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Apoio do Planalto à exploração do petróleo e obras de pavimentação da BR-319 isolam politicamente Marina Silva

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Por Osíris M. Araújo da Silva

Desde o presidente da República aos titulares de ministérios e órgãos afins que se ocupam dos recursos da biodiversidade contrariando posições ambientalistas radicais da ministra do Meio Ambiente, Marina da Silva, seus palpites vêm perdendo credibilidade, o que a leva ao incômodo isolamento perante o governo federal. Até por encontrar-se manietada e submissa à pressão explícita de ONGs ambientalistas radicais contrárias à exploração das potencialidades geoeconômicas legadas pela Mãe Natureza ao Brasil. O presidente Lula da Silva tem se manifestado favorável ao estabelecimento de plataformas para extração de petróleo na Margem Equatorial. O tom de seus posicionamentos foi externado em discurso a investidores no Rio de Janeiro, quando defendeu a possibilidade do Brasil explorar as reservas petrolíferas na região, que inclui a foz do rio Amazonas, argumentando que ela pode viabilizar “um salto de qualidade extraordinário”, além de oportunidade econômica que o Brasil não pode “jogar fora”.

O presidente vem reiteradamente sinalizando a investidores que as condições são favoráveis por parte do Executivo e que o sinal está aberto para a retomada de projetos barrados pelo IBAMA no ano passado, alegadamente “por conta dos riscos ambientais”. Os argumentos presidenciais, distantes das intransigentes argumentações de Marina da Silva, são frequentemente apoiados pelo ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia), e pela nova presidente da Petrobras, Magda Chambriard, para quem “a empresa atuará para apoiar o desenvolvimento do país e o aumento do PIB”. Além do que, segundo informes da empresa, “as reservas da Margem Equatorial são a principal aposta da Petrobras para manter o nível de extração de petróleo a partir da década de 2030, quando a produção do pré-sal deve começar a cair. Assim, a nova fronteira daria segurança energética ao país durante a transição para a economia verde”.

Por seu turno, relatório do Grupo de Trabalho sobre a pavimentação da rodovia BR-319 concluiu que existem elementos para garantir a viabilidade técnica e ambiental para realizar o empreendimento. De acordo com o ministro dos Transportes (MT), Renan Filho (MDB), há espaço para a realização do projeto com sustentabilidade levando em conta que a BR-319 “será uma rodovia com cercamento em áreas de floresta, com passagem de fauna subterrânea e aérea”. O MT promoveu ampla interlocução com áreas ministeriais e órgãos envolvidos e com a sociedade em audiências públicas na região amazônica. Tais encontros foram determinantes para o entendimento sobre a viabilidade da obra, dependendo apenas das licenças finais, “que logo deverão ser liberadas”.

O relatório do Ministério dos Transportes deixa claro que “o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental – EIA/RIMA, feitos pelo DNIT, utilizado como base para emissão da licença prévia 672/2022, ilustram o compromisso do órgão em respeitar os compromissos acordados nas condicionantes que estiverem sob sua gestão, necessárias para garantir a Licença de Instalação”. Segundo GT Rodovias da BR-319, do CREA AM, deve haver compromisso amplo de preservação ambiental e respeito às comunidades tradicionais.

Nesse sentido, o GT propõe “modelo reforçado por policiamento e a implementação de portais de controle”. Um projeto que, em sua base, “tenha como premissa o respeito ao meio ambiente e aos povos originários tem plenas condições de coibir preventivamente eventuais danos ao bioma”. Para o engenheiro Marcos Maurício, do GT de Rodovias do Crea-AM, “a despeito de muito do que está insculpido no relatório do Grupo de Trabalho do Ministério dos Transportes já constar no Estudo de Impacto Ambiental (EIA), aprovado em julho de 2022, o documento divulgado nesta terça-feira, 11, entretanto, é um avanço, sob o ponto de vista político, de envergadura bem maior”.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Vilhena sediará o I Congresso Internacional sobre Sustentabilidade na Amazônia

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Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Entre os dias 5 e 7 de setembro, a Faculdade da Amazônia, localizada em Vilhena, Sul de Rondônia, será palco do 1º Congresso Internacional Educacional. Com o tema “Amazônia Verde: Educação Ambiental e Sustentabilidade para o Século XXI – Desafios e Oportunidades”, o evento reunirá expositores renomados do meio acadêmico e promoverá discussões cruciais sobre a região amazônica.

