Nascida em 1939, em Xapuri, no coração do Acre, Nazaré Pereira é uma das grandes representantes da música brasileira no cenário internacional. Cantora, compositora, dançarina e atriz, sua trajetória reflete uma mistura de força, talento e dedicação à arte.
A infância de Nazaré foi marcada por desafios. Aos quatro anos, perdeu o pai, um seringueiro, e mudou-se para Belém, no Pará, aos sete anos com a mãe e o padrasto. Na capital paraense, Nazaré se dedicou aos estudos e se formou no magistério, chegando a lecionar por dois anos. No entanto, a paixão pela arte já pulsava forte e, no final da década de 1960, ela trocou as salas de aula pelos palcos ao ingressar em um curso de teatro no Rio de Janeiro.
Nos anos 1970, a atriz decidiu expandir seus horizontes. Com uma bolsa de estudos, Nazaré foi para Nanci, na França, e depois seguiu para Paris, onde fez pós-graduação na renomada Universidade de Sorbonne. Foi nesse período que a música surgiu como um elemento transformador em sua vida.
A carreira musical de Nazaré começou quase por acaso. Para se sustentar na França, ela cantava em pequenos eventos, mas o destino interveio quando sua interpretação de ‘Cheiro de Carolina’, de Luiz Gonzaga, chamou a atenção de um produtor francês. Em 1978, lançou seu primeiro compacto, marcando o início de uma carreira que já soma mais de 40 anos.
Foto: Arquivo Pessoal
Com quase duas dezenas de álbuns lançados, Nazaré Pereira conquistou o público com sua voz única e a mistura de ritmos brasileiros como o carimbó, baião e toada, muitas vezes carregados de referências às suas raízes amazônicas. Sua música transpôs fronteiras e a levou a cantar ao lado de ícones da música brasileira, como Maria Bethânia, Chico César e Luiz Gonzaga, com quem coescreveu ‘”‘Acre Doce'”‘, uma ode à sua terra natal.
A obra de Nazaré não é apenas entretenimento; é também um testemunho cultural. Por meio de suas canções, ela leva o Brasil profundo para os palcos internacionais, celebrando as tradições e a diversidade do país. Hoje, com uma carreira consolidada, Nazaré Pereira é um exemplo de como a arte pode transformar vidas e conectar culturas.
De Xapuri para o mundo, Nazaré Pereira continua a encantar gerações com sua arte e sua história, eternizando o Acre e a Amazônia no coração da música brasileira.
O clima quente e úmido é o mais propício para a reprodução do escorpião. Mas ao longo da evolução milenar da espécie, esses aracnídeos conseguiram sobreviver a toda sorte de intempéries: se adaptaram a diferentes temperaturas e biomas, aprenderam a passar dias sem água e comida e até a se reproduzir sozinhos.
Há evidências do surgimento dos escorpiões há mais de 450 milhões de anos em habitat aquático, quando eles mediam em torno de 1,30 metro de comprimento. Esses primeiros escorpiões aquáticos tinham uma estrutura física semelhante à que os aracnídeos possuem hoje, com adição de brânquias.
“Por volta de 325 a 350 milhões de anos atrás, eles migraram para o ambiente terrestre e ficaram bem menores, com até 23 centímetros”, conta a assistente técnica de pesquisa científica e tecnológica do Biotério de Artrópodes do Instituto Butantan, Denise Maria Candido.
Foto: José Felipe Batista/Instituto Butantan
Quem quer viver para sempre?
Denise, que é bióloga e especialista em escorpiões, aponta uma série de fatores que explicam a adaptabilidade extrema do aracnídeo.
“Eles se mostraram capazes de se manter por aqui mesmo em situações climáticas adversas. É importante entender a função ecológica deles e que eles não são eliminados facilmente”, completa.
Esses animais possuem quatro pares de pernas, um par de pedipalpo (estruturas que lembram pinças) e um par de quelíceras. A cauda ou metassoma tem uma extremidade chamada Telson onde há duas glândulas de veneno e um ferrão. O veneno é inoculado em predadores ou em humanos quando o escorpião se sente ameaçado.
Os escorpiões não são insetos, mas aracnídeos da ordem Scorpiones. Há 2.800 espécies espalhadas pelo mundo, 180 delas no Brasil. De todas as espécies brasileiras, apenas quatro são consideradas de interesse médico (ou seja podem causar envenenamento grave em humanos):
o escorpião-preto-da-Amazônia (Tityus obscurus), mais comum na região Norte e no Mato Grosso;
o escorpião-amarelo-do-Nordeste (Tityus stigmurus), que ocorre também no Sudeste, Sul e, recentemente no Norte;
o escorpião-marrom (Tityus bahiensis), comum no Centro-Oeste, Sudeste e Sul;
e o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), encontrado em todas as regiões do país.
