O Ministério do Turismo (MTur) criou um Grupo de Trabalho Interinstitucional para orientar o desenvolvimento turístico da região do Baixo Amazonas no Pará. O GT objetiva promover um turismo sustentável nos municípios de Belterra e Santarém, integrados ao Mapa do Turismo Brasileiro. Essa iniciativa busca valorizar e potencializar as belezas naturais e culturais da região, alinhando-as com práticas de sustentabilidade e inclusão social.
A principal missão do grupo é desenvolver um diagnóstico detalhado da região, mapeando a oferta turística atual e o potencial para futuros investimentos. Com base nesse diagnóstico, será elaborado o Plano de Desenvolvimento do Turismo Sustentável. Esse plano incluirá diretrizes, metas, ações, estrutura de governança e estimativa de impacto orçamentário, visando um desenvolvimento ordenado e eficiente da atividade turística no Baixo Tapajós.
O plano de desenvolvimento terá como foco principal áreas prioritárias, como infraestrutura e saneamento básico, ordenamento e regularização territorial, estruturação de produtos e experiências turísticas, além de estratégias de marketing. Também serão fomentadas a economia criativa e circular, visando a geração de emprego e renda para as populações indígenas e ribeirinhas. A atração de investimentos, parcerias e concessões, bem como a criação de linhas de crédito específicas para o setor turístico, são outros pontos chave do plano.
“Essa iniciativa do MTur é vista como um marco significativo para o desenvolvimento turístico do Baixo Tapajós. Ao alinhar o potencial natural da região com práticas de sustentabilidade e um planejamento robusto, espera-se não apenas atrair mais turistas, mas também melhorar a qualidade de vida das populações locais”, afirma o secretário de Turismo do Pará, Eduardo Costa.
O GT será composto por representantes de diversos órgãos e entidades, incluindo o Ministério do Turismo, Ministério do Meio Ambiente, Desenvolvimento Agrário, Integração e Desenvolvimento Regional, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, e o Governo do Pará. Cada órgão indicará dois representantes, sendo um titular e um suplente, garantindo assim a continuidade e a representatividade nas deliberações.
As reuniões do grupo ocorrerão mensalmente, com a possibilidade de encontros extraordinários conforme a necessidade. Membros localizados no Distrito Federal se reunirão presencialmente ou por videoconferência, enquanto os demais participarão remotamente. Especialistas e representantes de outras entidades públicas e privadas poderão ser convidados para colaborar, trazendo suas expertises e contribuindo para um debate mais rico e abrangente.
O grupo tem um prazo inicial de seis meses para apresentar o diagnóstico e o plano de desenvolvimento ao MTur, com possibilidade de prorrogação por mais seis meses. A apresentação dos documentos finais será feita às autoridades máximas dos órgãos envolvidos, marcando um passo importante para a implementação das ações planejadas.
“A expectativa é que, com esse planejamento estratégico, a região do Baixo Tapajós possa se consolidar como um destino turístico de referência, combinando crescimento econômico com preservação ambiental e inclusão social”, conclui Eduardo Costa.
A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) declarou situação de Escassez Quantitativa de Recursos Hídricos nos rios Madeira e Purus, além de seus afluentes, que cortam o sudoeste do Amazonas. A decisão foi ocasionada devido à seca na Região Norte. As chuvas acumuladas nas bacias dos rios Madeira e Purus durante o último período chuvoso, que vai de novembro a abril, ficaram abaixo da média.
Patrick Thomas, superintendente adjunto de Regulação de Usos de Recursos Hídricos da ANA, alerta para a gravidade da situação.
“Os dados climáticos mostram uma anomalia negativa de chuva entre outubro de 2023 e junho de 2024 em relação à média, com déficits da ordem de 30% tanto na bacia do Rio Madeira quanto na bacia do Rio Purus. Essa anomalia leva à observação de vazões mais baixas neste ano em comparação ao ano passado, e as perspectivas indicam que essa diminuição pode se acentuar nos próximos meses, possivelmente atingindo os mínimos históricos no período crítico entre setembro e outubro”, informa.
Acre, Amazonas e Rondônia, que possuem territórios banhados por esses rios, são os que estão sendo mais afetados pela escassez de água.
Thomas explica que as estruturas de captação de água podem sofrer interrupções no abastecimento devido à redução do nível dos rios. Além disso, ele destaca que a navegação pode ser prejudicada, aumentando os tempos de viagem e reduzindo a carga transportada, o que eleva os custos de frete e pode até paralisar o tráfego, afetando o deslocamento de pessoas e o transporte de cargas.
Por isso, a medida ficará em vigor até o dia 30 de novembro para intensificar o monitoramento hidrológico dessas bacias e propor ações preventivas.
ANA declara escassez de água em rios da região norte. Foto: Divulgação/Defesa Civil/Porto Velho
A Bacia do Rio Madeira abrange 1,42 milhão de km², sendo 43% em território brasileiro e o restante dividido entre Peru (7,6%) e Bolívia (49,4%).
Nela estão as hidrelétricas Jirau e Santo Antônio, que juntas geram até 6,7% da energia do Sistema Interligado Nacional (SIN). O rio possui um trecho navegável de 1.060 km entre Porto Velho e Itacoatiara (AM) e abastece Porto Velho, que possui cerca de 460 mil habitantes.
A Bacia do Rio Purus cobre cerca de 368 mil km², com mais de 90% em Amazonas e Acre, e o restante no Peru.
Acre
O governo do Acre decretou situação de emergência ambiental em todos os 22 municípios do estado, válida até 31 de dezembro de 2024.