Na abertura do congresso, estão confirmadas as presenças de Peter Pal Pelbart, filósofo, ensaísta, professor e tradutor húngaro da PUC-SP, e de um legítimo rondoniense: professor Luís Suruí, indígena e mestre em Educação, residente em Cacoal.

A Amazônia, um dos maiores patrimônios naturais do mundo, desempenha papel fundamental na regulação climática global e abriga uma biodiversidade única. No entanto, enfrenta desafios como desmatamento, degradação ambiental e pressões socioeconômicas.

O congresso abordará temas interdisciplinares, incluindo filosofia, zoologia, economia, psicologia e biopolítica, com foco na interseção entre meio ambiente, sustentabilidade, educação e o bem-estar das comunidades amazônicas. A diretora científica, Leonira Ofrunã Rodrigues Bresciani, destaca a relevância dessas discussões: “A educação de qualidade surge como pilar essencial para promover a sustentabilidade e o desenvolvimento equilibrado da região”.

A diretora-geral da Fama, Patricia Clara, espera receber cerca de mil inscritos no evento, que se configura como pioneiro na região, buscando soluções para os desafios inerentes à Amazônia.

Para mais informações, acesse o site fama-ro.com.br.

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Ações de proteção ambiental na Região Xingu são debatidas no Pará

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O Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio) reuniu, nos últimos dias, representantes de diversas entidades e da sociedade civil para discutir o futuro do Refúgio de Vida Silvestre (Revis) Tabuleiro do Embaubal e da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Vitória de Souzel, na Região de Integração Xingu. As duas Unidades de Conservação (UC) estão localizadas no município de Senador José Porfírio, no Pará, e são importantes para a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável.

O encontro, organizado pela Gerência da Região Administrativa do Xingu (GRX), reuniu no auditório da Secretaria Municipal de Saúde de Vitória do Xingu representantes de órgãos públicos, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) e Universidade Federal do Pará (UFPA); colônias de pescadores de Vitória do Xingu e Senador José Porfírio, e das secretarias municipais de Turismo e Meio Ambiente. A sociedade civil também reforçou sua participação nas decisões.

Um dos pontos discutidos foi a elaboração do Plano de Ação para o período de 2024 a 2026. O documento vai direcionar as atividades de conservação, manejo e desenvolvimento sustentável nas UCs. A proposta é contemplar medidas de monitoramento e fiscalização, visando à proteção da fauna e flora locais, além de estratégias para a geração de renda que beneficiem as comunidades do entorno.

O titular da GRX, Denimar Rodrigues, avaliou o encontro como positivo. Segundo ele, “o diálogo com as entidades representativas foi fundamental para o bom andamento dos trabalhos”. O gestor também destacou a importância de ouvir as demandas e sugestões de todos os participantes, garantindo que o plano de ação seja construído de forma participativa e inclusiva.

Debates

Foi discutido ainda o fortalecimento das comunidades locais por meio de projetos de geração de renda, a fim de desenvolver iniciativas que promovam a sustentabilidade econômica, alinhadas à conservação ambiental. São projetos que incluem o incentivo ao turismo ecológico e à capacitação dos moradores em atividades de manejo sustentável de recursos naturais.

Foto: Divulgação

Representantes das colônias de pescadores destacaram a necessidade de mais apoio para a pesca sustentável, ressaltando que a preservação dos recursos hídricos é vital para a sobrevivência das comunidades que têm na pesca a principal fonte de renda. A proposta é que o Plano de Ação contemple medidas específicas para o setor pesqueiro, incluindo capacitação técnica e melhorias na infraestrutura.

Representantes da sociedade civil apresentaram suas contribuições, como a necessidade de maior transparência nas ações do Conselho Gestor e a criação de canais de comunicação mais efetivos com a comunidade.

Ações

O planejamento de ações de monitoramento e fiscalização nas UCs também foi debatido. A proposta é aumentar a presença de fiscais e utilizar tecnologias para aprimorar a vigilância nas áreas protegidas. Essas medidas visam coibir a caça ilegal, o desmatamento e outras atividades que ameaçam a biodiversidade da região.