Foto: José Felipe Batista/Instituto Butantan
“As principais características adaptativas que melhor mostram o sucesso na evolução dos escorpiões são suas poucas transformações morfológicas, e sua grande plasticidade em termos de fisiologia, comportamento e respostas às mudanças ambientais”, descreve Denise Candido.
É um tipo de mágica
Ao longo destes milhões de anos, os escorpiões viveram verdadeiras batalhas épicas de adaptação a diferentes climas e biomas – o que lhes confere um status de “quase invencíveis” em relação à natureza.
“O habitat dos escorpiões é dos mais variados tipos. Eles ocorrem dos desertos às florestas tropicais, do nível do mar às grandes altitudes”, explica Denise.
De fato, escorpiões já foram encontrados em quase todos os ecossistemas terrestres, até mesmo em cavernas, regiões desérticas dos mais variados tipos, sob pedras cobertas de neve e em altitudes de 5.560 metros nos Andes, afirma o Ministério da Saúde.
A alimentação super variada permite aos escorpiões ter mais opções para sobreviver. Eles comem insetos, aranhas, grilos e pequenos vertebrados. Nos ambientes urbanos, se alimentam basicamente de baratas, ajudando no controle destes animais nas cidades.
Por outro lado, são presas fáceis de galinhas, corujas, micos, sapos, morcegos e aranhas. Quando não há comida por perto, conseguem ficar centenas de dias sem se alimentar.
Foto: José Felipe Batista/Instituto Butantan
“Algumas espécies sobrevivem 400 dias sem comida, 87 dias sem água e por volta de 36 dias sem água e comida. Se precisar, comem até outros escorpiões para sobreviver”, afirma Denise.
Tal como o guerreiro escocês imortal, eles também aprenderam a viver na vida mundana e a escalar “montanhas”, migrando facilmente para regiões onde não ocorrem naturalmente.
“Os escorpiões conseguem subir em superfícies rugosas e acessam apartamentos de edifícios, encanamentos expostos ou caixas de luz sem proteção. Também podem ser transportados para outras cidades ou países dentro de produtos em caminhões, barcos e roupas. Nas áreas rurais, os acidentes ocorrem na preparação do solo para o plantio, que é quando os escorpiões são tirados de seu habitat natural”, esclarece.
Essa facilidade do acesso dos escorpiões às cidades e o crescimento urbano desordenado são as principais causas é a principal causa do número crescente de acidentes com o aracnídeo no Brasil e no mundo.
Os escorpiões foram responsáveis por 134 óbitos e por 202.324 acidentes no país em 2023, segundo o Sistema de Informação de Agravos e Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde. O estado de São Paulo continua sendo o maior notificador de acidentes escorpiônicos no Sinan, com 48.651 em 2023.
Só pode haver um (a)
A alta reprodutividade é outro fator que implica na onipresença de escorpiões. Em pelo menos 5% das espécies, as fêmeas são capazes de ter filhotes sem a participação de um macho. Esse processo, nomeado partenogênese, ocorre quando os ovos se desenvolvem sem serem fecundados por um espermatozoide.
Detalhe: as fêmeas conseguem manter esse potencial reprodutivo mesmo durante períodos de privação de alimento e água. Algumas conseguem gerar filhotes com mais de 200 dias sem comida.
“As fêmeas do T. serrulatus e T. stigmurus, as espécies mais perigosas que mais ocorrem no Brasil e na América Latina, podem se reproduzir dessa maneira, o que faz aumentar a população de escorpiões, dificultando ainda mais o controle”, alerta a bióloga.
Foto: José Felipe Batista/Instituto Butantan
Não perca a cabeça
Para além da alta capacidade de sobrevivência dos escorpiões, é importante entender que, assim como outros animais, eles têm uma função de controle biológico importante na natureza e seu veneno é matéria-prima do soro antiescorpiônico, produzido pelo Instituto Butantan.
O imunobiológico é administrado para neutralizar o veneno em casos de picada de escorpiões do gênero Tityus (escorpião amarelo, escorpião amarelo do Nordeste, escorpião marrom e escorpião preto).
