“Infelizmente não se sabe o status de conservação dessas espécies, pois a descoberta é a primeira parte desse processo. E cada espécie descoberta apresenta um potencial único, mostrando também o próprio potencial de biomas como a Mata Atlântica e a Caatinga em relação à descoberta de novas espécies”, destaca o pesquisador Lywouty Nascimento.

Muitas espécies do próprio gênero Micrurus ainda permanecem pouco conhecidas, com várias linhagens divergentes incluídas em complexos de espécies. Dados do Sistema de Alertas de Desmatamento da Mata Atlântica – SAD, evidenciaram uma queda contínua no desmatamento do bioma no ano passado, mas apesar desse registro, ainda assim a área desmatada entre janeiro e agosto de 2023 foi de 9.216 hectares.

Segundo Lywouty, “em um ambiente cada vez mais degradado, a gente perde a biodiversidade. Mas a pesquisa mostra que mesmo com toda a degradação que a Mata Atlântica sofreu e ainda sofre, ainda há espécies novas a serem descobertas”. 

*Com informações do Museu Goeldi

Oito povos indígenas da área de influência da BR-319 já possuem protocolos de consulta

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Povos indígenas da área de influência da BR-319 deram um passo importante para a garantia do cumprimento na Convenção nº169 sobre Povos Indígenas e Tribais, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que é lei no Brasil desde 2004 por meio Decreto Presidencial nº 5051.

Agora, indígenas Kagwahiva do sul do Amazonas Tenharin Marmelos, Tenharin do Igarapé Preto, Tenharin do Rio Sepoti, Parintintin, Jiahui e Juma; Mura das Terras Indígenas Lago Capanã e Lago Jauari, e os Apurinã das Terras Indígenas Apurinã do Igarapé São João e do Igarapé Tawamirim de Tapauá, possuem protocolos de consulta. No total são nove protocolos de oito povos, o Kagwahiva é o protocolo coletivo que contempla os grupos Tenharin, Juma, Jiahui e Parintintin.

A iniciativa representa um marco histórico, pois esta é a primeira vez que estes povos se organizam e criam seus protocolos de consulta. Isso quer dizer que, a partir de então, os indígenas possuem um documento sistematizado onde dizem como e em que circunstâncias querem ser consultados sobre qualquer iniciativa, pública ou privada, que possa afetar seus territórios e modos de vida.

Os protocolos foram oficialmente lançados durante um grande evento realizado no dia 24 de abril, durante o 20º Acampamento Terra Livre (ATL), na tenda da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). Na ocasião, o secretário-geral da Organização dos Povos Indígenas do Alto Madeira (Opiam), Nilcelio Jiahui, ressaltou a importância destes protocolos para o diálogo entre as comunidades, governo e empresas.

“Esses protocolos estabelecem como queremos ser consultados sobre grandes projetos que impactam diretamente nossas vidas e territórios” disse. Ele destacou a necessidade dessas ferramentas em contextos de grandes obras, como as obras de repavimentação da BR-319, que provocam intensos debates sobre seus impactos ambientais e sociais nos territórios.

Vanessa Apurinã, gerente de monitoramento territorial da Coiab, destacou a importância crítica dos protocolos de consulta para as comunidades indígenas e tradicionais.

“Os protocolos de consulta representam mais do que simples documentos; eles são os pilares fundamentais que sustentam o diálogo respeitoso e equitativo entre as comunidades, o governo e as empresas,” afirmou Vanessa. “Eles são a expressão concreta da autodeterminação e da soberania dos povos sobre seus territórios e modos de vida”, completou.

Vanessa também observou que, embora em muitos lugares esses protocolos não sejam respeitados, quando aplicados corretamente, “podem contribuir significativamente para uma gestão mais eficaz do território, garantindo a proteção dos direitos das comunidades e a preservação de suas tradições e recursos naturais”, completou.

Marcela Menezes, da coordenação colegiada do Programa Povos Indígenas do IEB, explicou que os povos impactados pela repavimentação da BR-319 desenvolveram seus protocolos de consulta em seus próprios territórios, em um processo iniciado em 2020, com a formação de pesquisadores indígenas. Desde então, técnicos dos programas de Povos Indígenas e Ordenamento Territorial do IEB vêm prestando apoio às comunidades da região para a elaboração desses protocolos de consulta.