Na reunião foi destacada, ainda, a importância da educação ambiental como ferramenta para sensibilizar a população sobre a importância da conservação. Encerrando o encontro, foi reafirmado o compromisso de todos os presentes em trabalhar de forma colaborativa para a proteção do Revis Tabuleiro do Embaubal e da RDS Vitória de Souzel.

A expectativa é que o novo Plano de Ação 2024-2026 reflita os anseios e as necessidades das comunidades locais, promovendo, de fato, o desenvolvimento sustentável. A próxima reunião do Conselho Gestor está prevista para o segundo semestre de 2024, quando será apresentada a versão preliminar do Plano de Ação, permitindo novas contribuições antes da aprovação final.

*Com informações da Agência Pará

Projeto ‘A arte do silêncio’ promove teatro inclusivo para surdos em Manaus

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O projeto cultural ‘A arte do silêncio – Surdos em cena’ realizou oficinas gratuitas de teatro para adolescentes surdos e será finalizado com uma performance no dia 21 de junho, com entrada gratuita, no auditório do Instituto Filippo Smaldone em Manaus (AM).

“Foram mais de 60 horas de aulas teóricas e práticas, contato introdutório com conteúdo artístico, descobrindo possibilidades imaginárias e materiais do corpo, técnicas que ajudaram os alunos a desenvolverem seus potenciais artísticos e criativos que eles não imaginavam possuir, inclusive tivemos retorno positivos dos pais desses alunos”, destacou Keylla Gomes.

O projeto é coordenado e dirigido pela atriz, produtora cultural Keylla Gomes, tem a produção de Francy Junior e Anderson Mendes, expressão corporal com Suelen Siqueira e a intérprete de libras Eline Brito.

Foto: Divulgação

“Foi muito satisfatório acompanhar a evolução desse projeto, da concepção até a execução e poder conferir a motivação dos alunos ao participarem das aulas e dos ensaios”, destacou o produtor Anderson Mendes.

Com mais de 20 anos de experiência na produção cultural de Manaus, Keylla percebeu que não existe curso de capacitação exclusivo para atores surdos, o que acarreta desemprego, exclusão social, baixa auto estima social e segregação na sociedade manauara, fator esse que a motivou a escrever o projeto.

“Tivemos um projeto incrível, com um grupo de jovens talentosos que aprenderam um pouco sobre a arte do teatro e ao mesmo tempo me ensinaram sobre ser resiliente, espero e o público possa sentir toda a força desses novos artistas que agora podem se expressar através da arte, agora vamos em busca de novas oportunidades para dar continuidade a esse projeto com novas edições”, destacou Keylla Gomes.

‘A Arte do Silêncio – surdos em cena’ é um projeto inclusivo, desenvolvido com foco na ODS 4 – educação de qualidade, e foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo, Conselho estadual de cultura do Amazonas (CONEC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Amazonas (SEC), Governo do Estado do Amazonas, Ministério da Cultura e Governo Federal, realização MK produções, e apoio da Ykamiaba produções e Movimento das mulheres negras da floresta – DANDARA.

A apresentação acontece às 18h no Instituto Filippo Smaldone, localizado na Avenida Tókio, n°100, no bairro Planalto.

Ministério dos Transportes conclui que pavimentação da BR-319 é viável ambientalmente

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A reconstrução dos 405 quilômetros do trecho do meio da BR-319 é ambientalmente sustentável, segundo a conclusão de um grupo de trabalho do Ministério dos Transportes. Após mais de seis meses de estudos e audiências com a comunidade no entorno da rodovia, a constatação foi feita por especialistas e representantes de órgãos dos governos federal, estaduais e prefeituras da região.

O grupo de trabalho foi instituído em novembro de 2023, para apresentar soluções para a reconstrução dos 405 km do trecho do meio da rodovia que une Manaus a Porto Velho. A BR-319 é a única ligação terrestre do Amazonas e de Roraima com o restante do país.

No documento de 67 páginas, o grupo de trabalho reafirma ser possível conciliar o desenvolvimento regional e a preservação do meio ambiente, a partir de uma gestão inovadora que fará jus à singularidade que a BR-319 representa.