“Locais com muito lixo ou entulho são abrigos para escorpiões porque é onde eles encontram comida. Evitar o acúmulo é uma forma de controle e de evitar acidentes”, conclui Denise Candido.
Esta matéria foi validada pela bióloga e assistente técnica de pesquisa científica e tecnológica do Biotério de Artrópodes do Instituto Butantan Denise Maria Candido.
Uma das principais obras do Governo do Pará para a COP 30, que será realizada em Belém em novembro de 2025, o Parque da Cidade, está transformando o espaço urbano da capital Belém aliando infraestrutura moderna e preservação ambiental. Com o transplante de seringueiras e outras espécies nativas da Amazônia, o local não apenas celebra o bioma da região, mas também resgata a memória de um período de grande desenvolvimento urbano e econômico, a Belle Époque, que ocorreu durante o Ciclo da Borracha.
Até o momento, 90 das 176 seringueiras previstas já foram transplantadas para o parque, que, até o final da obra, vai abrigar mais de 1.500 árvores, 190 mil plantas ornamentais e 83 mil metros quadrados de grama. O projeto faz do parque um novo marco ambiental para Belém, conectando passado e presente em uma área de 500 mil m² que será um vibrante pulmão verde para a cidade.
Para a vice-governadora do Pará, Hana Tuma, a ação possui uma relevância histórica e ambiental do Parque da Cidade, e reforça o compromisso com a sustentabilidade e a qualidade de vida em Belém, promovendo a integração entre urbanização e preservação ambiental.
“O Parque da Cidade será recorte do bioma da Amazônia. E as seringueiras transplantadas aqui no Parque trazem à memória o primeiro período áureo da nossa região, em decorrência do ciclo da borracha, que trouxe urbanização, desenvolvimento e crescimento econômico. Hoje, com as grandes transformações que estão em curso, estamos construindo uma nova era para a nossa capital, com maior infraestrutura, reurbanização das periferias e obras que serão o legado da COP 30”.
Foto: Arthur Sobral/Agência Pará
Belle Époque
No final do século 19 e início do século 20, Belém se tornou um dos principais centros urbanos e econômicos da América Latina, impulsionada pela extração do látex da seringueira, matéria-prima essencial para a fabricação de borracha. O avanço tecnológico proporcionado pela Revolução Industrial transformou o látex paraense em um produto valioso no mercado internacional, sendo amplamente utilizado na fabricação de pneus para bicicletas, automóveis e outros itens industriais.
Conhecido como Belle Époque, o período trouxe desenvolvimento urbano e cultural para a capital paraense, se consolidando como a “Paris N’América”. Foi nesse contexto que surgiram ícones arquitetônicos como o Theatro da Paz e o complexo portuário que hoje abriga a Estação das Docas. A memória desse período de prosperidade agora ganha um novo capítulo no Parque da Cidade, por meio das seringueiras que simbolizam essa conexão histórica.
“Belém viveu um período de prosperidade singular durante o Ciclo da Borracha, que marcou profundamente sua identidade cultural e econômica. Hoje, ao transplantarmos seringueiras para o Parque da Cidade, estamos não apenas resgatando essa memória histórica, mas também reafirmando nosso compromisso com o desenvolvimento sustentável e a valorização do legado amazônico. É um tributo à força da nossa história e à visão de futuro que estamos construindo para o Pará e para o mundo”, afirmou a vice-governadora do Estado, Hana Tuma.
Para Regina Meireles, engenheira florestal responsável pelo plantio e transplante das árvores, a importância do trabalho minucioso realizado no Parque da Cidade reflete na preocupação que o Governo do Pará com a manutenção do bioma e do clima.
“Transplantar árvores nativas, como as seringueiras, é um desafio que exige planejamento e cuidado. Cada árvore que chega ao parque é um passo importante para transformar este espaço em um exemplo de compensação climática e preservação da biodiversidade. Esse trabalho é uma contribuição direta para a qualidade de vida dos cidadãos de Belém e uma demonstração do que é possível alcançar quando combinamos ciência, sustentabilidade e memória histórica”, completou.
Trapiche Eliezer Levy Revitalizado. Foto: Isadora Pereira/g1 Amapá
Após 10 anos, o Trapiche Eliezer Levy volta a fazer parte da memória afetiva dos macapaenses. O local foi entregue totalmente revitalizado no dia 27 de dezembro, com direito a nova sorveteria, restaurante, instalação de iluminação em led e o tão aguardado pela população: o ‘bondinho‘ que agora funciona de forma elétrica.