Roberta Andrade, coordenadora do programa de Ordenamento Territorial (Ordam), destacou a função dos protocolos: “Eles atuam como ferramentas de proteção e diálogo. Quando utilizados de acordo com as normas de consulta prévia, livre e informada estabelecidas pela Convenção nº 169 da OIT, e realizadas de boa-fé, facilitam acordos benéficos entre as partes”, disse. “Aplicados corretamente, esses protocolos previnem conflitos e asseguram que os projetos desenvolvidos em territórios indígenas e tradicionais respeitem plenamente os direitos desses povos”, acrescentou Roberta.

Protocolos representam mais proteção aos territórios

O direito à consulta livre, prévia e informada tem a ver com a autodeterminação dos povos indígenas e tradicionais e está previsto não só na Convenção nº 169 da OIT, mas também na Constituição federal de 1988, que garante a estas populações o respeito a sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, além da proteção da cultura, especialmente as populares, indígenas e afro-brasileiras, nos artigos 215 e 231.

“Quanto ao aspecto jurídico, os protocolos de consulta materializam um direito posto tanto no âmbito internacional de direitos humanos, por meio da Convenção nº 169 da OIT, como no plano do direito interno, uma vez que o direito à consulta nada mais é do que forma de expressão democrática e participativa de grupos socialmente vulnerabilizados”, explicou a assessora jurídica do Programa Povos Indígenas do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), Stefany Schmidt.

“Além disso, lograr o êxito de efetivamente possuir o protocolo de consulta de seu povo, cumpre o papel de preencher uma lacuna procedimental que, por vezes, é instrumentalizado como obstáculo contra os povos indígenas e tradicionais, visto que a sua ausência, frequentemente, é utilizada como impedimento intransponível para qualquer tentativa de realização de consultas prévias e informadas, bem como, de participação democrática de processos que perpassam direitos dos povos indígenas e direitos difusos de recorte ambiental”, completou.

Segundo Ministério Público Federal, a consulta é uma obrigação do Estado brasileiro de consultar, adequada e respeitosamente, povos indígenas e tradicionais, a respeito de sua posição sobre decisões administrativas e legislativas capazes de afetar suas vidas e seus direitos. É um direito dos povos indígenas de serem consultados e participarem das decisões do Estado brasileiro por meio do diálogo intercultural marcado pela boa fé. Esse diálogo deve ser amplamente participativo, ter transparência, ser livre de pressões, flexível para atender a diversidade dos povos e comunidades indígenas e ter efeito vinculante, no sentido de levar o Estado a incorporar o que se dialoga na decisão a ser tomada.

Em relação ao fortalecimento da luta por direitos dos povos indígenas da área de influência da BR-319, Stefany avalia que “os protocolos de consulta desses povos, mais do que nunca, têm finalidade de garantia e proteção territorial, e surgem num momento determinante dentro dos processos de discussão e diálogo acerca do avanço do processo de licenciamento ambiental da BR-319, de modo a garantir a efetiva participação dessas populações que, afinal, serão os maiores impactos pelo retorno da operação da rodovia”. E acrescenta: “Diante disso, o fortalecimento para esses grupos surge a partir da função de salvaguarda que o protocolo de consulta assume diante de empreendimentos dessa magnitude. Assim, seguramente, os protocolos de consulta garantem maior participação democrática desses grupos, efetiva liberdade de expressão e maior proteção de direitos territoriais”.

“Eu recomendo que os territórios que ainda não construíram seus protocolos busquem parcerias para elaborarem os seus próprios, a fim de garantir seus direitos à consulta e à autodeterminação. A consulta deve ocorrer com os parentes, da forma como cada povo determina, porque o Brasil é signatário da Convenção 169, e é obrigação do Estado nos ouvir”, afirmou Nilcelio Jiahui.

Ele ressaltou que esses protocolos também são instrumentos que possibilitam a construção de agendas com órgãos governamentais para o diálogo com os povos indígenas.

Em breve, quatro das comunidades tradicionais do Território de Uso Comum (TUC) do Rio Manicoré, da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Amapá, do Lago do Capanã Grande e do Projeto de Assentamento Agroextrativista Jenipapo, todos localizados na região de Manicoré (AM), também concluirão seus protocolos de consulta.

Relembre: Em 2022, o Observatório BR-319 se manifestou por meio de uma nota de posicionamento sobre emissão de licença prévia do trecho do meio sem a realização de consultas aos povos e comunidades impactados.