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O relatório propõe o cercamento de parte da rodovia com implantação de 500 km de proteção física a fim de preservar a fauna na área crítica do trecho do meio. Também prevê que 172 passagens para animais sejam instaladas. Uma passagem a cada 2,35 km de rodovia.

Há ainda recomendações para o monitoramento da rodovia, que deverá contar com novos postos da Policia Rodoviária Federal, atuação da Polícia Federal, além de reforço nos efetivos das polícias e bombeiros estaduais e atuação de órgãos como ICMBio.

A ideia é que sejam construídos portais de fiscalização e monitoramento nas duas pontas da rodovia, no trecho que será cercada. Além disso, uma nova unidade de conservação deverá ser implantada.

Agora o relatório será discuto internamente no governo. O maior desafio é buscar consenso com a área ambiental. A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima têm dito em entrevistas que a obra no trecho do meio requer estudos mais detalhados para comprovar que não haverá aumento de desmatamento e grilagem na área.

O governador do Amazonas, Wilson Lima, disse que o estado fará sua parte pra garantir o bom uso da rodovia.

*Com informações do g1 Amazonas

Indígenas Macuxi compartilham receitas medicinais com migrantes venezuelanos em Roraima

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Folhas de arruda, algodão roxo, anador e até casca de caimbé, uma árvore nativa das áreas de lavrado de Roraima. São com essas plantas “sábias” que indígenas do povo Macuxi compartilham receitas naturais para cura e tratamento de doenças com migrantes Warao, que vieram da Venezuela para o Brasil fugindo da crise econômica no país.

Espécies que ocupam um tradicional e respeitado lugar na cultura dos indígenas roraimenses, as plantas carregam uma energia e poder que, agora, são transmitidos para indígenas migrantes da Venezuela que vivem no estado.

As receitas medicinais foram desenvolvidas ao longo de gerações da família da Pajé e parteira Iolanda Pereira, do povo Macuxi, em Roraima. Ela passou por um processo de formação para aprender os tratamentos, que iniciou quando ainda tinha 11 anos, e aprimorou as receitas tradicionais.

O conhecimento é tanto que rende até garrafadas que ajudam no controle da diabetes. Elas são feitas com folhas de insulina vegetal, anador ou chambá, uma planta que também pode ser usada contra dores de estômago, cólicas e vômitos, e casca de caimbé, árvore símbolo do lavrado roraimense e resistente ao clima.

Natural da comunidade Uiramutã, localizada no município de mesmo nome e o proporcionalmente mais indígena do Brasil, Iolanda não decidiu seguir a pajelança, mas foi escolhida pelo próprio pai, que também era pajé.

“Meu pai era um pajé muito forte. Ele tratava muita gente, nós não tínhamos médico, a gente não tinha posto de saúde, as internações eram realizadas na casa do meu pai. Nessa época eu ainda era uma criança, tinha 11 anos quando ele pediu para que eu o ajudasse a escrever as receitas e ajudasse a colher as plantas, o material que ele solicitava”, relembrou Iolanda.

Embora algumas receitas fossem registradas no papel, era mais comum que elas fossem repassadas de forma verbal. Com tanto conhecimento e devido à necessidade de indígenas venezuelanos que vivem no estado de aprenderem a usar as plantas nativas, Iolanda decidiu registrar e compartilha-las em um livro.

Intitulado de “La Cura Macuxi” ou “A Cura Macuxi” em português, o livro foi escrito pela pajé e organizado e traduzido para o espanhol pela Cáritas Brasileira. A primeira parte dele, que conta com 37 páginas e seis receitas, foi lançada nessa sexta-feira (26) em Boa Vista, durante o “Encontro de Saberes Tradicionais”, que reuniu funcionários e voluntários da instituição.

Iolanda explica que, inicialmente, o acesso ao conhecimento medicinal era restrito as pessoas do mesmo povo originário, devido ao medo de que algumas pessoas se aproveitassem da prática. No entanto, para que a cultura e a conexão com a espiritualidade não sejam perdidos, agora eles são repassados.