No Trapiche Eliezer Levy, o passeio no bondinho vai funcionar de forma gratuita. Os horários e funcionamento ainda serão definidos pela Prefeitura de Macapá.
O local às margens do rio Amazonas foi palco de muitas histórias para a população, como diz o guarda municipal Ivanilson Pena, que frequentava o trapiche quando era totalmente de madeira. Após quase 20 anos, ele e a esposa marcaram presença na reinauguração
“Eu vinha aqui quando tinha mais ou menos uns 16 anos, com a minha esposa que na época era minha namorada. Tem uma situação engraçada dessa época, que nós brigamos e ela veio andando na frente aqui no trapiche e uns ‘caras’ começaram a mexer com ela e eu falei que ia jogar eles no rio se mexessem com a minha mulher”, contou bem humorado ao lembrar da história.
Ivanilson contou ainda que o trapiche guarda muitas lembranças do casal, da amizade ao namoro, até o momento em que retornam ao local em 2024, com a família completa e as filhas já crescidas.
O prefeito de Macapá, Dr. Furlan, disse que a inauguração do Trapiche Eliezer Levy é mais um incentivo ao turismo na capital, movimentando a renda e valorizando a história da cidade.
“O turismo é algo que a gente tem que investir cada vez mais, e o trapiche, ele vem se somar a todas as intervenções que estão sendo feitas na cidade, especialmente aqui na nossa orla de Macapá. O trapiche foi ampliado, o seu deck, que fica lá dentro do Rio, aumentou”, contou.
Além disso, o espaço conta com o restaurante que passa a funcionar no mês de janeiro e locais de contemplação para o rio, com acessibilidade para Pessoas com Deficiência (PcD).
Foto: Divulgação/Prefeitura de Macapá
“Tem um restaurante, nós tivemos o edital divulgado recentemente, então no meado de janeiro o restaurante estará completo já para receber a população. Temos a sorveteria e temos a tradicional volta do bondinho. Com som ambiente, com uma televisão, que com certeza possibilitará que pessoas que têm necessidades especiais, dificuldades de angulação, possam acessar o deck”, finalizou.
O espaço era anteriormente de responsabilidade do governo do Amapá, que passou para a prefeitura de Macapá em julho de 2021 por meio de um termo de concessão, com a autorização para o uso do espaço por 20 anos. A obra integra o projeto Orla Viva, que prevê a revitalização de toda a frente da cidade.
Sobre o trapiche
O Trapiche Eliezer Levy começou a ser construído em 1936 pelo então prefeito Eliezer Levy, e foi inaugurado apenas no ano de 1945. O local era um destaque devido aos 4 pontos de observação inspirados nos baluartes da Fortaleza de São José de Macapá.
O projeto foi aprovado pelo Ministério da Defesa e coordenado pela Secretaria de Obras e Infraestrutura Urbana (Semob).
A onça-pintada é uma das espécies emblemáticas do Peru e da América. Esta espécie é um símbolo da luta contra o tráfico ilegal de animais silvestres, por isso são importantes as ações tomadas para conservar e proteger esta espécie, que está em perigo de extinção.
A ameaça é aumentada pela redução do habitat natural da onça-pintada devido à presença do ser humano. Diante disso, um projeto lançado há vários anos na região de Madre de Dios, o primeiro a ser realizado no Peru, busca promover a convivência entre a onça e o povo.
O resultado deste projeto, executado pela ONG WWF Peru, é a instalação de mais de 60 armadilhas fotográficas para monitorar a presença de onças-pintadas nas fazendas pecuárias de Madre de Dios.
O WWF Peru explica que há quatro anos, 250 famílias de Madre de Dios optaram por um inovador modelo de pecuária que busca deter o desmatamento e restaurar o ecossistema: a pecuária regenerativa. Como resultado, evitou-se o desmatamento de 500 hectares e a vida selvagem está a regressar aos espaços que outrora foram a sua casa. Porém, esta mudança gerou possíveis conflitos entre a fauna e as pessoas, criando a necessidade de adoção de medidas que contribuam para promover a convivência harmoniosa.
Face a este fato, entre 2022 e 2023, foram realizados inquéritos e workshops participativos em nove comunidades pecuárias da região, com o objetivo de identificar e compreender conflitos, e recolher informação que permita desenhar estratégias de convivência com a vida selvagem.
Dentre os principais resultados destacam-se:
O conflito com a onça-pintada e a onça-parda é o que causa maiores perdas econômicas;
durante os últimos 5 anos, 18 dos 50 fazendeiros relataram ataques ao gado por onças ou pumas;
e a infraestrutura das fazendas (cercas, fontes de água e iluminação) facilita interações negativas com felinos.