Confira os protocolos:

Protocolo de consulta do povo Apurinã das TIs Apurinã do Igarapé São João e Apurinã do Igarapé Tawamirim

Protocolo de consulta do povo Tenharin do Igarapé Preto

Protocolo de consulta do povo Pain Jiahui

Protocolo de consulta da TI Juma

Protocolo de consulta dos povos Kagwahiva do sul do Amazonas

Protocolo de consulta dos povos Mura e Munduruku

Protocolo de consulta do povo Parintintin das TIs Nove de Janeiro e Ipixuna

Protocolo de consulta do povo Tenharin da TI Sepoti

Protocolo de consulta da TI Tenharim Marmelos

Texto produzido com informações do IEB e publicado pelo Observatório BR 319

Pesquisa aponta queda de 7,8% no índice de desmatamento em Roraima em 2023 

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O desmatamento em Roraima teve uma redução de 7,8% em 2023, de acordo com dados do Relatório Anual de Desmatamento (RAD) do MapBiomas, divulgados no último dia 28.

Entre janeiro e dezembro do ano passado, 21.792 hectares de vegetação foram destruídos no estado. Em 2022, foram 23.624 hectares — 1.832 a mais, o que corresponde a uma redução de uma área de quase dois mil campos de futebol.

A quantidade de desmatamento registrada no estado em 2023 é a menor desde 2019, quando o MapBiomas iniciou o monitoramento. Há cinco anos, o estado tinha 24.189 hectares desmatados.

Com a redução, Roraima desceu uma posição e agora ocupa o 14° lugar no ranking nacional. O Maranhão lidera a lista, com 331.225 hectares, e é seguido da Bahia e Tocantins, com 290.606 e 230.253 hectares, respectivamente.

Roraima acompanha a tendência nacional. Em 2023, o Brasil perdeu 1.829.597 hectares de vegetação e teve uma redução de 11,6% na taxa de desmate.

Segundo os dados do relatório, os dois biomas mais extensos do Brasil, a Amazônia e o Cerrado, somam mais de 85% da área total desmatada no país.

No entanto, pela primeira vez desde o início da série histórica do MapBiomas Alerta, o Cerrado ultrapassou a Amazônia em área desmatada. Em 2023, o Cerrado foi responsável por 61% do desmatamento no país, enquanto a Amazônia respondeu por 25%.

Leia também: RAD 2023: Matopiba passa Amazônia e assume liderança do desmatamento no Brasil

Foto: Oséias Martins/Rede Amazônica

Alertas de desmatamento

Apesar da redução de hectares, os alertas de desmatamento em 2023 no estado cresceram 26,7% na comparação com 2022, quando foram 1.377 registros. No ano passado, foram 1.745, ou seja, 368 alertas a mais.

Desde o início da série histórica do MapBiomas Alerta, em 2019, Roraima já registrou 10.077 alertas de desmatamento de vegetação nativa. O ano de 2020 teve o maior índice, com 2.524. O menor foi o registrado em 2022.

Desmatamento em terras indígenas

Segundo dados do MapBiomas, o Brasil perdeu mais de 20.822 hectares só dentro das terras indígenas em 2023. O número corresponde a 1,1% de todo o desmatamento no país no período e representa uma redução de 27% se comparado ao ano de 2022, quando 28.502 hectares foram desmatados.

A terra indígena com maior maior área desmatada em 2023 foi a Porquinhos dos Canela-Apãnjekra, localizada no Maranhão, que teve uma perda de 2.750 hectares. Ela é seguida da TI Kanela Memortumré, também no Maranhão, com 2.006 hectares, e a TI Apyterewa, no Pará, que perdeu 1.458.

Em Roraima foi a Terra Indígena Yanomami, a maior do Brasil em extensão territorial, que se destacou. Só em 2023, o território teve 628 hectares desmatados e ocupa o nono lugar no ranking nacional.

O território enfrenta uma crise sem precedentes devido ao avanço do garimpo ilegal, com casos graves de indígenas com malária e desnutrição severa. A atividade ilegal também resulta no desmatamento.

A Terra Indígena Waimiri-Atroari, localizada em Roraima e no Amazonas, também aparece na lista. Na 19ª posição, ela teve 263 hectares desmatados.

Do total de 627 terras indígenas distribuídas por todo o país, incluindo as com reconhecimento e demarcação, e aquelas com portaria de interdição, 253 tiveram pelo menos um episódio de desmatamento no ano passado.

*Com informações do g1 Roraima

Temporada de Cruzeiros já injetou mais de R$ 4 milhões na economia do Amazonas

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A passagem de 17 navios pelo Amazonas durante a Temporada de Cruzeiros 2023/2024, gerou uma receita direta de R$ 4.053.662,00 na economia local. Ao todo, 23 mil turistas estrangeiros visitaram o estado no período. Este é o melhor indicador pós-pandemia da Covid-19. Os dados são do levantamento divulgado pelo Governo do Amazonas, por meio da Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur).