“É muito importante valorizar as ervas medicinais que nós temos. Nós temos um laboratório grande, aberto, que é a Amazônia brasileira. Nós temos muitos remédios [que vem] da natureza, que podem nos ajudar a tratar as doenças”.
Iolanda Pereira, pajé e autora do livro “La Cura Macuxi

“Para a gente [indígenas Macuxi] é muito simples fazer, mas para quem não conhece as plantas ainda é muito difícil. A gente está aqui para poder ajudar nesse meio de vida, com as medicinas naturais que nós temos, que vem desde os nossos pais, nossos ancestrais”, completou a pajé, que também integra a assessoria técnica do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Leste.

Encontro de saberes

Foi durante o encontro de saberes que ela repassou parte dessa sabedoria milenar. Para mais de 20 pessoas, entre brasileiros e venezuelanos, ela ensinou chás, garrafadas, “tintas” e até pomadas com capacidade anti-inflamatória, analgésica e antisséptica. Além de banhos contra mau olhado, com urucum.

A ajuda da pajé foi solicitada por jovens do povo indígena Warao, originário da Venezuela, que vivem em Roraima e desejavam ter acesso ao conhecimento ancestral de cura, segundo uma perspectiva indígena.

Folhas de insulina, anador e casca de caimbé são cozinhadas para garrafada que ajuda no controle da diabetes. Foto: Yara Ramalho/g1 Roraima

“Assim, o objetivo do livro e dos encontros é ajudar a repassar os saberes tradicionais, quebrando a barreira geracional e linguística”, explicou Well Leal, coordenador local do projeto Orinoco: Águas que Atravessam Fronteiras.

O livro completo deve ser lançado no segundo semestre deste ano, na Terra Indígena São Marcos, localizada no município de Pacaraima, na fronteira do Brasil com a Venezuela, ao Norte de Roraima. Ele deve ser lançado em três idiomas: português, espanhol e na língua indígena Warao.

Nele, as pessoas podem aprender por textos e ilustrações, feitas por um biólogo, o passo a passo de cada receita, como cada medicamento deve ser consumido e para que faixa etária cada um deles é recomendado. Ao todo, 40 receitas medicinais indígenas estarão disponíveis no material, que é gratuito.

A versão digital da primeira parte do livro também pode ser acessado de forma online, por meio do site da Cáritas, responsável pela publicação.

*Por Yara Ramalho, do g1 Roraima

Rio Acre atinge segundo menor nível para junho nos últimos 10 anos em Rio Branco

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O Rio Acre, em Rio Branco (AC), alcançou a marca de 1,98 metro neste sábado (15). É a segunda menor marca dos últimos 10 anos para o mês de junho na capital. Nesta semana, o governo do estado decretou emergência por conta da falta de chuvas e do baixo nível dos mananciais em toda a Bacia do Rio Acre, que se encontra em situação de alerta máximo.

Três meses após sofrer com enchentes históricas, o Acre agora está começando a sentir os efeitos de um novo evento climático extremo, a seca. Durante todo o mês de maio, o Rio Acre, principal afluente do estado, ficou abaixo de 4 metros. Agora em junho, o manancial tem atingido marcas ainda mais críticas.

Especialistas já apontavam para a possibilidade de seca antecipada antes da publicação do decreto de emergência, quando o Rio Acre marcou 2,52 metros no dia 30 de maio, a menor marca para o mês. Desde o início de junho até este sábado, o nível do rio baixou 61 centímetros.

Neste mês, o nível do Rio Acre subiu nível apenas no dia 2 de junho, quando saiu de 2,59 metros para 2,60 metros. Em todos os outros registros, divulgados pela Defesa Civil da capital de forma diária, o cenário é de queda.

O baixo índice pluviométrico na região contribui para o cenário de seca. O esperado para junho é de que chova 60 milímetros. No entanto, não chove desde o início do mês, o que pode afetar o abastecimento de água, segundo o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Carlos Batista.

“Nós temos redução dos mananciais e com essa redução, dificulta um pouco a captação de água. Então há todo esse problema na agricultura e na pesca”, disse.
A situação contrasta com a vivenciada no início do ano, quando o manancial transbordou, e o total de chuvas chegou a 438 milímetros.

De acordo com o Monitoramento Hidrometeorológico da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), emitido nesta sexta (14), apenas em Assis Brasil, no interior do estado, houve aumento de 12 centímetros nas últimas 24 horas, saindo de 2,90 metros para 3,02 metros, isto porque houve chuvas de 9,6 milímetros durante este período.