Foto: Reprodução/Agência Andina
Armadilhas fotográficas
Graças a essas informações, estratégias antipredatórias foram desenhadas em conjunto com os pecuaristas que incluíram a instalação de mais de 60 armadilhas fotográficas para monitorar a presença de onças nas propriedades, a infraestrutura de cercas foi melhorada para impedir a entrada de felinos, luzes dissuasoras foram instalados e espaços foram realocados, como currais e fontes de água, a fim de reduzir áreas vulneráveis às interações entre rebanhos e felinos.
“Madre de Dios é a primeira região do Peru que está a adotar medidas para reduzir os conflitos com este grande felino e espera-se que até 2025 mais de 10 famílias de criadores implementem ações que reduzam os conflitos com a vida selvagem. Além disso, está sendo avaliada a possibilidade de ampliar iniciativas de coexistência para outras regiões, como Pasco e Huánuco”, disse Fabiola La Rosa, diretora de Vida Selvagem do WWF Peru.
“Na minha família já não o vemos como um inimigo, graças às medidas implementadas com o sistema de monitorização e as escolas de campo, sabemos agora que há mais visitantes e fomos nós que invadimos o seu habitat. Temos que dar espaço ao nosso vizinho, a onça, para poder conviver em harmonia com ela”, afirma Maritza Vargas, pecuarista participante do programa de convivência.
Segundo a instituição, espera-se ampliar esta iniciativa de convivência para outras regiões como Pasco e Huánuco, que também possuem áreas localizadas na selva amazônica e que fazem parte do habitat da onça-pintada.
Por fim, o WWF Peru destacou que com a implementação de medidas antipredatórias e o esforço conjunto com as comunidades locais, um novo capítulo está sendo escrito na relação entre a vida selvagem e as atividades humanas em Madre de Dios. “Este modelo pioneiro estabelece as bases para um futuro onde a conservação e a pecuária se complementam para o benefício de todos, garantindo a subsistência das gerações futuras”, disse ele.
Jorge Teixeira e sua mulher Aida Fibiger. Foto: Rosinaldo Machado/Arquivo pessoal
Oficialmente, Jorge Teixeira, mas para quem é da área, é o famoso “Jorge Texas“. O bairro mais populoso da capital amazonense ganhou esse apelido que “bomba” entre os moradores, especialmente nas redes sociais. Com mais de 133 mil habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o nome faz homenagem a um antigo prefeito de Manaus e ao primeiro governador de Rondônia.
Sabia disso? Não?! Então vem conhecer a história dessa personalidade!
De acordo com o acervo de biografias da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Jorge Teixeira não nasceu no Amazonas nem em Rondônia, mas em General Câmara, uma pequena cidade no Rio Grande do Sul.
Ele ingressou na Academia Militar das Águas Negras e se tornou aspirante do Exército em 1947. Em 1966, já durante a Ditadura Militar, alcançou o posto de tenente-coronel e fundou, em Manaus, o Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), que comandou até 1971.
Foi também nesse período que Teixeira atuou no combate à Guerrilha do Araguaia, nas regiões do sul do Pará e norte de Goiás (atualmente Tocantins). Após esse episódio, retornou a Manaus, onde fundou, em 1971, o Colégio Militar de Manaus, permanecendo à frente da instituição até 1973.
No ano seguinte, em 1974, Jorge Teixeira foi nomeado prefeito de Manaus pelo então presidente Ernesto Geisel.
Durante sua gestão, ficou conhecido por rasgar cartões de visita de políticos que pediam empregos, justificando que não se devia “misturar uma coisa com a outra”, segundo sua biografia.
“Devemos ao prefeito Jorge Teixeira o alongamento e asfaltamento da antiga Rua João Alfredo, transformada na grande Avenida Djalma Batista, e a abertura da Rua Pedro Teixeira, ligando a Djalma Batista à Ponta Negra, além de outras obras”, conta Gaetano Antonaccio em seu livro Bairros de Manaus, lançado em 2010.
Aida Figiber e Jorge Teixeira. Foto: Rosinaldo Machado/Arquivo pessoal
Teixeira foi prefeito de Manaus até 1979, quando foi nomeado pelo presidente João Figueiredo para o governo do então território de Rondônia, pelo Partido Democrático Social (PSD), cargo que ocupou até 1985, quando foi substituído por Ângelo Angelim.