O Coronel Carlos Batista, Coordenador de Proteção e Defesa Civil do estado, destacou que as previsões meteorológicas indicam chuvas abaixo da média para todo o Acre, especialmente na região leste, além de temperaturas superiores à média.
“Estamos projetando que este ano será muito seco, principalmente nos meses de agosto e setembro”, afirma.
ANA declara escassez de água em rios da região norte. Foto: Leandro Morais/Superintendência Municipal de Comunicação de Porto Velho
O coronel destaca que estão ocorrendo incêndios florestais como consequência das baixas umidades. Além disso, ele explica que as queimadas aumentam as doenças respiratórias e chama a atenção para os impactos na agricultura, pecuária e piscicultura.
A capital do Acre, Rio Branco, está em estado de emergência desde 28 de junho, devido ao baixo nível do Rio Acre e à falta de chuvas.
O locutor de rádio Fernando Ramos mora em Rio Branco (AC) e comenta que o Rio Acre está ‘bem abaixo’ da cota e as temperaturas altas, afetando a água potável, o serviço de esgoto e trazendo problemas de saúde.
“Isso também vai levando problema para os ribeirinhos, os colonos que moram às margens dos rios, para trazer os produtos para Rio Branco, chegar até o mercado e vender, porque o meio de transporte é o barco. Infelizmente acarreta danos, não só na parte financeira, mas ainda mexe muito com o lado psicológico”, completa.
Feijó, Epitaciolândia e Bujari também estão na lista dos municípios em emergência. Em Bujari, o decreto menciona os prejuízos econômicos e sociais causados pela seca, além da necessidade urgente de garantir a dignidade da população e o atendimento às necessidades básicas. Epitaciolândia, situada na fronteira com a Bolívia, está enfrentando problemas com a falta de água que afeta 18 mil moradores.
Feijó, além das dificuldades relacionadas ao abastecimento de água, enfrenta o risco de isolamento de comunidades ribeirinhas e indígenas devido à falta de navegabilidade dos rios e igarapés. A escassez também compromete o fornecimento de alimentos e outros insumos essenciais.
A situação de emergência é situação anormal, provocada por desastres, causando danos e prejuízos que impliquem o comprometimento parcial da capacidade de resposta do poder público do ente atingido.
O Governo do Tocantins, por meio da Agência de Mineração do Tocantins (Ameto) assinou, no primeiro semestre, termos de acordos de cooperação técnicas importantes para o setor mineral, além de participar de feiras, eventos e pesquisas de remineralizadores de solo e transição energética. O presidente da Ameto, Marco Antônio Martin, afirmou que Tocantins desponta no contexto do mercado mineral no Brasil, por se posicionar estrategicamente em uma área essencial para a produção agrícola e com logística de transporte viável, por meio da Ferrovia Norte-Sul, das rodovias estaduais e da BR-153.
Tocantins é o terceiro maior produtor brasileiro de calcário, matéria-prima essencial para a produção de fertilizantes, abastecendo produtores nos estados da região do Matopiba, composta pelos estados Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. “Este momento é oportuno para a mineração no Tocantins. Estamos apresentando os potenciais minerais do Estado, uma vez que o Tocantins é a nova fronteira mineral do país, por situar-se na posição central, cortado por hidrovias e ferrovias, assumindo uma posição altamente estratégica, onde é possível investir com segurança”, enfatiza.
No Tocantins, também entre outros minerais, destacam-se como importantes elementos para a atividade industrial a produção do quartzo e do titânio, em Porto Nacional; zircônia e Cromo, em Jaú do Tocantins; grafita, em Araguanã; e ilmenita, em Brejinho de Nazaré. Com isso, o Tocantins se integra às cadeias produtivas de áreas como vidro, cerâmica, tintas, siderurgia, metalurgia, química, elétrica, entre outras. O governador Wanderlei Barbosa destaca que o Governo do Tocantins não tem medido esforços no setor da mineração, um dos grandes potenciais de desenvolvimento socioeconômico do Estado.
“O Tocantins é privilegiado pelo potencial em diversos setores e a mineração é um deles. A chegada de novas empresas fará com que potencialize ainda mais o setor e a qualidade de vida do cidadão tocantinense. Estamos trabalhando com parcerias importantes como a Agência Nacional de Mineração (ANM), com os objetivos de fortalecer a regulamentação do setor no Tocantins e tornar o ambiente de negócio mais atrativo aos investidores”, ressalta o governador Wanderlei Barbosa.
No primeiro semestre, a Ameto assinou Acordo de Cooperação Técnica (ACT) que vai gerar mais segurança e viabilidade do setor como, por exemplo, o da ANM, um auxílio na fiscalização do aproveitamento mineral, da exploração de recursos minerais, bem como do recolhimento e da arrecadação da compensação financeira pela exploração de recursos minerais (CFEM).
Outro ACT importante é o Acordo com o Serviço Geológico do Brasil (SGB), voltado principalmente às áreas de geologia e recursos minerais, com o intuito de subsidiar as políticas públicas e fomentar investimentos no setor minerário no Estado. A Ameto assinou também um ACT com a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) para aumentar a fiscalização e o monitoramento das atividades minerais do Tocantins; e também com a Junta Comercial do Tocantins (Jucetins). Além disso, foram realizadas a assinatura e a publicação do Regimento Interno da Ameto.
A Agência encaminhou também três Projetos de Leis (PLs) à Assembleia Legislativa do Tocantins (Aleto), dentre eles o da Taxa de Controle, Acompanhamento e Fiscalização das Atividades de Pesquisa, Lavra, Exploração e Aproveitamento de Recursos Minerários (TFRM).