Brasiléia ficou 80% inundada durante enchente. Foto: Arquivo

Apesar da oscilação em Assis Brasil, toda a Bacia do Rio Acre está em situação de alerta máximo, com redução no nível. Segundo a Agência Nacional das Águas (ANA), não houve chuvas significativas na região.

Nível da Bacia do Rio Acre

Bacia do Rio AcreNível atual – 14/06Alerta máximo para seca
Assis Brasil3,02 metros 3,50 metros
Brasiléia1,13 metro 3,50 metros
Xapuri1,56 metro2 metros
Rio Branco1,99 metro 2,69 metros
Riozinho do Rôla1,53 metro 3 metros
Fonte: Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Acre

De cheia a seca extrema em poucos meses

Todos os locais por onde o rio ‘passa’ registraram enchentes entre fevereiro e março. Em Brasiléia, o município teve cerca de 80% da área inundada entre fevereiro e março e enfrentou a maior enchente de sua história, quando o manancial chegou a 15,58 metros na cidade.

Quase 4 mil pessoas ficaram desabrigadas ou desalojadas. Mais de três meses depois, o nível atual registrado é de 1,13 metro nesta sexta (14), com queda de 10 centímetros desde o início de junho.

Em Xapuri, onde o Rio Acre alcançou 17,07 metros, a última medição aponta para 1,56 metros. Em alguns pontos do manancial, é possível ver bancos de areia [veja abaixo]. A enchente deixou mais de 200 pessoas desabrigadas e outras 545 desalojadas na região. Neste mês, o nível iniciou em 1,71 metros. Ou seja, uma queda de 15 centímetros.

Governo decreta emergência por causa da estiagem e baixo índice de chuvas no Acre

Já em Assis Brasil, o manancial chegou a 13,36 metros com mais de 400 pessoas desabrigadas e quatro bairros atingidos. Já nesta sexta, o nível registrado é de 3,02 metros. A marcação do último dia 2 de junho era de 2,99 metros. A cidade foi a única da Bacia do Rio Acre a registrar índice significativo de chuvas: 31,2 milímetros.

Rio Branco, por fim, foi a cidade onde o Rio Acre apresentou a maior queda em junho [60 centímetros] e a única da Bacia que não registrou chuvas. No dia 6 de março deste ano, o manancial chegava a 17,89 metros, sendo a segunda maior enchente da capital desde 1971. O nível atual desta sexta (14) é de 1,99 metros. Ou seja, quase 16 metros a menos do que foi registrado há mais de três meses.

“Essa é a segunda menor cota para junho, em toda nossa série histórica que começou em 1971, e está a 5 cm da menor cota, que foi de 1,94m, que foi em junho de 2016. A gente vem percebendo que o comportamento do Rio Acre tá em tendência de vazante. Nas demais bacias, os níveis estão em tendência de vazante também”, complementou o coordenador da Defesa Civil estadual.
Mapa Seca Rio Acre 2024 — Foto: Arte g1

Rio Acre apresenta níveis muito abaixo do esperado para junho, diz Defesa Civil — Foto: Andryo Amaral/Rede Amazônica Acre

Falta de chuvas

É preciso entender ainda que as chuvas na região precisam estar dentro da normalidade para o rio poder correr normalmente, o que não acontece atualmente no Rio Acre. Em maio, choveu apenas 56,4 milímetros na capital, o que corresponde a 40% do que era esperado para todo o mês, que era de 108 milímetros.

Esta irregularidade na quantidade de chuvas faz com que aumente a frequência de secas e de cheias. Os sistemas de larga escala, como o El Niño, acabam servindo como ‘catalisadores’, acelerando estes fenômenos climáticos e influenciando nas mudanças do clima.

“Isso implica situações que, além da quantidade normal que temos de água, que irá diminuir, uma parte desta diminuição será decorrente dessas secas, que é quando tem situações de precipitações muito abaixo da média. E o que a gente estima é que isto vá ficar cada vez mais frequente”, disse ao g1 o pesquisador da Agência Nacional das Águas e especialista em regulação de recursos hídricos e saneamento básico, Saulo Aires de Souza.