Embora pouco se saiba sobre seus grandes feitos na capital do Amazonas, como a criação do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) e do Colégio Militar de Manaus, seu legado está fortemente associado ao bairro que leva seu nome. A principal avenida que liga as Zonas Oeste e Centro-Oeste da cidade também homenageia Jorge Teixeira: a Avenida Coronel Teixeira.
O bairro
Localizado na periferia de Manaus, o bairro conta com 133.448 habitantes, segundo o Censo do IBGE. É um verdadeiro reduto de famílias manauaras, além de abrigar uma grande variedade de pequenos e médios comércios que impulsionam a economia local.
Segundo Antonaccio, o bairro surgiu oficialmente durante o primeiro mandato de Arthur Neto como prefeito de Manaus, entre 1989 e 1992.
“O prefeito distribuiu terrenos para famílias carentes do bairro São José Operário. A área do novo bairro é plana e, logo em seguida, foi aberta a Avenida Grande Circular, que conecta a Zona Norte à Zona Leste. Essa via se estende do São José até a Cidade Nova. Por isso, o bairro está na Zona Leste de Manaus, fazendo limite com o Tancredo Neves, o Distrito Industrial e a Cidade Nova”.
Avenida Itaúba, via conhecida no bairro Jorge Teixeira, em Manaus. Foto: Eliana Nascimento/Acervo/g1 Amazonas
A fundação do bairro ocorreu em 25 de março de 1989, com a realização da primeira missa no local.
O bairro também é conhecido pela Rua do Fuxico, um importante centro comercial da Zona Leste de Manaus. No entanto, os dados de Segurança Pública indicam que é um dos locais mais violentos da cidade. Em 2021, por exemplo, mais de 80 homicídios foram registrados em apenas sete meses.
“O comércio local é bastante movimentado, com venda de alimentos como milho, feijão, mandioca, arroz e açúcar, além de materiais de construção, eletrodomésticos e eletrônicos. Esses produtos estão presentes tanto na Avenida Penetração quanto na Jorge Teixeira, que atravessa grande parte do bairro e conecta à Grande Circular”, conclui Antonaccio.
A falta de infraestrutura nas moradias é outro desafio enfrentado pelos moradores da região. Em 2023, um deslizamento de terra em uma comunidade do bairro tragicamente causou a morte de oito pessoas.
Buscando oferecer soluções sustentáveis para o tratamento de águas escuras (esgoto sanitário), um projeto idealizado pela professora Marcela Cunha, da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), vem desenvolvendo fossas ecológicas em comunidades rurais de Tomé-Açu, no nordeste do Pará.
O projeto, que iniciou em 2023, nasceu da necessidade local de tratar esgoto, especialmente na zona rural, onde a ausência de sistemas adequados é uma realidade crítica. A iniciativa utiliza a tecnologia de fossas ecológicas ou bacias de evapotranspiração (BET), que combinam materiais de baixo custo e reaproveitados, como entulhos, pneus usados e restos de construção, para criar um sistema fechado e eficaz de tratamento.
“Na montagem da fossa, são utilizados materiais para impermeabilizar as paredes e o fundo com lona, tela de viveiro e reboco cimentício. Depois é montado uma galeria de pneus que é coberta pelos entulhos e restos de materiais de construção como areia, seixo, brita ou o que estiver disponível. A última camada é de terra preta, para a plantação das bananas, taiobas e mamoeiros”, explicou Marcela Cunha, professora da Ufra e idealizadora do projeto.
A professora explica que toda essa estrutura é sustentável e ecologicamente responsável. “A BET é um sistema fechado de tratamento de água escura [esgoto sanitário]. A tubulação que sai do vaso sanitário chega na BET e desce até o túnel de pneus. Lá dentro, vai ocorrer a fermentação da matéria orgânica contida na água escura. Em seguida, a água entra em contato com as diferentes camadas que existem dentro da BET: camada de entulho grosseiro, pedra, restos de cerâmica, seixo, brita e areia. Nestas camadas, os processos de filtragem e decomposição continuam, dando origem aos nutrientes orgânicos que vão ser absorvidos pelas raízes das plantas que sobrepõe a BET, como bananeiras, mamoeiros, taiobas e etc. Vale ainda lembrar que as plantas eliminam a água do sistema por evapotranspiração”.