O Governo do Tocantins, por meio da Ameto, realiza uma pesquisa em conjunto com a Universidade de Brasília (UNB) e as cooperativas de garimpeiros locais para o melhor aproveitamento das esmeraldas e remineralizadores de solos por meio de desenvolvimentos dos arranjos produtivos locais (APL) na região de Monte Santo.
“Nos seis primeiros meses de trabalho com a equipe da Ameto, conseguimos desenvolver uma governança focada nas potencialidades minerais do Estado, aumentando o suporte e viabilizando parcerias com os órgãos federais, a ANM e GSB. Continuaremos a incentivar a mineração, o que certamente vai impulsionar ainda mais a economia do Estado”, reforça o presidente da Ameto, Marco Martin.
Um levantamento inédito do MapBiomas mostra que 6,9% das áreas urbanas no Brasil são cobertas por vegetação. Isso corresponde a 283,7 mil hectares. Desse total, 61,5%, ou 174.599 hectares, estão na Mata Atlântica. Aproximadamente um em cada cinco hectares (22%) estão no Cerrado, onde foram identificados 62.533 hectares de vegetação. Os 16,5% restantes estão divididos entre a Amazônia (18.605 hectares, ou 6,6% do total), Caatinga (16.139 hectares – 5,7%), Pampa (11.228 hectares – 4%) e Pantanal (587 hectares – 0,2%).
Na Mata Atlântica, o município com maior área de vegetação é o Rio de Janeiro, com 12.378 hectares – mais que o dobro de Brasília, a cidade com maior área urbana de vegetação no bioma Cerrado (6.125 hectares). Na Amazônia, a liderança fica com Manaus (2.818 hectares). Com 1.940 hectares de vegetação, Canoas é a cidade com maior área urbana de vegetação no Pampa. Na Caatinga, esse título fica com Fortaleza (1.063 hectares) e, no Pantanal, com Corumbá (253 hectares).
“Os dados sobre vegetação urbana têm potencial de contribuir com o planejamento e gestão urbana sustentável, permitindo a integração eficaz da vegetação como parte essencial do tecido urbano”, destaca Julio Pedrassoli, da equipe de mapeamento de áreas urbanas do MapBiomas.
Para chegar a estes resultados, os pesquisadores utilizaram dados da Coleção Beta MapBiomas 10m, com imagens dos satélites Sentinel de resolução espacial de 10m, que foram complementados com informações detalhadas de praças e outros espaços verdes urbanos mapeados disponíveis no Open Street Map. Desta forma, foi possível quantificar a vegetação urbana por município, estado e por bioma, identificando não apenas praças e grandes maciços de vegetação dentro das áreas urbanizadas, mas também a vegetação peri-urbana, ao redor das cidades. Esta última é 10 vezes maior que a vegetação urbana: 2.632.779 hectares em todo o Brasil. Mais uma vez, a liderança é da Mata Atlântica, com 1.083.427 hectares, seguida pelo Cerrado (528.688 hectares), Amazônia (456.844 hectares), Caatinga (376.983 hectares), Pampa (177.472 hectares) e Pantanal (9.366 hectares).
Como todos os municípios brasileiros possuem ao menos uma praça mapeada, os pesquisadores também mensuraram a extensão que elas ocupam nos perímetros urbanos. Mais da metade (55,7%) das áreas de praças no Brasil ficam em cidades localizadas no bioma da Mata Atlântica. Quase um quarto (23%) fica no Cerrado. Os demais biomas respondem por menos de 10% cada um: 8,5%, no caso da Amazônia, 7,6%, na Caatinga, 5,1% no Pampa e 0,1% no Pantanal. Ainda que os dados mapeados no Open Street Maps sejam incompletos, pois a plataforma vai recebendo novas colaborações ao longo do tempo, ela é capaz de nos dar um retrato amplo de como as praças são distribuídas nas diferentes regiões do país.
Os espaços verdes urbanos e periurbanos têm recebido um interesse crescente porque são oficialmente reconhecidos como provedores de serviços ecossistêmicos que podem ajudar a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – especialmente o ODS 11, que visa tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. A importância desses serviços foi reconhecida em recente lei que institui o Programa Cidades Verdes e Resilientes do Governo federal: no item I do artigo 2, o texto cita o papel das áreas verdes urbanas nos serviços ecossistêmicos e adaptação à mudança do clima.
Na nota técnica, os pesquisadores do MapBiomas explicam que a vegetação urbana regula o microclima, contribui para os sistemas de drenagem e fornece habitat para a fauna urbana. Além disso, a vegetação também é um importante fator no bem-estar humano, proporcionando espaços verdes para lazer e prática de atividades físicas.
A vegetação urbana abrange espécies de vegetação herbácea, arbustiva e de árvores de pequeno, médio e grande porte, as quais podem estar localizadas em parques e praças, Unidades de Conservação como Áreas de Preservação Permanente (APP), cemitérios, campos esportivos, além de áreas abandonadas. Porém, em todo o país, prevalece a vegetação herbácea ou de pequeno porte, que varia entre 51% e 67% do total.
O Dia Nacional da Saúde, comemorado nesta semana, chama a atenção sobre o papel essencial do saneamento como forma de prevenir doenças e, principalmente, promover saúde e qualidade de vida para população. De acordo com o IBGE, Manaus é a 7º capital mais populosa do País e ações como o investimento na ampliação do esgotamento sanitário são fundamentais para que os mais de dois milhões de habitantes que vivem na cidade tenham acesso à saúde, por meio do serviço.