Em setembro de 2023, foi decretada emergência em áreas que sofriam com a falta d’água, situação esta reconhecida pelo governo federal nos 22 municípios. Este ano, o decreto saiu três meses antes do previsto.

Decreto de emergência

A situação de seca antecipada na Bacia do Rio Acre é pontuada no decreto de emergência, que tem vigência até 31 de dezembro deste ano. O governador Gladson Cameli destaca ainda que:

“A continuidade prevista do baixo volume de precipitação, aliada ao aumento de temperaturas, provoca a redução do armazenamento de água no solo no Estado e potencializa a probabilidade de ocorrência de situações emergenciais e intensificação de secas na região para o período”.

Em Rio Branco, a Defesa Civil municipal confirmou que, por conta desta possibilidade de seca “antecipada”, um plano de contingência de escassez hídrica está pronto para ser colocado em prática. Contudo, detalhes sobre quais medidas fazem parte do plano ainda não foram divulgados.

Em nível estadual, um plano de contingenciamento foi elaborado para este período de seca. No entanto, não especificou o que está sendo planejado.

“Todas as defesas civis municipais também já enviaram pra gente o plano de contingência e a gente está nessa preocupação dessa força-tarefa bem articulada com comando unificado, envolvendo os três níveis de governo pra que a gente venha amenizar, reduzir os impactos do efeito de uma seca, de uma estiagem prolongada, mais para aquelas populações que são mais afetadas”, comentou o coronel Carlos Batista.

Histórico de secas

O ano em que o manancial apresentou a menor marca histórica foi em setembro de 2022, quando marcou 1,25 metro. Naquele ano, o rio já estava abaixo dos quatro metros no mês de maio.

O mesmo quadro foi observado em 2016, ano com a segunda pior seca. Em junho daquele ano, dado como a menor cota até então, o nível do rio estava em 1,94 metro e em 17 de setembro atingiu a menor cota histórica da época: 1,30 metro.

O diretor-presidente do Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb), Enoque Pereira, disse que apesar de o Rio Acre ter previsão de registrar uma cota menor que de 2022, a autarquia trabalha para que a vazão de água seja de 1,5 mil litros por segundo, para não comprometer o abastecimento da cidade.

“Para o ano de 2024, mesmo com todas as previsões de ser uma das secas mais severas dos últimos anos, o Saerb garante que manterá o abastecimento de Rio Branco, salvo em caso de colapso total do Rio Acre”, complementou.

*Por Renato Menezes, do g1 Acre

Com projeto para limpeza de rios da Amazônia, Amapá conquista bronze em feira científica internacional

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O projeto do estudante amapaense Miguel Moreira, de 16 anos, conquistou nesta sexta-feira (14) a medalha de bronze na feira internacional de ciências ‘Genius Olympiad’, realizada em Nova Iorque (EUA). O aluno levou para o evento um sistema para limpeza de rios e lagos da Amazônia a partir de sementes de moringa oleifera.

A ideia foi desenvolvida no laboratório da Escola Estadual Irmã Santina Rioli, em Macapá. Atualmente Migue estuda no Instituto Federal do Amapá (Ifap), mas continua com orientações do ex-professor.

O aluno contou a emoção de ser o primeiro estudante do Amapá a ser premiado presencialmente no evento. Ele também ganhou uma bolsa com 25% de desconto para estudar nos EUA.

“Eu ‘tô’ muito feliz. ‘Tô’ levando o nome da minha cidade e do meu estado para fora do país. Não foi fácil chegar até aqui e só tenho a agradecer à minha família, amigos, escola e aos meus professores”, descreveu o aluno.

De acordo com o orientador do projeto, o professor Aldeni Melo, o estudante vai seguir com o projeto e fazer novas adaptações.

“Essa feira reuniu mais de 100 países e fomos os únicos representantes do norte do país. Agora, ele vai melhorar o projeto para embarcações maiores, onde vai anexar na parte interior de matapis para o uso nas embarcações”, disse o professor.

A estudante santanense Ana Beatriz Benjamin, de 15 anos, também particpou da feira. Ela criou um projeto que busca ajudar comunidades que sofrem com a escassez de água.