“O resultado demonstra a consolidação do Amazonas na rota turística internacional dos cruzeiros com seus atrativos naturais, culturais e históricos, além de impactar em toda a cadeia econômica, gerando emprego e renda para todo o estado”, avaliou o presidente da Amazonastur, Ian Ribeiro.

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Foto: Lucas Silva/Amazonastur

Os dados da Amazonastur mostraram que a movimentação de turistas no Amazonas totalizou 23.083 pessoas, sendo 15.093 passageiros e 7.990 tripulantes. Mais da metade dos visitantes (54,8%) são dos Estados Unidos, seguidos de 8,791% do Canadá, 4,36% da Alemanha, 3,07% do Reino Unido e 2,03% da Austrália.

Ainda segundo o levantamento, o guia de turismo, a hospitalidade e os atrativos naturais foram os itens mais destacados pelos cruzeiristas que chegaram a Manaus. Os três registraram mais de 97% no índice de satisfação dos turistas durante a temporada de 2023/2024.

Foto: Lucas Silva/Amazonastur

De acordo com o calendário dos cruzeiros 2023/2024, o navio M/S Seabourn Pursuit abriu a temporada em outubro do ano passado. Já o cruzeiro Silver Wing foi o último do período a atracar no porto de Manaus, no dia 13 de abril deste ano.

Das 17 embarcações que fizeram parte da temporada, cinco visitaram a capital amazonense pela primeira vez: Seabourn Pursuit, Zuiderdam, Silver Nova, Poesia e Hanseatic Inspiration.

Em março, o Amazonas recebeu a visita de sete navios, sendo o maior número da temporada. O maior deles foi o MS Poesia de bandeira panamenha, que trouxe 3.189 turistas interessados em conhecer as belezas do Amazonas.

*Com informações da Agência Amazonas

Acará

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Foto: Marcelo Seabra

Acará é um município do Nordeste Paraense de uma área territorial de 4.344 km², com 100 quilômetros de distância de Belém, capital do Estado do Pará. Atualmente, tem uma população de aproximadamente 59.023 habitantes.

Em 1958, erguida pelo então Governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado, foi denominada de São José de Acará. Em 1833, por ocasião da divisão do Estado em comarcas, ficou pertencendo a comarca da capital.

Na cidade um fator de bastante influência tanto na cultura quanto na economia acaraense, é uma significativa e próspera colônia de imigrantes japoneses no município, que se dedicam ao plantio de pimenta-do-reino.

Outros produtos cultivados também tem grande impacto na economia do município como: dendê, carne bovina, madeira, produtos granjeiros, açaí e frutas diversas.

Acará é servido pela Rodovia Estadual PA-252, que liga à BR 010, na cidade de Mãe do Rio, e com a cidade de Moju e se prolonga até à cidade de Abaetetuba.

*Com informações da Prefeitura de Acará

Expedição monitora teor de mercúrio na água em unidades de conservação em Roraima

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Uma equipe do Instituto Chico Mendes (ICMBio), em parceria com técnicos do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), participa desde o dia 22 de maio da expedição de monitoramento da qualidade ambiental e dos teores de mercúrio em peixes de unidades de conservação federais localizadas nos arredores das terras indígenas Yanomami, em Roraima.   

Leia também: Estudo mostra que nível de mercúrio em peixes excede os limites seguros em seis estados da Amazônia

O monitoramento é coordenado pelo Ibama e conta com financiamento do Ministério de Meio Ambiente e Mudanças do Clima (MMA) e envolve a coleta de amostras de água, de sedimentos e de diferentes espécies de peixes.

A previsão é que a ação seja concluída até o fim desta semana, após passar pela  Estação Ecológica (Esec) Maracá, Esec Niquiá, Parque Nacional do Viruá e Floresta Nacional de Roraima.   

As atividades fazem parte do Projeto Monitora Y do Cetem, que compõe a Rede de Monitoramento Ambiental em Terras Indígenas Yanomami e Alto Amazonas.

A região é amplamente atingida pela atividade de garimpo ilegal de ouro, com consequências ainda não avaliadas criteriosamente quanto aos seus potenciais impactos ao meio ambiente e efeitos à saúde das populações locais, indígenas ou não. 