Os serviços de coleta e tratamento de esgoto estão diretamente ligados ao desenvolvimento humano, qualidade de vida de todo ecossistema e a promoção da saúde da população, por meio da prevenção de diversas doenças.
Para a dra. Pesquisadora do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD) / Fiocruz Amazônia, Arlete Almeida, os serviços de saneamento são primordiais para a saúde da população das cidades.
“Aqui em Manaus temos uma característica muito presente de casas construídas às margens dos igarapés, nos rip raps e em palafitas, que acabam se tornando um foco para doenças de veiculação hídrica, tanto em época de cheia, como na estiagem. Ações como estas da Águas de Manaus, de avanço do esgotamento sanitário, trazem melhorias para todos. Os custos com medicamentos diminuem, as internações caem e a cidade enriquece em todos os sentidos, principalmente na qualidade de vida das pessoas”, destaca a pesquisadora.
Hoje, Manaus avança no quesito através do programa Trata Bem Manaus, que visa a universalização dos serviços de coleta e tratamento de esgoto em menos de 10 anos. Lançado em janeiro deste ano, o programa prevê a construção de mais de 2,7 milhões de metros de rede coletora de esgoto e cerca de 70 Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs).
Somente em 2024, já estão sendo construídos mais de 200 mil metros de rede coletora de esgoto em diversas áreas da cidade, como bairros das zonas Norte, Sul, Centro-Sul e Oeste. A previsão é que até o final deste ano a cobertura chegue a 38% da cidade.
Além de contemplar estas áreas a concessionária também segue com a implantação de rede em áreas de palafitas. O projeto iniciou em 2022, beneficiando moradores do Beco Nonato, localizado no bairro Cachoeirinha. Hoje, o modelo foi expandido para outras áreas com as mesmas características.
Ainda neste ano, a concessionária irá implantar redes de esgoto em áreas de palafitas no bairro Educandos, uma das áreas mais antigas da cidade. “Estudamos a melhor maneira de implantar a rede de esgoto em Manaus, respeitando a cultura e nos adaptando à realidade geográfica da cidade. Desta forma, vamos expandido o serviço que é tão importante para a prevenção da saúde dos moradores e para a preservação ambiental, sem deixar ninguém para trás”, ressalta o gerente de Responsabilidade Social da Águas de Manaus, Semy Ferraz.
Melhorias reais
Dados da Fundação de Vigilância Sanitária em Saúde do Amazonas – Dª Rosemary Costa Pinto (VFS – DCP) comprovam que nos últimos anos, doenças como diarreia e hepatite A, tiveram redução de casos nos últimos seis anos. O período condiz com a ampliação do esgotamento sanitário na cidade. Contudo, para que os investimentos que estão sendo feitos tenham efeitos positivos, é necessária a participação da população, por meio da adesão ao sistema.
“O acesso ao esgotamento sanitário é um direito do cidadão. A chegada deste serviço é um marco que irá trazer muitos benefícios para cidade. Então, eu espero que quando chegar aos bairros, as pessoas saibam reconhecer este benefício, que façam a conexão, que agregue. Precisamos que todos abracem esta ideia porque além de trazer saúde, é uma questão de direito”, enfatiza a pesquisadora, Arlete Almeida.
Os produtos desclassificados são considerados impróprios para consumo e deverão ser recolhidos pelas empresas responsáveis após a fase de análise dos laudos laboratoriais e cientificação das empresas responsáveis pelos produtos quanto aos resultados. A ação está respaldada pelo artigo 29-A do Decreto 6.268/2007, que prevê a aplicação do recolhimento em casos de risco à saúde pública, adulteração, fraude ou falsificação de produtos.
Aos consumidores que caso tenham adquiridos esses produtos, o Mapa orienta que deixem de consumi-los, podendo solicitar sua substituição nos moldes determinado pelo Código de Defesa do Consumidor.
Ainda, caso encontrem alguma dessas marcas sendo comercializadas, o Ministério solicita que seja comunicado imediatamente pelo canal oficial Fala.BR, informando o estabelecimento e endereço onde foi adquirido o produto.
As fiscalizações de café torrado e moído no mercado interno são realizadas pelo Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal da Secretaria de Defesa Agropecuária. “Após a realização da Operação Valoriza, em março de 2024, em que foram feitas fiscalizações de café torrado durante duas semanas de maneira concentrada, o Mapa continuou realizando fiscalizações de rotina durante os meses seguintes, incluindo o atendimento às denúncias feitas por cidadãos por meio da plataforma Fala.BR”, explica Ludmilla Verona, coordenadora de Fiscalização da Qualidade Vegetal.
As ações fazem parte do Programa Nacional de Prevenção e Combate à Fraude e Clandestinidade em Produtos de Origem Vegetal (PNFRAUDE), que visa diminuir a ocorrência de fraudes e promover a regularidade de estabelecimentos produtores de produtos de origem vegetal. Vale ressaltar que a adição de matérias estranhas ou elementos estranhos ao café é considerada fraude que gera dano ao consumidor, motivo pelo qual o produto foi incluído nas ações do Programa.
Veja quais marcas e lotes não devem ser consumidos:
Foto: Divulgação/Mapa
Dicas ao consumidor
Como o café torrado é moído, pode conter fraudes indetectáveis a olho nu. A atuação dos auditores fiscais federais agropecuários e técnicos de fiscalização agropecuários é fundamental para garantir a qualidade e a segurança dos produtos disponíveis no mercado.
É crucial que os consumidores verifiquem se os estabelecimentos torrefadores estão devidamente registrados no Mapa, o que pode ser feito clicando aqui. Os consumidores são aconselhados a evitar produtos com preços muito abaixo do padrão e a desconfiar de produtos com sabor e aroma inadequados, pois um café de qualidade deve apresentar características agradáveis.