“Trago como proposta de projeto que possa levar uma água 100% potável para comunidades que não possuem esse acesso como Sucuriju e Bailique”, disse a estudante.

Genius Olympiad

A ‘Genius Olympiad’ ou olimpíada de gênios no português, é uma competição em escala internacional que reúne e seleciona os melhores projetos desenvolvidos pelo nível médio sobre questões ambientais.

Este evento é fundado e organizado através da Terra Science and Education e apresentado pelo Rochester Institue of Technology com o foco em meio ambiente em 5 modalidades, os amapaenses concorreram na categoria ciência.

*Por Rafael Aleixo, do g1 Amapá

Cunhã-poranga (Festival Folclórico de Parintins)

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Fotos: Divulgação/Assessorias Boi Bumbá Garantido e Boi Bumbá Caprichoso

O item 9 no Festival Folclórico de Parintins é a cunhã-poranga. Ela é a representação da beleza, considerada a moça mais bonita da aldeia, além de sacerdotisa, guerreira e guardiã. O item é avaliado por sua beleza, simpatia, garra, desenvoltura e incorporação.

Manaus recebe mapa que indica áreas afetadas na ocorrência de cota de inundação severa

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A capital do Amazonas ganhou mais um instrumento elaborado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), que pode contribuir para ações de prevenção a desastres em casos de eventos hidrológicos. Trata-se do novo mapa de manchas de inundação de Manaus, destacando áreas inundadas quando o Rio Negro atinge, em Manaus, a cota de inundação severa de 29,00 m. Nas manchas de inundação, as áreas são indicadas por cores, de acordo com a variação dos níveis dos rios. O mapa está disponível na página do Sistema de Alerta.

Para o estudo, o SGB considerou as áreas afetadas direta ou indiretamente pela elevação do Rio Negro. Isso porque a subida é acompanhada proporcionalmente pelo aumento do nível de todos os igarapés da região, entre eles o Igararé Tarumã-Açú, o Igarapé do Mindú, Igarapé do Franco, o Igarapé do São Raimundo e o Igarapé do Quarenta.

Manchas de inundação associadas às cotas de 29,00 m e 30,02 m

“Esse é um importante trabalho que complementa o Mapa de Mancha de Inundação elaborado em 2021, quando a cidade registrou a cota recorde de 30,02 m. As informações, associadas à operação do Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Rio Amazonas, permitem que sejam adotadas medidas com mais agilidade e assertividade para garantir a segurança da população”, explica a diretora de Hidrologia e Gestão Territorial, Alice Castilho.

As informações são também essenciais para o planejamento urbano, conforme explica o coordenador-executivo dos Sistemas de Alerta Hidrológico, Artur Matos. “Com esse produto, gestores públicos podem identificar as áreas mais vulneráveis a inundações e, assim, adotar medidas que evitem a construção de casas e outros imóveis em locais de risco”.

Imagem: Divulgação

Complementação das manchas de inundação de Manaus

A complementação das informações se faz necessária porque a cidade é reconhecida nacionalmente pela alta frequência com a qual é afetada por inundações. Ao longo dos últimos 14 anos, entre 2009 e 2022, o Porto de Manaus superou a “cota de inundação severa” nove vezes. No século anterior, foram necessários 100 anos para que esta cota fosse superada também 9 vezes, conforme indica o relatório do SGB.
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“Para a elaboração das manchas de inundação, o SGB utiliza o que há de mais avançado em termos de disponibilidade de informações”, enfatiza a pesquisadora Luna Alves. Ela detalha que são utilizadas informações obtidas em trabalho de campo, levantamentos de modelo digital de terreno em alta resolução, levantamento de eventos de cheias anteriores com aparelhos de GPS, observação de imagens de satélites, análise de informações obtidas com VANTES (Veículos aéreos não tripulados), entre outras diversas fontes. Em alguns casos, são adotados modelos hidráulicos e hidrológicos, que levam em consideração as vazões e cotas dos rios.
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O SGB já atendeu com os mapas de manchas de inundação as cidades de Teresina (PI), Caxias (MA), Colatina (ES), Governador Valadares (MG), Ponte Nova (MG), Nova Era (MG), Porto Velho (RO), Alegrete (RS), São Sebastião do Caí (RS) e Montenegro (RS).