*Com informações do ICMBio

Reflexões no Dia Mundial do Meio Ambiente

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Por Olimpio Guarany

Era um desses dias em que a Amazônia se estendia imponente, um mar de águas cuja cor não sabemos, cobrindo a vastidão do Norte do Brasil. O mar interior amazônico se estendia por pouco mais de 2.000 milhas com uma largura de 800, publicou Alfred Wallace em Londres, 1853. Ali ele confirmava a tese de Orville Derby e Frederico Hartt (1870) que descobriram um grande fossário no rio Maicuru, que corre perto da serra do Ererê em Monte Alegre (PA), testemunho que lhes deu segurança sobre o afloramento e a evolução geográfica do vale Amazônico. Hoje a hileia de Humboldt, verde, exuberante, rica em biodiversidade, vive a expectativa de uma seca nos rios, o que nos leva a preocupação de uma possível mudança de cenário. Em vez da habitual umidade sufocante e do som dos rios caudalosos, surge um cenário árido e silencioso.

Não pretendo celebrar este 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, desenhando um cenário com contornos dramáticos, mas é preciso refletirmos.

A realidade é que as previsões para 2024 são sombrias. Os cientistas alertam que os rios amazônicos, veias pulsantes da maior floresta tropical do planeta, estão a caminho de secar ainda mais do que em 2023.

A mudança climática, essa inimiga invisível, tem desferido golpes cada vez mais duros na Amazônia. As chuvas, que outrora eram pontuais e abundantes, vêm sendo reduzidas. O ciclo de vida da floresta, que depende de um delicado equilíbrio entre sol e chuva, se vê ameaçado por um calor sufocante e pela ausência de umidade. O México já experimentou isso neste semestre. A evaporação das águas e a diminuição dos níveis dos rios comprometem não apenas a biodiversidade, mas também a vida das comunidades ribeirinhas que dependem desses cursos d’água para sua subsistência.

As cenas que vimos no ano passado nos entristeceram. Ribeirinhos caminhando longas distâncias com latas na cabeça para buscar água num fio que passava longe do seu lugar. Lembrei das imagens de Tumbira (AM), uma comunidade às margens do rio Negro, cujo volume de água do igarapé que banha a localidade era tão grande que ancoramos o veleiro a menos de três metros de sua margem, tanto era o volume de água naquele outubro de 2021.

Os impactos são inúmeros e profundos. Não é um cenário de fim do mundo, mas com a seca, o solo resseca, tornando-se menos fértil, e as árvores, antes robustas, ficam mais suscetíveis a queimadas. A fauna, desorientada, vê seus habitats naturais destruídos e suas fontes de alimento escassearem. Peixes morrem em rios que se transformam em meros filetes de água, e a floresta, que antes parecia indomável, mostra-se frágil diante das forças da destruição ambiental.

Este Dia Mundial do Meio Ambiente surge como um apelo urgente à humanidade. Não é apenas uma questão de conservar uma paisagem ou proteger uma coleção de espécies exóticas. A Amazônia é um baluarte crucial no combate às mudanças climáticas globais. É um regulador do clima planetário, uma gigante verde que captura carbono e produz oxigênio, essenciais para a nossa sobrevivência.

Cuidar da Amazônia é, em última análise, cuidar de nós mesmos. É garantir que as futuras e atuais gerações possam desfrutar de um planeta saudável, onde a qualidade de vida não seja um luxo, mas um direito. É indispensável que sejam adotadas políticas coerentes, de ação coletiva e de uma consciência ambiental que permeie todas as esferas da sociedade. A preservação da floresta amazônica não é apenas uma responsabilidade brasileira, mas um imperativo global.

Neste dia, mais do que nunca, somos chamados a refletir sobre nosso papel como guardiões do meio ambiente. Que possamos ouvir o clamor silencioso da floresta, perceber a urgência em suas folhas caídas e rios secos, e agir com determinação e respeito. A Amazônia, nossa majestosa floresta, depende de nós para continuar a cumprir o seu papel. E, em retribuição, garante a nossa sobrevivência e a de incontáveis formas de vida que compartilham este belo e frágil planeta.