*Com informações do Ministério da Agricultura e Pecuária
Desde o início do período proibitivo, o Corpo de Bombeiros Militar está em campo atuando na prevenção e combate dos incêndios florestais em Mato Grosso. Entretanto, os próximos meses apontam para um agravamento da estiagem, por isso os Bombeiros pedem para que a população respeite o período e evite queimadas.
“Todas as previsões apontam para um período mais crítico nos próximos meses, com uma estiagem ainda mais severa e baixa umidade do ar. Estes dois fatores já são favoráveis para o surgimento natural de incêndios florestais, então é preciso que a população respeite o período proibitivo. Estamos já em campo, combatendo diversos incêndios florestais, mas precisamos que a população faça sua parte. Não use fogo para limpeza de áreas, não use sob hipótese alguma”, afirma o comandante-adjunto do Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), major Felipe Saboia.
O uso irregular do fogo associado ao desmatamento ilegal gera multa de até R$ 7,5 mil por hectare, conforme determina a Lei 9.605, de 1998, conhecida popularmente como Lei de Crimes Ambientais. As multas são aplicadas pelo Corpo de Bombeiros Militar e chegaram a R$ 40,5 milhões no primeiro semestre deste ano.
O major explica que o cumprimento das leis federais e decretos do Poder Executivo Estadual são essenciais para que o meio ambiente seja preservado. Mato Grosso conta com 47 unidades de conservação.
“O incêndio florestal traz diversos danos, como a poluição do ar, prejudicial para o meio ambiente e para os humanos, principalmente crianças e idosos. Os rios podem ser contaminados com a fuligem e animais podem acabar sendo atingidos. A flora, principalmente, é extremamente prejudicada e dependendo das características pode levar anos para ser recuperada”, explica o comandante-adjunto do BEA.
Cenário atual
No total, 140 bombeiros, servidores do Estado e civis combatem 18 incêndios florestais em 13 municípios mato-grossenses. As ações contam com apoio de três aviões, um helicóptero, 35 caminhonetes, 10 caminhões-pipa, nove máquinas e três embarcações.
Vinte e sete incêndios florestais já foram extintos em Canarana, Chapada dos Guimarães, Poconé, Cuiabá, Vila Bela da Santíssima Trindade, Nova Lacerda, Barão de Melgaço, Planalto da Serra, Nova Brasilândia, Rosário Oeste, Canarana, Cáceres, Novo Santo Antônio, Peixoto de Azevedo, Marcelândia, Primavera do Leste, Paranaíta, Nova Mutum, Sinop e São José do Rio Claro.
*Com informações Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Mato Grosso.
O ex-aluno do curso de Licenciatura de Matemática, do Instituto Federal do Acre (Ifac), João Felipe de Almeida Correia, foi o único acreano indicado a publicar as discussões de sua pesquisa científica na revista científica Acervo (Qualis A3), do grupo de pesquisa “História da Educação Matemática”.
O jovem, que atualmente é mestrando do programa de pós-graduação em Ensino de Ciências e Matemática da Universidade Federal do Acre (MPECIM/Ufac), escreveu sobre como desenvolveu o processo de ensino sobre números inteiros, para estudantes da Escola Estadual Serafim da Silva Salgado, a partir de discussões históricas envolvendo a vida cotidiana dos seringueiros e como eles produziam suas dívidas nos barracões localizados nos seringais acreanos.
O periódico no qual João Felipe terá sua pesquisa publicada reúne textos científicos que abordam temáticas envolvendo a história da educação matemática. O trabalho é orientado pelo professor do campus Rio Branco, Paulo José dos Santos Pereira, e foi apresentado durante o XXII Seminário Temático Internacional, que ocorreu em São Luís (MA), em maio deste ano.
“Participar do Seminário Temático Internacional foi um marco na minha vida acadêmica e profissional. Nesse evento, conheci pessoas de diversas regiões do Brasil, trazendo discussões ricas em contextos escolares, científicos e sociais sobre a matemática Foi a primeira vez que participei do evento e percebi o quanto é gratificante produzir discussões atuais e difundir conhecimentos profissionais. Isso contribuiu significativamente para minha carreira”, ressaltou João Felipe.
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O barracão
Intitulado “O barracão: trabalhando números inteiros diante da formação histórica e sociocultural do estado Acre”, as discussões propostas pelo ex-aluno do Ifac trazem relatos sobre como ele abordou de forma interdisciplinar conceitos matemáticos, como a ideia de débito e crédito com a utilização dos números inteiros, envolvendo de maneira prática e histórica as vendas que eram feitas nos barracões e a formação de dívidas pelos seringueiros.
“Foram expostos em sala de aula, os tipos de produtos e a super faturação de vendas aos seringueiros. […] Foram trabalhadas em sala de aula algumas listas de exercícios com a operação de números inteiros”, destaca trecho do trabalho acadêmico.
Ainda de acordo com João Felipe, em sua pesquisa, para que os estudantes se aproximassem ainda mais da temática em discussão, foi realizada “a simulação da anotação das dívidas dos seringueiros em um caderno”. A dinâmica, “proporcionou aos estudantes a oportunidade de trabalhar com a representação dos números inteiros através de cálculos matemáticos. Eles compreenderam como eram registrados os gastos e dívidas na época, explorando conceitos matemáticos, como adição, subtração, débito, crédito e até mesmo o uso de valores monetários correspondentes à moeda brasileira de 1902”.
Dessa maneira, como destaca João Felipe em sua pesquisa, “ao calcular as dívidas dos seringueiros, os estudantes não apenas exploraram a matemática, mas também entenderam melhor a economia da época, a relação entre os diferentes produtos e seus valores, além de obterem uma visão mais ampla sobre a vida e o trabalho dos seringueiros durante o ciclo da borracha”.
XXII Seminário Temático Internacional
Pela primeira vez, o Acre esteve representado com seis trabalhos presenciais orientados pelo professor do Ifac, Paulo José dos Santos Pereira, no XXII Seminário Temático Internacional. Além disso, o docente também coordenou uma das salas de comunicações científicas, como também apresentou pesquisas. O evento foi organizado pelo grupo de pesquisa “História da Educação Matemática” (GHEMAT Brasil) e em 2024 teve como tema “Produção, circulação e apropriação da Matemática para o ensino e para a formação de professores, século XXI”.
“Para nós, foi uma satisfação imensa orientar jovens estudantes no projeto de iniciação científica e professores para o evento, assim como ver todos os seis trabalhos sendo publicados nos anais de eventos do GHEMAT Brasil, e um dele ainda sendo indicado para publicação na revista Acervo. Foi extremamente gratificante”, ressaltou o docente do Ifac.
Dentre os trabalhos orientados pelo docente Paulo José está o do estudante do Ifac, Eduardo Rodrigo Pessoa Silva, que cursa Licenciatura em Matemática, no campus Rio Branco. A pesquisa apresenta os resultados do projeto de extensão “II Jornada Formativa de Educação em Ciências e Matemática do Acre”, que aconteceu em 2023 e foi promovido pelo Grupo de Estudos e Pesquisas de Formação de Professores que Ensinam Ciências e Matemática (FORPROCIM). O projeto ressaltou as discussões sobre os elementos do saber profissional e as abordagens pedagógicas na matemática.
O câncer de pulmão é a principal causa de morte por tumores malignos, tendo o fumo do tabaco como o agente cancerígeno mais determinante. Por sua vez, alerta o Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica (GBOT), estudos epidemiológicos sugerem que 20% a 25% dos casos de câncer de pulmão podem não ser atribuíveis ao tabagismo. Na somatória da incidência dos sete estados da região Norte, deverão ser registrados 1.530 novos casos de câncer de pulmão em 2024 e, a partir deste dado oficial do Instituto Nacional de Câncer (INCA), a projeção é que entre 306 e 382 nortistas que nunca fumaram recebam este ano o diagnóstico de um tumor maligno no pulmão.
A maior prevalência de câncer pulmonar na região é registrada no Acre, com 10,93 casos para cada mil acrianos. A mais baixa é observada no Amapá, com 7,66 casos para cada 100 mil. Em relação à incidência, o maior número é registrado no Pará, com 650 casos. Os menores números de casos estão no Amapá e Roraima, ambos com 50 casos cada.
“Embora haja uma grande subnotificação de casos na região Amazônica, é importante observar a distribuição de casos entre os Estados para, a partir disso, estabelecer as políticas de saúde”, ressalta a oncologista clínica Clarissa Baldotto, presidente do GBOT.
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Em todo o mundo, segundo o Observatório Global de Câncer da Agência Internacional par Pesquisa do Câncer (IARC) são registrados mais de 2,4 milhões de casos de câncer de pulmão e a doença responde por 1,8 milhão de mortes anuais. Ao menos 360 mil destas mortes por câncer de pulmão são de pessoas que nunca fumaram.
No Brasil, os dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que 32 mil pessoas devem receber o diagnóstico de câncer de pulmão em 2024. Considerando a estimativa de ao menos dois entre dez casos serem em não tabagistas, a expectativa é que ao menos 6 mil brasileiros, que nunca fumaram, sejam diagnosticados com a doença este ano.
O câncer de pulmão em quem nunca fumou (lung cancer in never smokers/LCINS) é o sétimo contribuinte para morte por câncer. São diversas as etiologias (causas) para o câncer de pulmão em não tabagistas. Pensando nisso, em alusão ao Agosto Branco de 2024, o GBOT busca aumenta a conscientização sobre os fatores de risco do câncer de pulmão em não fumantes. “Esta iniciativa tem como objetivo educar o público geral sobre as causas menos conhecidas do câncer de pulmão, que muitas vezes é uma doença erroneamente associada apenas aos fumantes. Ampliar essa informação é crucial, com potencial de promover diagnóstico precoce e salvar vidas”, afirma Clarissa Baldotto.
Confira os principais fatores de risco para câncer em não fumantes.
1 – Exposição ao Gás Radônio: O radônio é um gás radioativo natural que pode infiltrar-se em casas através de rachaduras na fundação. A exposição prolongada a altos níveis de radônio pode aumentar significativamente o risco de câncer de pulmão. Testar e mitigar os níveis de radônio nas casas pode reduzir esse risco.
2 – Fumo Passivo: Não fumantes que são regularmente expostos ao fumo passivo têm um risco maior de desenvolver câncer de pulmão. Isso inclui viver com fumantes ou frequentar ambientes onde o fumo é comum. Defender ambientes livres de fumaça pode ajudar a proteger contra esse risco.
3 – Poluição do Ar: A exposição prolongada à poluição do ar, incluindo emissões de veículos, processos industriais e usinas de energia, é um fator de risco conhecido para o câncer de pulmão. Apoiar políticas que visam reduzir a poluição do ar e promover energia limpa pode mitigar esse risco.
4 – Exposição Ocupacional: Certas ocupações expõem os trabalhadores a carcinógenos como amianto, fumaça de diesel e alguns produtos químicos usados na fabricação. Garantir medidas de segurança adequadas e equipamentos de proteção nos locais de trabalho pode reduzir a incidência de câncer de pulmão entre não fumantes.
5 – Fatores Genéticos: Um histórico familiar de câncer de pulmão pode aumentar o risco de uma pessoa, mesmo que ela não fume. Incentivar as pessoas a discutirem seu histórico médico familiar com seus médicos pode levar a estratégias de rastreamento e detecção precoce mais personalizadas.
6 – Doenças Pulmonares Prévias: Condições como a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) ou fibrose pulmonar podem aumentar o risco de câncer de pulmão. O diagnóstico e manejo precoces dessas condições são essenciais para reduzir esse risco.
7 – Uso de Cigarros Eletrônicos (Vape): Embora os cigarros eletrônicos (vapes) frequentemente sejam vistos como uma alternativa mais segura ao fumo tradicional, o uso desses dispositivos ainda apresenta riscos, mesmo sem a presença de nicotina. Os líquidos de vape contêm várias substâncias químicas que podem ser inaladas profundamente nos pulmões. Estudos preliminares sugerem que alguns destes produtos químicos podem ser prejudiciais e potencialmente aumentar o risco de câncer de pulmão e outras doenças pulmonares. Promover a conscientização sobre os riscos associados ao uso de vapes, mesmo sem nicotina, é crucial.
Sintomas
Os sintomas do câncer de pulmão variam de pessoa para pessoa. Muitas vezes, os sintomas são facilmente confundidos com doenças respiratórias comuns, como bronquite ou pneumonia, atrasando um diagnóstico preciso. Os sintomas mais comuns do câncer de pulmão incluem:
– Tosse que não desaparece e piora com o tempo – Dor no peito constante e muitas vezes agravada pela respiração profunda, tosse ou riso – Dor no braço ou ombro – Tosse com sangue ou catarro cor de ferrugem – Falta de ar – Chiado – Rouquidão – Infecções como pneumonia ou bronquite que não desaparecem ou voltam com frequência – Inchaço do pescoço e rosto – Perda de apetite e/ou perda de peso – Sentir-se fraco ou cansado – Alargamento das pontas dos dedos e leito ungueal também conhecido como “baqueteamento digital”
Se o câncer de pulmão se espalhar para outras partes do corpo, pode causar:
– Dor no osso – Fraqueza no Braço ou dormência na perna – Dor de cabeça, tontura ou convulsão – Problemas de equilíbrio ou uma marcha instável – Icterícia (coloração amarela) da pele e dos olhos – Gânglios linfáticos inchados no pescoço ou ombro
*Com informações de Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica
Projetos que vão desde produtos faciais a papinhas para bebês, utilizando matérias-primas da Amazônia com foco no impacto socioambiental e destinados à comercialização no mercado internacional, estão entre os três primeiros colocados na quinta edição do hackathon “Amazon Experience”, maratona de idealização e desenvolvimento deste tipo de empreendimento, desenvolvida e realizada em parceria entre o CESUPA (Centro Universitário do Estado do Pará) e a PUC-Campinas.
O evento teve o patrocínio do ICE (Instituto de Cidadania Empresarial), por meio de seus programas de Coalização pelo Impacto e Universidades +Engajadas, e foi coordenado pelos professores Caio Fanha (coordenador do International Office do CESUPA) e José Antonio Olmos (assessor da Pró-Reitoria de Inovação da PUC-Campinas).
Após 15 dias de capacitação e mentoria on-line, estudantes de sete universidades brasileiras foram divididos em oito equipes para desenvolvimento, conclusão e apresentação de um pitch (exposição de ideias de produtos e de negócios para potenciais investidores). A seleção, feita por uma banca composta por docentes da PUC-Campinas e do CESUPA, tinha disponível para cada membro o montante de 10.000 “Amazon Coins” – uma moeda hipotética a ser atribuída a cada projeto, simulando assim uma decisão de investidores.
Os três primeiros colocados foram os que receberam os maiores investimentos atribuídos pela banca. O mais importante é que os projetos fazem parte, agora, de uma lista de diagnósticos desenvolvidos quanto à viabilidade financeira, tonando-se, para os estudantes, já uma oportunidade para se transformarem em empreendimentos por apresentarem projeções econômicas, detalhamento de custos e estratégia de divulgação.
“Oferecemos aos alunos a visão do que é a Amazônia, de como agregar valor ao produto para exportá-lo, de escolher a matéria-prima e transformá-la em produto, respeitando legislações, bem como a realização de planos de marketing”, explica o professor José Antonio Olmos.
Alunos da Econ – Escola de Economia e Negócios da PUCCAMPINAS participantes do hackaton Amazon Experience Fotos: Divulgação/ PUC Campinas
Sobre os projetos e produtos
Dos nove estudantes da ECON (Escola de Economia e Negócios) da PUC-Campinas, três estão entre os principais finalistas. O primeiro colocado foi o projeto skincare em bastão MIA – Made in Amazônia. Trata-se de um bastão 4×1 que proporciona hidratação, tratamento, proteção solar e cobertura suave em um só produto, resumindo a rotina de skincare diária e facilitando a adoção do hábito no dia a dia. Vegano, cruelty free (sem a utilização de cobaias), sustentável e reciclável, o MIA leva em sua composição quatro exclusividades amazônicas: o óleo de andiroba (com ativos para hidratação profunda), é cicatrizante e estimula a regeneração da pele; a manteiga de cupuaçu melhora a elasticidade da pele, é anti-inflamatória e antioxidante; o óleo vegetal de buriti (rico em vitaminas A, C e E, em ácido oleico), estimula a produção de colágeno; e a manteiga vegetal de açaí combate os radicais livres gerados pelo processo oxidativo e auxilia na regeneração da pele.
“Da Amazônia, produzido por comunidades locais, para a sua pele”, informa o slogan do produto. Estudante dos cursos de Relações Internacionais e Geografia na PUC-Campinas, Victória Beatriz Soares lembra que produtos como o MIA auxiliam no desenvolvimento das comunidades envolvidas na cadeia produtiva e levam ao mundo o verdadeiro potencial econômico sustentável da Amazônia. “Historicamente, o mercado europeu é um dos maiores para cosméticos naturais brasileiros, possuindo especial destaque aqueles que são provenientes da Amazônia. Além disso, este mercado está intrinsecamente inserido no mercado de consumo consciente, um dos principais impulsionadores do mercado clean beauty”, revela. Nesse sentido, o MIA estaria pronto para entrar em um mercado aquecido, com projeção de faturamento global de, estimativamente, cerca de US$ 400 milhões até 2029″. Espera-se que somente o mercado europeu adquira US$ 82 milhões no período. Além de Victória, o grupo foi formado por Andrei de Maia Souza (Eng. da Computação / CESUPA) e Evelyn Rayane da Costa Mesquita (Administração / UFPA).
Fotos: Divulgação
Papinha para bebês
O segundo colocado foi o projeto “Papinha de mandioca para bebês e embalagem biodegradável de caroço de açaí”. A pasta de mandioca foi utilizada como matéria-prima e principal insumo amazônico. Por ser rica em fibras, minerais (como o ferro) e vitamina C, auxilia na recomposição de nutrientes necessários para bebês a partir dos 6 meses. O produto foi pensado como uma contribuição ao combate à desnutrição infantil e à má alimentação de crianças por ingestão de alimentos ultraprocessados. “Combinada com outros insumos, essa papinha ajuda no fortalecimento do sistema imunológico de bebês. É de fácil ingestão e possui ação antibacteriana. Para o aquecimento da economia local, a estudante Gabriela Requeijo dos Santos, do 7º semestre de Relações Internacionais da PUC-Campinas, destaca o incentivo aos pequenos agricultores amazônicos para o fornecimento de insumos, como a mandioca. Outro benefício é a embalagem biodegradável feita do caroço de açaí, que é normalmente descartado. Gabriela acredita no interesse do mercado internacional por ser este um produto inovador, sem concorrência direta. No grupo de Gabriela estavam, ainda, os estudantes Sabrina de Oliveira Araújo (Arquitetura / CESUPA), Matheus Freire Alves (Eng. de Materiais / UFC), Leidiane Rodrigues do Nascimento (Administração / UNB), José Ryan de Oliveira Coelho (Ciência da Computação / CESUPA) e Nathali Nicéia Rosa da Cunha (Ciências Econômicas / PUC-RS).
Fotos: Divulgação
“Buriti Sérum”
O terceiro colocado foi o projeto “Buriti Sérum”, um produto facial com ingredientes 100% naturais, com propriedades antioxidantes, hidratantes, medicamentosas (útil no tratamento de doenças anti-inflamatórias da pele) e de proteção solar (grande concentração de betacaroteno). Conta, ainda, com o diferencial da embalagem reutilizável e reciclável. Além do óleo de buriti, o produto é composto por óleo essencial de rosa mosqueta (rico em ácidos graxos, ômega-3 e ômega-6, que ajudam a regenerar a pele e a reduzir a aparência de cicatrizes e rugas), óleo de jojoba (combate a oleosidade, tem ação antioxidante e hidratante, serve como um escudo contra fatores como poluição e fumaça) e por ácido hialurônico (molécula que se liga fisicamente à água na pele para torná-la mais fresca e jovem).
De acordo com os estudantes, esse produto mais natural ainda pode chegar ao mercado pela metade do preço de alguns atuais concorrentes. Do projeto de divulgação proposto constam a “criação de conteúdo educativo e envolvente nas redes sociais, incluindo vídeos, infográficos e entrevistas com especialistas em conservação, cosméticos e medicina da pele” e a “organização de palestras nas lojas nas quais os produtos serão vendidos, para conscientizar os vendedores sobre a biodiversidade e a importância da Amazônia para o equilíbrio ambiental global, aumentando a probabilidade de vendas”.
O projeto é assinado pelas estudantes Raissa Sousa de Oliveira (Ciência da Computação / CESUPA), Gabriela Grosskreutz Beretta (Rel. Internacionais / PUC-Campinas), Maria Eduarda Queiroz dos Santos (Administração / Mackenzie), Juliana Parenza Silveira (Ciências biológicas / PUC-RS) e Nubia Paltrinieri Mazzolini (Administração e Marketing / PUC-Campinas).
Desenvolvimento da Amazônia
“Para nós, o maior benefício é oferecer um olhar de dentro para fora da Amazônia sobre os diversos desafios que possuímos, mas, também, observar as diversas oportunidades. O Amazon Experience vem com uma ideologia de nos fazer pensar em preservação, mas em um contexto no qual possamos, também, desenvolver social e economicamente a região. Essa ideia de não “encostar” na Floresta Amazônica só é boa para quem não mora aqui, para os “de fora”, porque temos 25 milhões de pessoas aqui que precisam que a Amazônia seja desenvolvida. É importante mostrarmos a possibilidade de preservar a Floresta Amazônica – sem destruí-la – mas tornando-a propícia para o desenvolvimento social e econômico da região”, explica o coordenador no CESUPA, professor Caio Fanha.