Foto: Divulgação
O principal objetivo do projeto é fornecer às comunidades rurais um sistema acessível e replicável para o tratamento de esgoto, evitando a contaminação do solo e dos recursos hídricos. Até o momento, seis BETs foram instaladas, beneficiando diretamente mais de 30 pessoas em cinco famílias da comunidade quilombola de Marupaúba.
Além disso, o sistema foi implementado na Associação Agropecuária do Vale do Acará, servindo como ponto de demonstração da tecnologia durante eventos agropecuários. A escolha de Marupaúba, uma comunidade localizada a 46 km de Tomé-Açu, se deve à necessidade de evitar a contaminação do solo próximo ao poço artesiano que abastece os moradores locais.
O projeto já capacitou moradores de três comunidades: Nova Vida, Itabocal Ponte e Marupaúba, para construir BETs, promovendo autonomia e sustentabilidade. A expectativa é instalar mais de 10 BETs até o final do projeto, com a implementação de sistemas em outras comunidades quilombolas e ribeirinhas da região.
Além das famílias diretamente atendidas, toda a comunidade se beneficia da redução na contaminação ambiental. “Sem esse sistema, as águas provenientes do vaso sanitário seriam lançadas diretamente no solo, contaminando o lençol freático e as fontes de abastecimento da população”, concluiu Marcela Cunha.
No programa Sabores da Amazônia, do Amazon Sat, é possível conhecer receitas e releituras culinárias com a adição de itens da região. Para esta virada de ano, aprenda com o chef Manoel Brelaz uma receita simples da popular taça da felicidade, mas com um ingrediente muito querido da região: a banana pacovã frita:
Ingredientes
300 gramas (g) de banana pacovã madura frita, confeitada com açúcar e canela
100 g morango
100 g de kiwi
300 g de pudim cortados
300 g de chantilly à gosto
400 g de crème pâtissière
Decoração
30 g de chocolate derretido no bico
Frutas para finalizar a decoração
Modo de preparo
Esta é uma receita simples e que pode ser feita de acordo com o gosto de quem a montar. Basta distribuir as frutas cortadas em uma taça conforme sua imaginação e seguir as dicas do chef:
Em uma floresta exuberante, vivia uma pequena semente. Chamava-se Esperança. Ela sonhava em se tornar uma grande árvore, com raízes profundas e galhos que tocassem o céu. Mas a seca havia assolado a floresta e o solo estava rachado e árido.
Esperança tentava de todas as formas germinar, mas a terra seca e o sol escaldante a impediam. Seus amigos, os animais da floresta, a incentivavam: a formiga trabalhadora lhe dizia para não desistir, o sabiá cantava melodias alegres para animá-la e a capivara a convidava para beber água em um pequeno poço que havia encontrado.
Um dia, enquanto buscava por um pouco de umidade, Esperança, entristecida pela possibilidade de não florescer, observa a formiga arrastando uma folha maior que ela e pergunta:
– Formiguinha, você nunca desiste, não é? Como consegue tanta força para carregar coisas tão pesadas?
A formiga para e olha para a Sementinha, com seus olhos brilhantes:
– É simples, Sementinha. O trabalho em equipe move montanhas! E a persistência é a chave para tudo. Mesmo que seja só um pouquinho a cada dia, a gente consegue grandes coisas.
Esperança olha fixamente para a formiga e diz:
– Estou sem força, acho que não conseguirei cumprir a minha missão de florescer. Falta umidade, água para que eu possa absorver nutrientes dos fungos do solo e começar a crescer.
O sabiá que estava pousado em um galho próximo a cantar uma melodia suave, percebendo a tristeza da Esperança, interrompe a canção e pergunta:
– Por que você está tão desanimada, pequena Sementinha?
A Sementinha explica sua situação e o sabiá, com sua voz melodiosa, responde:
– Lembre-se, Sementinha, mesmo nas maiores tempestades, o sol sempre volta a brilhar. Acredite em si mesma e na força da natureza. As raízes mais profundas encontram as melhores águas.
Esperança, a pequena sementinha, apesar de desolada, mas confortada com as palavras dos amigos, continua procurando a umidade para umedecer seu corpo e finalmente alimentar-se dos fungos para germinar.
De repente, Esperança sentiu um tremor no solo. Um grupo de onças, guiadas por uma velha e sábia onça, aproximava-se. A Sementinha se aproxima e, com voz tímida, pergunta:
– Senhora Onça, você acredita que eu possa encontrar água? A seca está tão forte.
A onça, com um olhar sábio, responde:
– Pequena Sementinha, não desanime, a natureza é cheia de surpresas. A vida sempre encontra um caminho, se você buscar com determinação encontrará o que precisa. Busque nas profundezas da terra, onde a água ainda pode ser encontrada.
A onça se agacha e, com sua pata macia, afaga a cabeça da Sementinha, transmitindo-lhe força e confiança.
Inspirada pelas palavras e a atitude da onça, Esperança começou a cavar com todas as suas forças. Seus brotos se aprofundavam cada vez mais, até que, finalmente, sentiu a umidade da terra. Com grande esforço, suas raízes alcançaram uma veia d’água subterrânea.
A partir dali, Esperança começou a crescer forte e saudável. Seus galhos se estenderam em direção ao sol, e suas raízes se fixaram profundamente no solo. Logo, uma pequena árvore surgiu no meio da floresta seca, trazendo vida e esperança para todos os seres que ali viviam.
Moral da história:
Mesmo diante das maiores dificuldades, a esperança e a perseverança podem nos levar a alcançar nossos objetivos. Assim como a pequena semente, podemos superar qualquer obstáculo e florescer, trazendo alegria e beleza para o mundo.
Feliz ano novo!!!
*Observação: Este texto foi escrito por meu irmão Estevão e gentilmente cedido para fazermos uma reflexão sobre este dia.
Sobre o autor
Eduardo Monteiro de Paula é jornalista formado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com pós-graduação na Universidade do Tennesse (USA)/Universidade Anchieta (SP) e Instituto Wanderley Luxemburgo (SP). É diretor da Associação Mundial de Jornalistas Esportivos (AIPS). Recebeu prêmio regional de jornalismo radiofônico pela Academia Amazonense de Artes, Ciências e Letras e Honra ao Mérito por participação em publicação internacional. Foi um dos condutores da Tocha Olímpica na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.
Um grupo de pesquisadores do município de Itacoatiara (distante 176 quilômetros de Manaus), no Amazonas, avaliou os efeitos da ingestão de microplásticos em caranguejos vermelhos (Dilocarcinus pagei), espécie comum na região amazônica encontrada em área de várzea. A pesquisa apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), buscou conhecer os impactos dos poluentes, na preservação dos crustáceos e da fauna aquática.
Amparada via Programa de Apoio a Pesquisa–Universal Amazonas da Fapeam, edital Nº 006/2019, a pesquisa intitulada ‘Resíduos de microplásticos e sua influência na biologia do caranguejo vermelho Dilocarcinus pagei capturados nas áreas de várzeas de Itacoatiara’ foi desenvolvida por cientistas do Instituto de Ciências Exatas e Tecnologia Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
O estudo constatou que a ingestão de microplástico pode causar efeitos negativos no crescimento de juvenis, ganho de peso e influenciar na sobrevivência dos adultos dessa espécie de caranguejo de água doce.
Segundo o coordenador da pesquisa, Gustavo Yomar Hattori, as partículas de microplásticos vêm sendo encontradas em grande variedade e quantidade em ambientes de água doce, com exposição cada vez mais frequente nos organismos aquáticos.
“Comparamos os resultados entre indivíduos adultos e juvenis e entre machos e fêmeas do caranguejo vermelho Dilocarcinus pagei. A microscopia eletrônica de varredura (MEV) e a espectroscopia vibracional Raman foram utilizadas para identificar e confirmar a presença das partículas de microplástico”, explica o pesquisador.
Doutor em Zootecnia, Gustavo Hattori afirma que o efeito da ingestão do microplástico misturado na ração e à macrófita também foram avaliados no crescimento de juvenis dos caranguejos, recém eclodidos por um período de 90 dias, além do efeito no ganho ou perda de peso de machos e fêmeas adultos.
Foto: Divulgação
Microplásticos
O estudo analisou via microscopia eletrônica de varredura (MEV), lupas com sistema de análise de imagem e a espectroscopia vibracional Raman para identificar e confirmar a presença das partículas microplásticos oriundas de sacolas plásticas de polietileno fragmentadas 0,5 e 1 milímetro nos crustáceos.
O coordenador da pesquisa, relata que os caranguejos têm o hábito alimentar onívoros além de serem atraídos por matéria orgânica em decomposição.
“Esses animais podem vasculhar o lixo presente na água a procura de alimento e nessa manipulação de sacolas plásticas pode ocorrer também a ingestão acidental”, destacou.
Para conscientizar sobre a contaminação dos microplásticos nos rios, lagos e igarapés da região, os pesquisadores também realizaram oficinas nas escolas da zona urbana de Itacoatiara.