Sobre o autor

Olimpio Guarany é jornalista, documentarista e professor universitário. Navegou o rio Amazonas desde a sua foz, alguns afluentes, subiu o rio Napo (Peru e Euqador) e chegou ao sopé da cordilheira dos Andes depois a Quito/Equador (2020-2022), refazendo os caminhos de Pedro Teixeira, o conquistador da Amazônia (1637-1638), numa jornada histórica.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Cerrado em alerta: um apelo urgente pela preservação no Dia Mundial do Meio Ambiente

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Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Hoje, 5 de junho é o Dia Mundial do Meio Ambiente. Em datas assim, o foco muitas vezes se direciona para a Amazônia – o que é justo! Mas é crucial que a luz também incida sobre o Cerrado. No sul de Rondônia, a biodiversidade e os recursos hídricos são tão essenciais quanto na região amazônica. Estou no município de Vilhena, que se destaca como um berço hidrográfico, nutrindo oito rios notáveis do Norte, incluindo os rios Roosevelt, Barão de Melgaço e Pimenta Bueno. O Planalto das Parecis, onde Vilhena está localizada, é um difusor de águas para duas grandes bacias hidrográficas: a Amazônica e a Platina.

Apesar das ameaças de queimadas, ocupação do solo e poluição atmosférica pelo agronegócio, o Cerrado preserva uma rica biodiversidade, com aproximadamente 4.400 espécies animais endêmicas e 11.627 espécies vegetais catalogadas, além de uma ictiofauna diversificada.

Vilhena, geograficamente, é uma zona de transição entre o Cerrado e a Amazônia e, culturalmente, está mais alinhada ao Centro-Oeste do que ao Norte, apesar de sua localização no mapa geopolítico.

Trecho do Rio Roosevelt em Espigão do Oeste: o Cerrado é “caixa d’água” do mundo. Foto: Júlio Olivar

O Cerrado, com seus 2,36 milhões de quilômetros quadrados, é o segundo maior bioma do Brasil e um tesouro nacional que demanda reconhecimento e proteção. Contudo, em Vilhena, as iniciativas locais parecem insuficientes e superficiais, carecendo de políticas públicas eficazes que valorizem a importância histórica e estrutural do Cerrado.

A expansão urbana descontrolada e a ausência de uma gestão ambiental apropriada colocam em risco a integridade deste bioma vital. O Fundo Amazônia, embora dotado de recursos significativos, é subaproveitado pelos municípios, frequentemente devido à falta de interesse ou competência técnica para elaborar projetos de preservação ambiental. Enquanto isso, o Cerrado enfrenta desafios ainda maiores, sem a devida priorização, apesar de ser considerado a “caixa d’água” do país.

Cena rural e sua vegetação típica do Cerrado. Foto: Júlio Olivar

No último ano, o desmatamento na região correspondeu a 1,1 milhão de campos de futebol, principalmente na fronteira agrícola entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, conhecida como Matopiba.

Este dia deveria ser de clamor por socorro, especialmente diante de catástrofes ambientais como as ocorridas no Rio Grande do Sul, que exigem uma postura firme em relação ao meio ambiente.

Em Vilhena, uma cidade de 95 mil habitantes, as poucas ações observadas são meramente simbólicas. Não existem políticas nem declarações formais sobre a relevância do Cerrado na formação estrutural e histórica da cidade. Vilhena foi fundada [considerando o início da ‘Marcha para o Oeste’, com a abertura da BR-29) na década de 1960, às margens do rio Pires de Sá, hoje completamente poluído.

Cena do filme “Rio da Dúvida”, de 2018: riqueza é também histórica. Foto: Júlio Olivar

Os loteamentos urbanos avançam em todas as direções, invadindo o Cerrado. No local simbolicamente conhecido como Marco Zero, onde Cândido Rondon estabeleceu o Porto Telegráfico Vilhena em 1911, hoje se encontra uma plantação de algodão em uma área cedida pela União. Essa área, que abriga nascentes de rios e um antigo cemitério indígena, foi transformada em lavoura. O Governo Federal, por meio do Iphan, não se manifestou sobre a destruição do sítio arqueológico próximo à Casa de Rondon, um patrimônio tombado pelo próprio órgão.

Mais de 32% da área de Vilhena pertence ao Parque Aripuanã, uma reserva indígena que engloba dois biomas. É a única parte do território de Vilhena protegida da exploração predatória. O restante está sujeito à volatilidade política.

Em 2016, a aprovação de loteamentos na cidade resultou na prisão de vários vereadores por corrupção, evidenciando a expansão urbana sem critérios científicos ou consideração pelos impactos ambientais.

Vilhena possui cerca de 5 mil lotes vagos em seu perímetro urbano, o que seria suficiente para um adensamento urbano sem necessidade de avançar sobre o Cerrado e as nascentes dos rios. Qual é o plano para proteger esse bioma que compõe 22% do território brasileiro, a “caixa d’água” do país?

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista